Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
13

131EIS que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. 2Como

13.2:
Jó 12.3
vós o sabeis, o sei eu também: não vos sou inferior. 3Mas
13.3:
Jó 23.3
31.35
eu falarei ao Todo-poderoso; e quero defender-me perante Deus. 4Vós porém sois
13.4:
Jó 6.21
16.2
inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada. 5Oxalá vos calásseis de todo, que isso seria
13.5:
Pv 17.28
a vossa sabedoria! 6Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios. 7Porventura
13.7:
Dt 28.29
Jó 5.14
por Deus falareis perversidade e por ele enunciareis mentiras? 8Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis por Deus? 9Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de qualquer homem? 10Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes distinção de pessoas. 11Porventura não vos espantará a sua alteza? E não cairá sobre vós o seu temor? 12As vossas memórias são como a cinza: as vossas alturas como alturas de lodo. 13Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier.

Jó confia em Deus e deseja conhecer os seus pecados

14Por que razão tomaria

13.14:
1Sm 28.21
Jó 18.4
eu a minha carne com os meus dentes, e poria a minha 13.14: ou almavida na minha mão? 15
13.15:
Pv 14.32
Jó 27.5
Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele. 16Também isto será a minha salvação, porque o ímpio não virá perante ele. 17Ouvi com atenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha demonstração. 18Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo. 19Quem
13.19:
Is 50.8
é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse, renderia o espírito. 20Duas cousas somente
13.20:
Jó 9.34
não faças para comigo; então me não esconderei do teu rosto: 21Desvia a tua mão para longe de mim, e não me espante o teu terror. 22Chama, pois, e eu responderei; ou eu falarei, e tu responde-me. 23Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. 24Por que escondes
13.24:
Dt 32.20
Is 8.17
o teu rosto, e me
13.24:
Dt 32.42
Lm 2.5
tens por teu inimigo? 25Porventura quebrantarás a
13.25:
Is 42.3
folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco? 26Por que escreves contra mim cousas amargas
13.26:
Jó 20.11
e me fazes herdar as culpas da minha mocidade? 27Também pões
13.27:
Jó 33.11
os meus pés em cepos, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés, 28Apesar de eu ser como uma cousa podre que se consome, e como o vestido, ao qual rói a traça.

14

Jó roga o favor de Deus por causa da brevidade e miséria da vida humana

141O HOMEM, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio

14.1:
Jó 5.7
Ec 2.22
de inquietação. 2Sai como
14.2:
Jó 8.9
Is 40.6
Tg 1.10-11
4.14
1Pe 1.24
a flor, e se seca; foge também como a sombra, e não permanece. 3E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo. 4Quem do imundo tirará
14.4:
Gn 5.3
Jo 3.6
Rm 5.12
Ef 2.3
o puro? Ninguém. 5Visto que os seus dias estão
14.5:
Jó 7.1
determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. 6Desvia-te
14.6:
Jó 7.1,16,19
10.20
dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia. 7Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda se renovará,
14.7:
Jó 14.14
e não cessarão os seus renovos. 8Se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó, 9Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como a planta. 10Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está? 11Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco. 12Assim o homem se deita, e não se levanta; até
14.12:
Is 51.6
65.17
66.22
At 3.21
Rm 8.20
2Pe 3.7,10-11
Ap 20.11
21.1
que não haja mais céus não acordará nem se erguerá de seu sono. 13Oxalá me escondesses 14.13: Hebr. no Sheolna sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se desviasse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! 14Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria,
14.14:
Jó 13.15
14.7
até que viesse a minha mudança. 15Chamar-me-ias,
14.15:
Jó 13.22
e eu te responderia: afeiçoa-te à obra de tuas mãos. 16Mas agora
14.16:
Jó 10.6,14
13.27
31.4
34.21
Pv 5.21
Jr 32.19
contas os meus passos; não estás tu vigilante sobre o meu pecado? 17A minha transgressão está selada
14.17:
Dt 32.34
Os 13.12
num saco, e amontoas as minhas iniquidades. 18E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar. 19As águas gastam as pedras; as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem. 20Tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; tu, mudando o seu rosto, o despedes. 21Os seus filhos, estão em honra, sem que ele o saiba; ou ficam minguados,
14.21:
Ec 9.5
Is 63.16
sem que ele o perceba; 22Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta.

15

Elifaz acusa Jó de impiedade

151ENTÃO respondeu Elifaz o temanita, e disse: 2Porventura dará o sábio em resposta ciência de vento? E encherá o seu ventre de vento oriental? 3Arguindo com palavras que de nada servem, e com razões, com que nada aproveita? 4E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus. 5Porque a tua boca declara a tua iniquidade; e tu escolheste a língua dos astutos. 6A tua boca

15.6:
Lc 19.22
te condena, e não eu, e os teus lábios testificam contra ti. 7És tu porventura o primeiro homem que foi nascido.
15.7:
Pv 8.25
Ou foste gerado antes dos outeiros? 8Ou ouviste
15.8:
Rm 11.25,34
1Co 2.11
o secreto conselho de Deus e a ti limitaste a sabedoria? 9Que sabes
15.9:
Jó 13.2
tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós? 10Também
15.10:
Jó 32.6-7
entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai. 11Por ventura as consolações de Deus te são pequenas? ou alguma cousa se oculta em ti? 12Por que te arrebata o teu coração e por que piscas os teus olhos, 13Para virares contra Deus o teu espírito, e deixares sair tais palavras da tua boca? 14Que
15.14:
1Rs 8.46
2Cr 6.36
Jó 14.4
Pv 20.8
Ec 7.20
1Jo 1.8
é o homem, para que seja puro? e o que nasce da mulher, para que fique justo? 15Eis que nos
15.15:
Jó 4.18
25.5
seus santos não confiaria, e nem os céus são puros aos seus olhos. 16Quanto mais
15.16:
Jó 4.19
abominável e corrupto é o homem, que bebe a
15.16:
Jó 34.7
Pv 19.28
iniquidade como a água?

Elifaz mostra que o ímpio é atormentado nesta vida

17Escuta-me, mostrar-to-ei; e o que vi te contarei 18(O que os sábios anunciaram, e, que o ouviram de seus pais, o não

15.18:
Jó 8.8
ocultaram. 19Aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou
15.19:
Jl 3.17
por entre eles): 20Todos os dias o ímpio se dá pena a si mesmo, no curto número de anos que se reservam para o tirano. 21O sonido dos horrores está nos seus
15.21:
1Ts 5.3
ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador. 22Não crê que tornará das trevas, mas que o espera a espada. 23Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia
15.23:
Jó 18.12
das trevas lhe está perto à mão. 24Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja. 25Porque estendeu a sua mão contra Deus, e contra o Todo-poderoso se embraveceu. 26Arremete contra ele com dura cerviz, e com os pontos grossos dos seus escudos. 27Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou enxúndia nas ilhargas. 28E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas. 29Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões. 30Não escapará das trevas; e chama do fogo secará os seus renovos e ao assopro da sua boca
15.30:
Jó 9.4
desaparecerá. 31Não confie pois na
15.31:
Is 59.4
vaidade enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. 32Antes
15.32:
Jó 22.16
do seu dia ela se consumará; e o seu ramo não reverdecerá. 33Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a da oliveira. 34Porque o ajuntamento dos hipócritas se fará estéril, e o fogo, consumirá as tendas do suborno. 35Concebem
15.35:
Is 59.4
Os 10.13
o trabalho, e produzem a iniquidade, e o seu ventre prepara enganos.