Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
73

A prosperidade dos ímpios faz duvidar da justiça de Deus, mas o fim deles a demonstra

Salmo de Asafe

731VERDADEIRAMENTE bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. 2Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. 3Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. 4Porque não apertos na sua morte, mas firme está a sua força. 5Não se acham em trabalhos como outra gente, nem são afligidos como outros homens. 6Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de um adorno. 7Os olhos deles estão inchados de gordura: superabundam as imaginações do seu coração. 8São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão;

73.8:
Os 7.16
2Pe 2.18
falam arrogantemente. 9Erguem a sua boca contra os céus, e a sua língua percorre a terra. 10Pelo que o seu povo volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem. 11E dizem: Como o sabe Deus? ou há conhecimento no Altíssimo? 12Eis que estes são ímpios; e, todavia, estão sempre em segurança, e se lhes aumentam as riquezas. 13Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração
73.13:
Ml 3.14
e lavado as minhas mãos na inocência. 14Pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã. 15Se eu dissesse: Também falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos. 16Quando pensava em compreender isto,
73.16:
Ec 8.17
fiquei sobremodo perturbado; 17Até que entrei no santuário de Deus: então entendi eu o fim deles. 18Certamente tu os puseste em lugares escorregadios: tu os lanças em destruição. 19Como caem na desolação, quase num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. 20Como faz com um sonho, o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares desprezarás a aparência deles. 21Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. 22Assim me embruteci, e nada sabia; era como animal perante ti. 23Todavia estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela minha mão direita. 24Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás em glória. 25A quem tenho
73.25:
Cl 3.8
eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti. 26A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a 73.26: Hebr. rochafortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre. 27Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu
73.27:
Êx 34.15
tens destruído todos aqueles que, apostatando, se desviam de ti. 28Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor Deus, para anunciar todas as tuas obras.

74

A assolação do santuário, e oração para que Deus se lembrasse do seu povo aflito

Masquil de Asafe

741Ó DEUS, por que nos rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? 2Lembra-te da tua congregação, que compraste

74.2:
Êx 15.16
Dt 9.29
desde a antiguidade; 74.2: ou da triboda tua herança que remiste, deste monte de Sião, em que habitaste. 3Levanta-te contra as perpétuas assolações, contra tudo o que o inimigo tem feito de mal no santuário. 4Os teus inimigos bramam
74.4:
Lm 2.7
no meio dos lugares santos; põem neles as suas insígnias por sinais. 5Parecem-se com o homem que avança com o seu machado através da espessura do arvoredo. 6Eis que toda a obra entalhada quebram com machados e martelos. 7Lançaram fogo ao teu santuário; profanaram, derribando-a até ao chão, a morada do teu nome. 8Disseram nos seus corações: Despojemo-los duma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra. 9Já não vemos os nossos sinais, já não profeta: nem entre nós alguém que saiba até quando isto durará. 10Até quando, ó Deus, nos afrontará o adversário? Blasfemará o inimigo o teu nome para sempre? 11Por que retiras a tua mão, sim a tua destra? tira-a do teu seio, e consome-os. 12Todavia, Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a salvação no meio da terra. 13Tu dividiste o
74.13:
Êx 14.21
mar pela tua força; quebrantaste as cabeças dos monstros das águas. 14Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto. 15Fendeste a fonte e o ribeiro: secaste os rios impetuosos. 16Teu é o dia e tua é a noite:
74.16:
Gn 1.14
preparaste a luz e o sol. 17Estabeleceste todos os limites da terra;
74.17:
Gn 8.22
verão e inverno tu os formaste. 18Lembra-te disto:
74.18:
Ap 16.19
que o inimigo afrontou ao Senhor, e que um povo louco blasfemou o teu nome. 19Não entregues às feras a alma da tua rola: não te esqueças para sempre da vida dos teus aflitos. 20Atenta para o teu concerto; pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de 74.20: Hebr. violênciacrueldade. 21Oh! não volte envergonhado o oprimido: Louvem o teu nome o aflito e o necessitado. 22Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o louco te faz cada dia. 23Não te esqueças 74.23: ou da vozdos gritos dos teus inimigos: o tumulto daqueles que se levantam contra ti aumenta continuamente.

75

O profeta louva a Deus e promete fazer observar a justiça

Para o cantor-mor Al-Tachete. Salmo e cântico de Asafe

751A TI, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram. 2Quando eu ocupar o lugar determinado, julgarei retamente. 3Dissolve-se a terra e todos os seus moradores, mas eu fortaleci as suas colunas. (Selá.) 4Disse eu aos loucos: Não enlouqueçais; e aos ímpios: Não levanteis a fronte: 5Não levanteis a vossa fronte altiva, nem faleis com cerviz dura; 6Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação. 7Mas Deus é o Juiz; a um abate, e a outro exalta. 8Porque na mão do Senhor há um cálice cujo vinho ferve, cheio de mistura, e dá a beber dele; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes. 9Mas, quanto a mim, anunciarei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacó. 10E 75.10: Hebr. serrarei todos os chifresquebrantarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão exaltadas.