Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
3

A tristeza de Jeremias; ele convida o povo a reconhecer o seu pecado, e a voltar para Deus para obter misericórdia

Álefe. 31EU sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor. 2Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz. 3Deveras se tornou contra mim; virou de contínuo a sua mão todo o dia.

Beta. 4Fez

3.4:
Jó 16.8
Is 38.13
Jr 50.17
envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrantou os meus ossos. 5Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho. 6Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito.

Guímel. 7

3.7:
Jó 3.23
19.8
Os 2.6
Circunvalou-me, e não posso sair: agravou os meus grilhões. 8Ainda
3.8:
Jó 30.20
quando clamo e grito, ele exclui a minha oração. 9Circunvalou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.

Dálete. 10Fez-me

3.10:
Os 5.14
13.7-8
como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. 12Armou o seu arco,
3.12:
Jó 7.20
16.12
e me pôs como alvo à frecha.

Hê. 13Fez

3.13:
Jó 6.4
entrar nos meus rins as frechas da sua aljava. 14Fui
3.14:
Jr 20.7
Jó 30.9
Lm 3.63
feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção todo o dia. 15Fartou-me
3.15:
Jr 9.15
de amarguras, saciou-me de absinto.

Vau. 16Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes;

3.16:
Pv 20.17
cobriu-me de cinza. 17E afastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem. 18Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.

Zaine. 19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto,

3.19:
Jr 9.15
do absinto e do fel. 20Minha alma certamente se lembra, e se abate dentro de mim. 21Disto me recordarei no meu coração; por isso tenho esperança.

Hete. 22As misericórdias

3.22:
Ml 3.6
do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. 23Novas
3.23:
Is 33.2
são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.

Tete. 25Bom é o Senhor para os que se atêm a ele,

3.25:
Is 30.18
Mq 7.7
para a alma que o busca. 26Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade;

Jode. 28Assentar-se

3.28:
Jr 15.17
Lm 2.10
solitário, e ficar em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. 29Ponha
3.29:
Jó 42.6
a sua boca no pó; talvez assim haja esperança. 30
3.30:
Is 50.6
Mt 5.39
a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.

Cafe. 31Porque o Senhor não rejeitará para sempre. 32Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens.

Lâmede. 34Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra, 35Perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo, 36Subverter o homem no seu pleito,

3.36:
Hc 1.13
não o veria o Senhor?

Mem. 37Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? 38Porventura da boca do Altíssimo

3.38:
Jó 2.10
Is 45.7
Am 3.6
não sai o mal e o bem? 39De
3.39:
Pv 19.3
Mq 7.9
que se queixa pois o homem vivente? queixe-se cada um dos seus pecados.

Num. 40Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los, e voltemos para o Senhor. 41Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus, dizendo: 42Nós prevaricamos,

3.42:
Dn 9.5
e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste.

Sâmeque. 43Cobriste-nos de ira, e nos perseguiste;

3.43:
Lm 2.2,17,21
mataste, não perdoaste. 44Cobriste-te
3.44:
Lm 3.8
de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45Como
3.45:
1Co 4.13
cisco e rejeitamento nos puseste no meio dos povos.

Pê. 46Todos

3.46:
Lm 2.16
os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47Temor e cova
3.47:
Is 24.17
51.19
Jr 48.43
vieram sobre nós, assolação e quebrantamento. 48Torrentes de águas derramaram os meus olhos,
3.48:
Jr 4.19
9.1
14.17
Lm 2.11
por causa da destruição da filha do meu povo.

Aim. 49Os

3.49:
Lm 1.16
meus olhos choram, e não cessam, porque não há descanso. 50Até
3.50:
Is 63.15
que o Senhor atente e veja desde os céus. 51O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.

Tsadê. 52Como ave me caçaram os que são meus inimigos sem causa. 53Arrancaram

3.53:
Jr 38.6,9-10
Dn 6.17
a minha vida na cova, e lançaram pedras sobre mim. 54Águas correram sobre a minha
3.54:
Lm 3.18
Is 38.10-11
cabeça; eu disse: Estou cortado.

Cofe. 55Invoquei

3.55:
Jn 2.2
o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova. 56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57Tu te aproximaste no dia em que te invoquei;
3.57:
Tg 4.8
disseste: Não temas.

Rexe. 58Pleiteaste,

3.58:
Jr 51.36
Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a minha vida. 59Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. 60Viste toda a sua vingança,
3.60:
Jr 11.19
todos os seus pensamentos contra mim.

Chim. 61Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim; 62Os lábios dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra mim todo o dia. 63Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se;

3.63:
Lm 3.14
eu sou a sua canção.

Tau. 64Tu lhes darás a recompensa, Senhor,

3.64:
Jr 11.20
2Tm 4.14
conforme a obra das suas mãos. 65Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles. 66Na tua ira os perseguirás, e
3.66:
Dt 25.19
Jr 10.11
eles serão desfeitos debaixo dos céus do Senhor.

4

As grandes aflições de várias classes de pessoas

Álefe. 41COMO se escureceu o ouro! como se mudou

4.1:
Lm 2.19
o ouro fino e bom! como estão espalhadas as pedras do santuário ao canto de todas as ruas!

Beta. 2Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a puro ouro,

4.2:
Is 30.14
Jr 19.11
2Co 4.7
como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!

Guímel. 3Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas

4.3:
Jó 39.14,16
a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto.

Dálete. 4A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar:

4.4:
Lm 2.11-12
os meninos pedem pão, e ninguém lho dá.

Hê. 5Os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas:

4.5:
Jó 24.8
os que se criaram em carmesim abraçam o esterco.

Vau. 6Porque maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma,

4.6:
Gn 19.25
a qual se subverteu como num momento, sem que trabalhassem nela mãos algumas.

Zaine. 7Os seus nazireus eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubis, mais polidos do que a safira.

Hete. 8Mas

4.8:
Lm 5.10
Jl 2.6
Na 2.10
agora escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos, secou-se, tornou-se como um pau.

Tete. 9Os mortos à espada mais ditosos são do que os mortos à fome; porque estes se esgotam como traspassados, por falta dos frutos dos campos.

Jode. 10As

4.10:
Lm 2.20
Is 49.15
mãos das mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos:
4.10:
Dt 28.57
2Rs 6.29
serviram-lhes de alimento na destruição da filha do meu povo.

Cafe. 11Deu o Senhor cumprimento ao seu furor:

4.11:
Jr 7.20
21.14
Dt 32.22
derramou o ardor da sua ira, e acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.

Lâmede. 12Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Jerusalém.

Mem. 13Por causa dos

4.13:
Jr 5.31
6.13
14.14
23.11,21
Ez 22.26,28
Sf 3.4
pecados dos profetas,
4.13:
Mt 23.31,37
das maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio dela.

Num. 14Erram como os cegos nas ruas,

4.14:
Jr 2.34
andam contaminados de sangue; de tal sorte que ninguém pode tocar nas suas roupas.

Sâmeque. 15Desviai-vos,

4.15:
Lv 13.45
bradavam eles. Imundo! desviai-vos, desviai-vos, não toqueis; quando fugiram e erraram, disseram entre as nações: Nunca mais morarão aqui.

Pê. 16A ira do Senhor os dividiu; ele nunca mais tornará a olhar para eles:

4.16:
Lm 5.12
não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos.

Aim. 17

4.17:
Is 30.6-7
Os nossos olhos desfaleciam esperando vão socorro: olhávamos atentamente para gente que não podia livrar.

Tsadê. 18Espiaram os nossos passos,

4.18:
2Rs 25.4-5
de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas: está chegando o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias,
4.18:
Ez 7.2-3,6
Am 8.2
porque é vindo o nosso fim.

Cofe. 19Os nossos perseguidores, foram

4.19:
Jr 4.13
mais ligeiros do que as aves dos céus: sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.

Rexe. 20O respiro

4.20:
Gn 2.7
dos nossos narizes, o ungido do Senhor,
4.20:
Jr 52.9
Ez 12.13
19.4,8
foi preso nas suas covas; dele dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.

Chim. 21Regozija-te, e

4.21:
Ec 11.9
alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz:
4.21:
Jr 25.15-16
Ob 10
o cálice chegará também para ti; embebedar-te-ás, e te descobrirás.

Tau. 22O castigo da tua maldade

4.22:
Is 40.2
está consumado, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro: ele visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus pecados.

5

Males presentes, e tristes recordações

51LEMBRA-TE, Senhor do que nos tem sucedido: considera, e olha para o nosso opróbrio. 2A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros. 3Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas. 4A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. 5Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços:

5.5:
Dt 28.48
Jr 28.14
estamos cansados, e não temos descanso. 6Aos egípcios estendemos
5.6:
Gn 24.2
Jr 50.15
Os 12.1
as mãos, e aos assírios, para nos fartarem de pão. 7Nossos pais pecaram,
5.7:
Jr 31.29
Ez 18.2
e não existem:
5.7:
Gn 42.13
Zc 1.5
nós levamos as suas maldades. 8Servos dominam sobre nós; ninguém que nos arranque da sua mão. 9Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. 10Nossa pele
5.10:
Jó 30.30
se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. 11Forçaram
5.11:
Is 13.16
as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá. 12Os príncipes foram enforcados pelas mãos deles;
5.12:
Is 47.6
as faces dos velhos não foram reverenciadas. 13Aos
5.13:
Jz 16.21
mancebos obrigam a moer e os moços tropeçaram debaixo da lenha. 14Os velhos já não têm assento na porta, os mancebos já não cantam. 15Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa dança. 16Caiu
5.16:
Jó 19.9
a coroa da nossa cabeça; ai de nós, porque pecamos. 17Por isso desmaiou
5.17:
Lm 1.22
2.11
o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos. 18Pelo monte de Sião; que está assolado, andam as raposas. 19Tu, Senhor,
5.19:
Hc 1.12
permaneces eternamente, e o teu trono de geração em geração. 20Por que te esquecerias de nós para sempre? por que nos desampararias por tanto tempo? 21Converte-nos,
5.21:
Jr 31.18
Senhor, a ti, e nós nos converteremos: renova os nossos dias como dantes. 22Por que nos rejeitarias totalmente? por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?