Tradução Brasileira (2010) (TB)
2

A cura dum paralítico em Cafarnaum

21Alguns dias depois, voltou Jesus a Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2

2.2
Mc 2.13
Mc 1.45
Muitos afluíram ali, a ponto de já não haver lugar nem junto à porta; e ele lhes dirigia a palavra. 3
2.3
Mc 2.3-12
Mt 9.2-8
Lc 5.18-26
Trouxeram-lhe um
2.3
Mt 4.24
paralítico, carregado por quatro homens; 4e, não podendo apresentar-lho por causa da multidão,
2.4
cp.
desladrilharam o eirado por cima de Jesus e, feita uma abertura, arrearam o leito em que jazia o paralítico. 5Vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Filho,
2.5
Mt 9.2
perdoados são os teus pecados. 6Estavam, porém, ali sentados alguns escribas, que discorriam nos seus corações: 7Por que fala assim este homem? Ele blasfema;
2.7
Is 43.25
quem pode perdoar pecados senão só um, que é Deus? 8Mas Jesus, percebendo logo em seu espírito que eles assim discorriam dentro de si, perguntou-lhes: Por que discorreis sobre essas coisas em vossos corações? 9Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10Para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: 11A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 12Ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o seu leito, retirou-se à vista de todos de modo que todos ficaram atônitos e
2.12
Mt 9.8
glorificaram a Deus, dizendo:
2.12
Mt 9.33
Nunca vimos coisa semelhante.

A vocação de Levi

13Saiu, outra vez, para a beira-mar;

2.13
Mc 1.45
toda a multidão vinha ter com ele, e ele os ensinava. 14
2.14
Mc 2.14-17
Mt 9.9-13
Lc 5.27-32
Quando ia passando, viu a
2.14
cp.
Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe:
2.14
Mt 8.22
Segue-me. Ele se levantou e o seguiu.

Jesus come com pecadores

15Estando Jesus à mesa na casa de Levi, sentaram-se também com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; pois havia muitos que o seguiam. 16Vendo

2.16
At 23.9Lc 5.30
os escribas dos fariseus que ele comia com os pecadores e publicanos, perguntaram aos discípulos dele:
2.16
Mt 9.11
Como é que ele come com os publicanos e pecadores? 17Jesus, ouvindo isso, respondeu-lhes:
2.17
Mt 9.12-13
Lc 5.31-32
Os sãos não precisam de médico, mas sim os enfermos; eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.

A questão do jejum

18(

2.18
Mc 2.18-22
Mt 9.14-17
Lc 5.33-38
Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando.) Eles vieram perguntar-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus não jejuam? 19Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo que têm consigo o noivo, não podem jejuar. 20
2.20
Lc 17.22
Mt 9.15
Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o noivo; nesses dias, jejuarão. 21Ninguém cose remendo de pano novo em vestido velho; de outra forma, o remendo novo tira parte do velho, e torna-se maior a rotura. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; de outra forma, o vinho fará arrebentar os odres, e perder-se-á o vinho, e também os odres. Pelo contrário, vinho novo é posto em odres novos.

Jesus é senhor do sábado

23

2.23
Mc 2.23-28
Mt 12.1-8
Lc 6.1-5
Caminhando Jesus pelas searas em um sábado, os seus discípulos, ao passarem, começaram
2.23
Dt 23.25
a colher espigas. 24Os fariseus lhe perguntaram: Olha,
2.24
Mt 12.2
por que fazem eles no sábado o que não é lícito? 25Ele lhes respondeu:
2.25
1Sm 21.6
Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros? 26Como entrou na Casa de Deus, sendo
2.26
1Cr 24.61Sm 21.1
2Sm 8.17
Abiatar sumo sacerdote, e comeu os pães da proposiçãoGr. de apresentação., os quais só aos sacerdotes era lícito comer, e ainda deu aos seus companheiros? 27Acrescentou:
2.27
Êx 23.12
Dt 5.14
O sábado foi feito por causa do homem
2.27
Cl 2.16
e não o homem por causa do sábado; 28assim, o Filho do Homem é senhor até do sábado.

3

A cura de um homem que tinha uma das mãos ressequida. Trama contra a vida de Jesus

31

3.1
Mc 3.1-6
Mt 12.9-14
Lc 6.6-11
Entrou
3.1
Mc 1.21,39
Jesus outra vez numa sinagoga onde se achava um homem que tinha uma das mãos ressequida. 2
3.2
Lc 6.7
14.1
20.20
Observam-no para ver se curaria o homem em dia de sábado,
3.2
Mt 12.10
Lc 6.7Lc 11.54
a fim de o acusarem. 3Disse Jesus ao homem que tinha a mão ressequida: Levanta-te e vem para o meio de nós. 4Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou o mal, salvar a vida ou tirá-la? Mas eles guardaram silêncio. 5
3.5
Lc 6.10
Olhando com indignação para aqueles que o rodeavam, contristado pela dureza dos seus corações, disse ao homem: Estende a mão. Ele a estendeu; e a mão lhe foi restabelecida. 6Os fariseus, saindo dali, entraram logo em conselho com os
3.6
Mt 22.16
Mc 12.13
herodianos contra ele, para ver um meio de lhe tirar a vida.

Jesus retira-se. A cura de muitos à beira-mar

7

3.7
Mc 3.7-12
Mt 12.15-16
Lc 6.17-19
Jesus retirou-se com os seus discípulos para o lado do mar. Da Galileia o seguiu
3.7
Mt 4.25
Lc 6.17
uma grande multidão; também da Judeia 8de Jerusalém,
3.8
cp.
da Idumeia, dalém do Jordão e das circunvizinhanças de
3.8
Mt 11.21
Tiro e de Sidom, o povo, sabendo quantas coisas Jesus fazia, foi ter com ele em grande número. 9Ele recomendou a seus discípulos que tivessem uma barquinha sempre ao seu dispor, por causa da multidão, a fim de que não o apertasse; 10porque
3.10
Mt 4.23
curou a muitos, de modo que todos os que padeciam
3.10
Mc 5.29,34
Lc 7.21
qualquer doença, se arrojavam a ele para
3.10
Mc 6.56
8.22
Mt 9.21
14.36
o tocar. 11Os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam: Tu és
3.11
Mt 4.3
o Filho de Deus. 12Ele
3.12
Mt 8.4
lhes advertiu com insistência que não o dessem a conhecer.

A missão dos doze apóstolos. Os seus nomes

13Depois, subiu

3.13
Lc 6.12Mt 5.1
ao monte e
3.13
Mt 10.1
Mc 6.7
Lc 9.1
chamou para junto de si os que ele mesmo quis, e eles vieram. 14Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar, 15com autoridade de expelirem os demônios. 16Eis os doze que designou:
3.16
Mc 3.16-19
Mt 10.2-4
Lc 6.14-16
At 1.13
Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer filhos do trovão; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o zelote, 19e Judas Iscariotes, que o traiu.

A blasfêmia dos escribas

Entrou

3.19
cp.
numa casa; 20e, mais uma vez, a
3.20
cp.
multidão afluiu,
3.20
Mc 6.31
de tal modo que nem sequer podiam comer. 21Quando
3.21
cp.
seus parentes souberam disso, saíram para o segurar, porque diziam:
3.21
cp.
Ele está fora de si. 22Os escribas que haviam descido
3.22
Mt 15.1
de Jerusalém afirmavam: Está possesso de
3.22
Mt 10.2511.18
Belzebu. E:
3.22
Mt 9.34
É pelo chefe dos demônios que expele os demônios. 23
3.23
Mc 3.23-27
Mt 12.25-29
Lc 11.17-22
Chamando-os para junto de si, disse-lhes por
3.23
Mc 4.2Mt 13.3Mc 4.2-9
parábolas: Como pode
3.23
Mt 4.10
Satanás expelir a Satanás? 24Se um reino se levantar contra si mesmo, esse reino não pode subsistir; 25se uma casa se levantar contra si mesma, essa casa não poderá permanecer. 26Se
3.26
Mt 4.10
Satanás se tem levantado contra si mesmo e está dividido, ele não pode subsistir; antes, tem fim. 27
3.27
cp.
Pois ninguém pode entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e, então, lhe saqueará a casa. 28
3.28
Mc 3.28-30Mt 12.31-32
Lc 12.10
Em verdade vos digo: Que aos homens serão perdoados todos os pecados e as blasfêmias que proferirem; 29mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca mais terá perdão; pelo contrário, é réu de um pecado eterno. 30Pois diziam: Está possesso de um espírito imundo.

A família de Jesus

31

3.31
Mc 3.31-35
Mt 12.46-50
Lc 8.19-21
Chegaram sua mãe e seus irmãos; e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Olha, tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram. 33Ele perguntou: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34Olhando para os que estavam sentados em roda dele, disse: Eis minha mãe e meus irmãos! 35Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

4

Uma série de parábolas. A parábola do semeador

41

4.1
Mc 4.1-12
Mt 13.1-15
Lc 8.4-10
De novo, começou Jesus a ensinar
4.1
Mc 2.13
3.7
à beira do mar. Reuniu-se a ele uma grande multidão, de maneira que entrou numa barca e sentou-se dentro dela no mar; e todo o povo achava-se na praia. 2Ele lhes ensinava muitas coisas por
4.2
Mc 3.23Mt 13.3-9
parábolas, dizendo, no correr do seu ensino: 3Ouvi: O semeador saiu a semear; 4quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram-na. 5Outra parte caiu nos lugares pedregosos, onde não havia muita terra; logo nasceu, porque a terra não era profunda. 6E, tendo saído o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e sufocaram-na, e não deu fruto algum. 8Mas outras caíram na boa terra e, brotando e crescendo, davam fruto; um grão produzia trinta; outro, sessenta; e outro, cem. 9Disse:
4.9
Mt 11.15
Mc 4.23
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A explicação da parábola

10Quando se achou só, os que estavam ao redor dele com os doze pediam a explicação das parábolas. 11Ele lhes disse: A vós vos é dado o mistério do reino de Deus; mas

4.11
1Co 5.12Cl 4.5
1Ts 4.12
1Tm 3.7
aos de fora tudo se lhes propõe
4.11
Mc 4.2
Mc 3.23
em parábolas, 12
4.12
Mt 13.14
para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam, para que não suceda que se convertam e sejam perdoados. 13
4.13
Mc 4.13-20
Mt 13.18-23
Lc 8.11-15
Perguntou-lhes: Não percebeis esta parábola e como entendereis todas as parábolas? 14O semeador semeia a palavra. 15Os que se acham pelo caminho, onde a palavra é semeada são aqueles, de quem, depois de a terem ouvido, vindo logo
4.15
Mt 4.10
Mc 3.23,26
Satanás, tira a palavra que neles tem sido semeada. 16Igualmente, os semeados nos lugares pedregosos são aqueles que, ouvindo a palavra, imediatamente, a recebem com alegria; 17eles não têm em si raiz, mas duram pouco tempo; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19e os cuidados
4.19
Mt 13.22
do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça de outras coisas, entrando, abafam a palavra, e ela fica infrutífera. 20Os semeados na boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e produzem fruto, a trinta, a sessenta e a cem por um.

A parábola da candeia

21Continuou:

4.21
Mt 5.15
Lc 8.16
11.33
Porventura, vem a candeia para se pôr debaixo do módioMedida de 8 1/2 litros. ou debaixo da cama? Não é, antes, para se colocar no velador? 22
4.22
Mt 10.26
Lc 8.17
12.2
Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada foi escondido, senão para ser divulgado. 23
4.23
Mc 4.9
Mt 11.15
Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24Também lhes disse: Atendei ao que ouvis.
4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
A medida de que usais, desta usarão convosco; e ainda se vos acrescentará. 25
4.25
Mt 13.12
Pois ao que tem ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até aquilo que tem, ser-lhe-á tirado.

A parábola da semente

26Disse mais:

4.26
Mc 4.26-29Mt 13.24-30
O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente na terra 27e, dormindo ou acordado de noite e de dia, a semente germinasse e crescesse, sem ele saber como. 28A terra por si mesma produz fruto: primeiro, a erva, depois, a espiga e, por último, o grão grado na espiga. 29Depois de o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

30

4.30
Mc 4.30-32
Mt 13.31-32
Lc 13.18-19
Ainda disse: A que
4.30
Mt 13.24
assemelharemos o reino de Deus ou com que parábola o representaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando semeado na terra, embora seja menor que todas as sementes que há na terra, 32contudo, depois de semeado, cresce e se torna a maior de todas as hortaliças e deita grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem pousar à sua sombra.

33Com muitas parábolas semelhantes dirigia-lhes a palavra, conforme podiam compreendê-la; 34não lhes falava

4.34
Mt 13.34Jo 10.6
16.25
sem parábolas, mas em particular explicava tudo a seus discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

35

4.35
Mc 4.35-41
Mt 8.18,23-27
Lc 8.22-25
Naquele dia, à tarde, lhes disse: Passemos para o outro lado. 36Eles, deixando a multidão, o levaram, assim como estava,
4.36
Mc 4.1
Mc 5.2,213.9
na barca; e estavam com ele outras barcas. 37Levantou-se um grande tufão de vento, e as ondas batiam na barca, de modo que ela já se enchia. 38Jesus estava dormindo na popa sobre o travesseiro; eles o acordaram e lhe perguntaram: Mestre, não se te dá que pereçamos? 39Ele, tendo acordado, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, emudece. Cessou o vento, e houve grande bonança. 40Então lhes perguntou: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? 41Eles, cheios de medo, diziam uns aos outros: Quem, porventura, é este que até o vento e o mar lhe obedecem?