Tradução Brasileira (2010) (TB)
102

Na sua grande aflição, o salmista recorre a Deus para que restabeleça o seu povo e o reconduza à sua terra

Oração do aflito, quando se acha desfalecido e derrama a sua queixa perante Jeová

1021Ouve, Jeová, a minha súplica,

e chegue a ti o meu clamor.

2Não escondas de mim a tua face no dia da minha angústia.

Inclina para mim o teu ouvido.

No dia em que eu clamar, responde-me depressa.

3Pois como fumo se desvanecem os meus dias,

e os meus ossos ardem como tição.

4Ferido e seco está o meu coração como a erva;

esqueço-me de comer o meu pão.

5Por causa da voz do meu gemido,

os meus ossos se me apegam à carne.

6Sou semelhante ao pelicano no deserto,

chego a ser como a coruja das ruínas.

7Vigio e tornei-me

como um passarinho solitário no telhado.

8Continuamente, me vituperam os meus inimigos;

os que são furiosos contra mim usam o meu nome para lançar maldições.

9Pois tenho comido cinza como pão

e misturado com lágrimas a minha bebida,

10por causa da tua indignação e da tua ira,

porque, levantando-me, me arrojaste.

11Os meus dias são como a sombra que declina,

e eu, como a erva, me vou secando.

12Mas tu, Jeová, estás entronizado para sempre.

E o teu memorial vai de geração em geração.

13Tu te levantarás e terás compaixão de Sião;

pois é tempo de te compadeceres dela, sim, o tempo marcado já chegou.

14Porquanto os teus servos amam-lhe até as pedras

e se condoem do seu pó.

15Assim, as nações temerão o nome de Jeová,

e todos os reis da terra, a tua glória,

16quando Jeová tiver edificado a Sião,

tiver aparecido na sua glória,

17tiver atendido à oração do desamparado

e não tiver desprezado a oração deles.

18Ficará isso registrado para a geração vindoura,

e um povo que há de ser criado louvará a Jeová.

19Pois olhou desde o alto do seu santuário,

desde os céus olhou Jeová para a terra,

20para ouvir o suspiro do encarcerado,

para soltar os que são destinados à morte;

21a fim de que declarassem em Sião o nome de Jeová

e o seu louvor, em Jerusalém,

22quando se ajuntarem os povos

e os reinos, para servirem a Jeová.

23Ele abateu a minha força no caminho,

encurtou os meus dias.

24Eu disse: Deus meu, não me leves no meio dos meus dias;

os teus anos são por todas as gerações.

25Desde o princípio, lançaste os fundamentos da terra;

e os céus são obra das tuas mãos.

26Eles hão de perecer, mas tu permanecerás;

todos eles se envelhecerão como um vestido;

como roupa os mudarás, e serão mudados.

27Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

28Os filhos dos teus servos habitarão a terra,

e a sua posteridade será estabelecida perante ti.

103

Convite a louvar a Deus por amor das suas misericórdias

Salmo de Davi

1031Bendize, minha alma, a Jeová,

e tudo o que há em mim, bendiga o seu santo nome.

2Bendize, minha alma, a Jeová

e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios.

3É ele quem perdoa todas as tuas iniquidades;

quem sara todas as tuas enfermidades;

4quem da cova redime a tua vida;

que te cerca de benignidade e de ternas misericórdias;

5quem farta de bens a tua boca,

de sorte que a tua mocidade se renova como a águia.

6Jeová executa atos de justiça

e juízos para todos os que estão oprimidos.

7Manifestou os seus caminhos a Moisés

os seus feitos, aos filhos de Israel.

8Jeová é misericordioso e compassivo,

tardio em se irar e de muita benignidade.

9Não contenderá perpetuamente,

nem para sempre reterá a sua ira.

10Não nos há tratado segundo os nossos pecados,

nem nos tem recompensado segundo as nossas iniquidades.

11Pois como o céu é elevado acima da terra,

tão grande é a sua benignidade para com os que o temem.

12Quanto dista o Oriente do Ocidente,

tanto tem ele apartado de nós as nossas transgressões.

13Bem como um pai se compadece de seus filhos,

assim Jeová se compadece dos que o temem.

14Pois ele conhece a nossa estrutura,

lembra-se de que somos pó.

15Quanto ao homem, os seus dias são como relva;

qual a flor do campo, assim ele floresce.

16Pois, passando por ela o vento, desaparece,

e o seu lugar não o conhecerá mais.

17Mas a benignidade de Jeová é desde a eternidade até a eternidade sobre os que o temem,

e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos,

18para com aqueles que guardam a sua aliança

e para com os que se lembram dos seus preceitos para os cumprirem.

19Jeová estabeleceu nos céus o seu trono,

e o seu reino domina sobre tudo.

20Bendizei a Jeová, vós, seus anjos;

vós, poderosos em força, que executais o seu mandado,

obedecendo à voz da sua palavra.

21Bendizei a Jeová, vós, todas as suas hostes;

vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito.

22Bendizei a Jeová, vós, todas as suas obras,

em todos os lugares do seu domínio.

Bendize, minha alma, a Jeová.

104

A glória de Deus é manifestada na criação e conservação de todas as coisas

1041Bendize, minha alma, a Jeová.

Ó Jeová, Deus meu, tu és mui grande;

estás vestido de honra e de majestade,

2tu que te cobres de luz como dum manto,

que estendes o céu como uma cortina,

3és quem põe nas águas as vigas das suas câmaras,

quem faz das nuvens o seu carro,

quem anda sobre as asas do vento,

4quem faz dos seus mensageiros ventos,

dos seus ministros, fogo chamejante;

5quem lançou os fundamentos da terra,

para que não fosse abalada para sempre.

6Cobriste-a dum abismo como duma vestidura;

as águas ficaram acima das montanhas.

7À tua repreensão, fugiram;

à voz do teu trovão, puseram-se em retirada

8(Elevaram-se as montanhas, desceram os vales.),

para o lugar que lhes tinha preparado.

9Puseste-lhes barreiras, para que não ultrapassem,

para que não tornem a cobrir a terra.

10Tu és quem faz sair fontes no vale;

elas correm entre os montes;

11dão de beber a todos os animais do campo;

os asnos monteses matam a sua sede.

12Junto delas, as aves do céu têm o seu pouso,

dentre a ramagem fazem ouvir o seu canto.

13Ele, das suas câmaras, rega os montes;

a terra se farta dos frutos das suas obras.

14Faz crescer a relva para o gado

e a erva para corresponder ao trabalho do homem,

para fazer sair alimento do seio da terra,

15o vinho que alegra o coração do homem,

o azeite que faz reluzir o seu rosto,

e o pão que fortalece o coração do homem.

16São saciadas as árvores de Jeová,

os cedros do Líbano que ele plantou,

17nos quais fazem ninhos as aves.

Quanto à cegonha, a sua morada está nos ciprestes.

18Para as cabras monteses são as altas montanhas;

os penhascos são refúgios para os querogrilos.

19Ele fez a lua para marcar as estações;

o sol conhece o seu ocaso.

20Tu fazes as trevas, e vem a noite,

na qual saem todos os animais da selva.

21Os leões novos rugem em busca da presa

e pedem a Deus de comer.

22Mal nasce o sol, recolhem-se

e vão deitar-se nos seus covis.

23O homem sai para o seu trabalho

e para a sua ocupação, até à tarde.

24Quão numerosas são as tuas obras, Jeová!

Todas elas as fizeste com sabedoria.

Cheia está a terra das tuas riquezas.

25Eis ali o mar grande e vasto,

no qual se movem inumeráveis seres,

animais, tanto pequenos como grandes.

26Ali, andam os navios;

ali, está leviatã, que formaste para nele folgar.

27Todos estes esperam de ti

que lhes dês de comer, a tempo.

28Tu lhes distribuis, e eles apanham;

abres a mão, eles são saciados de bens.

29Escondes o teu rosto, e eles ficam perturbados;

tira-lhes o fôlego, eles morrem,

e voltam ao seu pó.

30Envias o teu Espírito, e eles são criados;

e renovas a face da terra.

31Permaneça para sempre a glória de Jeová;

regozije-se Jeová nas suas obras.

32Ele olha para a terra, e ela estremece;

toca as montanhas, e elas fumegam.

33Cantarei a Jeová, enquanto eu viver;

cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu subsistir.

34Seja-lhe agradável a minha meditação;

eu me regozijarei em Jeová.

35Sejam da terra extirpados os pecadores,

e não subsistam mais os perversos.

Bendize, minha alma, a Jeová!

Louvai a Jeová!