Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
76

A majestade e o poder de Deus

Salmo e cântico de Asafe, para o cantor-mor sobre Neginote

761CONHECIDO é Deus em Judá: grande é o seu nome em Israel. 2E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada em Sião. 3Ali quebrou as frechas do arco; o escudo, e a espada, e a guerra. (Selá.) 4Tu és mais ilustre, e glorioso, do que os montes de presa. 5Os que são ousados de coração foram despojados; dormiram o seu sono, e nenhum dos homens de força achou as suas mãos. 6À tua repreensão, ó Deus de Jacó, carros e cavalos são lançados num sono profundo. 7Tu, tu és terrível; e quem subsistirá à tua vista, se te irares? 8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou, 9Quando Deus se levantou para julgar, para livrar a todos os mansos da terra. (Selá.) 10Porque a cólera do homem redundará em teu louvor, o restante da cólera tu o restringirás. 11Fazei votos, e pagai ao Senhor, vosso Deus: tragam presentes, os que estão em redor dele, àquele que é tremendo. 12Ele ceifará o espírito dos príncipes: é tremendo para com os reis da terra.

77

O estado interno do salmista: ele anima a sua alma pela consideração das grandes obras e da misericórdia de Deus

Salmo de Asafe, para o cantor-mor, por Jedutum

771CLAMEI ao Senhor com a minha voz: a Deus levantei a minha voz, e ele inclinou para mim os ouvidos. 2No dia da minha angústia busquei ao Senhor: a minha mão se estendeu de noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada. 3Lembrava-me de Deus, e me perturbei: queixava-me, e o meu espírito desfalecia. (Selá.) 4Sustentaste os meus olhos vigilantes: estou tão perturbado que não posso falar. 5Considerava os dias da antiguidade, os anos dos tempos passados. 6De noite chamei à lembrança o meu cântico: meditei em meu coração, e o meu espírito investigou: 7Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável? 8Cessou para sempre a sua benignidade? acabou-se já a promessa que veio de geração em geração? 9Esqueceu-se Deus de ter misericórdia? ou encerrou ele as suas misericórdias na sua ira? (Selá.) 10E eu disse: Isto é enfermidade minha; e logo me lembrei dos anos da destra do Altíssimo. 11Lembrar-me-ei, pois, das obras do Senhor: certamente que me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade. 12Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos. 13O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Que Deus é tão grande como o nosso Deus? 14Tu és o Deus que fazes maravilhas: tu fizeste notória a tua força entre os povos. 15Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. (Selá.) 16As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram. 17Grossas nuvens se desfizeram em água; os céus retumbaram: as tuas frechas correram duma para outra parte. 18A voz do teu trovão repercutiu-se nos ares; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. 19Pelo mar foi teu caminho, e tuas veredas pelas grandes águas; e as tuas pegadas não se conheceram. 20Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Aarão.

78

A salvação que Deus concedeu a Israel: a rebelião contra ele: Deus escolheu Judá e Davi para pastorear Israel

Masquil de Asafe

781ESCUTAI a minha lei, povo meu: inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. 2Abrirei a minha boca numa parábola: proporei enigmas da antiguidade. 3Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. 4Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez. 5Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, e ordenou aos nossos pais que a fizessem conhecer a seus filhos; 6Para que a geração vindoura a soubesse; os filhos que nascessem se levantassem e a contassem a seus filhos; 7Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos. 8E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel para com Deus. 9Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, retrocederam no dia da peleja. 10Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei. 11E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver. 12Maravilhas que ele fez à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã. 13Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão. 14De dia os guiou com uma nuvem, e toda a noite com um clarão de fogo. 15Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos. 16Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios. 17E ainda prosseguiram em pecar contra ele, provocando ao Altíssimo na solidão. 18E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para satisfazerem o seu apetite. 19E falaram contra Deus, e disseram: Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto? 20Eis que feriu a penha, e águas correram dela; rebentaram ribeiros em abundância: poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo? 21Pelo que o Senhor os ouviu, e se indignou: e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel; 22Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação, 23Posto que tivesse mandado às altas nuvens, e tivesse aberto as portas dos céus. 24E fizesse chover sobre eles o maná para comerem, e lhes tivesse dado do trigo do céu. 25Cada um comeu o pão dos poderosos; ele lhes mandou comida com abundância. 26Fez soprar o vento do oriente nos céus, e trouxe o sul com a sua força. 27E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar. 28E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações. 29Então comeram e se fartaram bem; pois lhes satisfez o desejo. 30Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca, 31Quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais fortes deles, e feriu os escolhidos de Israel. 32Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas. 33Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia. 34Pondo-os ele à morte, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus. 35E lembravam-se de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor. 36Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam. 37Porque o seu coração não era reto para com ele nem foram fiéis ao seu concerto. 38Mas ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade, e não os destruiu; antes muitas vezes desviou deles a sua cólera, e não deixou despertar toda a sua ira. 39Porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta. 40Quantas vezes o provocaram no deserto, e o ofenderam na solidão! 41Voltaram atrás, e tentaram a Deus; e duvidaram do Santo de Israel. 42Não se lembraram do poder da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário: 43Como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã; 44E converteu em sangue os seus rios e as suas correntes, para que não pudessem beber. 45E lhes mandou enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram. 46Deu também ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos. 47Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com pedrisco. 48Também entregou o seu gado à saraiva, e aos coriscos os seus rebanhos. 49E atirou para o meio deles, quais mensageiros de males, o ardor da sua ira, furor, indignação, e angústia. 50Abriu caminho à sua ira; não poupou a alma deles à morte, nem a vida deles à pestilência. 51E feriu todo o primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cão. 52Mas fez com que o seu povo saísse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como a um rebanho. 53E os guiou com segurança, e não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos. 54E conduziu-os até ao limite do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu. 55E expulsou as nações de diante deles, e, dividindo suas terras, lhas deu por herança, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel. 56Contudo tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos. 57Mas tornaram atrás, e portaram-se aleivosamente como seus pais: viraram-se como um arco traiçoeiro. 58Pois lhe provocaram a ira com os seus altos, e despertaram-lhe o zelo com as suas imagens de escultura. 59Deus ouviu isto e se indignou; e sobremodo aborreceu a Israel. 60Pelo que desamparou o tabernáculo em Silo, a tenda que estabelecera como sua morada entre os homens. 61E deu a sua força ao cativeiro; e a sua glória à mão do inimigo. 62E entregou o seu povo à espada; e encolerizou-se contra a sua herança. 63Aos seus mancebos consumiu-os o fogo, e as suas donzelas não tiveram festa nupcial. 64Os seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não se lamentaram. 65Então o Senhor despertou como dum sono, como um valente que o vinho excitasse. 66E feriu os seus adversários, que fugiram, e pô-los em perpétuo desprezo. 67Além disto, rejeitou a tenda de José, e não elegeu a tribo de Efraim. 68Antes elegeu a tribo de Judá: o monte de Sião, que ele amava. 69E edificou o seu santuário como aos lugares elevados, como a terra que fundou para sempre. 70Também elegeu a Davi, seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas. 71De após as ovelhas pejadas o trouxe, para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. 72Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou com a perícia de suas mãos.