Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
5

A esposa finge indiferença pelo esposo, mas segue-o imediatamente, busca-o e reconcilia-se com ele

51JÁ vim para o meu jardim, irmã minha, minha esposa: colhi a minha mirra com a minha especiaria,

5.1:
Ct 4.11,16
comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite:
5.1:
Jo 15.14
comei, amigos, 5.1: ou bebei abundantemente do amorbebei abundantemente, ó amados. 2Eu dormia, mas o meu coração velava:
5.2:
Ap 3.20
eis a voz do meu amado, que estava batendo: abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha, minha imaculada, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite: 3 despi os meus vestidos; como os tornarei a vestir? lavei os meus pés; como os tornarei a sujar? 4O meu amado meteu a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele. 5Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos gotejavam mirra sobre as aldravas da fechadura. 6Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado se tinha retirado, e se tinha ido: a minha alma tinha-se derretido quando ele falara;
5.6:
Ct 3.1
busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu. 7Acharam-me os guardas
5.7:
Ct 3.3
que rondavam pela cidade: espancaram-me, feriram-me; tiraram-me o meu manto os guardas dos muros. 8Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu amado, lhe digais que estou enferma de amor. 9Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu,
5.9:
Ct 1.8
a mais formosa entre as mulheres? que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuraste. 10O meu amado é cândido e rubicundo; ele traz a bandeira entre dez mil. 11A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos como o corvo. 12Os seus olhos
5.12:
Ct 1.15
4.1
são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste. 13As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como 5.13: ou outeiros aromáticoscolinas de ervas aromáticas; os seus lábios são como lírios que gotejam mirra. 14As suas mãos são como anéis de ouro que têm engastadas as turquesas; o seu 5.14: ou corpoventre como alvo marfim, coberto de safiras. 15As suas pernas como colunas de mármore, fundadas sobre bases de ouro puro; o seu parecer como o Líbano, excelente como os cedros. 16O seu 5.16: Hebr. paladarfalar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.

6

61PARA onde foi o teu amado,

6.1:
Ct 1.8
ó mais formosa entre as mulheres? para onde virou a vista o teu amado, e o buscaremos contigo? 2O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, para se alimentar nos jardins e para colher os lírios. 3Eu sou
6.3:
Ct 2.16
7.10
do meu amado,
6.3:
Ct 4.1
e o meu amado é meu: ele se alimenta entre os lírios. 4Formosa és, amiga minha, como Tirzá, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras. 5Desvia de mim os teus olhos, porque eles me perturbam.
6.5:
Ct 4.1
O teu cabelo é como o rebanho das cabras que pastam em Gileade. 6Os teus dentes
6.6:
Ct 4.2
são como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e não estéril entre elas. 7Como
6.7:
Ct 6.4
um pedaço de romã, assim são as tuas faces 6.7: ou atrás do teu véuentre as tuas tranças. 8Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número. 9Mas uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe, e a mais querida de aquela que a deu à luz; vendo-a, as filhas lhe chamarão bem-aventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão. 10Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua,
6.10:
Ct 7.12
brilhante como o sol, formidável como um exército com bandeiras? 11Desci ao jardim das nogueiras, para ver os novos frutos do vale, a ver se floresciam as vides e brotavam as romeiras. 12Antes de eu o sentir, me pôs a minha alma nos carros do meu povo excelente. 13Volta, volta, ó Sulamita, volta, volta, para que nós te vejamos. Por que olhas para a Sulamita 6.13: ou como para a dança de dois bandos?como para as fileiras de dois exércitos?

7

71QUE formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! As voltas de tuas coxas são como joias, trabalhadas por mãos de artista. 2O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como monte de trigo, cercado de lírios. 3Os teus dois peitos

7.3:
Ct 4.5
como dois filhos gêmeos da gazela. 4O teu pescoço
7.4:
Ct 4.4
como a torre de marfim: os teus olhos como os viveiros de Hesbom, junto à porta de Bete-Arabim: o teu nariz como torre do Líbano, que olha para Damasco. 5A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura: o rei está preso pelas suas tranças. 6Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias! 7A tua estatura é semelhante à palmeira, e os teus peitos aos cachos de uvas. 8Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs. 9E o teu paladar como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que falem os lábios dos que dormem. 10Eu sou
7.10:
Ct 2.16
6.2
do meu amado, e ele me tem afeição. 11Vem, ó meu amado, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias. 12Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas,
7.12:
Ct 6.11
vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; ali te darei o meu grande amor. 13As mandrágoras
7.13:
Gn 30.14
Mt 13.52
dão cheiro, e às nossas portas toda a sorte de excelentes frutos, novos e velhos: ó amado meu, eu os guardei para ti.