Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231RESPONDEU porém Jó e disse: 2Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido. 3Ah! se eu

23.3:
Jó 13.3
16.21
soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. 4Com boa ordem exporia ante ele a minha causa, e a minha boca encheria de argumentos. 5Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse. 6Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia
23.6:
Is 57.16
comigo? Não: antes cuidaria de mim. 7Ali o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz. 8Eis que se me
23.8:
Jó 9.11
adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. 9Se opera à mão esquerda, não o vejo; encobre-se à mão direita, e não o diviso. 10Mas ele sabe o meu caminho; prove-me,
23.10:
Tg 1.12
e sairei como o ouro. 11Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho, e não me desviei dele. 12Do preceito de seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento. 13Mas, se ele está contra alguém quem então
23.13:
Jó 12.14
Rm 9.19
o desviará? O que a sua alma quiser isso fará. 14Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas cousas como estas ainda tem
23.14:
1Ts 3.3
consigo. 15Por isso me perturbo perante ele; e quando isto considero, temo-me dele. 16Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou. 17Porquanto não fui desarraigado antes das trevas, nem encobriu com a escuridão o meu rosto.

24

Jó contesta que os ímpios, muitas vezes, fiquem sem castigo nesta vida

241VISTO que do Todo-poderoso se não encobriram os tempos,

24.1:
At 1.7
por que não veem os seus dias os que o conhecem? 2Até os limites removem;
24.2:
Dt 19.14
27.17
Pv 22.28
23.10
Os 5.10
roubam os rebanhos, e os apascentam. 3Levam
24.3:
Dt 24.6,10,12,17
Jó 22.6
o jumento do órfão; tomam em penhor o boi da viúva. 4Desviam do caminho os necessitados; e os miseráveis da terra juntos se
24.4:
Pv 28.28
escondem. 5Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem à sua obra, madrugando para a presa; o campo raso mantimento a eles e aos seus filhos. 6No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do ímpio. 7Ao nu
24.7:
Êx 22.26-27
Dt 24.12-13
Jó 22.6
fazem passar a noite sem roupa, não tendo ele coberta contra o frio. 8Pelas correntes das montanhas são molhados, e, não tendo refúgio, abraçam-se
24.8:
Lm 4.5
com as rochas. 9Ao orfãozinho arrancam do peito, e aceitam o penhor do pobre. 10Fazem com que os nus vão sem vestido e aos famintos tiram as espigas. 11Dentro dos seus muros fazem o azeite; pisam os lagares, e ainda têm sede. 12Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos clama, e contudo Deus lho não imputa como loucura. 13Eles estão entre os que se opõem à luz; não conhecem os seus caminhos, e não permanecem nas suas veredas. 14De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado, e de noite é como o ladrão. 15Assim como os
24.15:
Pv 7.9
olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Não me verá olho nenhum; e oculta o rosto; 16Nas trevas minam as casas que de dia assinalaram; não
24.16:
Jo 3.20
conhecem a luz. 17Porque a manhã para todos eles é como sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte. 18É ligeiro sobre a face das águas; maldita é a sua porção sobre a terra; não volta pelo caminho das vinhas. 19A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim desfará a sepultura aos que pecaram. 20A madre se esquecerá dele, os vermes o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança
24.20:
Pv 10.7
dele, e a iniquidade se quebrará como a árvore. 21Aflige a estéril que não dá à luz, e à viúva não faz bem; 22Até aos poderosos arrasta com a sua força; se ele se levanta, não há vida segura. 23Se Deus lhes dá descanso, estribam-se nisso; seus
24.23:
Pv 15.3
olhos porém estão nos caminhos deles. 24Por um pouco se alçam, e logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos os outros, e cortados como as pontas das espigas. 25Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?

25

Bildade sustenta que o homem não pode, sem presunção, justificar-se diante de Deus

251ENTÃO respondeu Bildade o suíta, e disse: 2Com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas. 3Porventura têm número os seus exércitos? E para quem não se levanta a sua

25.3:
Tg 1.17
luz? 4Como pois seria justo
25.4:
Jó 4.17
15.14
o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher? 5Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. 6E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!