Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
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51AGORA ajunta-te em esquadrões, ó filha de esquadrões; pôr-se-á cerco contra nós: ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel.

Predição do nascimento do Messias e da instituição do seu reino

2E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz: então o resto de seus irmãos voltará com os filhos de Israel. 4E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus: e eles permanecerão, porque agora será ele engrandecido até aos fins da terra. 5E este será a nossa paz: quando a Assíria vier à nossa terra, e quando passar sobre os nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. 6Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim nos livrará da Assíria, quando vier à nossa terra, e quando calcar os nossos termos. 7E estará o resto de Jacó no meio de muitos povos, como orvalho do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. 8E o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual quando passar as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. 9A tua mão se exaltará sobre os teus adversários; e todos os teus inimigos serão exterminados. 10E sucederá naquele dia, diz o Senhor, que eu exterminarei no meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; 11E destruirei as cidades da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas; 12E tirarei as feitiçarias da tua mão: e não terás agoureiros; 13E arrancarei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas; e tu não te inclinarás mais diante da obra das tuas mãos. 14E arrancarei os teus bosques do meio de ti; e destruirei as tuas cidades. 15E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não ouvem.

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A contenda do Senhor com o seu povo. As maldades de Israel: Deus não terá compaixão

61OUVI agora o que diz o Senhor: Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. 2Ouvi, montes, a contenda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o Senhor tem uma contenda com o seu povo, e com Israel entrará em juízo. 3Ó povo meu! que te tenho feito? e em que te enfadei? testifica contra mim. 4Certamente te fiz subir da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e pus diante de ti a Moisés, Aarão e Miriam. 5Povo meu, ora lembra-te da consulta de Balaque, rei de Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, desde Sitim até Gilgal; para que conheças as justiças do Senhor. 6Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus altíssimo? virei perante ele com holocaustos? com bezerros de um ano? 7Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite? darei o meu primogênito pela minha transgressão? o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? 8Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus? 9A voz do Senhor clama à cidade, e o sábio verá o teu nome: Ouvi a vara, e quem a ordenou. 10Ainda há na casa do ímpio tesouros de impiedade? e efa pequeno, que é detestável? 11Seria eu limpo com balanças falsas? e com um saco de pesos enganosos? 12Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras; e a sua língua é enganosa na sua boca. 13Assim eu também te enfraquecerei, ferindo-te e assolando-te por causa dos teus pecados. 14Tu comerás, mas não te fartarás; e a tua humilhação estará no meio de ti; removerás, mas não livrarás; e aquilo que livrares, eu o entregarei à espada. 15Tu semearás, mas não segarás: pisarás a azeitona, mas não te ungirás com azeite; e o mosto, mas não beberás vinho. 16Porque se observam os estatutos de Onri, e toda a obra da casa de Acabe, e vós andais nos conselhos deles; para que eu faça de ti uma desolação, e dos seus habitantes um assobio: assim trareis sobre vós o opróbrio do meu povo.

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71AI de mim! porque estou feito como quando são colhidas as frutas do verão, como os rabiscos da vindima; não cacho de uvas para comer, nem figos temporãos que a minha alma desejou. 2Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto: todos armam ciladas para sangue; caça cada um a seu irmão com uma rede. 3As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe inquire, e o juiz se apressa à recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores. 4O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que o espinhal: veio o dia dos teus vigias, veio a tua visitação; agora será a sua confusão. 5Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio guarda as portas da tua boca. 6Porque o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa. 7Eu, porém, esperarei no Senhor; esperei no Deus da minha salvação: o meu Deus me ouvirá. 8Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei: se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. 9Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito: ele me trará a luz, e eu verei a sua justiça. 10E a minha inimiga verá isso, e cobri-la-á a confusão; e aquela que me diz: Onde está o teu Deus? os meus olhos a verão, sendo pisada como a lama das ruas. 11No dia em que reedificar os teus muros, nesse dia longe estará ainda o estatuto. 12Naquele dia virão a ti, desde a Assíria até às cidades fortes, e das fortalezas até ao rio, e do mar até ao mar e da montanha até à montanha. 13Mas esta terra será posta em desolação, por causa dos seus moradores, por causa do fruto das suas obras. 14Apascenta o teu povo com a tua vara, o rebanho da tua herança, que mora só no bosque, no meio da terra fértil; apascentem-se em Basã e Gileade, como nos dias da antiguidade. 15Eu lhes mostrarei maravilhas, como nos dias da tua saída da terra do Egito. 16As nações o verão, e envergonhar-se-ão, por causa de todo o seu poder: porão a mão sobre a boca, e os seus ouvidos ficarão surdos. 17Lamberão o pó como serpentes; como uns répteis da terra, tremendo, sairão dos seus encerramentos; com pavor virão ao Senhor nosso Deus, e terão medo de ti. 18Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade, e que te esqueces da rebelião do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade. 19Tornará a apiedar-se de nós: subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. 20Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos.