Tradução Brasileira (2010) (TB)
22

Elifaz acusa a Jó de diversos pecados e o exorta a não resistir ao Todo-Poderoso

221Então, respondeu Elifaz, temanita:

2Pode o homem ser de proveito a Deus?

Não! O sábio é só útil a si mesmo.

3De que serve ao Todo-Poderoso que sejas justo?

Ou que lucro tem ele, se fizeres perfeitos os teus caminhos?

4É por causa da tua reverência que te reprova,

que entra contigo em juízo?

5Não é grande a tua maldade,

e infinitas, as tuas iniquidades?

6Pois, sem causa, tomaste penhores a teu irmão

e despojaste dos seus vestidos os nus.

7Não deste de beber ao cansado

e negaste pão ao faminto.

8Mas ao homem forte pertencia a terra;

e o homem acatado nela habitava.

9Despediste vazias as viúvas,

e os braços dos órfãos foram quebrados.

10Portanto, estás cercado de laços,

e um repentino pavor te conturba.

11Não vês tu as trevas

e a inundação de águas que te cobre?

12Não está Deus nas alturas do céu?

E olha a altura das estrelas. Quão grande é!

13E dizes: Pois que sabe Deus?

Pode ele julgar através das densas trevas?

14Grossas nuvens o encobrem, de modo que não pode ver;

só passeia pela abóbada do céu.

15Queres seguir a rota antiga,

que os homens iníquos pisaram?

16Esses iníquos foram arrebatados antes de tempo,

e os seus alicerces foram derramados como um dilúvio.

17Eles diziam a Deus: Retira-te de nós.

E: Que nos pode fazer o Todo-Poderoso?

18Contudo, Deus encheu as suas casas de bens.

Longe de mim os conselhos dos iníquos.

19Os justos o veem e se alegram.

Os inocentes riem-se deles,

20dizendo: Na verdade, são exterminados os que se levantaram contra nós,

e o fogo consumiu o que deixaram.

21Apega-te, pois, a Deus e tem paz;

e, assim, te sobrevirá o bem.

22Recebe, peço-te, da sua boca a lei

e põe as suas palavras no teu coração.

23Se voltares para o Todo-Poderoso, serás restabelecido;

se lançares a injustiça longe das tuas tendas,

24e deitares o teu tesouro no pó

e o ouro de Ofir entre as pedras do ribeiro,

25então, o Todo-Poderoso será o teu tesouro,

e a tua prata, abundantíssima.

26Pois, então, te deleitarás no Todo-Poderoso,

e levantarás o teu rosto a Deus.

27Tu lhe orarás, e ele te ouvirá;

e pagarás os teus votos.

28Farás decretos que serão bem sucedidos,

E a luz brilhará em teus caminhos.

29Quando os homens te abaterem, dirás: Levantamento!

E ele salvará ao humilde.

30Livrará até aquele que não é inocente,

que deverá a sua salvação à pureza das tuas mãos.

23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231Então, respondeu Jó:

2Ainda hoje a minha queixa é uma revolta,

embora a minha mão reprima o meu gemido.

3Quem me dera que soubesse onde o encontrasse,

para que eu chegasse até a sua habitação!

4Exporia ante ele a minha causa

e encheria a minha boca de argumentos.

5Saberia as palavras que ele me respondesse

e entenderia a que ele me dissesse.

6Porventura, oporia contra mim a grandeza do seu poder?

Não! Mas ele me prestaria atenção.

7Nesse caso, um reto estaria pleiteando com ele;

assim, para sempre, ficaria livre do meu juiz.

8Eis que eu vou para adiante, mas ele lá não está;

e, para trás, porém não o posso perceber.

9Para a esquerda, quando ele opera, porém não o posso contemplar;

ele se esconde à direita, de modo que não o posso ver.

10Mas ele sabe o caminho por que ando;

se ele me provasse, sairia eu como ouro.

11O meu pé seguiu de perto as suas pisadas;

guardei o meu caminho e não me desviei.

12Do mandamento dos seus lábios não me apartei,

escondi no meu seio as palavras da sua boca.

13Porém ele está resolvido, quem pode desviá-lo?

E o que desejar a sua alma, isso mesmo faz.

14Pois ele cumprirá o que está ordenado para mim,

e dele ainda vêm muitas coisas como estas.

15Portanto, estou perturbado na sua presença;

quando considero, tenho medo dele.

16É Deus quem me fez desmaiar o coração,

E o Todo-Poderoso que me perturbou.

17Porque não estou desfalecido por causa das trevas,

nem porque a escuridão cobre o meu rosto.

24

Jó contesta que os ímpios, muitas vezes, ficam sem castigo nesta vida

241Por que o Todo-Poderoso não designa tempos?

E por que os que o conhecem não veem os dias designados?

2Há os que removem os limites,

roubam os rebanhos e os apascentam.

3Levam o jumento do órfão,

tomam em penhor o boi da viúva.

4Desviam do caminho aos necessitados;

os pobres da terra juntos se escondem.

5Como asnos monteses no deserto,

saem eles ao trabalho, procurando diligentemente a comida.

O ermo fornece-lhes sustento para seus filhos.

6No campo, cortam o seu pasto.

E rabiscam na vinha do iníquo.

7Passam a noite toda nus, sem roupa,

e não têm com que se cobrir no frio.

8São molhados pelas chuvas dos montes

e, na falta dum abrigo, achegam-se a um rochedo.

9Há os que arrancam do peito o órfão

e tomam em penhor a roupa dos pobres,

10de modo que estes andam nus, sem roupa,

e, famintos, carregam os molhos.

11Espremem azeite dentro das casas daqueles homens;

pisam nos lagares deles e padecem sede.

12Da cidade levantam-se os gemidos moribundos,

e clama a alma dos feridos.

Contudo, Deus não o tem por loucura.

13Estes são aqueles que se rebelam contra a luz;

não conhecem os caminhos dela,

nem permanecem nas suas veredas.

14O homicida levanta-se ao romper da alva,

mata ao pobre e ao necessitado

e, de noite, torna-se ladrão.

15Também os olhos do adúltero aguardam o crepúsculo,

dizendo: Ninguém me verá.

E disfarça o seu rosto.

16De noite minam as casas;

de dia, se conservam encerrados.

Não conhecem a luz,

17pois a manhã é para todos eles como a sombra da morte,

porque dela conhecem os pavores.

18Passa rápido como o que é levado na superfície das águas.

Maldita é a porção dos tais na terra;

não anda mais pelo caminho das vinhas.

19A sequidão e o calor desfazem as águas de neve;

assim faz o Sheol aos que pecaram.

20A madre se esquecerá dele,

dele se banquetearão os vermes,

não será mais lembrado.

Como árvore, será quebrado o injusto,

21aquele que devora o estéril que não tem filhos

e não faz o bem à viúva.

22Não! Pela sua força, Deus prolonga os dias dos valentes.

Ei-los de pé, quando desesperavam da vida.

23Ele lhes concede estar em segurança, e nisso se estribam.

E os seus olhos estão sobre os caminhos deles.

24São exaltados, mas, em breve tempo, se vão;

são abatidos, colhidos como todos os mais,

são cortados como as espigas do trigo.

25Se não é assim, quem me desmentirá

e reduzirá a nada as minhas palavras?