Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
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Jó justifica as suas queixas

61ENTÃO Jó respondeu, e disse: 2Oh! Se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança! 3Porque, na verdade, mais pesada seria do que a areia

6.3:
Pv 27.3
dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido inconsideradas. 4Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, e o seu ardente veneno o bebe o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim. 5Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou berrará o boi junto ao seu pasto? 6Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo? 7A minha alma recusa tocar em vossas palavras, pois são como a minha comida fastienta. 8Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero! 9E que
6.9:
1Rs 19.4
Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e acabasse comigo! 10Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me poupando ele; porque não repulsei
6.10:
Lv 19.2
Is 57.15
Os 11.9
At 20.20
as palavras do Santo. 11Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida? 12É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne? 13Está em mim a minha ajuda? Não me desamparou todo o auxílio eficaz? 14Ao
6.14:
Pv 17.17
que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso. 15Meus irmãos
6.15:
Jr 15.18
aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam. 16Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve. 17No tempo em que se derretem com o calor, se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar. 18Desviam-se as veredas dos seus caminhos; sobem ao vácuo, e perecem. 19Os caminhantes de
6.19:
Gn 25.15
1Rs 10.1
Ez 27.22-23
Temá os veem; os passageiros de Sebá olham para eles. 20Foram
6.20:
Jr 14.3
envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem. 21Agora
6.21:
Jó 13.3
sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes. 22Disse-vos eu: Dai-me ou oferecei-me da vossa fazenda presentes? 23Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos? 24Ensinai-me, e eu me calarei; e dai-me a entender em que errei. 25Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! Mas que é o que censura a vossa arguição? 26Porventura buscareis palavras para me repreenderdes, visto que as razões do desesperado são como vento? 27Mas antes lançais sortes sobre o órfão, e especulais com o vosso amigo. 28Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim; e vede se minto em vossa presença. 29Voltai, pois, não haja iniquidade; voltai,
6.29:
Pv 17.10
sim, que a minha causa é justa. 30porventura iniquidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas misérias?

7

71PORVENTURA

7.1:
Jó 14.5,13-14
não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro? 2Como o cervo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga. 3Assim me deram
7.3:
Jó 29.2
por herança meses de vaidade, e noites de trabalho me prepararam. 4Deitando-me a dormir, então digo:
7.4:
Dt 28.67
Jó 17.12
Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar na cama até à alva. 5A minha carne se tem vestido de bichos
7.5:
Is 14.11
e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável. 6Os meus dias
7.6:
Jó 9.25
16.22
17.11
Is 38.12
Tg 4.14
são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e perecem sem esperança. 7Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem. 8Os olhos dos que agora me veem não me verão
7.8:
Jó 20.9
mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais. 9Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura
7.9:
2Sm 12.23
nunca tornará a subir. 10Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar
7.10:
Jó 8.18
20.9
jamais o conhecerá. 11Por isso não reprimirei a
7.11:
1Sm 1.10
Jó 10.1
minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma. 12Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda? 13Dizendo eu:
7.13:
Jó 9.27
Consolar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha ânsia! 14Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras; 15Pelo que a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que estes meus ossos. 16A minha vida abomino,
7.16:
Jó 10.20
14.6
pois não viverei para sempre; retira-te de mim, pois vaidade são os meus dias. 17Que é
7.17:
Hb 2.6
o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele o teu coração, 18E cada manhã o visites, e cada momento o proves? 19Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula a minha saliva? 20Se pequei, que te farei,
7.20:
Jó 16.12
Lm 3.12
ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado? 21E por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? Pois agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.

8

Bildade refuta as palavras de Jó e justifica a Deus

81ENTÃO respondeu Bildade, o suíta, e disse: 2Até quando falarás tais cousas e as razões da tua boca serão qual vento impetuoso? 3Porventura perverteria

8.3:
Gn 18.25
Dt 32.4
2Cr 19.7
Jó 34.12,17
Dn 9.14
Rm 3.5
Deus o direito, e perverteria o Todo-poderoso a justiça? 4Se teus filhos
8.4:
Jó 1.5,18
pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão. 5Mas,
8.5:
Jó 5.8
11.13
22.23
se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-poderoso pedires misericórdia. 6Se fores puro e reto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça. 7O teu princípio, na verdade, terá sido pequeno, mas o teu último estado crescerá em extremo. 8Porque, eu te peço, pergunta
8.8:
Dt 4.32
32.7
Jó 15.18
agora às gerações passadas, e prepara-te para a inquirição de seus pais. 9Porque
8.9:
Gn 47.9
1Cr 29.15
Jó 7.6
nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra. 10Porventura não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu coração não tirarão razões? 11Porventura sobe o junco sem lodo? Ou cresce a espadana sem água? 12Estando
8.12:
Jr 17.6
ainda na sua verdura, e ainda não cortada, todavia antes de qualquer outra erva se seca. 13Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita
8.13:
Jó 11.20
18.14
27.8
Pv 10.28
perecerá. 14A sua esperança fica frustrada, e a sua confiança será como a teia de aranha. 15Encostar-se-á
8.15:
Jó 27.18
à sua casa, e ela não se terá firme; ampará-la-á, e ela não ficará em pé. 16Está sumarento antes que venha o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim; 17As suas raízes se entrelaçam junto à fonte, para o pedregal atenta. 18Desaparecendo
8.18:
Jó 7.10
20.9
ele do seu lugar, negá-lo-á este, dizendo: Nunca te vi. 19Eis que este é alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó. 20Eis que Deus não rejeitará ao reto; nem toma pela mão aos malfeitores; 21Até que de riso te encha a boca, e os teus lábios de louvor. 22Teus aborrecedores se vestirão de confusão, e a tenda dos ímpios não existirá mais.