Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
37

O homem, por conhecer as obras de Deus e a sua sabedoria, deve temê-lo

371SOBRE isto também treme o meu coração, e salta do seu lugar. 2Atentamente ouvi o movimento da sua voz, e o sonido que sai da sua boca. 3Ele o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra. 4Depois disto brama com grande voz, troveja com a sua alta voz; e, ouvida a sua voz, não tarda com estas cousas. 5Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes

37.5:
Jó 5.9
9.10
36.26
Ap 15.3
cousas, que nós não compreendemos. 6Porque à neve diz: Cai na terra; como também ao aguaceiro e à sua forte chuva. 7Ele sela as mãos de todo o homem, para que conheçam todos os homens a sua obra. 8E as alimárias entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas. 9Das recâmaras do sul sai o pé de vento, e do norte o frio. 10Pelo
37.10:
Jó 38.29-30
assopro de Deus se dá a geada, e as largas águas se endurecem. 11Também com a umidade carrega as grossas nuvens, e esparge a nuvem 37.11: ou do seu relâmpagoda sua luz. 12Então ela segundo o seu prudente conselho, se espalha em roda, para que faça tudo quanto lhe ordena sobre a superfície do mundo habitável; 13Seja para correção, ou para a sua terra,
37.13:
Êx 9.18,23
1Sm 12.18-19
Ed 10.9
Jó 36.31
ou para beneficência,
37.13:
2Sm 21.10
1Rs 18.45
Jó 38.26-27
que a faça vir. 14A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; atende, e considera as maravilhas de Deus. 15Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem? 16Tens
37.16:
Jó 36.4,29
tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos? 17Ou de como os teus vestidos aquecem, quando do sul há calma sobre a terra? 18Ou estendeste com
37.18:
Gn 1.6
Is 44.24
ele os céus, que estão firmes como espelho fundido? 19Ensina-nos o que lhe diremos; porque nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas. 20Contar-lhe-ia alguém o que tenho dito? Ou desejaria um homem que ele fosse devorado? 21E agora não se pode ver o sol, que resplandece nos céus; mas, passando o vento e purificando-os, 22O esplendor de ouro vem do norte; pois em Deus há uma tremenda majestade. 23Ao Todo-poderoso não
37.23:
Jó 36.5
1Tm 6.16
podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça. 24Por isso o temem os
37.24:
Mt 10.28
11.25
1Co 1.26
homens; ele não respeita os que são sábios no coração.

38

Deus responde a Jó e mostra-lhe sua grandeza e sabedoria

381DEPOIS disto o Senhor respondeu a Jó

38.1:
Êx 19.16,18
1Rs 19.11
Ez 1.4
Na 1.3
dum redemoinho, e disse: 2Quem é este
38.2:
Jó 34.35
42.3
1Tm 1.7
que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? 3Agora cinge
38.3:
Jó 40.7
os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu responde-me. 4Onde
38.4:
Pv 8.29
30.4
estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. 5Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? ou quem estendeu sobre ela o cordel? 6Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, 7Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos
38.7:
Jó 1.6
de Deus rejubilavam? 8Ou quem
38.8:
Gn 1.9
Pv 8.29
Jr 5.22
encerrou o mar com portas, quando trasbordou e saiu da madre, 9Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro? 10Quando passei
38.10:
Jó 26.10
sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos, 11E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empoladas? 12Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar; 13Para que agarrasse nas extremidades da terra,
38.13:
Sl 104.35
e os ímpios fossem sacudidos dela? 14Tudo se transforma como o barro, sob o selo, e se põe como vestidos; 15E dos ímpios se desvia a sua luz, e
38.15:
Jó 18.5
o braço altivo se quebranta. 16Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo? 17Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte? 18Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto. 19Onde está o caminho da morada da luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar, 20Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa? 21De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e porque é grande o número dos teus dias! 22Ou entraste tu até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva, 23Que eu retenho
38.23:
Êx 9.18
Js 10.11
Is 30.30
Ez 13.11,13
Ap 16.21
até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra? 24Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra? 25Quem
38.25:
Jó 28.26
abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões; 26Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não gente; 27Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da erva? 28A chuva
38.28:
Jr 14.22
porventura tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho? 29De que ventre procede o gelo? E quem gera a geada do céu? 30Como debaixo de pedra as águas se escondem; e a superfície do abismo se coalha. 31Ou poderás tu ajuntar as delícias das sete
38.31:
Jó 9.9
Am 5.8
estrelas, ou soltar os atilhos do Órion? 32Ou produzir as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos? 33Sabes tu
38.33:
Jr 31.35
as ordenanças dos céus, ou podes dispor do domínio deles sobre a terra? 34Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra? 35Ou ordenarás aos raios que saiam, e te digam: Eis-nos aqui? 36Quem
38.36:
Jó 32.8
Ec 2.26
pôs a sabedoria no íntimo, ou quem à mente deu o entendimento? 37Quem numerará as nuvens pela sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os abaixará, 38Quando se funde o pó numa massa, e se pegam os torrões uns aos outros? 39Porventura caçarás tu presa para a leoa, ou satisfarás a fome dos filhos dos leões, 40Quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas? 41Quem
38.41:
Mt 6.26
prepara para os corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer?

39

391SABES tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos, ou consideraste as dores das cervas? 2Contarás os meses que cumprem, ou sabes o tempo do seu parto? 3Elas encurvam-se, para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores. 4Seus filhos enrijam, crescem 39.4: ou no campo livrecom o trigo, saem, e nunca mais tornam para elas. 5Quem despediu livre o jumento montês, e quem soltou as prisões ao jumento bravo, 6Ao qual dei

39.6:
Jó 24.5
Jr 2.24
Os 8.9
o ermo por casa, e a terra salgada por moradas? 7Ri-se do arruído da cidade; não ouve os muitos gritos do 39.7: ou condutorexator. 8O que descobre nos montes é o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde. 9Querer-te-á
39.9:
Nm 23.22
Dt 33.17
servir, o unicórnio ou ficará na tua cavalariça? 10Ou amarrarás o unicórnio ao rego com uma corda, ou estorroará após ti os vales? 11Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu trabalho? 12Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira? 13Bate alegre as asas a avestruz, que tem penas de cegonha, 14Ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó. 15E se esquece de que algum pé os pode pisar, ou de que podem calcá-los os animais do campo. 16Endurece-se para
39.16:
Lm 4.3
com seus filhos, como se não fossem seus; debalde é seu trabalho, porquanto está sem temor. 17Porque Deus a privou de sabedoria,
39.17:
Jó 35.11
e não lhe repartiu entendimento. 18A seu tempo se levanta ao alto; ri-se do cavalo, e do que vai montado nele. 19Ou darás tu força ao cavalo, ou revestirás o seu pescoço de crinas? 20Ou espantá-lo-ás, como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas. 21Escarva a terra, e folga na sua força, e
39.21:
Jr 2.6
sai ao encontro dos armados. 22Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atrás por causa da espada. 23Contra ele rangem a aljava, o ferro flamante da lança e do dardo. 24Sacudindo-se, e removendo-se, escarva a terra, e não faz caso do som da buzina. 25Ao soar das buzinas diz: Eia! E de longe cheira a guerra, e o trovão dos príncipes, e o alarido. 26Ou voa o gavião pela tua inteligência, estendendo as suas asas para o sul? 27Ou se remonta a águia ao teu mandado, e põe
39.27:
Jr 49.16
Ob 5
no alto o seu ninho? 28Nas penhas mora e habita; no cume das penhas, e nos lugares seguros. 29Dali descobre a presa; seus olhos a avistam desde longe. 30Seus filhos chupam o sangue; e onde há mortos, ela
39.30:
Mt 24.28
Lc 17.37
aí está.