Tradução Brasileira (2010) (TB)
14

A cura de um hidrópico

141Tendo Jesus entrado um sábado na casa de um dos chefes dos fariseus para comer,

14.1
Mc 3.2
eles o estavam observando. 2Achava-se diante dele um homem hidrópico. 3Jesus,
14.3
Mt 22.35
dirigindo-se aos
14.3
At 3.12
doutores da lei e aos fariseus, perguntou:
14.3
cp.
É lícito ou não curar no sábado? 4Mas eles ficaram calados. Então, pegando no homem, curou-o e despediu-o. 5Depois, lhes perguntou:
14.5
Lc 13.15
Qual de vós, se um filho ou um boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado? 6
14.6
Mt 22.46Lc 20.40
A isso não puderam responder.

Os primeiros lugares

7Ao notar como os convidados

14.7
Mt 23.6
escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes esta parábola: 8Quando fores por alguém convidado para um casamento,
14.8
cp.
não te sentes no primeiro lugar; para não suceder que seja por ele convidada uma pessoa mais considerada do que tu, e, 9vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás,
14.9
Lc 3.8
envergonhado, ocupar o último lugar. 10Pelo contrário quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Então, isto será para ti uma honra diante de todos os mais convivas. 11
14.11
Lc 18.14
Mt 23.12
Pois todo o que se exalta será humilhado; mas todo o que se humilha será exaltado.

Os convidados

12Disse também ao que o havia convidado: Quando deres algum almoço ou ceia, não convides nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem, e sejas recompensado. 13Pelo contrário, quando deres um festim, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; 14e serás bem-aventurado, por não terem eles com que te recompensar, pois serás recompensado na

14.14
cp.
ressurreição dos justos.

A parábola da grande ceia

15Ao ouvir essas palavras, disse-lhe um dos convivas:

14.15
cp.
Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus! 16Mas Jesus disse-lhe:
14.16
Lc 14.16-24Mt 22.2-14
Um homem deu uma grande ceia e convidou a muitos; 17e, à hora da ceia, enviou o seu servo para dizer aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. 18Começaram todos, à uma, a escusar-se. Comprei um campo, disse um, e preciso ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado. 19Comprei cinco juntas de bois, disse outro, e vou experimentá-las; rogo-te que me dês por escusado. 20
14.20
Dt 24.51Co 7.33
Casei-me, disse outro ainda e por isso não posso ir. 21O servo voltou e contou isso ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. 22Disse o servo: Senhor, feito está o que ordenaste, e ainda há lugar. 23Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que se encha minha casa; 24porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

O serviço de Cristo exige abnegação

25Uma grande multidão o acompanhava, e, virando-se Jesus para ela, lhe disse: 26

14.26
Mt 10.37
Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não
14.27
Mt 10.38
carrega a sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que a acabar? 29Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, 30dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se, com dez mil homens, poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32Se não, enquanto o outro ainda está longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo-lhe condições de paz. 33Assim, pois, todo aquele que, dentre vós,
14.33
cp.
não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. 34O sal, na verdade, é bom;
14.34
Mt 5.13
Mc 9.50
mas, se o sal se tiver tornado insípido, como se poderá restaurar-lhe o sabor? 35Não é mais útil nem para a terra nem para o estrume; é lançado fora.
14.35
Mt 11.15
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

15

Jesus recebe pecadores

151Aproximavam-se de Jesus todos os

15.1
cp.
publicanos e pecadores para o ouvir. 2Os fariseus e os escribas murmuravam: Este recebe pecadores e
15.2
Mt 9.11
come com eles.

A parábola da ovelha perdida

3Jesus propôs-lhes esta parábola: 4

15.4
Lc 15.4-7Mt 18.12-14
Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e não vai em busca da que se havia perdido, até achá-la? 5Quando a tiver achado, põe-na, cheio de júbilo, sobre os seus ombros; 6e, chegando à casa, reúne os seus amigos e vizinhos e diz-lhes: Regozijai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. 7Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

A parábola da dracma perdida

8Ou qual é a mulher que, tenho dez dracmasUma dracma valia 315 réis, moeda brasileira. e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa e não a procura diligentemente, até achá-la? 9Quando a tiver achado, reúne as suas amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. 10Assim, digo-vos, há júbilo

15.10
cp.
na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

A parábola do filho pródigo

11Continuou: Um homem tinha dois filhos. 12Disse o mais moço a seu pai: Meu pai, dá-me

15.12
Dt 21.17
a parte dos bens que me toca. Ele repartiu
15.12
Mc 12.44
Lc 15.30
os seus haveres entre ambos. 13Poucos dias depois, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para um país longínquo e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. 14Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidades. 15Foi encostar-se a um dos cidadãos daquele país, e este o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Caindo, porém, em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui estou morrendo de fome! 18Levantar-me-ei, irei a meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros. 20Levantando-se, foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai viu-o, e teve compaixão dele, e, correndo,
15.20
Gn 45.14
46.29
At 20.37
o abraçou, e beijou. 21Disse-lhe o filho: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei-me depressa
15.22
cp.
a melhor roupa, e vesti-lha, e
15.22
cp.
ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; 23trazei também o novilho cevado, matai-o; comamos e regozijemo-nos, 24porque este meu filho era
15.24
Lc 15.32
Mt 8.22
Lc 9.60
1Tm 5.6
Ef 2.1,5
5.14
Cl 2.13Rm 11.15
morto e reviveu, estava perdido e se achou. E começaram a regozijar-se. 25Seu filho mais velho estava no campo; quando voltou e foi chegando à casa, ouviu a música e a dança; 26e, chamando um dos criados, perguntou-lhe que era aquilo. 27Este lhe respondeu: Chegou teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. 28Ele se indignou e não queria entrar; e, saindo seu pai, procurava conciliá-lo. 29Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos; 30mas, quando veio este teu filho, que gastou
15.30
Lc 15.12Pv 29.3
os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. 31Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; 32entretanto, cumpria regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão era
15.32
Lc 15.24
morto e reviveu, estava perdido e se achou.

16

A parábola do administrador infiel

161Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como

16.1
Lc 16.13
esbanjador dos seus bens. 2Chamou-o e perguntou-lhe: Que é isso que ouço dizer de ti? Dá conta da tua administração; pois já não podes mais ser meu administrador. 3Disse o administrador consigo: Que hei de fazer, já que o meu amo me tira a administração? Não tenho forças para cavar, de mendigar tenho vergonha. 4Eu sei o que hei de fazer para que, quando for despedido do meu emprego, me recebam em suas casas. 5Tendo chamado cada um dos devedores do seu amo, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu amo? 6Respondeu ele: Cem cados de azeite. Disse-lhe, então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta. 7Depois, perguntou a outro: E tu quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. 8O amo louvou ao administrador iníquo por haver procedido sabiamente; porque os filhos
16.8
Mt 12.32
Lc 20.34
deste mundo são mais sábios para com a sua geração do que
16.8
Jo 12.36
Ef 5.8
1Ts 5.5
os filhos da luz. 9Eu vos digo:
16.9
cp.
Granjeai amigos com
16.9
Lc 16.11,13
Mt 6.24
as riquezas da iniquidade, para que, quando estas
16.9
cp.
vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. 10
16.10
Mt 25.21,23
Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11Se, pois, não fostes fiéis nas
16.11
Lc 16.9
riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? 12Se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é nosso? 13
16.13
Mt 6.24
Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas.

Jesus reprova os fariseus

14Os fariseus, que eram

16.14
2Tm 3.2
avarentos, ouviam tudo isso
16.14
Lc 23.35
e mofavam dele. 15Disse-lhes Jesus:
16.15
Lc 10.29Lc 18.9,14
Vós sois os que vos justificais diante dos homens, mas
16.15
1Sm 16.7
Pv 21.2
Rm 8.27
At 1.24
Deus conhece os vossos corações; pois o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus. 16
16.16
Mt 11.12
A lei e os profetas duraram até João; desde esse tempo,
16.16
cp.
o evangelho do reino de Deus é anunciado, e todos, à força, entram nele. 17É,
16.17
Mt 5.18
porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

Acerca do divórcio

18

16.18
Mt 5.32
Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com a mulher repudiada comete adultério.

A parábola do rico e de Lázaro

19Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que todos os dias se regalava esplendidamente. 20Um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas,

16.20
cp.
fora deitado ao seu portão, 21desejoso de fartar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22Morreu o mendigo e foi levado pelos anjos para
16.22
cp.
o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. 23No
16.23
Mt 11.23
Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e a Lázaro no seu seio. 24Clamou:
16.24
Lc 16.30Lc 3.8
19.9
Pai Abraão, tem compaixão de mim! E manda a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado
16.24
Mt 25.41
nesta chama. 25Mas Abraão respondeu: Filho, lembra-te
16.25
cp.
que recebeste os teus bens na tua vida, e Lázaro, do mesmo modo os males; agora, porém, ele está consolado, e tu, em tormentos. 26Demais, entre nós e vós está firmado um grande abismo, de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá, passar para nós. 27Ele replicou: Pai, eu te rogo, então, que o mandes à casa de meu pai, 28(pois tenho cinco irmãos), para os
16.28
At 2.40
8.25
10.42
18.5
20.2123.11
28.23
Gl 5.3
Ef 4.17
1Ts 2.11
4.6
avisar, a fim de não suceder virem eles também para este lugar de tormento. 29Mas Abraão disse: Eles têm
16.29
cp.
Moisés e os profetas; ouçam-nos. 30Respondeu ele: Não,
16.30
Lc 16.24Lc 3.8
19.9
pai Abraão, mas, se alguém for ter com eles dentre os mortos, hão de se arrepender. 31Replicou-lhe Abraão: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.