Tradução Brasileira (2010) (TB)
32

Eliú repreende a Jó e os seus três amigos

321Cessaram esses três homens de responder a Jó, porque era

32.1
Jó 10.7
13.18
27.2
31.6
justo aos seus próprios olhos. 2Então, se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua ira contra Jó, porque
32.2
Jó 27.5-6
se justificava a si mesmo e
32.2
Jó 30.21
não a Deus. 3Também contra os seus três amigos se acendeu a sua ira, porque não tinham achado que responder e, contudo, tinham condenado Jó. 4Como eram mais velhos do que ele, Eliú tinha esperado até esse momento para falar a Jó. 5Vendo Eliú que não havia resposta na boca desses três homens, acendeu-se-lhe a ira.

6Então, respondeu Eliú, filho de Baraquel, buzita:

Eu sou de pouca idade, e vós sois

32.6
Jó 15.10
muito velhos;

pelo que receei e não me atrevi a manifestar a minha opinião.

7Dizia eu: Falem os dias,

e a multidão dos anos ensine a sabedoria.

8Há, porém, um espírito no homem,

e o

32.8
Jó 33.4
assopro do Todo-Poderoso dá-lhe
32.8
Jó 38.36
entendimento.

9Os de muitos anos não é que são sábios,

nem os

32.9
Jó 32.7
velhos, que entendem o juízo.

10Portanto, eu dizia: Ouvi-me;

também eu manifestarei a minha opinião.

11Eis que aguardei as vossas palavras,

escutei as vossas razões,

enquanto buscáveis que dizer.

12Eu vos dei toda a minha atenção,

e não houve entre vós quem convencesse a Jó,

nem refutasse as suas palavras.

13Não digais: Nele achamos a sabedoria;

Deus é que pode vencê-lo, não o homem!

14Ele não se dirigiu diretamente a mim,

e eu não lhe responderei com as vossas razões.

15Estão pasmados, não respondem mais!

Faltam-lhes palavras.

16Hei de eu esperar, porque eles não falam,

Por que estão parados e não respondem mais?

17Eu também darei a minha resposta,

também manifestarei a minha opinião.

18Pois estou cheio de palavras,

o espírito dentro de mim me constrange.

19Eis que o meu peito é como o mosto sem respiradouro,

como odres novos que estão para arrebentar.

20Falarei, para que eu ache alívio;

abrirei os meus lábios e responderei.

21Que não seja eu, pois,

32.21
Jó 13.8,10
34.19
Lv 19.15
levado de respeitos humanos,

nem use de lisonja para com homem algum.

22Pois não sei usar de lisonja;

se assim fizesse, em breve, me levaria o meu Criador.

33

Eliú acusa a Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331Todavia, peço-te, Jó, que ouças o meu discurso

e que dês ouvidos a todas as minhas palavras.

2Eis que, agora, abro a minha boca,

e, em minha boca, fala a minha língua.

3As minhas palavras vão mostrar que é reto o meu coração!

Os meus lábios falarão

33.3
Jó 6.28
27.4
36.4
com sinceridade o que sabem.

4

33.4
Jó 10.332.8
O Espírito de Deus me fez,

e

33.4
Jó 27.3
o assopro do Todo-Poderoso me dá vida.

5Se puderes,

33.5
Jó 33.32
responde-me;

põe as tuas palavras em ordem diante de mim, apresenta-te.

6Eis que, diante de Deus, sou o que tu és;

eu também sou formado do

33.6
Jó 4.19
barro.

7Eis que não inspiro terror que te amedronte,

nem será pesada sobre ti a minha mão.

8Na verdade, disseste aos meus ouvidos,

e ouvi o som das tuas palavras:

9Estou

33.9
Jó 6.10
9.21
10.7
13.18
16.17
limpo,
33.9
Jó 7.21
13.23
14.17
sem transgressão;

sou inocente, e

33.9
Jó 10.14
não há em mim iniquidade.

10Eis que Deus procura motivos de inimizade comigo

e

33.10
Jó 13.24
me considera como o seu inimigo;

11

33.11
Jó 13.27
põe no tronco os meus pés

e observa todas as minhas veredas.

12Eu te responderei que, nisso, não tens razão,

pois Deus é maior do que o homem.

13Queres

33.13
Jó 40.2
Is 45.9
contender com ele,

porque ele não dá conta dos seus atos.

14Entretanto,

33.14
Jó 33.29
40.5
Sl 62.11
Deus fala de um modo

e ainda de outro modo, sem que o homem lhe atenda.

15

33.15
Jó 33.15-18
4.12-17
Em sonho, em visão noturna,

quando cai sono profundo sobre os homens,

e dormem na cama,

16então, lhes

33.16
Jó 36.10,15
abre os ouvidos

e lhes sela a instrução,

17para apartar o homem do seu mau propósito

e escondê-lo da soberba;

18

33.18
Jó 33.22,24,28,30
para guardar da cova a sua alma

e que a sua vida não pereça

33.18
Jó 15.22
pela espada.

19É castigado no seu leito

33.19
Jó 30.17
com dores

e, com luta constante, nos seus ossos.

20De modo que a sua vida

33.20
Jó 3.24
6.7
Sl 107.18
abomina o pão,

e a sua alma, a comida apetecível.

21Consome-se

33.21
Jó 16.8
a sua carne, de maneira que desaparece,

e

33.21
Jó 19.20
Sl 22.17
os seus ossos, que não se viam, se descobrem.

22

33.22
Jó 33.18,28
A sua alma aproxima-se da cova,

e a sua vida, dos mensageiros da morte.

Ministério dos anjos

23Se houver com ele um anjo,

33.23
Gn 40.8
um intérprete, um entre mil,

para mostrar ao homem qual é o seu dever,

24então, Deus se compadece dele e diz ao anjo:

Livra-o,

33.24
Jó 33.18,28
Is 38.17
para que não desça à cova;

acabo de achar

33.24
Jó 36.18
Sl 49.7
resgate.

25A sua carne faz-se mais fresca do que a duma criança;

ele torna aos dias da sua mocidade.

26Ele

33.26
Jó 22.27
34.28
ora a Deus, e Deus lhe é propício,

de modo

33.26
Jó 22.26
que lhe vê o rosto com júbilo

e lhe restitui a sua justiça.

27

33.27
Jó 8.21
Canta diante dos homens e diz:

33.27
2Sm 12.13
Lc 15.21
Pequei, e perverti o que era reto,

e não fui punido como merecia.

28Deus resgatou a minha alma da cova,

e a minha vida

33.28
Jó 22.28
verá a luz.

29Eis que

33.29
Ef 1.11
Fp 2.13
tudo isso faz Deus

duas e três vezes ao homem,

30

33.30
Jó 33.18
para reconduzir da cova a sua alma,

a fim de que seja iluminado com a luz dos viventes.

31Atende, Jó, ouve-me;

cala-te, e eu falarei.

32Se tens alguma coisa que dizer, responde-me;

fala, porque gostaria de te dar razão.

33Se não, escuta-me;

cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria.

34

Eliú acusa Jó de falar injustamente de Deus

341Disse mais Eliú:

2Ouvi, sábios, as minhas palavras;

escutai-me, vós que tendes conhecimento,

3pois o

34.3
Jó 12.11
ouvido prova as palavras,

como o paladar experimenta a comida.

4Escolhamos para nós o que é reto;

conheçamos entre nós o que é bom.

5Porque Jó disse:

34.5
Jó 13.18
Sou justo,

34.5
Jó 27.2
e Deus me tirou o direito.

6Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso;

34.6
Jó 6.4
incurável é a minha ferida, embora não seja um transgressor.

7Que homem há como Jó,

34.7
Jó 15.16
que bebe o escárnio como água?

8Que

34.8
Jó 22.15
anda com os que obram a iniquidade

e caminha com os homens iníquos?

9Pois disse:

34.9
Jó 21.15
35.3
De nada aproveita ao homem

ter o seu prazer em Deus.

10Portanto, ouvi-me, homens de entendimento.

Longe esteja de Deus que

34.10
Jó 34.12
8.3
pratique ele a maldade!

E do Todo-Poderoso, que cometa a iniquidade!

11Pois retribuirá ao homem

34.11
Jó 34.25
Sl 62.12
Pv 24.12
Jr 32.19
Ez 33.20
Mt 16.27
Rm 2.6
2Co 5.10
Ap 22.12
segundo as suas obras

e pagará a cada um segundo os seus caminhos.

12Na verdade,

34.12
Jó 34.10
Deus não procederá iniquamente,

nem o Todo-Poderoso perverterá o juízo.

13Quem lhe

34.13
Jó 38.4
encarregou de governar a terra?

Ou quem

34.13
Jó 38.5
organizou o mundo todo?

14Se ele pensar no homem,

34.14
Jó 12.10
Sl 104.29
se recolher a si o seu espírito e o seu fôlego,

15toda a

34.15
Jó 9.22
Gn 7.21
carne perecerá dum golpe,

e o homem

34.15
Jó 10.9
Gn 3.19
voltará para o pó.

16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto;

escuta ao som das minhas palavras.

17Acaso, governará

34.17
Jó 34.30
2Sm 23.3
aquele que odeia o direito?

34.17
Jó 40.8
Condenarás tu aquele que é justo e potente?

18Deve dizer-se ao rei: Tu és vil?

Ou aos nobres: Vós sois iníquos?

19Quanto menos àquele

34.19
Lv 19.15Dt 10.17
2Cr 19.7
At 10.34
Rm 2.11
Gl 2.6
Ef 6.9
Cl 3.25
1Pe 1.17
que não guarda respeito às pessoas de príncipes,

nem estima o rico mais do que o pobre?

Pois todos são

34.19
Jó 10.3
obras das suas mãos.

20De improviso morrem,

34.20
Jó 34.25
36.20
Êx 12.29
à meia noite;

estremecem os povos e passam,

e

34.20
Jó 12.19
os poderosos são tirados sem intervenção humana.

21

34.21
Jó 24.23
31.4
Pv 5.21
15.3
Jr 16.17
Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem,

e vê todos os seus passos.

22

34.22
Sl 139.11-12
Am 9.2-3
Não há trevas nem sombra da morte,

onde se escondam os que obram a iniquidade.

23Pois Deus

34.23
Jó 11.11
não precisa observar o homem por longo tempo,

para que este compareça perante ele em juízo.

24Ele despedaça

34.24
Jó 12.19
os poderosos sem tomar informação

e põe outros em lugar deles.

25Portanto,

34.25
Jó 34.11
toma conhecimento das suas obras

e, de noite,

34.25
Jó 34.20
os transtorna, de sorte que são esmagados.

26Ele

34.26
Sl 9.5
11.5
os fere como iníquos,

à vista de todos,

27porque

34.27
1Sm 15.11
se desviaram e não o seguiram;

não

34.27
Jó 21.14
quiseram compreender nenhum dos seus caminhos,

28fazendo que

34.28
Jó 35.9
o clamor do pobre subisse a Deus,

que

34.28
Jó 22.27
Êx 22.23
ouviu o clamor dos aflitos.

29Quando ele dá tranquilidade, quem pode condenar?

Quando esconde o seu rosto, quem o pode contemplar?

Trata igualmente seja uma nação seja um homem,

30para que

34.30
Jó 34.17
5.15
20.5
o ímpio não reine,

e não haja quem iluda o povo.

31Pois jamais disse alguém a Deus:

34.31
Jó 33.27
Tenho suportado castigos, ainda que não ofendo.

32O que não vejo, ensina-mo tu;

34.32
Jó 33.27
se tenho feito iniquidade, não a tornarei a fazer?

33Será a sua

34.33
Jó 41.11
recompensa, como queres, para que a recuses?

Pois tu tens que fazer a escolha e não eu.

Portanto, fala o que sabes.

34Os homens de entendimento dir-me-ão,

e todo o sábio que me ouve:

35

34.35
Jó 35.16
fala sem conhecimento,

e as suas palavras são despidas de sabedoria.

36Oxalá que Jó fosse provado até o fim,

porque respondeu

34.36
Jó 22.15
como os iníquos!

37Pois ao seu pecado

34.37
Jó 23.2
acrescenta a rebelião;

ele

34.37
Jó 27.23
bate as mãos no meio de nós

e multiplica as suas palavras contra Deus.