Tradução Brasileira (2010) (TB)
3

Jó amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miséria

31Depois disso, começou Jó a falar e amaldiçoou o seu dia. 2E Jó disse:

3

3.3
Jr 20.14-18
Pereça o dia em que nasci

e a noite que disse:

Foi concebido um homem.

4Converta-se aquele dia em trevas;

não olhe Deus para ele lá de cima,

nem sobre ele resplandeça a luz.

5Reclamem-no para si as trevas e a sombra da morte;

sobre ele façam as nuvens a sua habitação;

espante-o tudo o que escurece o dia.

6Aquela noite! Dela se apoderem densas trevas;

de que têm cantado os homens cantam.

não entre em o número dos meses.

7Seja estéril aquela noite,

e nela não se ouçam vozes de regozijo.

8Amaldiçoem-na os que amaldiçoam o dia

e são peritos

3.8
Jó 41.25
em suscitar o Leviatã.

9Escureçam-se as estrelas da sua alva;

espere ela a luz, e a luz não venha,

e não veja

3.9
Jó 41.18
as pálpebras da manhã,

10Porque não fechou as portas do ventre de minha mãe,

nem escondeu dos meus olhos a aflição.

11

3.11
Jó 10.18-19
Por que não morri ao sair da madre?

Por que não expirei ao deixar as entranhas?

12Por que me receberam os joelhos?

Ou por que os peitos me amamentaram?

13Pois, agora,

3.13
Jó 3.13-19
7.8-10,21
10.21-22
14.10-15,20-22
16.22
17.13-16
19.25-27
21.13,23-26
24.19-20
26.5-6
34.22
eu estaria deitado e quieto;

eu dormiria e assim teria estado em descanso,

14juntamente com os

3.14
Jó 12.18
reis e
3.14
Jó 12.17
conselheiros da terra

que edificaram para si mausoléus;

15ou como os

3.15
Jó 12.21
príncipes
3.15
Jó 27.16-17
que possuíram ouro,

os quais encheram as suas casas de prata;

16ou como aborto oculto eu não teria existido,

como infantes que nunca viram a luz.

17Ali, os ímpios cessam de inquietar,

e ali

3.17
Jó 17.16
descansam os cansados.

18Ali, os encarcerados juntos repousam;

não ouvem a voz do encantador.

19O pequeno e o grande ali estão,

e o servo está livre do seu senhor.

20Porque se concede luz ao aflito,

e vida, aos amargurados de alma,

21que esperam a morte, sem que ela venha,

e cavam em procura dela mais do que de tesouros escondidos;

22que se regozijam em extremo

e exultam quando podem achar a sepultura?

23Ao homem

3.23
Jó 19.6,8,12
cujo caminho está escondido,

e a quem

3.23
Jó 19.8
Sl 88.8
Deus cercou de todos os lados?

24Como a minha comida, vêm

3.24
Jó 6.7
33.20
os meus suspiros,

e, como águas, se derramam

3.24
Jó 30.16
Sl 42.4
os meus gemidos.

25Pois

3.25
Jó 9.28
30.15
aquilo que temo me sobrevém,

e o de que tenho medo me acontece.

26

3.26
Jó 7.13-14
Não tenho repouso, nem estou quieto, nem tenho descanso,

mas vem inquietação.

4

Elifaz repreende a Jó

41Então, respondeu Elifaz, temanita:

2Se alguém intentar falar-te, enfadar-te-ás?

Mas

4.2
Jó 32.18-20
quem poderá conter as palavras?

3Eis

4.3
Jó 4.3-4
29.15-16,21,25
que tens ensinado a muitos

e tens fortalecido as mãos fracas.

4As tuas palavras têm sustentado aos que estavam caindo,

e tens fortalecido os joelhos trêmulos.

5Porém, agora, que se trata de ti, te

4.5
Jó 6.14
enfadas;

agora,

4.5
Jó 19.21
que és atingido, te perturbas.

6

4.6
Jó 1.1
O teu temor de Deus não é a tua confiança,

e a tua esperança, a integridade dos teus caminhos?

7Lembra-te, pois,

4.7
Jó 8.20
36.6-7
Sl 37.25
quem, sendo inocente, jamais pereceu?

E onde foram os retos exterminados?

8Conforme tenho visto,

4.8
Jó 15.31,35
Pv 22.8
Os 10.13
Gl 6.7
os que cultivam iniquidade

e semeiam aflição as segam.

9Pelo

4.9
Jó 15.30
Is 11.4
30.33
2Ts 2.8
assopro de Deus, perecem

e,

4.9
Jó 40.11-13
pela rajada da sua ira, são consumidos.

10

4.10
Jó 5.15
Sl 58.6
O rugido do leão, e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leões novos são quebrados.

11

4.11
Jó 29.17
O leão velho perece por falta de presa,

e os

4.11
Jó 5.4
20.10
27.14
cachorros da leoa são espalhados.

A insignificância do homem na presença de Deus

12Mas a mim se me disse uma palavra

4.12
Jó 4.12-17
33.15-18
em segredo,

e os meus ouvidos perceberam

4.12
Jó 26.14
um sussurro dela.

13No meio dos pensamentos que nascem das visões noturnas,

quando profundo sono cai sobre os homens,

14sobrevieram-me medo e tremor,

que fizeram estremecer todos os meus ossos.

15Então, passou um sopro sobre o meu rosto;

arrepiaram-se os cabelos da minha carne.

16Alguém, cuja aparência eu não podia discernir, parou;

um vulto estava diante dos meus olhos.

Houve silêncio, e ouvi uma voz:

17Pode o

4.17
Jó 9.2
25.4
mortal ser justo diante de Deus?

Pode o varão ser puro diante do seu

4.17
Jó 31.15
32.22
35.10
36.3
Criador?

18Eis que

4.18
Jó 15.15
Deus não confia nos seus servos

e aos seus anjos atribui loucura.

19Quanto mais aos que moram

4.19
Jó 10.9
33.6
em casas de lodo,

que têm

4.19
Jó 22.16
Gn 2.7
3.19
o seu fundamento no pó,

e que são machucados como a traça!

20

4.20
Jó 14.2
Nascem de manhã e, à tarde, são destruídos.

4.20
Jó 14.20
20.7
Perecem para sempre, sem que disso se faça caso.

21Se dentro deles é arrancada

4.21
Jó 8.22
a corda da tenda,

morrem e

4.21
Jó 18.21
36.12
não atingem a sabedoria.

5

Elifaz exorta a Jó a que busque a Deus

51Chama, agora; há alguém que te responda?

A qual dos

5.1
Jó 15.15
entes santos te dirigirás?

2Pois a

5.2
Pv 12.16
27.3
insubmissão mata o fátuo,

e o apaixonamento tira a vida ao parvo.

3Eu vi o

5.3
Jr 12.2
fátuo criando raízes;

mas, de repente,

5.3
Jó 24.18
31.30
declarei maldita a sua habitação.

4Seus

5.4
Jó 4.11
filhos estão longe da segurança,

são espezinhados na porta,

e não há quem os livre.

5A sua messe é devorada pelo faminto,

que a arrebata até dentre os espinhos,

e o

5.5
Jó 18.8-10
22.10
laço abre as fauces para a fazenda deles.

6Pois

5.6
Jó 15.35
a iniquidade não procede do pó,

nem da terra brota a aflição;

7Mas

5.7
Jó 14.1
o homem nasce para a aflição,

tão certamente como as faíscas voam para cima.

8Porém, quanto a mim, eu

5.8
Jó 13.2-3
buscaria a Deus

e a Deus entregaria a minha causa.

9O qual

5.9
Jó 9.10
37.14,16
42.3
faz coisas grandes e inescrutáveis,

maravilhas sem número.

10Ele

5.10
Jó 36.27-29
37.6-11
38.26
faz chover sobre a terra

e envia águas sobre os campos,

11de modo que

5.11
Jó 22.29
36.7
põe os abatidos num lugar alto;

e os que choram são exaltados à segurança.

12Ele

5.12
Sl 33.10
frustra as maquinações dos astutos,

de maneira que as suas mãos não possam acabar o seu empreendimento.

13Ele

5.13
Jó 37.24
1Co 3.19
apanha os sábios na sua astúcia,

e o conselho dos perversos é precipitado.

14De dia,

5.14
Jó 12.25
15.30
18.18
20.26
24.13
se acham em trevas

e, ao meio-dia, andam às apalpadelas, como de noite.

15Porém Deus salva da

5.15
Jó 4.10-11
Sl 35.10
espada que sai da boca deles;

ele salva o

5.15
Jó 29.17
34.28
36.6,15
38.15
necessitado da mão do poderoso.

16Assim há esperança para o pobre,

e a

5.16
Sl 107.42
iniquidade tapa a boca.

As bênçãos do castigo

17Eis que

5.17
Sl 94.12
feliz é o homem a quem Deus reprova.

Portanto, não desprezes a

5.17
Jó 36.15-16
Pv 3.11
Hb 12.5-11
correção do Todo-Poderoso.

18Pois

5.18
Dt 32.39
1Sm 2.6
Is 30.26
Os 6.1
ele faz a ferida e a ata.

Ele fere, e as suas mãos curam.

19Em seis tribulações, ele te livrará,

e, em sete, o mal não te tocará.

20

5.20
Sl 33.19
37.19
Na fome, ele te redimirá da morte

5.20
Sl 144.10
e, na guerra, do poder da espada.

21Estarás

5.21
Jó 5.15
Sl 31.20
escondido do açoite da língua

5.21
Sl 91.5-6
e não terás medo da assolação, quando chegar.

22Da assolação e da penúria,

5.22
Jó 8.21
te rirás

5.22
Sl 91.13
Ez 34.25
Os 2.18
e não terás medo das feras da terra.

23Pois terás aliança com as pedras do campo,

5.23
Is 11.6-9
65.25
e as feras do campo estarão em paz contigo.

24Saberás que

5.24
Jó 8.6
a tua tenda está em paz,

visitarás o teu rebanho, e nada te faltará.

25Também saberás que

5.25
Sl 112.2
se multiplicará a tua descendência,

5.25
Is 44.3-4
48.19
e a tua posteridade, como a erva da terra.

26

5.26
Jó 42.16
Em boa velhice, entrarás na sepultura,

como se recolhe a meda de trigo a seu tempo.

27Eis que isso nós o temos provado, assim o é;

ouve-o e conhece-o tu para o teu bem.