Tradução Brasileira (2010) (TB)

Lamentação de Jó ao lembrar-se do seu primeiro estado

291De novo, prosseguiu no seu

29.1
Jó 13.12
27.1
Nm 23.7
24.3
discurso e disse:

2Quem me dera ser como fui nos meses antigos,

como nos dias em que

29.2
Jr 31.28
Deus me guardava!

3Quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça

e quando eu,

29.3
Jó 11.17
guiado pela sua luz, caminhava através das trevas;

4como fui nos dias do meu vigor,

quando

29.4
Jó 15.8
Sl 25.14
Pv 3.32
a amizade de Deus estava sobre a minha tenda;

5quando o Todo-Poderoso estava comigo,

e meus filhos me rodeavam;

6quando meus passos eram banhados em

29.6
Jó 20.17
Dt 32.14
manteiga

e quando

29.6
Dt 32.13
a pedra derramava para mim rios de azeite;

7quando eu saía para ir

29.7
Jó 31.21
à porta da cidade

e mandava preparar-me um assento na praça.

8Viam-me os mancebos e escondiam-se,

e os velhos levantavam-se e punham-se em pé.

9Os príncipes

29.9
Jó 29.21
cessavam de falar,

29.9
Jó 21.5
e punham a mão sobre a sua boca;

10A voz dos nobres

29.10
Jó 29.22
emudecia,

e a sua língua apegava-se ao seu paladar.

11Pois

29.11
Jó 4.3-4
o ouvido que me ouvia chamava-me bem-aventurado;

e o olho que me via dava testemunho de mim,

12porque eu livrava

29.12
Jó 24.4,9
34.28
ao pobre que gritava

29.12
Jó 31.17,21
e ao órfão que não tinha quem o socorresse.

13A bênção do que estava

29.13
Jó 31.19
a perecer vinha sobre mim,

e eu fazia que o

29.13
Jó 22.9
coração da viúva cantasse de alegria.

14

29.14
Jó 27.5-6
Sl 132.9
Is 59.17
61.10
Ef 6.14
Vestia-me da retidão, e ela se vestia de mim;

a minha justiça era como um manto e como um diadema.

15Fazia-me olhos para o cego

e pés, para o coxo.

16Eu era o pai

29.16
Jó 24.4
dos necessitados

e examinava a causa dos desconhecidos.

17Eu

29.17
Sl 3.7
quebrava os queixos do iníquo

e arrancava-lhe a presa dentre os dentes.

18Então, dizia eu: Morrerei no meu ninho,

multiplicarei os meus dias como a areia.

19A minha

29.19
Jr 17.8
raiz se estenderá até as águas,

e o

29.19
Os 14.5
orvalho ficará a noite toda sobre os meus ramos.

20A minha glória se renovará em mim,

e o meu

29.20
Gn 49.24
Sl 18.34
arco será revigorado na minha mão.

21A mim

29.21
Jó 29.9
4.3
me ouviam, e esperavam,

e guardavam silêncio para receberem o meu conselho.

22Depois de falar eu,

29.22
Jó 29.10
nada replicavam.

29.22
Dt 32.2
As minhas razões caíam sobre eles como orvalho.

23Esperavam-me como a chuva

e abriam a sua boca como as chuvas tardias.

24Eu me sorria para eles, quando não tinham confiança;

e a luz do meu rosto, não a podiam abater.

25Eu lhes escolhia o caminho, e me sentava

29.25
Jó 1.3
31.37
como chefe,

e estava como um rei entre as tropas,

29.25
Jó 4.4
16.5
como quem consola os aflitos.

Jó descreve o estado miserável em que caiu

301Agora, porém,

30.1
Jó 12.4
zombam de mim os de menos idade,

cujos pais desdenhei de pôr com os cães do meu rebanho.

2Pois de que me aproveitaria a força das mãos deles,

homens nos quais já pereceu o vigor?

3De míngua e fome estão emagrecidos;

roem o deserto, desde muito em ruínas e desolado.

4Apanham malvas junto aos arbustos,

e as raízes da giesta são o seu mantimento.

5São expulsos do meio dos homens,

e grita-se atrás deles como atrás dum gatuno.

6Têm que habitar nos desfiladeiros sombrios,

nas covas da terra e dos penhascos.

7Zurram entre os arbustos,

estendem-se debaixo das urtigas,

8São filhos de insensatos, filhos de gente infame;

foram enxotados para fora do país.

9Agora, vim a ser a sua

30.9
Jó 12.4
canção

e lhes sirvo de provérbio.

10Eles me abominam, ficam longe de mim

e não hesitam em me

30.10
Jó 17.6
Nm 12.14
Dt 25.9
Is 50.6
Mt 26.67
cuspir no rosto.

11Pois Deus afrouxou a sua corda e me

30.11
Rt 1.21
Sl 88.7
afligiu.

Eles também expeliram de si o

30.11
Sl 32.9
freio diante de mim.

12À minha direita, levanta-se gente vil,

30.12
Sl 140.4-5
empurram os seus pés

e contra mim

30.12
Jó 19.12
erigem o seu caminho de destruição.

13

30.13
Is 3.12
Estragam a minha vereda

e promovem a minha calamidade,

uns homens esses a quem ninguém ajudaria.

14Como por uma larga brecha, entram;

ao meio das ruínas, precipitam-se.

15

30.15
Jó 3.25
31.23
Sl 55.3-5
Terrores me assediam.

A minha honra é levada como pelo vento.

30.15
Jó 7.9
Os 13.3
Como nuvem passou a minha prosperidade.

16Agora, dentro de mim, se derrama a

30.16
Jó 3.24
Sl 22.14
42.4
Is 53.12
minha alma;

apoderam-se de mim dias de aflição.

17À noite,

30.17
Jó 30.30
os ossos se me traspassam e caem,

e as dores que me devoram não descansam.

18Pela grande violência do mal, está

30.18
Jó 2.7
desfigurado o meu vestido.

Ele se cola ao meu corpo como o cabeção da minha túnica.

19Deus lançou-me na

30.19
Sl 69.2,14
lama,

e tornei-me como pó e cinza.

20

30.20
Jó 19.7
Clamo a ti, e não me respondes;

Ponho-me em pé, e olhas para mim.

21Tornas-te cruel para comigo

e, com a força da tua mão,

30.21
Jó 10.3
16.9,14
19.6,22
me persegues.

22

30.22
Jó 9.17
27.21
Levantas-me ao vento, fazes-me cavalgar sobre ele;

dissolves-me na tempestade.

23Pois sei que me

30.23
Jó 9.22
10.8
levarás à morte

e à

30.23
Jó 3.19
Ec 12.5
casa de reunião estabelecida para todo o vivente.

24Contudo, não estende a mão quem vai cair?

Ou, ao ser ele destruído,

30.24
Jó 19.7
não dá gritos?

25Porventura, não

30.25
Sl 35.13-14
Rm 12.15
chorava eu sobre o que estava angustiado?

Não se afligia a minha alma pelo

30.25
Jó 24.4
necessitado?

26

30.26
Jó 3.25-26
Jr 8.15
Esperando eu o bem, veio-me o mal;

e, esperando a luz,

30.26
Jó 19.8
veio a escuridão.

27

30.27
Lm 2.11
As minhas entranhas fervem e não descansam;

dias de aflição me sobrevieram.

28

30.28
Jó 30.30
Sl 38.6
42.9
43.2
Denegrido ando, porém não do sol.

Levanto-me na assembleia e

30.28
Jó 19.7
clamo por socorro.

29Sou irmão dos

30.29
Sl 44.19
Mq 1.8
chacais

e companheiro de avestruzes.

30A minha

30.30
Jó 2.7
pele enegrece e se me cai,

e os meus

30.30
Sl 102.3
ossos estão queimados do calor.

31Por isso, se trocou a minha

30.31
Is 24.8
harpa em pranto,

e a minha flauta, na voz dos que choram.

31

Jó declara a sua integridade nos seus deveres

311Fiz aliança com os

31.1
Mt 5.28
meus olhos;

como, pois, haveria eu de olhar para uma donzela?

2Pois que

31.2
Jó 20.29
porção teria eu do Deus lá de cima

e que herança, do Todo-Poderoso lá do alto?

3Acaso, não há

31.3
Jó 18.12
21.30
calamidade para o injusto,

e desastre, para

31.3
Jó 34.22
os que obram a iniquidade?

4Porventura, não

31.4
Jó 24.23
28.24
34.21
36.7
2Cr 16.9
Pv 5.21
15.3
vê ele todos os meus caminhos

31.4
Jó 31.37
14.16
e conta todos os meus passos?

5Se eu tenho

31.5
Jó 15.31
Mq 2.11
andado na companhia de falsidade,

e o meu pé se tem apressado após o engano;

6(Seja eu

31.6
Jó 6.2-3
pesado em balança fiel,

para que Deus conheça

31.6
Jó 23.10
27.5-6
a minha integridade.);

7se os meus passos se

31.7
Jó 23.11
têm desviado do caminho,

e o meu coração tem seguido os meus olhos

e, se qualquer

31.7
Jó 9.30
mancha, se tem pegado às minhas mãos,

8então, que eu

31.8
Jó 20.18
Lv 26.16
Mq 6.15
semeie, e outro coma;

seja arrancado

31.8
Jó 31.12
o que produz o meu campo.

9Se o meu coração se tem

31.9
Jó 31.1
24.15
deixado seduzir por causa duma mulher,

e tenho armado traição à porta do meu próximo,

10então,

31.10
Jz 16.21
Is 47.2
moa minha mulher para outro,

e sobre ela encurvem-se

31.10
Dt 28.30
Jr 8.10
outros.

11Pois isso seria

31.11
Lv 20.10
Dt 22.24
um crime infame;

isso seria uma

31.11
Jó 31.28
iniquidade que deveria ser punida pelos juízes.

12Pois é

31.12
Jó 15.30
fogo que consome até a
31.12
Jó 26.6
destruição

31.12
Jó 31.8
20.28
e desarraigaria toda a minha renda.

13Se

31.13
Dt 24.14-15
desprezei o direito do meu servo ou da minha serva,

quando eles pleitearam comigo,

14que, pois, farei, quando Deus se levantar?

E, quando ele me visitar, que lhe responderei?

15

31.15
Jó 10.3
Quem me fez na madre a mim não os fez também a eles?

E não foi um que nos formou na madre?

16Se retive o que desejavam os

31.16
Jó 5.16
20.19
pobres

ou se fiz desfalecer os olhos

31.16
Jó 23.9Êx 22.22-24
da viúva;

17ou se tenho

31.17
Jó 22.7
comido sozinho o meu bocado,

e dele o

31.17
Jó 29.12
órfão não participou

18(Pelo contrário, desde a minha mocidade, eu o criei como pai

e, desde a madre da minha mãe, fui o guia da viúva.);

19se tenho visto alguém perecer

31.19
Jó 22.6
29.13
por falta de roupa

ou que

31.19
Jó 24.4
o necessitado não tem com que se cobrir;

20se os seus lombos não me abençoaram,

e se não se aquentava com os velos das minhas ovelhas;

21se tenho levantado a minha mão contra

31.21
Jó 31.17
29.12
o órfão,

porque eu sentia apoio

31.21
Jó 29.7
nos juízes,

22então, caia o meu ombro da juntura,

e dos ossos separe-se o

31.22
Jó 38.15
meu braço.

23Pois a

31.23
Jó 31.3
calamidade vinda de Deus foi para mim um horror;

por causa da sua

31.23
Jó 13.11
majestade eu nada pude fazer.

24Se fiz do

31.24
Jó 22.24
Mc 10.24
ouro a minha esperança

e disse ao ouro fino: Em ti confio;

25se me

31.25
Jó 1.3,10
Sl 62.10
regozijei por ser grande a minha riqueza

e por ter a minha mão alcançado muito;

26

31.26
Dt 4.19
17.3
Ez 8.16
se olhei para o sol quando resplandecia

ou para a lua, quando caminhava cheia de brilho,

27e o meu coração se deixou enganar em oculto,

e beijos lhes mandei com a minha mão,

28isso também seria uma

31.28
Jó 31.11
Dt 17.2-7
iniquidade que devia ser punida pelos juízes,

pois eu teria

31.28
Js 24.27
Is 59.13
negado a Deus, que está lá em cima.

29Se me

31.29
Pv 17.5
24.17
Ob 12
regozijei na ruína daquele que me odiava

ou exultei quando o mal lhe sobreveio,

30(Eu

31.30
Sl 7.4
não permiti, na verdade, que a minha boca pecasse,

pedindo

31.30
Jó 5.3
com imprecação a sua morte.);

31se as pessoas da minha tenda não disseram:

Quem nos dera achar a alguém que não nos tenha

31.31
Jó 22.7
fartado da carne provida por ele.

32O estrangeiro não passou a noite na rua,

mas abri as minhas portas ao viandante;

33se, como Adão,

31.33
Gn 3.10
Pv 28.13
encobri as minhas transgressões,

escondendo a minha iniquidade no meu seio,

34porque eu

31.34
Êx 23.2
tinha medo da grande multidão,

e o desprezo das famílias me aterrorizava,

de modo que me calei e não saí da porta.

35Oxalá que eu tivesse quem me ouvisse!

(Eis a minha assinatura!

31.35
Jó 19.7
30.20,24,28
35.14
Que me responda o Todo-Poderoso.)!

E que eu tivesse a acusação que o meu

31.35
Jó 27.7
adversário escreveu!

36Por certo, eu a levaria sobre o ombro;

atá-la-ia à fronte, como uma coroa.

37Declarar-lhe-ia

31.37
Jó 31.4
o número dos meus passos;

como

31.37
Jó 1.3
29.25
um príncipe chegar-me-ia a ele.

38Se

31.38
Jó 24.2
a minha terra clamar contra mim,

e se os meus sulcos juntamente chorarem;

39se

31.39
Jó 24.6,10-12
Tg 5.4
comi os seus frutos sem dinheiro

ou

31.39
1Rs 21.19
se fiz que os seus donos morressem:

40produza ela

31.40
Is 5.6
32.13
espinhos em lugar de trigo

e plantas daninhas, em lugar de cevada.

Acabadas são as palavras de Jó.