Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
31

Jó declara sua integridade nos seus deveres

311FIZ concerto com os meus olhos;

31.1:
Mt 5.28
como pois os fixaria numa virgem? 2Porque qual seria a parte
31.2:
Jó 20.29
27.13
de Deus vinda de cima, ou a herança do Todo-poderoso desde as alturas? 3Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que obram iniquidade? 4Ou não vê
31.4:
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos? 5Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano 6(Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade); 7Se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração
31.7:
Nm 15.39
Ec 11.9
Ez 6.9
Mt 5.29
segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou alguma cousa, 8Então semeie eu
31.8:
Lv 26.16
Dt 28.30,38
e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz. 9Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu andei rondando à porta do meu próximo, 10Então moa minha mulher para
31.10:
2Sm 12.11
Jr 8.10
outro, e outros se encurvem sobre ela. 11Porque isso seria uma
31.11:
Gn 38.24
Lv 20.10
Dt 22.22
Jó 31.28
infâmia, e delito pertencente aos juízes. 12Porque é fogo que consome até à perdição, e desarraigaria toda a minha renda. 13Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo, 14Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia? 15Aquele
31.15:
Jó 34.19
Pv 14.31
22.2
Ml 3.10
que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre? 16Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva; 17Ou só comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele 18(Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e o guiei desde o ventre da minha mãe); 19Se a alguém vi perecer por falta de vestido, e ao necessitado por não ter coberta; 20Se os seus lombos me não
31.20:
Dt 24.13
abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros; 21Se eu levantei a minha mão contra
31.21:
Jó 22.9
o órfão, porque na porta via a minha ajuda, 22Então caia do ombro a minha espádua, e quebre-se o meu braço desde o osso. 23Porque o castigo de Deus era para mim um
31.23:
Is 13.7
Jl 1.15
assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza. 24Se
31.24:
Mc 10.24
1Tm 6.17
no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança; 25Se
31.25:
Pv 11.28
me alegrei de que era muita a minha fazenda, e de que a minha mão tinha alcançado muito; 26Se olhei
31.26:
Dt 4.19
11.16
17.3
Ez 3.16
para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa, 27E o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão, 28Também isto seria
31.28:
Jó 31.11
delito pertencente ao juiz; pois assim negaria a Deus que está em cima. 29Se me alegrei
31.29:
Pv 17.5
da desgraça do que me tem ódio, e se eu exultei quando o mal o achou 30(Também não deixei
31.30:
Mt 5.44
Rm 12.14
pecar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição); 31Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem se não terá saciado com a sua carne! 32O estrangeiro
31.32:
Gn 19.2-3
não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante. 33Se, como Adão encobri as minhas
31.33:
Gn 3.8,12
Pv 28.13
transgressões, ocultando o meu delito no meu seio; 34Trema eu perante uma
31.34:
Êx 23.2
grande multidão, e o desprezo das famílias me apavore, e eu me cale, e não saia da porta. 35Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu intento é que o Todo-poderoso
31.35:
Jó 13.22
me responda, e que o meu adversário escreva um livro. 36Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria como coroa. 37O número dos meus passos lhe mostraria; como
31.37:
1Rs 21.19
Tg 5.4
príncipe me chegaria a ele. 38Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem; 39Se comi a sua novidade sem dinheiro, e sufoquei a alma dos seus donos. 40Por trigo me produza cardos,
31.40:
Gn 3.18
e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.

32

Eliú repreende Jó e os seus três amigos

321ENTÃO aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era

32.1:
Jó 33.9
justo aos seus próprios olhos. 2E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel
32.2:
Gn 22.21
o buzita, da família de Rão: contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. 3Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos: porque, não achando que responder, todavia condenavam a Jó. 4Eliú porém esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele. 5Vendo pois Eliú que não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu. 6E respondeu Eliú, filho de Baraquel o buzita, e disse: Eu sou de menos
32.6:
2Cr 16.9
Jó 34.21
Pv 5.21
15.3
Jr 32.19
idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião. 7Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria. 8Na verdade, há um espírito no homem,
32.8:
Mt 11.25
Tg 1.5
e a inspiração do Todo-poderoso os faz entendidos. 9Os grandes não são
32.9:
1Co 1.26
os sábios, nem os velhos entendem o que é reto. 10Pelo que digo: Dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião. 11Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos às vossas considerações, até que buscásseis razões. 12Atentando pois para vós, eis que nenhum de vós há que possa convencer a Jó, nem que responda às suas razões: 13Para que não digais:
32.13:
Jr 9.23
1Co 1.29
Achamos a sabedoria, Deus o derribou, e não homem algum. 14Ora ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras. 15Estão pasmados, não respondem mais, faltam-lhes as palavras. 16Esperei pois, mas não falam; porque já pararam, e não respondem mais. 17Também eu responderei pela minha parte; também eu declararei a minha opinião. 18Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange. 19Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar, como odres novos. 20Falarei, e respirarei; abrirei os meus lábios, e responderei. 21Oxalá eu não faça acepção
32.21:
Lv 19.15
Dt 1.17
16.19
Pv 24.23
Mt 22.16
de pessoas, nem use de lisonjas com o homem! 22Porque não sei usar de lisonjas; em breve me levaria o meu Criador.

33

Eliú acusa Jó de se opor a Deus e de entender mal os seus caminhos

331ASSIM, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras. 2Eis que já abri a minha boca; falou a minha língua debaixo do meu paladar. 3As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração, e a pura ciência dos meus lábios. 4O Espírito

33.4:
Gn 2.7
de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida. 5Se podes, responde-me, dispõe bem as tuas razões, e levanta-te. 6Eis que vim de Deus, como tu; do lodo também eu fui formado. 7Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão. 8Na verdade tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras; dizias: 9Limpo
33.9:
Jó 9.17
estou, sem transgressão; puro sou; e não tenho culpa. 10Eis que ele acha contra mim ocasiões, e me considerou
33.10:
Jó 13.24
16.9
19.11
como seu inimigo. 11Põe
33.11:
Jó 13.27
14.16
31.4
no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas. 12Eis que nisto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem. 13Por que razão
33.13:
Is 45.9
contendes com ele? porque ele não dá contas de nenhum dos seus feitos. 14Antes Deus
33.14:
Jó 40.5
fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso. 15Em sonho
33.15:
Nm 12.6
Jó 4.13
ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama, 16Então abre os ouvidos dos homens, e lhes sela a sua instrução, 17Para apartar o homem do seu desígnio, e esconder do homem a soberba; 18Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada. 19Também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos; 20De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida apetecível. 21Desaparece a sua carne a olhos vistos, e os seus ossos, que se não viam, agora aparecem: 22E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida ao que traz morte. 23Se com ele pois houver um 33.23: ou anjomensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão, 24Então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, que não desça à cova; achei resgate. 25Sua carne se reverdecerá mais do que na sua infância, e tornará aos dias da sua juventude. 26Deveras orará a Deus, que se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça. 27Olhará para os homens, e dirá: Pequei,
33.27:
2Sm 12.13
Pv 28.13
Lc 15.21
1Jo 1.9
e perverti o direito, o que de nada me aproveitou. 28Mas Deus livrou
33.28:
Is 38.17
a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz. 29Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem, 30Para desviar
33.30:
Jó 33.28
Sl 56.13
a sua alma da perdição, e o alumiar com a luz dos viventes. 31Escuta pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei. 32Se tens alguma cousa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te. 33Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.

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