Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
14

Cura dum hidrópico

141ACONTECEU num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando. 2E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico. 3E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo:

14.3:
Mt 12.10
É lícito curar no sábado? 4Eles, porém, calaram-se. E tomando-o, o curou e despediu. 5E disse-lhes:
14.5:
Êx 23.5
Dt 22.4
Lc 13.15
Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo? 6E nada lhe podiam replicar sobre isto.

Parábola dos primeiros assentos e dos convidados

7E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: 8Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar, não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; 9E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. 10Mas, quando fores

14.10:
Pv 25.6-7
convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. 11Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado,
14.11:
Jó 22.29
Sl 18.27
Pv 29.23
Mt 23.12
Lc 18.14
Tg 4.6
1Pe 5.5
e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. 12E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. 13Mas, quando fizeres convite, chama os pobres,
14.13:
Ne 8.10,12
aleijados, mancos e cegos, 14E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.

Parábola da grande ceia

Mateus 22.1-14 e refs.

15E, ouvindo isto um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado

14.15:
Ap 19.9
o que comer pão no reino de Deus. 16Porém ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. 17E à hora da ceia
14.17:
Pv 19.2,5
mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado. 18E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. 19E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. 20E outro disse: Casei, e portanto não posso ir. 21E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. 22E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar. 23E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. 24Porque eu vos digo
14.24:
Mt 21.43
22.8
At 13.46
que nenhum daqueles varões que foram convidados provará a minha ceia.

Parábola acerca da providência

25Ora ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe: 26Se alguém vier a mim,

14.26:
Dt 13.6
33.9
Mt 10.37
Rm 9.13
Ap 12.11
e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27E qualquer que não levar a sua cruz,
14.27:
Mt 16.24
Mc 8.34
Lc 9.23
2Tm 3.12
e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vós querendo edificar uma torre,
14.28:
Pv 24.27
não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32Doutra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. 33Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. 34Bom é o sal;
14.34:
Mt 5.13
Mc 9.50
mas, se o sal degenerar, com que se adubará? 35Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

15

Parábolas, da ovelha e da dracma perdidas

151E CHEGAVAM-SE a

15.1:
Mt 9.10
ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores,
15.2:
At 11.3
Gl 2.12
e come com eles. 3E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: 4Que homem dentre
15.4:
Mt 18.12
vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la? 5E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso; 6E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha
15.6:
1Pe 2.10,25
perdida. 7Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais
15.7:
Lc 5.32
do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 8Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? 9E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. 10Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

Parábola do filho pródigo

11E disse: Um certo homem tinha dois filhos; 12E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu

15.12:
Mc 12.44
por eles a fazenda. 13E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. 14E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. 15E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. 16E desejava encher o seu estômago com as 15.16: ou alfarrobasbolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. 17E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; 19Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. 20E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando
15.20:
At 2.39
Ef 2.13,17
ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu
15.21:
Sl 51.4
e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa o melhor vestido, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; 23E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; 24Porque
15.24:
Lc 15.32
Ef 2.1
5.14
Ap 3.1
este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se. 25E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. 26E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. 27E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. 28Mas ele se indignou, e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. 29Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; 30Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. 31E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; 32Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos,
15.32:
Lc 15.24
porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

16

Parábola do mordomo infiel

161E DIZIA também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. 2E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. 3E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha. 4Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas. 5E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? 6E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e, assentando-te já, escreve cinquenta. 7Disse depois a outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta. 8E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração

16.8:
Jo 12.36
Ef 5.8
1Ts 5.5
do que os filhos da luz. 9E eu vos digo:
16.9:
Dn 4.27
Mt 6.19
17.21
Lc 11.41
1Tm 6.17-19
Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. 10Quem
16.10:
Mt 25.21
Lc 19.17
é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. 11Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? 12E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? 13Nenhum
16.13:
Mt 6.24
servo pode servir dois senhores; porque, ou há de aborrecer um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a 16.13: ou riquezaMamom.

A autoridade da lei

14E os fariseus,

16.14:
Mt 23.14
que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam dele. 15E disse-lhes: Vós sois os que vos
16.15:
Lc 10.29
justificais a vós mesmos diante dos homens,
16.15:
Sl 7.10
mas Deus conhece os vossos corações, porque,
16.15:
1Sm 16.7
o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação. 16A lei
16.16:
Mt 4.17
11.12-13
e os profetas duraram até João: desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele. 17E
16.17:
Sl 102.26-27
Is 40.8
51.6
Mt 5.18
1Pe 1.25
é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei. 18Qualquer
16.18:
Mt 5.32
19.9
Mc 10.11
1Co 7.10-11
que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.

A parábola do rico e Lázaro

19Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. 20Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. 21E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. 22E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio d’Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. 23E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. 24E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me

16.24:
Zc 14.12
refresque a língua, porque estou
16.24:
Is 66.24
Mc 9.43
atormentado nesta chama. 25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te
16.25:
Jó 21.13
Lc 6.24
de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado; 26E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tão pouco os de lá passar para cá. 27E disse ele: Rogo-te pois, ó pai, que o mandes a casa de meu pai. 28Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. 29Disse-lhe Abraão:
16.29:
Is 8.20
34.16
Jo 5.39,45
At 15.21
17.11
Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. 30E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. 31Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas,
16.31:
Jo 12.10-11
tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.

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