Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
28

O homem tem ciência das cousas da terra, mas a sabedoria é dom de Deus

281NA verdade, há veios donde se extrai a prata, e para o ouro lugar em que o derretem. 2O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal. 3Ele pôs fim às trevas, e toda a extremidade ele esquadrinha; as pedras da escuridão e da sombra da morte. 4Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então intervém o homem, e as águas se vão. 5A terra, donde procede o pão, embaixo é revolvida como por fogo. 6As suas pedras são o lugar da safira, e têm pós de ouro. 7Essa vereda a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. 8Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela. 9Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes. 10Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as cousas preciosas. 11Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido. 12Mas onde se achará

28.12:
Jó 28.20
Ec 7.24
a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência? 13O homem não lhe
28.13:
Pv 3.35
conhece o valor; não se acha na terra dos viventes. 14O abismo diz:
28.14:
Jó 28.22
Rm 11.32,34
Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo. 15Não se
28.15:
Pv 3.13-15
8.10-11,19
16.16
dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela. 16Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. 17Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino. 18Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis. 19Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro. 20Donde pois
28.20:
Jó 28.12
vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência? 21Porque está encoberta aos olhos de todo o vivente, e oculta às aves do céu. 22A perdição
28.22:
Jó 28.14
e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. 23Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. 24Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo
28.24:
Pv 15.3
o que há debaixo dos céus. 25Quando deu peso ao vento, e tomou a medida das águas. 26Quando prescreveu uma
28.26:
Jó 38.25
lei para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões; 27Então a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou. 28Mas disse ao homem: Eis que o temor
28.28:
Dt 4.6
Pv 1
9.10
Ec 12.13
do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.

29

Lamentação de Jó lembrando-se do seu primeiro estado

291E PROSSEGUINDO Jó em sua parábola, disse: 2Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses

29.2:
Jó 7.3
passados, como nos dias em que Deus me guardava! 3Quando
29.3:
Jó 18.6
fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça, e eu com a sua luz caminhava pelas trevas; 4Como era nos dias da minha mocidade, quando 29.4: ou a amizadeo segredo de Deus estava sobre a minha tenda; 5Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos em redor de mim. 6Quando
29.6:
Gn 49.11
Dt 32.13
33.24
Jó 20.17
lavava os meus passos em manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite; 7Quando saía para a porta da cidade, e na praça fazia preparar a minha cadeira. 8Os moços me viam, e se escondiam, e os idosos se levantavam e se punham em pé; 9Os príncipes continham as suas palavras, e punham a
29.9:
Jó 21.5
mão sobre a sua boca; 10A voz dos chefes se escondia; e a sua língua se pegava ao seu paladar; 11Ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado; vendo-me algum olho, dava testemunho de mim; 12Porque eu
29.12:
Pv 21.13
24.11
livrava o miserável, que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse. 13A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que rejubilasse o coração da viúva. 14Cobria-me de
29.14:
Nm 10.31
Is 59.17
61.10
Ef 6.14
justiça, e ela me servia de vestido; como manto e diadema era o meu juízo. 15Eu era o olho do cego, e os pés do coxo; 16Dos necessitados era pai, e as causas
29.16:
Pv 29.7
de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligência; 17E quebrava os queixais do perverso, e dos seus dentes tirava a presa. 18E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia. 19A minha
29.19:
Jó 18.16
Jr 17.8
raiz se estendia junto às águas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos; 20A minha honra se renovava em mim,
29.20:
Gn 49.24
e o meu arco se reforçava na minha mão. 21Ouvindo-me esperavam, e em silêncio atendiam ao meu conselho. 22Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões destilavam sobre eles; 23Porque me esperavam como à chuva; e abriam a sua boca, como à
29.23:
Zc 10.1
chuva, tardia. 24Se me ria para eles, não o criam, e não faziam abater a luz do meu rosto; 25Se eu escolhia o seu caminho, assentava-me como chefe, e habitava como rei entre as suas tropas, como aquele que consola os que pranteiam.

30

Jó descreve o estado miserável em que caiu

301MAS agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho. 2De que também me serviria a força das mãos? já de velhice se tinha esgotado neles. 3De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos. 4Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram raízes dos zimbros. 5Do meio dos homens eram expulsos; gritava-se contra eles, como contra um ladrão; 6Para habitarem nos barrancos dos vales, e nas cavernas da terra e das rochas. 7Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das urtigas. 8Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra eram expulsos. 9Mas

30.9:
Jó 17.6
Lm 3.14,63
agora sou a sua canção, e lhes sirvo de provérbio. 10Abominam-me, e fogem para longe de mim
30.10:
Pv 3.15
e no meu rosto não se privam de cuspir. 11Porque Deus
30.11:
Jó 30.22
Rm 11.33-34
desatou a sua corda, e me oprimiu: pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto. 12À direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra
30.12:
Pv 3.13-15
8.10-11,19
16.1
mim os seus caminhos de destruição. 13Desbaratam-me o meu caminho; promovem a minha miséria; uma gente que não tem nenhum ajudador. 14Vêm contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação. 15Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha 30.15: ou nobrezahonra, e como nuvem passou a minha felicidade. 16E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim. 17De noite se me traspassam os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa. 18Pela grande força do meu mal se demudou o meu vestido, que, como o cabeção da minha túnica, me cinge. 19Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza. 20Clamo a ti, mas tu não me respondes; estou em pé, mas para mim não atentas. 21Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente. 22Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e derretes-me o ser. 23Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento destinada
30.23:
Hb 9.27
a todos os viventes. 24Mas não estenderá a mão para um montão de terra, se houver clamor nele na sua desventura? 25Porventura, não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? 26Todavia aguardando
30.26:
Jr 8.15
eu o bem, eis que me veio o mal, e esperando eu a luz, veio a escuridão. 27As minhas entranhas fervem e não estão quietas; os dias da aflição me surpreenderam. 28Denegrido ando, mas não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro. 29Irmão
30.29:
Mq 1.8
me fiz dos 30.29: ou chacaisdragões, e companheiro dos avestruzes. 30Enegreceu-se a minha pele
30.30:
Lm 4.8
5.10
sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor. 31Pelo que se tornou a minha harpa em lamentação, e o meu órgão em voz dos que choram.

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