Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
89

Traz-se à memória o pacto de Deus com Davi, a fim de que Deus livre o seu povo dos males presentes

Masquil de Etã, o ezraíta

891AS benignidades do Senhor cantarei perpetuamente: com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração. 2Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre: tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo: 3Fiz

89.3:
1Rs 8.16
um concerto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: 4A tua descendência estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração. (Selá.) 5E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade também na assembleia dos santos. 6Pois quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhante ao Senhor entre os filhos dos poderosos? 7Deus deve ser em extremo tremendo na assembleia dos santos, e grandemente reverenciado por todos os que o cercam. 8Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é forte como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?! 9Tu dominas o ímpeto do mar: quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar. 10Tu quebrantaste a Raabe como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço poderoso. 11Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste. 12O norte e o sul tu os criaste; o Tabor e o Hermom regozijam-se em teu nome. 13Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e elevada a tua destra. 14Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade vão adiante do teu rosto. 15Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo: andará, ó Senhor, na luz da tua face. 16Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará. 17Pois tu és a glória da sua força; e pelo teu favor será exaltado o nosso 89.17: Hebr. chifrepoder. 18Porque o Senhor é a nossa defesa, e o Santo de Israel o nosso Rei. 19Então em visão falaste do teu santo, e disseste: Socorri um que é esforçado: exaltei a um eleito do povo. 20Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi: 21Com ele a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá. 22O inimigo não o importunará, nem o filho da perversidade o afligirá. 23E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei os que o aborrecem. 24E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com ele; e em meu nome será exaltado o seu poder. 25E porei a sua mão no mar, e a sua direita nos rios. 26Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. 27Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra. 28A minha benignidade lhe guardarei para sempre, e o meu concerto lhe será firme. 29E conservarei para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias do céu. 30Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juízos, 31Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, 32Então visitarei com vara a sua transgressão, e a sua iniquidade com açoites. 33Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade. 34Não quebrarei o meu concerto, não alterarei o que saiu dos meus lábios. 35Uma vez jurei por minha santidade que não mentirei a Davi. 36A sua descendência durará para sempre, e o seu trono será como o sol perante mim; 37Será estabelecido para sempre como a lua: e a testemunha no céu é fiel. (Selá.) 38Mas tu rejeitaste e aborreceste: tu te indignaste contra o teu ungido. 39Abominaste o concerto do teu servo: profanaste a sua coroa, lançando-a por terra. 40Derribaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações. 41Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se o opróbrio dos seus vizinhos. 42Exaltaste a destra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem. 43Também embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja. 44Fizeste cessar o seu esplendor, e deitaste por terra o seu trono. 45Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha. (Selá.) 46Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre? arderá a tua ira como fogo? 47Lembra-te de quão breves são os meus dias; por que criarias debalde todos os filhos dos homens? 48Que homem há, que viva, e não veja a morte? ou que livre a sua alma do poder do 89.48: Hebr. Sheolmundo invisível? (Selá.) 49Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a Davi pela tua verdade? 50Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos; e de como trago no meu peito o escárnio de todos os povos poderosos: 51Com o qual, Senhor, os teus inimigos têm difamado, com o qual têm difamado as pisadas do teu ungido. 52Bendito seja o Senhor para sempre. Amém, e Amém.

90

A fraqueza do homem e a providência de Deus

Oração de Moisés, varão de Deus

901SENHOR, tu tens sido 90.1: ou a nossa moradao nosso refúgio, de geração em geração. 2Antes

90.2:
Pv 8.25-26
que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus. 3Tu reduzes o homem à destruição; e dizes:
90.3:
Gn 3.19
Volvei, filhos dos homens. 4Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite. 5Tu os levas como corrente de água: são como um sono: são como a erva que cresce de madrugada, 6De madrugada cresce e floresce: à tarde corta-se e seca. 7Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. 8Diante de ti puseste as
90.8:
Sl 50.21
nossas iniquidades: os nossos pecados ocultos à luz do teu rosto. 9Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro. 10A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos. 11Quem conhece o poder da tua ira? e a tua cólera, segundo o temor que te é devido? 12Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. 13Volta-te para nós, Senhor; até quando? e aplaca-te para com os teus servos. 14Sacia-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias. 15Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. 16Apareça
90.16:
Hc 3.2
a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos. 17E seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós
90.17:
Is 26.12
a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

91

A segurança daquele que se refugia em Deus

911AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. 2Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. 3Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. 4Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro: a sua verdade é escudo e broquel. 5Não temerás espanto noturno, nem seta que voe de dia. 6Nem peste que ande na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia. 7Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido, 8Somente com os teus olhos olharás, e verás a recompensa dos ímpios. 9Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O altíssimo é a tua habitação. 10Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. 11Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. 12Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. 13Pisarás o leão e o áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente. 14Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome. 15Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei. 16Dar-lhe-ei abundância de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.