Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
2

O paralítico de Capernaum

Mateus 9.1-8, etc.

21E ALGUNS

2.1:
Lc 5.18
dias depois entrou outra vez em Capernaum, e soube-se que estava em casa. 2E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. 3E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus! 8E Jesus,
2.8:
Jó 14.4
Is 42.25
conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? 9Qual é mais fácil?
2.9:
Mt 9.4
dizer ao paralítico:
2.9:
Mt 9.5
Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10Ora para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12E levantou-se, e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

A vocação de Levi

Mateus 9.9-13

13E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava. 14E, passando,

2.14:
Mt 9.9
Lc 5.27
viu Levi filho Alfeu, sentado na 2.14: ou recebedoriaalfândega, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu. 15E aconteceu
2.15:
Mt 9.10
que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido. 16E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? 17E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes:
2.17:
Mt 9.12-13
18.11
Dt 5.31-32
19.10
1Tm 1.15
Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.

O jejum

Mateus 9.14-17, etc.

18Ora os discípulos de

2.18:
Lc 5.33
João e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos? 19E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos 2.19: Gr. da câmara nupcialdas bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar; 20Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles dias. 21Ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho: doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior; 22E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.

Jesus é Senhor do sábado

Mateus 12.1-8

23E

2.23:
Lc 6.1
aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando,
2.23:
Dt 23.25
começaram a colher espigas. 24E os fariseus lhe disseram: Vês? por que fazem no sábado o que não é lícito? 25Mas ele disse-lhes:
2.25:
1Sm 21.6
Nunca lestes o que fez Davi quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? 26Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu
2.26:
Êx 29.32-33
Lv 24.9
1Sm 21.6
os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? 27E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. 28Assim
2.28:
Mt 12.8
o Filho do homem até do sábado é Senhor.

3

A cura de um que tinha uma das mãos mirrada

Mateus 12.9-21, etc.

31E OUTRA vez entrou

3.1:
Lc 6.6
na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. 2E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. 3E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. 4E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. 5E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra. 6E, tendo saído
3.6:
Mt 12.14
os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele,
3.6:
Mt 22.16
procurando ver como o matariam. 7E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galileia
3.7:
Lc 6.17
e da Judeia, 8E de Jerusalém, e da Idumeia, e d’além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão, que ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele. 9E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse, 10Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum 3.10: ou flagelomal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. 11E os espíritos
3.11:
Mc 1.23-24
Lc 4.41
Mt 14.33
imundos, vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és
3.11:
Mt 12.16
Mc 1.25,34
o Filho de Deus. 12E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

A eleição dos doze

Mateus 10.1-4, etc.

13E subiu ao

3.13:
Lc 6.12
9.1
monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. 14E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar; 15E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: 16A Simão,
3.16:
Jo 1.42
a quem pôs o nome de Pedro, 17E a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; 18E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão, o cananeu. 19E a Judas Iscariotes, o que o entregou.

A blasfêmia dos escribas

Lucas 11.14-23, etc.

20E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão,

3.20:
Mc 6.31
de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. 21E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender;
3.21:
Jo 7.5
10.20
porque diziam: Está fora de si. 22E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam:
3.22:
Mt 9.34
Lc 11.15
Jo 7.20
8.48
Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. 23E, chamando-os a si,
3.23:
Mt 12.25
disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir; 26E, se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes tem fim. 27Ninguém
3.27:
Is 49.24
Mt 12.29
pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e então roubará a sua casa. 28Na verdade vos digo
3.28:
Mt 12.31
Lc 12.10
1Jo 5.16
que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; 29Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, 3.29: Gr. mas é réu de um eterno pecadomas será réu do eterno juízo. 30(Porque diziam: Tem espírito imundo.)

A família de Jesus

Mateus 12.46-50

31Chegaram então seus irmãos e sua mãe;

3.31:
Lc 8.19
e, estando de fora, mandaram-no chamar. 32E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. 33E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 35Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

4

A parábola do semeador

Mateus 13.1-23

41E OUTRA vez começou a

4.1:
Lc 8.4
ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar. 2E ensinava-lhes
4.2:
Mc 12.38
muitas coisas por parábolas e lhes dizia na sua doutrina: 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear; 4E aconteceu que, semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram; 5E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda; 6Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto. 8E outra caiu em boa
4.8:
Jo 15.5
Cl 1.6
terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem. 9E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 10E, quando
4.10:
Mt 13.10
Lc 8.9
se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola. 11E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora
4.11:
1Co 5.12
Cl 4.5
1Ts 4.11
1Tm 3.7
todas estas coisas se dizem por parábolas. 12Para que, vendo,
4.12:
Is 6.9
Mt 13.14
Lc 8.10
Jo 12.40
At 28.26
Rm 11.8
vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 13E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? como pois entendereis todas as parábolas? 14O que semeia,
4.14:
Mt 13.19
semeia a palavra; 15E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações. 16E da mesma sorte os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; 17Mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; 19Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das
4.19:
1Tm 6.9,17
riquezas e as ambições doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. 20E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por um.

A parábola da candeia

Lucas 8.16-18

21E disse-lhes:

4.21:
Mt 5.15
Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não vem antes para se colocar no velador? 22Porque nada há
4.22:
Mt 10.26
Lc 12.2
encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos
4.23:
Mt 11.15
4.9
para ouvir, ouça. 24E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir.
4.24:
Mt 7.2
Lc 6.38
Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada. 25Porque ao que
4.25:
Mt 13.12
25.29
Lc 8.18
19.26
tem, ser-lhe-á dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26E dizia:

4.26:
Mt 13.24
O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, 27E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. 28Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto se mostra, mete-lhe logo a
4.29:
Ap 14.15
foice, porque está chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

Mateus 13.31-32

30E dizia:

4.30:
Lc 13.18
At 2.41
4.4
5.14
19.20
A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a mais pequena de todas as sementes que há na terra; 32Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra. 33E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra,
4.33:
Mt 13.34
Jo 16.12
segundo o que podiam compreender. 34E sem parábolas nunca lhes falava; porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.

Jesus apazigua a tempestade

Mateus 8.23-27, etc.

35E, naquele dia,

4.35:
Lc 8.22
sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra banda. 36E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. 37E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. 38E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. 40E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? 41E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?