Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
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Rute vai rabiscar espigas

21E TINHA Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da geração de Elimeleque: e era o seu nome Boaz. 2E Rute a moabita disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai, minha filha. 3Foi pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após os segadores: e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimeleque. 4E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. E disseram-lhe eles: O Senhor te abençoe. 5Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça? 6E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta é a moça moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe. 7Disse-me ela: Deixa-me colher espigas, e ajuntá-las entre as gavelas após dos segadores. Assim ela veio, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa.

Boaz fala a Rute benignamente

8Então disse Boaz a Rute: Não ouves, filha minha? não vás colher a outro campo, nem tão pouco passes daqui: porém aqui te ajuntarás com as minhas moças. 9Os teus olhos estarão atentos no campo que segarem, e irás após delas; não dei ordem aos moços, que te não toquem? Tendo tu sede, vai aos vasos, e bebe do que os moços tirarem. 10Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra: e disse-lhe: Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira? 11E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste a tua sogra, depois da morte de teu marido: e deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conheceste. 12O Senhor galardoe o teu feito: e seja cumprido o teu galardão do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar. 13E disse ela: Ache eu graça em teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e falaste ao coração da tua serva, não sendo eu nem ainda como uma das tuas criadas. 14E sendo já horas de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, e ainda lhe sobejou. 15E, levantando-se ela a colher, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher, e não lho embaraceis. 16E deixai cair alguns punhados, e deixai-os ficar, para que os colha, e não a repreendais. 17E esteve ela apanhando naquele campo até à tarde: e debulhou o que apanhou e foi quase um efa de cevada. 18E tomou-o, e veio à cidade; e viu sua sogra o que tinha apanhado: também tirou, e deu-lhe o que lhe sobejara depois de fartar-se. 19Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te reconheceu. E relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz. 20Então Noemi disse a sua nora: Bendito seja do Senhor, que ainda não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso parente chegado, e um dentre os nossos remidores. 21E disse Rute, a moabita: Também ainda me disse: Com os moços que tenho te ajuntarás, até que acabem toda a sega que tenho. 22E disse Noemi, a sua nora, Rute: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que noutro campo não te encontrem. 23Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher até que a sega das cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra.

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Rute vai deitar-se aos pés de Boaz

31E DISSE-LHE Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar descanso, para que fiques bem? 2Ora pois, não é Boaz, com cujas moças estiveste, de nossa parentela? Eis que esta noite padejará a cevada na eira. 3Lava-te pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira: porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber. 4E há de ser que, quando ele se deitar, notarás o lugar em que se deitar; então entra, e descobrir-lhe-ás os pés, e te deitarás, e ele te fará saber o que deves fazer. 5E ela lhe disse: Tudo quanto me disseres, farei. 6Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado. 7Havendo pois Boaz comido e bebido, e estando já o seu coração alegre, veio deitar-se ao pé de uma meda; então veio ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.

Boaz promete a Rute casar com ela

8E sucedeu que, pela meia-noite, o homem estremeceu, e se voltou: e eis que uma mulher jazia a seus pés. 9E disse ele: Quem és tu? E ela disse: Sou Rute, tua serva; estende pois tua aba sobre a tua serva, porque tu és o remidor. 10E disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste esta tua última beneficência do que a primeira, pois após nenhuns mancebos foste, quer pobres quer ricos. 11Agora pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa. 12Porém agora é muito verdade que eu sou remidor: mas ainda outro remidor há mais chegado do que eu. 13Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te redimir, bem está, ele te redima; porém, se te não quiser redimir, vive o Senhor, que eu te redimirei: deita-te aqui até amanhã. 14Ficou-se pois deitada a seus pés até pela manhã, e levantou-se antes que pudesse um conhecer a outro, porquanto disse: Não se saiba que alguma mulher veio à eira. 15Disse mais: Dá cá o roupão que tens sobre ti, e tem mão nele. E ela teve mão nele; e ele mediu seis medidas de cevada, e lhas pôs em cima; então entrou na cidade. 16E veio à sua sogra, a qual disse: Quem és tu, minha filha? E ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera. 17Disse mais: Estas seis medidas de cevada me deu, porque me disse: Não vás vazia a tua sogra. 18Então disse ela: Sossega, minha filha, até que saibas como irá o caso, porque aquele homem não descansará até que conclua hoje este negócio.

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Boaz casa com Rute

41E BOAZ subiu à porta, e assentou-se ali: e eis que o remidor de que Boaz tinha falado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, desvia-te para cá, assenta-te aqui. E desviou-se para ali, e assentou-se. 2Então tomou dez homens dos anciãos da cidade, e disse: Assentai-vos aqui. E assentaram-se. 3Então disse ao remidor: Aquela parte da terra que foi de Elimeleque, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a vendeu. 4E disse eu: Manifestá-lo-ei em teus ouvidos, dizendo: Toma-a diante dos habitantes, e diante dos anciãos do meu povo; se a hás de redimir, redime-a, e, se não se houver de redimir, declara-mo, para que o saiba, pois outro não senão tu que a redima, e eu depois de ti. Então disse ele: Eu a redimirei. 5Disse porém Boaz: No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, também a tomarás da mão de Rute, a moabita, mulher do defunto, para suscitar o nome do defunto sobre a sua herdade. 6Então disse o remidor: Para mim não a poderei redimir, para que não dane a minha herdade: redime tu a minha remissão para ti, porque eu não a poderei redimir. 7Havia, pois, já de muito tempo este costume em Israel, quanto a remissão e contrato, para confirmar todo o negócio, que o homem descalçava o sapato e o dava ao seu próximo: e isto era por testemunho em Israel. 8Disse pois o remidor a Boaz: Toma-a para ti. E descalçou o sapato. 9Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que tomei tudo quanto foi de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom, da mão de Noemi, 10E de que também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do defunto sobre a sua herdade, para que o nome do defunto não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar: disto sois hoje testemunhas. 11E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas: o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Leia, que ambas edificaram a casa de Israel; e há-te já valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém. 12E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar teve de Judá), da semente que o Senhor te der desta moça.

Rute dá à luz Obede, avô de Davi

13Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele entrou a ela, e o Senhor lhe deu conceição, e teve um filho. 14Então as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel. 15Ele te será recriador da alma, e conservará a tua velhice, pois tua nora, que te ama, o teve, e ela te é melhor do que sete filhos. 16E Noemi tomou o filho, e o pôs no seu regaço, e foi sua ama. 17E as vizinhas lhe deram um nome dizendo: A Noemi nasceu um filho. E chamaram o seu nome Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi. 18Estas são pois as gerações de Perez: Perez gerou a Esrom. 19E Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Aminadabe, 20E Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom, 21E Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede, 22E Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.