Tradução Brasileira (2010) (TB)
1

Elcana e suas mulheres

11Houve um homem de Remataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita. 2Ele tinha duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina. Penina tinha filhos, porém Ana não os tinha. 3Este homem subia da sua cidade, de ano em ano, a adorar e oferecer sacrifícios, em Siló, a Jeová dos Exércitos. Assistiam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, como sacerdotes de Jeová. 4No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, costumava dar quinhões à sua mulher Penina e a todos os seus filhos e filhas, 5porém a Ana dava um só quinhão; contudo ele a amava; mas Jeová lhe havia cerrado a madre. 6Para lhe fazer enfadar-se, muito a atormentava a sua rival, porque Jeová lhe havia cerrado a madre. 7Assim fazia ele de ano em ano. Certa ocasião em que Penina subiu à Casa de Jeová, irritou ela a Ana, que se pôs a chorar e não comeu. 8Perguntou-lhe Elcana, seu marido: Ana, por que choras? Por que não comes? E por que está triste o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?

Ana roga a Deus que lhe dê um filho

9Levantou-se Ana, depois que comeram e beberam em Siló. Ora, o sacerdote Eli estava sentado na sua cadeira, junto ao umbral da porta do templo de Jeová. 10Ela, profundamente amargurada, orou a Jeová e chorou muito; 11fez um voto e disse: Jeová dos Exércitos, se, na verdade, tu te dignares olhar para a aflição da tua serva e se te lembrares de mim; se não te esqueceres da tua serva, mas se lhe deres um filho varão, eu o darei a Jeová por todos os dias da sua vida, e não passará navalha pela sua cabeça.

12Continuando ela a orar diante de Jeová, observou Eli o movimento dos seus lábios. 13Ana, todavia, falava no seu coração; tão somente se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz. Por isso, julgou Eli que ela estava embriagada. 14Disse-lhe Eli: Até quando estarás embriagada? Deixa passar de ti o teu vinho. 15Ana respondeu: Não é assim, meu senhor; eu sou uma mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida que possa embriagar, porém derramei a minha alma diante de Jeová. 16Não tenhas a tua serva por filha de Belial, porque, movida pela abundância da minha queixa e da minha provocação, falei até agora. 17Então, lhe respondeu Eli: Vai-te em paz; o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste. 18Ela disse: Ache a tua serva graça aos teus olhos. Assim, a mulher foi o seu caminho e comeu, e não mais era triste o seu semblante.

Nasce Samuel e é consagrado a Deus

19Tendo-se levantado de madrugada, adoraram perante Jeová, voltaram e chegaram à sua casa, em Ramá. Elcana conheceu a sua mulher Ana; e Jeová lembrou-se dela. 20Concebeu Ana e, tendo passado o período, deu à luz um filho e pôs-lhe por nome Samuel, dizendo: Porque de Jeová o pedi.

21Subiu Elcana e toda a sua casa a oferecer a Jeová o sacrifício anual e a cumprir o seu voto. 22Mas Ana não subiu, pois disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, levá-lo-ei, a fim de que ele apareça diante de Jeová e a fim de que lá fique para sempre. 23Respondeu-lhe Elcana, seu marido: Faze o que te parecer bem; fica até o desmamares, e cumpra Jeová a sua palavra. Assim, ficou a mulher e deu leite a seu filho até que o desmamou. 24Depois de o ter desmamado, levando consigo a ele, e três novilhos, e um efa de farinha, e um odre de vinho, o trouxe à Casa de Jeová, em Siló. O menino era ainda muito criança. 25Depois de terem sacrificado o novilho, trouxeram o menino a Eli. 26Ana disse: Ah! Meu senhor! Tão certamente como vive a tua alma, senhor, eu sou a mulher que estive aqui na tua presença, orando a Jeová. 27A respeito deste menino orava eu, e Jeová me concedeu a petição que lhe fiz. 28Portanto, eu de minha parte o entreguei a Jeová; por todos os dias que ele viver, está entregue a Jeová. Então, adorou ali a Jeová.

2

O cântico de gratidão de Ana

21Então, Ana orou e disse:

Alegra-se o meu coração em Jeová.

Exaltado é o meu poder em Jeová.

A minha boca dilata-se sobre os meus inimigos,

porque eu me regozijo na tua salvação.

2Ninguém há santo como Jeová;

pois não há outro fora de ti,

nem há outra rocha como o nosso Deus.

3Não continueis a falar tão orgulhosamente;

não saiam da vossa boca palavras arrogantes,

porque Jeová é Deus que tudo sabe,

e por ele são pesadas as ações.

4O arco dos fortes se quebra,

e os fracos são cingidos de força.

5Os fartos assalariam-se por pão,

e os famintos deixam de ter fome.

Até a estéril deu à luz sete filhos,

e a que teve muitos filhos perde as forças.

6Jeová é o que tira a vida e a dá;

faz descer ao Sheol e faz subir.

7Jeová é o que empobrece e dá riquezas;

ele abate e também eleva.

8Levanta do pó ao pobre,

do monturo eleva ao necessitado,

para os fazer assentar entre os príncipes

e para lhes dar por herança um trono de glória;

pois de Jeová são as colunas da terra,

e sobre elas tem posto o mundo.

9Ele guardará os pés dos seus santos;

os ímpios, porém, ficarão mudos nas trevas,

porque, pela força, não prevalecerá o homem.

10Jeová despedaçará os seus inimigos

e contra eles trovejará nos céus.

Jeová julgará as extremidades da terra;

dará força ao seu rei

e exaltará o poder do seu ungido.

11Então, se retirou Elcana para sua casa, em Ramá. O menino, porém, ficou servindo a Jeová na presença do sacerdote Eli.

O pecado dos filhos de Eli

12Ora, os filhos de Eli eram filhos de Belial; não conheciam a Jeová. 13Este era o costume dos sacerdotes para com o povo: sempre que alguém oferecia um sacrifício, vinha o servo do sacerdote, quando se cozia a carne, tendo na mão o seu garfo de três dentes, 14e metia-o na panela, ou no tacho, ou no caldeirão, ou na marmita. Tudo o que o garfo trazia para cima, tomava-o o sacerdote para si. Assim faziam em Siló a todos os israelitas que lá chegavam. 15Ainda mais: antes que queimassem a gordura, vinha o servo do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: Dá carne de assar para o sacerdote, porque ele não receberá de ti carne cozida, mas crua. 16Se lhe respondia o ofertante: Sem dúvida, logo há de ser queimada a gordura; então, tomarás quanto quiseres; replicava-lhe o servo: Não, porém hás de dar-ma agora; se não, tomá-la-ei à força. 17Era muito grande o pecado desses moços diante de Jeová, pois o povo veio a desprezar a oferta de Jeová.

Eli repreende seus filhos

18Samuel, porém, ministrava diante de Jeová, vestido de um éfode de linho. 19Sua mãe fazia-lhe uma pequena túnica e, de ano em ano, lha trazia, quando subia em companhia de seu marido a oferecer o sacrifício anual. 20Eli abençoou a Elcana e a sua mulher e disse: Jeová te dê semente desta mulher em lugar da que foi pedida a Jeová. Então, voltaram para sua casa. 21Visitou Jeová a Ana, e ela concebeu e deu à luz três filhos e duas filhas. Entretanto, o menino Samuel crescia diante de Jeová.

22Ora, Eli era muito velho, mas ouvia tudo o que faziam seus filhos a todo o Israel e como se deitavam com as mulheres que ministravam à porta da tenda da revelação. 23Disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? De todo este povo eu ouço falar dos vossos maus atos. 24Não, filhos meus; pois não é boa a fama que eu ouço. Estais fazendo transgredir o povo de Jeová. 25Se o homem pecar contra outro, Deus o julgará; mas, se um homem pecar contra Jeová, quem intercederá por ele? Todavia, não ouviram a voz de seu pai, porque Jeová os queria matar. 26Mas o menino Samuel ia crescendo em estatura e no favor de Jeová bem como dos homens.

Profecia contra a casa de Eli

27Veio um homem de Deus a Eli e disse-lhe: Assim diz Jeová: Não me revelei à casa de teu pai, quando eles estavam no Egito sujeitos à casa de Faraó? 28Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar incenso e para trazer um éfode diante de mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel. 29Por que pisastes aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas que ordenei que se fizessem na minha habitação, e por que honras a teus filhos mais do que a mim, engordando-vos das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel? 30Portanto, diz Jeová, Deus de Israel: Eu tinha dito que a tua casa e a casa de teu pai andariam para sempre diante de mim, mas, agora, diz Jeová: Longe de mim tal coisa, porque honrarei aos que me honram, e os que me desprezam serão tidos em pouca conta. 31Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, de sorte que não haja ancião em tua casa. 32Em todo o bem que Deus fará a Israel verás o aperto na minha habitação; e nunca haverá um ancião em tua casa. 33O homem da tua linhagem a quem eu não cortar do meu altar será poupado para que os teus olhos se consumam, e a tua alma se entristeça; todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade. 34Será para ti por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e a Fineias: no mesmo dia morrerão ambos. 35Eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo tudo o que está no meu coração e na minha mente; edificar-lhe-ei uma casa duradoura, e ele andará sempre diante do meu ungido. 36Todo aquele que restar em tua casa virá e se prostrará diante dele por uma moeda de prata e por um pão e dirá: Rogo-te que me admitas a um dos cargos sacerdotais, para que eu coma um bocado de pão.

3

Visão de Samuel e o seu chamamento profético

31O menino Samuel ministrava a Jeová diante de Eli. Naqueles dias, a palavra de Jeová era preciosa; não havia visão manifesta. 2Estando Eli deitado no seu lugar (Ora, os seus olhos tinham começado a escurecer, e ele não podia ver.), 3e ainda não se havendo apagado a lâmpada de Deus, e estando Samuel também deitado no templo de Jeová, onde estava a arca de Deus, 4chamou Jeová a Samuel. Este respondeu: Eis-me aqui. 5Correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Ele respondeu: Eu não te chamei; torna a deitar-te. Ele foi e deitou-se. 6Jeová tornou a chamar outra vez a Samuel, que, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois me chamaste. Eli respondeu-lhe: Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te. 7Samuel ainda não conhecia a Jeová, cuja palavra ainda não lhe havia sido revelada. 8Tornou Jeová a chamar a Samuel pela terceira vez. Ele, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois me chamaste. Então, entendeu Eli que Jeová chamava ao menino. 9Por isso, disse Eli a Samuel: Vai deitar-te; se alguém te chamar, responderás: Fala, Jeová, porque o teu servo ouve. Foi, pois, Samuel e deitou-se no seu lugar.

10Então, veio Jeová, parou e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Respondeu ele: Fala, pois o teu servo ouve. 11Disse Jeová a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir, ficar-lhe-ão tinindo ambos os ouvidos. 12Naquele dia, darei contra Eli pleno cumprimento de tudo o que tenho falado a respeito da sua casa. 13Eu já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, por causa da iniquidade de que ele tinha ciência, pois trouxeram seus filhos uma maldição sobre si, e ele não os repreendeu. 14Por isso, jurei à casa de Eli que a iniquidade dela nunca jamais será expiada com sacrifícios nem com ofertas de cereais.

Samuel conta a visão a Eli

15Samuel ficou deitado até pela manhã, quando abriu as portas da Casa de Jeová. Mas ele temia relatar a visão a Eli. 16Chamou Eli a Samuel e disse: Samuel, meu filho. Este respondeu: Eis-me aqui. 17Eli perguntou-lhe: Que é o que Jeová te falou? peço-te que não mo encubras; assim te faça Deus e ainda mais, se me encobrires alguma coisa de tudo o que te falou. 18Samuel referiu-lhe tudo e nada lhe encobriu. Então, disse Eli: Ele é Jeová; faça o que lhe parecer bem.

19Crescia Samuel, e Jeová era com ele; não deixou nenhuma das suas palavras cair no chão. 20Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel foi confirmado como profeta de Jeová. 21Jeová tornou a aparecer em Siló, pois ali se revelou a Samuel pela sua palavra.