Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
22

Elifaz acusa Jó de diversos pecados e o exorta ao arrependimento

221ENTÃO respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2Porventura

22.2:
Jó 35.7
Lc 17.10
o homem será de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo o prudente será proveitoso. 3Ou tem o Todo-poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum em que tu faças perfeitos os teus caminhos? 4Ou te repreende pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo? 5Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniquidades? 6Porque penhoraste a teus irmãos sem causa
22.6:
Êx 22.26-27
Dt 24.10
Jó 24.3,9
Ez 18.22
alguma, e aos nus despojaste dos vestidos. 7Não deste água a beber ao cansado,
22.7:
Dt 15.7
Jó 31.17
Is 58.7
Ez 18.7,16
Mt 25.42
e ao faminto retiveste o pão. 8Mas para o violento era a terra, e o homem tido em respeito habitava nela. 9As viúvas despediste vazias, e os braços dos órfãos foram
22.9:
Jó 31.21
Is 10.2
Ez 22.7
quebrantados. 10Por isso é que estás cercado de laços,
22.10:
Jó 18.8-10
19.6
e te perturbou um pavor repentino 11Ou trevas em que nada vês; e a abundância
22.11:
Lm 3.54
de águas te cobre. 12Porventura Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão! 13E dizes: Que sabe Deus disto? Porventura julgará por entre a escuridão? 14As nuvens são escondedouro para ele, para que não veja; e ele passeia pelo circuito dos céus. 15Porventura consideraste a vereda do século passado, que pisaram os homens iníquos? 16Eles foram arrebatados
22.16:
Jó 15.32
antes do seu tempo; sobre o seu fundamento um dilúvio se derramou. 17Diziam
22.17:
Jó 21.14
Sl 4.6
a Deus: Retira-te de nós. E: Que foi que o Todo-poderoso nos fez? 18Ora ele encherá de bens as suas casas; pelo que longe de mim o
22.18:
Jó 21.16
conselho dos ímpios! 19Os justos o viram, e se alegraram, e o inocente escarneceu deles, 20Dizendo: Porquanto o nosso estado não foi destruído, mas o fogo consumiu o resto deles. 21Une-te pois a ele, e
22.21:
Is 27.5
tem paz, e assim te sobrevirá o bem. 22Aceita, peço-te, a lei da sua boca, e põe as suas palavras no teu coração. 23Se te converteres
22.23:
Jó 8.5-6
11.13-14
ao Todo-poderoso, serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. 24Então amontoarás
22.24:
2Cr 1.15
ouro como pó, e o ouro de Ofir como pedras dos ribeiros. 25E até o Todo-poderoso te será por ouro, e por prata amontoada. 26Porque então te deleitarás
22.26:
Jó 27.10
Is 58.14
no Todo-poderoso,
22.26:
Jó 11.15
Is 58.9
e levantarás o teu rosto para Deus. 27Tu orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos. 28Determinando tu algum negócio, ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos. 29Quando te abaterem, então tu dirás: Haja exaltação! E Deus salvará
22.29:
Pv 29.23
Tg 4.6
1Pe 5.5
ao humilde. 30E livrará até ao que não é inocente; sim, será libertado pela pureza de tuas mãos.

23

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

231RESPONDEU porém Jó e disse: 2Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido. 3Ah! se eu

23.3:
Jó 13.3
16.21
soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. 4Com boa ordem exporia ante ele a minha causa, e a minha boca encheria de argumentos. 5Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse. 6Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia
23.6:
Is 57.16
comigo? Não: antes cuidaria de mim. 7Ali o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz. 8Eis que se me
23.8:
Jó 9.11
adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. 9Se opera à mão esquerda, não o vejo; encobre-se à mão direita, e não o diviso. 10Mas ele sabe o meu caminho; prove-me,
23.10:
Tg 1.12
e sairei como o ouro. 11Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho, e não me desviei dele. 12Do preceito de seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento. 13Mas, se ele está contra alguém quem então
23.13:
Jó 12.14
Rm 9.19
o desviará? O que a sua alma quiser isso fará. 14Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas cousas como estas ainda tem
23.14:
1Ts 3.3
consigo. 15Por isso me perturbo perante ele; e quando isto considero, temo-me dele. 16Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou. 17Porquanto não fui desarraigado antes das trevas, nem encobriu com a escuridão o meu rosto.

24

Jó contesta que os ímpios, muitas vezes, fiquem sem castigo nesta vida

241VISTO que do Todo-poderoso se não encobriram os tempos,

24.1:
At 1.7
por que não veem os seus dias os que o conhecem? 2Até os limites removem;
24.2:
Dt 19.14
27.17
Pv 22.28
23.10
Os 5.10
roubam os rebanhos, e os apascentam. 3Levam
24.3:
Dt 24.6,10,12,17
Jó 22.6
o jumento do órfão; tomam em penhor o boi da viúva. 4Desviam do caminho os necessitados; e os miseráveis da terra juntos se
24.4:
Pv 28.28
escondem. 5Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem à sua obra, madrugando para a presa; o campo raso mantimento a eles e aos seus filhos. 6No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do ímpio. 7Ao nu
24.7:
Êx 22.26-27
Dt 24.12-13
Jó 22.6
fazem passar a noite sem roupa, não tendo ele coberta contra o frio. 8Pelas correntes das montanhas são molhados, e, não tendo refúgio, abraçam-se
24.8:
Lm 4.5
com as rochas. 9Ao orfãozinho arrancam do peito, e aceitam o penhor do pobre. 10Fazem com que os nus vão sem vestido e aos famintos tiram as espigas. 11Dentro dos seus muros fazem o azeite; pisam os lagares, e ainda têm sede. 12Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos clama, e contudo Deus lho não imputa como loucura. 13Eles estão entre os que se opõem à luz; não conhecem os seus caminhos, e não permanecem nas suas veredas. 14De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado, e de noite é como o ladrão. 15Assim como os
24.15:
Pv 7.9
olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Não me verá olho nenhum; e oculta o rosto; 16Nas trevas minam as casas que de dia assinalaram; não
24.16:
Jo 3.20
conhecem a luz. 17Porque a manhã para todos eles é como sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte. 18É ligeiro sobre a face das águas; maldita é a sua porção sobre a terra; não volta pelo caminho das vinhas. 19A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim desfará a sepultura aos que pecaram. 20A madre se esquecerá dele, os vermes o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança
24.20:
Pv 10.7
dele, e a iniquidade se quebrará como a árvore. 21Aflige a estéril que não dá à luz, e à viúva não faz bem; 22Até aos poderosos arrasta com a sua força; se ele se levanta, não há vida segura. 23Se Deus lhes dá descanso, estribam-se nisso; seus
24.23:
Pv 15.3
olhos porém estão nos caminhos deles. 24Por um pouco se alçam, e logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos os outros, e cortados como as pontas das espigas. 25Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?