Tradução Brasileira (2010) (TB)
33

Eliú acusa a Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331Todavia, peço-te, Jó, que ouças o meu discurso

e que dês ouvidos a todas as minhas palavras.

2Eis que, agora, abro a minha boca,

e, em minha boca, fala a minha língua.

3As minhas palavras vão mostrar que é reto o meu coração!

Os meus lábios falarão

33.3
Jó 6.28
27.4
36.4
com sinceridade o que sabem.

4

33.4
Jó 10.332.8
O Espírito de Deus me fez,

e

33.4
Jó 27.3
o assopro do Todo-Poderoso me dá vida.

5Se puderes,

33.5
Jó 33.32
responde-me;

põe as tuas palavras em ordem diante de mim, apresenta-te.

6Eis que, diante de Deus, sou o que tu és;

eu também sou formado do

33.6
Jó 4.19
barro.

7Eis que não inspiro terror que te amedronte,

nem será pesada sobre ti a minha mão.

8Na verdade, disseste aos meus ouvidos,

e ouvi o som das tuas palavras:

9Estou

33.9
Jó 6.10
9.21
10.7
13.18
16.17
limpo,
33.9
Jó 7.21
13.23
14.17
sem transgressão;

sou inocente, e

33.9
Jó 10.14
não há em mim iniquidade.

10Eis que Deus procura motivos de inimizade comigo

e

33.10
Jó 13.24
me considera como o seu inimigo;

11

33.11
Jó 13.27
põe no tronco os meus pés

e observa todas as minhas veredas.

12Eu te responderei que, nisso, não tens razão,

pois Deus é maior do que o homem.

13Queres

33.13
Jó 40.2
Is 45.9
contender com ele,

porque ele não dá conta dos seus atos.

14Entretanto,

33.14
Jó 33.29
40.5
Sl 62.11
Deus fala de um modo

e ainda de outro modo, sem que o homem lhe atenda.

15

33.15
Jó 33.15-18
4.12-17
Em sonho, em visão noturna,

quando cai sono profundo sobre os homens,

e dormem na cama,

16então, lhes

33.16
Jó 36.10,15
abre os ouvidos

e lhes sela a instrução,

17para apartar o homem do seu mau propósito

e escondê-lo da soberba;

18

33.18
Jó 33.22,24,28,30
para guardar da cova a sua alma

e que a sua vida não pereça

33.18
Jó 15.22
pela espada.

19É castigado no seu leito

33.19
Jó 30.17
com dores

e, com luta constante, nos seus ossos.

20De modo que a sua vida

33.20
Jó 3.24
6.7
Sl 107.18
abomina o pão,

e a sua alma, a comida apetecível.

21Consome-se

33.21
Jó 16.8
a sua carne, de maneira que desaparece,

e

33.21
Jó 19.20
Sl 22.17
os seus ossos, que não se viam, se descobrem.

22

33.22
Jó 33.18,28
A sua alma aproxima-se da cova,

e a sua vida, dos mensageiros da morte.

Ministério dos anjos

23Se houver com ele um anjo,

33.23
Gn 40.8
um intérprete, um entre mil,

para mostrar ao homem qual é o seu dever,

24então, Deus se compadece dele e diz ao anjo:

Livra-o,

33.24
Jó 33.18,28
Is 38.17
para que não desça à cova;

acabo de achar

33.24
Jó 36.18
Sl 49.7
resgate.

25A sua carne faz-se mais fresca do que a duma criança;

ele torna aos dias da sua mocidade.

26Ele

33.26
Jó 22.27
34.28
ora a Deus, e Deus lhe é propício,

de modo

33.26
Jó 22.26
que lhe vê o rosto com júbilo

e lhe restitui a sua justiça.

27

33.27
Jó 8.21
Canta diante dos homens e diz:

33.27
2Sm 12.13
Lc 15.21
Pequei, e perverti o que era reto,

e não fui punido como merecia.

28Deus resgatou a minha alma da cova,

e a minha vida

33.28
Jó 22.28
verá a luz.

29Eis que

33.29
Ef 1.11
Fp 2.13
tudo isso faz Deus

duas e três vezes ao homem,

30

33.30
Jó 33.18
para reconduzir da cova a sua alma,

a fim de que seja iluminado com a luz dos viventes.

31Atende, Jó, ouve-me;

cala-te, e eu falarei.

32Se tens alguma coisa que dizer, responde-me;

fala, porque gostaria de te dar razão.

33Se não, escuta-me;

cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria.

34

Eliú acusa Jó de falar injustamente de Deus

341Disse mais Eliú:

2Ouvi, sábios, as minhas palavras;

escutai-me, vós que tendes conhecimento,

3pois o

34.3
Jó 12.11
ouvido prova as palavras,

como o paladar experimenta a comida.

4Escolhamos para nós o que é reto;

conheçamos entre nós o que é bom.

5Porque Jó disse:

34.5
Jó 13.18
Sou justo,

34.5
Jó 27.2
e Deus me tirou o direito.

6Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso;

34.6
Jó 6.4
incurável é a minha ferida, embora não seja um transgressor.

7Que homem há como Jó,

34.7
Jó 15.16
que bebe o escárnio como água?

8Que

34.8
Jó 22.15
anda com os que obram a iniquidade

e caminha com os homens iníquos?

9Pois disse:

34.9
Jó 21.15
35.3
De nada aproveita ao homem

ter o seu prazer em Deus.

10Portanto, ouvi-me, homens de entendimento.

Longe esteja de Deus que

34.10
Jó 34.12
8.3
pratique ele a maldade!

E do Todo-Poderoso, que cometa a iniquidade!

11Pois retribuirá ao homem

34.11
Jó 34.25
Sl 62.12
Pv 24.12
Jr 32.19
Ez 33.20
Mt 16.27
Rm 2.6
2Co 5.10
Ap 22.12
segundo as suas obras

e pagará a cada um segundo os seus caminhos.

12Na verdade,

34.12
Jó 34.10
Deus não procederá iniquamente,

nem o Todo-Poderoso perverterá o juízo.

13Quem lhe

34.13
Jó 38.4
encarregou de governar a terra?

Ou quem

34.13
Jó 38.5
organizou o mundo todo?

14Se ele pensar no homem,

34.14
Jó 12.10
Sl 104.29
se recolher a si o seu espírito e o seu fôlego,

15toda a

34.15
Jó 9.22
Gn 7.21
carne perecerá dum golpe,

e o homem

34.15
Jó 10.9
Gn 3.19
voltará para o pó.

16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto;

escuta ao som das minhas palavras.

17Acaso, governará

34.17
Jó 34.30
2Sm 23.3
aquele que odeia o direito?

34.17
Jó 40.8
Condenarás tu aquele que é justo e potente?

18Deve dizer-se ao rei: Tu és vil?

Ou aos nobres: Vós sois iníquos?

19Quanto menos àquele

34.19
Lv 19.15Dt 10.17
2Cr 19.7
At 10.34
Rm 2.11
Gl 2.6
Ef 6.9
Cl 3.25
1Pe 1.17
que não guarda respeito às pessoas de príncipes,

nem estima o rico mais do que o pobre?

Pois todos são

34.19
Jó 10.3
obras das suas mãos.

20De improviso morrem,

34.20
Jó 34.25
36.20
Êx 12.29
à meia noite;

estremecem os povos e passam,

e

34.20
Jó 12.19
os poderosos são tirados sem intervenção humana.

21

34.21
Jó 24.23
31.4
Pv 5.21
15.3
Jr 16.17
Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem,

e vê todos os seus passos.

22

34.22
Sl 139.11-12
Am 9.2-3
Não há trevas nem sombra da morte,

onde se escondam os que obram a iniquidade.

23Pois Deus

34.23
Jó 11.11
não precisa observar o homem por longo tempo,

para que este compareça perante ele em juízo.

24Ele despedaça

34.24
Jó 12.19
os poderosos sem tomar informação

e põe outros em lugar deles.

25Portanto,

34.25
Jó 34.11
toma conhecimento das suas obras

e, de noite,

34.25
Jó 34.20
os transtorna, de sorte que são esmagados.

26Ele

34.26
Sl 9.5
11.5
os fere como iníquos,

à vista de todos,

27porque

34.27
1Sm 15.11
se desviaram e não o seguiram;

não

34.27
Jó 21.14
quiseram compreender nenhum dos seus caminhos,

28fazendo que

34.28
Jó 35.9
o clamor do pobre subisse a Deus,

que

34.28
Jó 22.27
Êx 22.23
ouviu o clamor dos aflitos.

29Quando ele dá tranquilidade, quem pode condenar?

Quando esconde o seu rosto, quem o pode contemplar?

Trata igualmente seja uma nação seja um homem,

30para que

34.30
Jó 34.17
5.15
20.5
o ímpio não reine,

e não haja quem iluda o povo.

31Pois jamais disse alguém a Deus:

34.31
Jó 33.27
Tenho suportado castigos, ainda que não ofendo.

32O que não vejo, ensina-mo tu;

34.32
Jó 33.27
se tenho feito iniquidade, não a tornarei a fazer?

33Será a sua

34.33
Jó 41.11
recompensa, como queres, para que a recuses?

Pois tu tens que fazer a escolha e não eu.

Portanto, fala o que sabes.

34Os homens de entendimento dir-me-ão,

e todo o sábio que me ouve:

35

34.35
Jó 35.16
fala sem conhecimento,

e as suas palavras são despidas de sabedoria.

36Oxalá que Jó fosse provado até o fim,

porque respondeu

34.36
Jó 22.15
como os iníquos!

37Pois ao seu pecado

34.37
Jó 23.2
acrescenta a rebelião;

ele

34.37
Jó 27.23
bate as mãos no meio de nós

e multiplica as suas palavras contra Deus.

35

O bem e o mal não podem afetar a Deus, mas algumas vezes, por falta de fé dos aflitos não os ouve

351Disse mais Eliú:

2Acaso, pensas que isso é o teu

35.2
Jó 27.2
direito

ou dizes: Maior é a minha justiça do que a de Deus,

3para que digas:

35.3
Jó 34.9
Que te aproveitará?

E:

35.3
Jó 9.30-31
Que proveito tenho mais do que se eu tivera pecado?

4Eu te responderei a ti

e aos teus companheiros também.

5

35.5
Gn 15.5
Sl 8.3
Olha para os céus, e vê,

e contempla o

35.5
Jó 22.12
firmamento, que é mais alto do que tu.

6Se pecas,

35.6
Jó 7.20
Pv 8.36
Jr 7.19
que mal lhe causas tu?

E, se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?

7Se és justo,

35.7
Jó 22.2-3
Pv 9.12
Lc 17.10
que lhe dás?

Ou que recebe ele da tua mão?

8A tua maldade pode fazer o mal ao homem, teu semelhante;

e a tua justiça pode ser útil ao filho do homem.

9Por causa da multidão das opressões, gritam os homens,

clamam por auxílio em razão

35.9
Jó 12.19
dos braços dos poderosos.

10Mas

35.10
Jó 21.14
27.10
36.13
ninguém diz: Onde está Deus, meu Criador,

que

35.10
Jó 8.21
Sl 42.8
77.6
149.5
At 16.25
inspira canções durante a noite;

11que

35.11
Jó 36.22
Sl 94.12
Jr 32.33
nos ensina mais do que às bestas da terra

e nos faz mais sábios do que as aves do céu?

12Ali, clamam (mas ninguém há que responda)

por causa da sabedoria dos maus.

13

35.13
Jó 27.9
Pv 15.29
Is 1.15
Jr 11.11
Mq 3.4
É em vão que se grita; Deus não ouvirá,

o Todo-Poderoso não o levará em conta.

14Ainda que

35.14
Jó 9.11
23.8-9
dizes que não o vês,

35.14
Jó 31.35
a tua causa está diante dele; portanto espera-o.

15Mas, agora, porque não visita com a sua ira,

nem faz muito caso da arrogância,

16por isso começa Jó a falar vãmente

e multiplica,

35.16
Jó 34.35
sem ciência, palavras.