Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
6

Advertência contra o servir de fiador, contra a preguiça e contra a maldade

61FILHO meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, 2Enredaste-te com as palavras da tua boca: prendeste-te com as palavras da tua boca. 3Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, pois já caíste nas mãos do teu companheiro; vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro. 4Não dês sono aos teus olhos, nem repouso às tuas pálpebras. 5Livra-te como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro. 6Vai ter com a formiga,

6.6:
Jó 12.7
ó preguiçoso: olha para os seus caminhos, e sê sábio. 7A qual, não tendo 6.7: ou juizsuperior, nem oficial, nem dominador, 8Prepara no verão o seu pão: na sega ajunta o seu mantimento. 9Ó preguiçoso, até quando
6.9:
Pv 24.33-34
ficarás deitado? quando te levantarás do teu sono? 10Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco encruzando as mãos, para estar deitado; 11Assim te sobreviverá a tua
6.11:
Pv 10.4
13.4
20.4
pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um homem armado. 12O homem de 6.12: ou iniquidadeBelial, o homem vicioso, anda em perversidade de boca. 13Acena com os olhos, fala com os pés, faz sinais com os dedos. 14Perversidade no seu coração; todo o tempo maquina mal: anda semeando contendas. 15Pelo que a sua destruição virá repentinamente: subitamente será quebrantado,
6.15:
2Cr 36.16
Jr 19.11
sem que haja cura. 16Estas seis cousas aborrece o Senhor, e a sétima a sua alma abomina: 17Olhos altivos, língua mentirosa, e mãos
6.17:
Is 1.15
que derramam sangue inocente: 18Coração
6.18:
Gn 6.5
Is 59.7
Rm 3.15
que maquina pensamentos viciosos; pés que se apressam a correr para o mal; 19Testemunha falsa que profere mentiras: e o que semeia
6.19:
Pv 6.14
contendas entre irmãos.

O mancebo é advertido contra a mulher adúltera

20Filho meu, guarda

6.20:
Pv 1.8
Ef 6.1
o mandamento de teu pai, e não deixes a lei de tua mãe. 21Ata-os
6.21:
Pv 3.3
7.3
perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço. 22Quando caminhares,
6.22:
Pv 2.11
3.23-24
isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. 23Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei uma luz: e as repreensões da correção são o caminho da vida, 24Para te guardarem
6.24:
Pv 2.16
5.3
7.5
da má mulher, e das lisonjas da língua estranha. 25Não cobices
6.25:
Pv 29.3
Mt 5.28
no teu coração a sua formosura, nem te prendas com os seus olhos. 26Porque por causa duma mulher prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera
6.26:
Gn 39.14
Ez 13.18
anda à caça de preciosa vida. 27Tomará alguém fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem? 28Ou andará alguém sobre as brasas, sem que se queimem os seus pés? 29Assim será o que entrar à mulher do seu próximo: não ficará inocente todo aquele que a tocar. 30Não se injuria o ladrão, quando furta para saciar a sua alma, tendo fome; 31Mas encontrado, pagará
6.31:
Êx 22.1,4
sete vezes tanto: dará toda a fazenda de sua casa. 32O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma
6.32:
Pv 7.7
o que tal faz. 33Achará castigo e vilipêndio, e o seu opróbrio nunca se apagará. 34Porque furioso é o ciúme do marido, e de maneira nenhuma perdoará no dia da vingança. 35Nenhum resgate aceitará, nem consentirá, ainda que multipliques os presentes.

7

71FILHO meu, guarda as minhas palavras, e esconde

7.1:
Pv 2.1
dentro de ti os meus mandamentos. 2Guarda
7.2:
Lv 18.5
Dt 32.10
Pv 4.4
Is 55.3
os meus mandamentos, e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos, 3Ata-os
7.3:
Dt 6.8
11.18
Pv 3.3
6.21
aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. 4Dize à sabedoria: tu és minha irmã; e à prudência chama tua parenta. 5Para te guardarem
7.5:
Pv 2.16
5.3
6.24,32
da mulher alheia, da estranha, que lisonjeia com as suas palavras. 6Porque da janela da minha casa, por minhas grades olhando eu, 7Vi entre os simples, descobri entre os jovens, um mancebo falto de juízo, 8Que passava pela rua junto à sua esquina, e seguia o caminho da sua casa; 9No crepúsculo,
7.9:
Jó 24.15
à tarde do dia, na escuridão e trevas da noite; 10E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro, com enfeites de prostituta, e astuto coração: 11Esta era alvoroçadora,
7.11:
Pv 9.13
1Tm 5.18
Tt 2.5
e contenciosa; não paravam em casa os seus pés; 12Ora pelas ruas, ora pelas praças, espreitando por todos os cantos: 13Aproximou-se dele, e o beijou; esforçou o seu rosto, e disse-lhe: 14Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos. 15Por isso saí ao teu encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei. 16Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas com linho fino do
7.16:
Is 19.9
Egito; 17Já perfumei o meu leito com mirra, aloés, e canela. 18Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã: alegremo-nos com amores. 19Porque o marido não está em casa: foi fazer uma jornada ao longe: 20Um saquitel de dinheiro levou na sua mão: só no dia marcado voltará a casa. 21Seduziu-o com a multidão
7.21:
Pv 5.3
das suas palavras, com as lisonjas dos seus lábios o persuadiu. 22E ele segue-a logo, como boi que vai ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões; 23Até que a frecha lhe atravesse o fígado, como a ave
7.23:
Ec 9.12
que se apressa para o laço, e não sabe que ele está ali contra a sua vida. 24Agora pois, filhos, dai-me ouvidos, e estai atentos às palavras da minha boca: 25Não se desvie para os seus caminhos o teu coração, e não andes perdido nas suas veredas; 26Porque a muitos feridos derribou: e são muitíssimos
7.26:
Ne 13.26
os que por ela foram mortos. 27Caminhos de sepultura é
7.27:
Pv 2.18
5.5
9.13
a sua casa, os quais descem às câmaras da morte.

8

A excelência e justiça dos preceitos da Sabedoria

81NÃO clama porventura a

8.1:
Pv 1.20
9.3
sabedoria, e a inteligência não dá a sua voz? 2No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se coloca. 3Da banda das portas da cidade, à entrada da cidade, e à entrada das portas está clamando: 4A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens. 5Entendei, ó simples, a prudência: e vós, loucos, entendei de coração. 6Ouvi, porque
8.6:
Pv 22.20
proferirei cousas excelentes: os meus lábios se abrirão para a equidade. 7Porque a minha boca proferirá a verdade: os meus lábios abominam a impiedade. 8Em justiça são todas as palavras da minha boca: não nelas nenhuma cousa tortuosa nem perversa. 9Todas elas são retas para o que bem as entende, e justas para os que acham o conhecimento. 10Aceitai a minha correção, e não a prata: e o conhecimento, mais do que o ouro fino escolhido. 11Porque
8.11:
Jó 28.15
melhor é a sabedoria do que os rubins; e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela. 12Eu, a sabedoria, habito com a prudência e acho a ciência dos conselhos. 13O
8.13:
Pv 4.24
6.17
16.6
temor do Senhor é aborrecer o mal: a soberba, e a arrogância, e o mau caminho, e a boca perversa, aborreço. 14Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria: eu sou o entendimento, minha é
8.14:
Ec 7.19
a fortaleza. 15Por mim reinam
8.15:
Dn 2.21
Rm 13.1
os reis e os príncipes ordenam justiça. 16Por mim governam os príncipes e os nobres; sim, todos os juízes da terra. 17Eu amo
8.17:
1Sm 2.30
Jo 14.21
aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão. 18Riquezas e honra estão comigo;
8.18:
Pv 3.16
Mt 6.33
sim, riquezas duráveis e justiça. 19Melhor é o meu fruto do
8.19:
Pv 3.14
8.10
que o ouro, sim, do que o ouro refinado; e as minhas novidades melhores do que a prata escolhida. 20Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo. 21Para fazer herdar bens permanentes aos que me amam, e encher os seus tesouros.

A Sabedoria existe desde a eternidade

22O Senhor me possuiu

8.22:
Pv 3.19
Jo 1.1
no princípio de seus caminhos, e antes de suas obras mais antigas. 23Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. 24Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. 25Antes
8.25:
Jó 15.7-8
que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. 26Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem sequer o princípio do pó do mundo. 27Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando compassava ao redor a face do abismo, 28Quando firmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do abismo; 29Quando
8.29:
Gn 1.9-10
Jó 38.10-11
Jr 5.22
punha ao mar o seu termo, para que as águas não trespassassem o seu mando; quando compunha os fundamentos da terra; 30Então eu estava
8.30:
Jo 1.1-2,18
com ele e era seu aluno: e era cada dia as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; 31Folgando no seu mundo habitável, e achando as minhas delícias com os filhos dos homens. 32Agora, pois, filhos,
8.32:
Lc 11.28
ouvi-me, porque bem-aventurados serão os que guardarem os meus caminhos. 33Ouvi a correção, não a rejeiteis, e sede sábios. 34Bem-aventurado
8.34:
Pv 3.13,18
o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. 35Porque o que me achar achará a vida,
8.35:
Pv 12.2
e alcançará favor do Senhor. 36Mas o que pecar contra mim violentará a sua
8.36:
Pv 20.2
própria alma: todos os que me aborrecem amam a morte.

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