Tradução Brasileira (2010) (TB)
25

Bildade sustenta que o homem não pode, sem presunção, justificar-se diante de Deus

251Então, respondeu Bildade, suíta:

2A Deus pertence o domínio e o poder.

Ele faz reinar a paz nas regiões celestes.

3Acaso, têm número as suas tropas?

E sobre quem não surge a sua luz?

4Como, pois, pode o homem ser justo diante de Deus?

Ou como pode ser puro aquele que nasce de mulher?

5Eis que até a lua não tem brilho,

e as estrelas não são puras aos olhos dele.

6Quanto menos o que é verme!

E o filho do homem, que é vermezinho!

26

Jó repreende a Bildade e exalta o poder de Deus

261Então, respondeu Jó:

2Como sabes ajudar ao que não tem poder!

Como prestar socorro ao braço que não tem força!

3Que bons conselhos dás ao que não tem sabedoria

e em quão grande cópia revelas o verdadeiro conhecimento!

4A quem diriges palavras?

E de quem é o espírito que fala em ti?

5Tremem debaixo das águas

os manes e os que ali habitam.

6O Sheol está nu diante dele,

e Abadom não tem o que lhe cubra.

7Ele estende o norte sobre o vácuo

e suspende a terra sobre o nada.

8Encerra as águas nas suas nuvens grossas

e com elas não se rasga a nuvem.

9Encobre a face do seu trono

e sobre ele estende a sua nuvem.

10Descreve um limite circular sobre a superfície das águas,

onde a luz e as trevas se confinam.

11As colunas do céu tremem

E se espantam das suas ameaças.

12Com o seu poder, agita o mar

e, pelo seu entendimento, traspassa a Raabe.

13Pelo seu sopro, os céus são embelezados,

a sua mão fere a serpente veloz.

14Eis que essas coisas são somente as bordas dos seus caminhos.

Quão pequeno é o sussurro que dele ouvimos!

Porém o trovão dos seus grandes feitos, quem o poderá entender?

27

Jó sustenta a sua integridade e sinceridade

271De novo, prosseguiu Jó o seu discurso e disse:

2Pela vida de Deus, que me tirou o direito,

e do Todo-Poderoso, que me amargurou a alma

3(Pois ainda está em mim a minha vida,

e o sopro de Deus, no meu nariz.);

4os meus lábios não falam a injustiça,

nem a minha língua profere o engano.

5Não permita Deus que eu vos dê razão.

Até que eu morra, não apartarei de mim a minha integridade.

6À minha justiça me apegarei e não a largarei.

Não reprova o meu coração dia algum da minha vida.

7Seja como iníquo o meu inimigo,

e, como injusto, aquele que se levanta contra mim.

8Pois qual é a esperança do ímpio quando Deus o corta,

quando lhe arrebata a alma?

9Acaso, ouvirá Deus o clamor,

quando lhe sobrevier a tribulação?

10Deleitar-se-á no Todo-Poderoso

e invocará a Deus em todo o tempo?

11Ensinar-vos-ei acerca das obras de Deus,

E não ocultarei a mente do Todo-Poderoso.

12Eis que todos vós o conheceis.

Por que, pois, vos entregais a juízos falsos?

13Esta é, a porção do iníquo da parte de Deus,

e a herança que os opressores recebem do Todo-Poderoso.

14Se seus filhos se multiplicarem, multiplicam-se para a espada;

a sua prole não se fartará de pão.

15Os que ficarem deles na peste serão sepultados,

e as suas viúvas não chorarão.

16Embora amontoe ele prata como pó

e aparelhe vestidos como barro,

17ele pode aparelhá-los, mas o justo os vestirá,

e o inocente repartirá a prata.

18Edifica a sua casa como a traça

e como a choça que o vigia faz.

19Deita-se rico, porém não será recolhido à sepultura;

abre os seus olhos, e já não é.

20Pavores o alcançam como águas,

de noite, o arrebata a tempestade.

21O vento oriental leva-o, e ele se vai,

e varre-o do seu lugar.

22Pois Deus atirará contra ele, e não o poupará a ele,

que quer fugir da sua mão a toda a pressa.

23Os homens baterão palmas à sua queda

e o afugentarão com assobios.