Tradução Brasileira (2010) (TB)
14

Jó roga o favor de Deus por causa da brevidade e miséria da vida humana

141

14.1
Jó 5.7
O homem, nascido da mulher,

é de poucos dias e cheio de inquietação.

2

14.2
Sl 90.5-6
103.15
Is 40.6-7
Como flor, nasce e murcha;

como

14.2
Jó 8.9
sombra foge e não permanece.

3Sobre um tal

14.3
Sl 8.4
144.3
abres os teus olhos?

A mim me fazes entrar em juízo contigo?

4Oxalá que o

14.4
Jó 15.14
25.4
puro pudesse sair do imundo? Não é possível!

5Visto que os seus dias estão contados, o

14.5
Jó 21.21
número dos seus meses, nas tuas mãos,

e lhe tens demarcado limites intransponíveis.

6

14.6
Jó 7.19
Aparta dele o teu rosto, para que descanse,

até que, qual jornaleiro, goze do seu dia.

7A esperança para a árvore, sendo cortada, é que torne a brotar,

e que não cessem os seus renovos.

8Ainda que a sua raiz envelheça na terra,

e o seu tronco morra no pó,

9contudo, ao cheiro de água, brotará

e lançará ramos como uma planta.

10

14.10
Jó 14.10-15
3.13
O homem, porém, morre e fica prostrado;

14.10
Jó 13.19
expira o homem e onde está?

11Como

14.11
Is 19.5
as águas se retiram do mar,

e o rio se esgota e seca,

12assim

14.12
Jó 3.13
o homem se deita e não se levanta.

Enquanto existirem os céus, não acordará,

nem será despertado do seu sono.

13Quem me dera que me

14.13
Jó 3.13
escondesses no Sheol,

que me ocultasses

14.13
Is 26.20
até que a tua ira tenha passado,

que, após um tempo determinado, te lembrasses de mim!

14Se o homem morrer, acaso, tornará a viver?

Todos os dias da minha milícia esperaria eu,

até que viesse a minha dispensa.

15Tu chamarias, e eu te responderia;

serias afeiçoado

14.15
Jó 10.3
à obra das tuas mãos.

16Agora, porém,

14.16
Jó 31.4
34.21
contas os meus passos;

porventura,

14.16
Jó 10.6
não observas o meu pecado?

17A minha transgressão

14.17
Dt 32.32-34
está selada num saco;

e guardas fechada a minha iniquidade.

18Mas o monte que se esboroa, desfaz-se,

e a penha se remove do seu lugar;

19As águas gastam as pedras,

as suas inundações arrebatam o pó da terra.

Assim

14.19
Jó 7.6
fazes perecer a esperança do homem.

20Prevaleces para sempre contra ele, e

14.20
Jó 4.20
20.7
ele passa;

mudas o seu rosto e o despedes.

21Seus filhos recebem honras, e ele não o sabe;

são humilhados, mas ele nada percebe a respeito deles.

22Somente para si mesmo sente dores a sua carne,

e para si mesmo lamenta a sua alma.

15

Elifaz acusa Jó de presunção

151Então, respondeu Elifaz, temanita:

2Responderá o sábio com ciência vã,

15.2
Jó 6.26
e encherá do vento oriental o seu ventre?

3Argumentando com palavras que de nada servem

ou com razões com que ele nada aproveita?

4Na verdade, tu destróis a reverência

e prejudicas o espírito religioso para com Deus.

5Pois

15.5
Jó 22.5
a tua iniquidade ensina a tua boca,

e escolhes a língua dos

15.5
Jó 5.12-13
astutos.

6A tua

15.6
Jó 18.7
própria boca te condena, e não eu;

e os teus lábios dão testemunho contra ti.

7És tu o primeiro homem que nasceu?

Ou

15.7
Jó 38.4,21
foste dado à luz antes dos outeiros?

8Assistes no

15.8
Jó 29.4
Rm 11.34
concílio de Deus?

Aproprias para ti a sabedoria?

9

15.9
Jó 12.3
13.2
Que sabes tu, que nós não sabemos?

E que entendes, que não se acha em nós?

10Conosco estão os homens

15.10
Jó 12.12
32.6-7
encanecidos e idosos,

mais velhos do que teu pai.

11Porventura,

15.11
Jó 5.17-19
36.15-16
fazes pouco caso das consolações de Deus

e da

15.11
Jó 6.10
23.12
palavra que te trata benignamente?

12Por que te arrebata

15.12
Jó 11.13
36.13
o teu coração?

Por que flamejam os teus olhos?

13De modo que voltas o teu espírito contra Deus

e permites sair as palavras da tua boca.

14Que é o homem,

15.14
Jó 14.4
para ser puro?

E

15.14
Jó 25.4
o que é nascido da mulher, para ser justo?

15Eis que Deus não confia nos

15.15
Jó 5.1
seus santos,

e, à sua vista,

15.15
Jó 25.5
os céus não são limpos;

16quanto menos o homem

15.16
Sl 14.1
abominável e corrompido,

que

15.16
Jó 34.7
bebe a iniquidade como a água?

Elifaz mostra que o ímpio é atormentado nesta vida

17Eu to mostrarei; ouve-me;

e te contarei o que tenho visto,

18(o que homens sábios têm anunciado

15.18
Jó 8.8
20.4
da parte de seus pais, não o ocultando;

19a eles somente pertencia o país,

não havendo estrangeiro algum passado por meio deles):

20O iníquo passa em

15.20
Jó 15.24
angústia todos os dias,

o número dos anos que são

15.20
Jó 24.1
27.13
reservados para o opressor.

21A voz de

15.21
Jó 15.24
18.11
20.25
24.17
27.20
terrores retine nos seus ouvidos;

15.21
Jó 20.21
1Ts 5.3
na prosperidade, lhe sobrevirá o assolador.

22Não espera

15.22
Jó 15.30
escapar das trevas,

e a

15.22
Jó 19.29
27.14
33.18
36.12
espada o está esperando.

23Ele anda em busca de pão, dizendo: Onde está?

Sabe que o dia das

15.23
Jó 15.22,30
trevas lhe está iminente.

24O aperto e a angústia o amedrontam;

prevalecem contra ele, como um rei preparado para a batalha,

25porque estendeu a sua mão contra Deus

e com soberba

15.25
Jó 36.9
se porta contra o Todo-Poderoso.

26Corre contra ele com cerviz dura,

opõe-lhe as saliências do seu escudo,

27porque

15.27
Sl 17.10
73.7
119.70
cobriu o rosto com a gordura,

e criou carnes grossas sobre as ilhargas.

28

15.28
Jó 3.14
Is 5.8-9
Habitou em cidades assoladas,

em casas que ninguém habitaria

e que estavam prestes a cair em ruínas.

29

15.29
Jó 27.16-17
Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda,

nem as suas colheitas serão abundantes.

30

15.30
Jó 15.22
5.14
Não escapará das trevas;

15.30
Jó 15.34
20.26
22.20
31.12
a chama secará os seus ramos;

15.30
Jó 4.9
e, pelo assopro da boca de Deus, desaparecerá.

31

15.31
Jó 35.13
Is 59.4
Não confie na vaidade, enganando-se a si mesmo;

pois a vaidade será a sua recompensa.

32Ela lhe chegará

15.32
Jó 22.16
Ec 7.17
antes do termo dos teus dias,

e o seu

15.32
Jó 18.16
ramo não reverdecerá.

33Sacudirá as suas uvas verdes como a vide

15.33
Jó 14.2
e deixará cair a sua flor como a oliveira;

34pois a companhia dos

15.34
Jó 8.13
ímpios será estéril,

e o fogo consumirá as

15.34
Jó 8.22
tendas de suborno.

35Eles

15.35
Sl 7.14
Is 59.4
concebem a malícia, dão à luz a iniquidade,

e o seu ventre prepara enganos.

16

Jó acusa aos seus amigos de falta de compaixão e misericórdia

161Então, respondeu Jó:

2Tenho ouvido muitas coisas como estas;

todos vós sois

16.2
Jó 13.4
21.34
consoladores enfadonhos.

3Não se acabarão nunca essas

16.3
Jó 6.26
palavras de vento?

Ou que é o que te provoca a dar respostas?

4Eu também poderia falar como vós falais;

se a vossa alma estivesse no lugar da minha,

eu poderia amontoar palavras contra vós,

e contra vós

16.4
Sl 22.7
109.25
Sf 2.15
Mt 27.39
menear a minha cabeça.

5Poderia fortalecer-vos com a minha boca,

e a condolência dos meus lábios poderia mitigar a vossa dor.

6Ainda que eu fale, não se mitiga

16.6
Jó 9.27-28
a minha dor;

e, embora me cale, de que sou aliviado?

7Mas, agora, me deixou ele exausto;

16.7
Jó 16.20
19.13-15
assolaste toda a minha companhia.

8Puseste a mão sobre mim, e isso constitui

16.8
Jó 10.17
uma testemunha contra mim;

16.8
Jó 19.20
Sl 109.24
e a minha magreza levanta-se contra mim, dá testemunho na minha cara.

9Na sua ira,

16.9
Jó 19.11
Os 6.1
me despedaçou e me perseguiu,

16.9
Sl 35.16
Lm 2.16
At 7.54
rangeu os dentes contra mim;

16.9
Jó 13.24
33.10
o meu adversário aguça os olhos contra mim;

10

16.10
Sl 22.13
abrem contra mim a boca,

com desprezo me

16.10
Is 50.6
Lm 3.30
At 23.2
ferem no queixo;

à uma,

16.10
Jó 30.12
Sl 35.15
se ajuntam contra mim.

11Deus entrega-me aos ímpios

e lança-me na mão dos iníquos.

12Descansado estava eu, e ele

16.12
Jó 9.17
me quebrantou;

tomou-me pelo pescoço e despedaçou-me.

Pôs-me por seu

16.12
Jó 7.20
Lm 3.12
alvo.

13Cercam-me

16.13
Jó 6.4
19.12
25.3
as suas flechas;

atravessa-me os rins e não me poupa;

derrama

16.13
Jó 20.25
o meu fel sobre a terra.

14

16.14
Jó 9.17
Faz-me brecha sobre brecha,

16.14
Jl 2.7
arremete sobre mim como um guerreiro.

15Sobre a minha pele cosi

16.15
Jó 2.8
Gn 37.34
Sl 69.11
saco,

e, no pó, deitei

16.15
Jó 19.9
Lm 2.3
a minha cabeça.

16O meu rosto está inflamado

16.16
Jó 16.20
de chorar,

e, sobre as minhas pálpebras, está

16.16
Jó 24.17
a sombra da morte,

17embora não haja

16.17
Is 59.6
Jn 3.8
violência nas minhas mãos,

e seja pura

16.17
Jó 27.4
a minha oração.

18Ó terra, não cubras o meu sangue,

e não haja lugar em que se oculte o meu clamor.

19Agora mesmo, a

16.19
Jó 19.25-27
Gn 31.50
Fp 1.8
minha testemunha está no céu,

e,

16.19
Jó 31.2
nas alturas, quem advoga a minha causa.

20

16.20
Jó 16.7
Os meus amigos são os que zombam de mim;

mas

16.20
Jó 17.7
os meus olhos derramam lágrimas perante Deus,

21para que ele defenda o direito que o homem tem diante de Deus,

e o que o filho do homem tem perante o seu próximo.

22Pois, quando houver passado poucos anos,

seguirei o caminho

16.22
Jó 3.13
donde não voltarei.