Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
32

Eliú repreende Jó e os seus três amigos

321ENTÃO aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era

32.1:
Jó 33.9
justo aos seus próprios olhos. 2E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel
32.2:
Gn 22.21
o buzita, da família de Rão: contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. 3Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos: porque, não achando que responder, todavia condenavam a Jó. 4Eliú porém esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele. 5Vendo pois Eliú que não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu. 6E respondeu Eliú, filho de Baraquel o buzita, e disse: Eu sou de menos
32.6:
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião. 7Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria. 8Na verdade, há um espírito no homem,
32.8:
Mt 11.25
Tg 1.5
e a inspiração do Todo-poderoso os faz entendidos. 9Os grandes não são
32.9:
1Co 1.26
os sábios, nem os velhos entendem o que é reto. 10Pelo que digo: Dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião. 11Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões. 12Atentando pois para vós, eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó, nem que responda às suas razões: 13Para que não digais:
32.13:
Jr 9.23
1Co 1.29
Achamos a sabedoria, Deus o derribou, e não homem algum. 14Ora ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras. 15Estão pasmados, não respondem mais, faltam-lhes as palavras. 16Esperei pois, mas não falam; porque já pararam, e não respondem mais. 17Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião. 18Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange. 19Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar, como odres novos. 20Falarei, e respirarei; abrirei os meus lábios, e responderei. 21Oxalá eu não faça acepção
32.21:
Lv 19.15
Dt 1.17
16.19
Pv 24.23
Mt 22.16
de pessoas, nem use de lisonjas com o homem! 22Porque não sei usar de lisonjas; em breve me levaria o meu Criador.

33

Eliú acusa Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331ASSIM, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras. 2Eis que já abri a minha boca; falou a minha língua debaixo do meu paladar. 3As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração, e a pura ciência dos meus lábios. 4O Espírito

33.4:
Gn 2.7
de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida. 5Se podes, responde-me, dispõe bem as tuas razões, e levanta-te. 6Eis que vim de Deus, como tu; do lodo também eu fui formado. 7Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão. 8Na verdade tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras; dizias: 9Limpo
33.9:
Jó 9.17
estou, sem transgressão; puro sou; e não tenho culpa. 10Eis que ele acha contra mim ocasiões, e me considerou
33.10:
Jó 13.24
16.9
19.11
como seu inimigo. 11Põe
33.11:
Jó 13.27
14.16
31.4
no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas. 12Eis que nisto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem. 13Por que razão
33.13:
Is 45.9
contendes com ele? porque ele não dá contas de nenhum dos seus feitos. 14Antes Deus
33.14:
Jó 40.5
fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso. 15Em sonho
33.15:
Nm 12.6
Jó 4.13
ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama, 16Então abre os ouvidos dos homens, e lhes sela a sua instrução, 17Para apartar o homem do seu desígnio, e esconder do homem a soberba; 18Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada. 19Também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos; 20De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida apetecível. 21Desaparece a sua carne a olhos vistos, e os seus ossos, que se não viam, agora aparecem: 22E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida ao que traz morte. 23Se com ele pois houver um 33.23: ou anjomensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão, 24Então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, que não desça à cova; achei resgate. 25Sua carne se reverdecerá mais do que na sua infância, e tornará aos dias da sua juventude. 26Deveras orará a Deus, que se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça. 27Olhará para os homens, e dirá: Pequei,
33.27:
2Sm 12.13
Pv 28.13
Lc 15.21
1Jo 1.9
e perverti o direito, o que de nada me aproveitou. 28Mas Deus livrou
33.28:
Is 38.17
a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz. 29Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem, 30Para desviar
33.30:
Jó 33.28
Sl 56.13
a sua alma da perdição, e o alumiar com a luz dos viventes. 31Escuta pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei. 32Se tens alguma cousa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te. 33Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.

34

Eliú acusa Jó de falar injustamente de Deus

341RESPONDEU mais Eliú, e disse: 2Ouvi, vós, sábios, as minhas razões; e vós, entendidos, inclinai os ouvidos para mim. 3Porque

34.3:
Jó 6.30
12.11
o ouvido prova as palavras, como o paladar prova a comida. 4O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom. 5Porque Jó disse:
34.5:
Jó 33.9
Sou justo, e Deus
34.5:
Jó 27.2
tirou o meu direito. 6Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso;
34.6:
Jó 9.17
a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão. 7Que homem como Jó, que bebe a zombaria como água? 8E caminha em companhia dos que obram a iniquidade, e anda com homens ímpios? 9Porque disse:
34.9:
Jó 9.23
35.3
Ml 3.14
De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus. 10Pelo que vós, homens de entendimento, escutai-me
34.10:
Gn 18.25
Dt 32.4
Rm 9.14
longe de Deus a impiedade, e do Todo-poderoso a perversidade! 11Porque, segundo
34.11:
Pv 24.12
Jr 32.19
Ez 33.20
Mt 16.17
Rm 2.6
2Co 5.10
1Pe 1.17
Ap 22.12
a obra do homem, ele lhe paga; e faz que cada um ache segundo o seu caminho. 12Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juízo. 13Quem lhe entregou o governo da terra? E quem dispôs a todo o mundo? 14Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, 15Toda
34.15:
Gn 3.19
Ec 12.7
a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó. 16Se pois há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos à voz do meu discurso. 17Porventura o que aborrecesse o direito governaria?
34.17:
Gn 18.25
E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso? 18Ou dir-se-á a um rei:
34.18:
Êx 22.28
Oh! Belial? Ou aos príncipes: Oh! ímpios? 19Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de
34.19:
Dt 10.17
2Cr 19.7
At 10.34
Rm 2.11
Cl 3.25
1Pe 1.17
príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque
34.19:
Jó 31.15
todos são obra de suas mãos. 20Eles num momento morrem; e até à meia-noite
34.20:
Êx 12.29-30
os povos são perturbados, e passam, e os poderosos são tomados sem mão. 21Porque
34.21:
2Cr 16.9
Jó 31.4
Jr 16.17
32.19
os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos. 22Não trevas
34.22:
Sl 140.12
Am 9.2-3
Hb 4.13
nem sombra de morte, onde se escondam os que obram a iniquidade. 23Porque não precisa considerar muito no homem para o fazer ir a juízo diante de Deus. 24Quebranta
34.24:
Dn 2.21
os fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar. 25Ele conhece pois as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos. 26Ele bate-lhes como ímpios que são à vista de quem os contempla; 27Porquanto se
34.27:
1Sm 15.11
Is 5.12
desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos, 28Para fazer que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos. 29Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem ? 30Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços
34.30:
1Rs 12.28,30
2Rs 21.9
no povo. 31Na verdade, quem disse a Deus:
34.31:
Dn 9.7,14
Sofri, não pecarei mais; 32O que não vejo, ensina-mo tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer 33Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a desprezes? Faze tu pois, e não eu, a escolha; que é logo o que sabes? Fala. 34Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sábio que me ouvir: 35
34.35:
Jó 35.16
falou sem ciência; e às suas palavras falta prudência. 36Pai meu! provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos. 37Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate as palmas, e multiplica contra Deus as suas razões.