Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
12

Jó defende-se contra as acusações de seus amigos

121ENTÃO Jó respondeu, e disse: 2Na verdade, que só vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. 3Também eu tenho

12.3:
Jó 13.2
um coração como vós, e não vos sou inferior; e quem não sabe tais cousas como estas? 4Eu sou irrisão para os
12.4:
Jó 16.10
21.3
30.1
meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e o reto servem de irrisão. 5Tocha desprezível é,
12.5:
Pv 14.2
na opinião do que está descansado, aquele que está pronto a tropeçar com os pés. 6As tendas
12.6:
Jó 21.7
Jr 12.1
Ml 3.15
dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo. 7Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber; 8Ou fala com a terra, e ela to ensinará até os peixes do mar to contarão. 9Quem não entende por todas estas cousas que a mão do Senhor fez isto, 10Que está na sua mão
12.10:
Nm 16.22
Dn 5.23
At 17.29
a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana? 11Porventura o
12.11:
Jó 6.30
34.3
ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas? 12Com os idosos está a
12.12:
Jó 32.7
sabedoria, e na abundância de dias o entendimento. 13Com ele está a sabedoria
12.13:
Jó 9.4
11.10
36.5
Is 22.22
Ap 3.7
e a força; conselho e entendimento tem. 14Eis que ele derriba, e não se reedificará; e a quem ele encerra não se abrirá. 15Eis que ele retém
12.15:
1Rs 8.35
17.1
as águas, e se secam; e as larga, e transtornam a terra. 16Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar. 17Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz
12.17:
2Rs 15.31
Is 19.12
29.14
1Co 1.19
desvairar. 18Solta a atadura dos reis, e ata o cinto aos seus lombos. 19Aos príncipes leva despojados, aos poderosos transtorna. 20Aos confiados tira a
12.20:
Jó 32.9
Is 3.1-3
Dn 2.21
fala, e toma o entendimento aos velhos. 21Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes. 22As profundezas das
12.22:
Dn 2.22
Mt 10.26
1Co 4.5
trevas manifesta, e a sombra da morte traz à luz. 23Multiplica
12.23:
Is 9.3
26.15
as gentes e as faz perecer; dispersa as gentes, e de novo as reconduz. 24Tira o coração aos chefes das gentes da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho. 25Nas trevas andam às apalpadelas,
12.25:
Dt 28.29
Jó 5.14
sem terem luz, e os faz desatinar como ébrios.

13

131EIS que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. 2Como

13.2:
Jó 12.3
vós o sabeis, o sei eu também: não vos sou inferior. 3Mas
13.3:
Jó 23.3
31.35
eu falarei ao Todo-poderoso; e quero defender-me perante Deus. 4Vós porém sois
13.4:
Jó 6.21
16.2
inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada. 5Oxalá vos calásseis de todo, que isso seria
13.5:
Pv 17.28
a vossa sabedoria! 6Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios. 7Porventura
13.7:
Dt 28.29
Jó 5.14
por Deus falareis perversidade e por ele enunciareis mentiras? 8Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis por Deus? 9Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de qualquer homem? 10Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes distinção de pessoas. 11Porventura não vos espantará a sua alteza? E não cairá sobre vós o seu temor? 12As vossas memórias são como a cinza: as vossas alturas como alturas de lodo. 13Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier.

Jó confia em Deus e deseja conhecer os seus pecados

14Por que razão tomaria

13.14:
1Sm 28.21
Jó 18.4
eu a minha carne com os meus dentes, e poria a minha 13.14: ou almavida na minha mão? 15
13.15:
Pv 14.32
Jó 27.5
Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele. 16Também isto será a minha salvação, porque o ímpio não virá perante ele. 17Ouvi com atenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha demonstração. 18Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo. 19Quem
13.19:
Is 50.8
é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse, renderia o espírito. 20Duas cousas somente
13.20:
Jó 9.34
não faças para comigo; então me não esconderei do teu rosto: 21Desvia a tua mão para longe de mim, e não me espante o teu terror. 22Chama, pois, e eu responderei; ou eu falarei, e tu responde-me. 23Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. 24Por que escondes
13.24:
Dt 32.20
Is 8.17
o teu rosto, e me
13.24:
Dt 32.42
Lm 2.5
tens por teu inimigo? 25Porventura quebrantarás a
13.25:
Is 42.3
folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco? 26Por que escreves contra mim cousas amargas
13.26:
Jó 20.11
e me fazes herdar as culpas da minha mocidade? 27Também pões
13.27:
Jó 33.11
os meus pés em cepos, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés, 28Apesar de eu ser como uma cousa podre que se consome, e como o vestido, ao qual rói a traça.

14

Jó roga o favor de Deus por causa da brevidade e miséria da vida humana

141O HOMEM, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio

14.1:
Jó 5.7
Ec 2.22
de inquietação. 2Sai como
14.2:
Jó 8.9
Is 40.6
Tg 1.10-11
4.14
1Pe 1.24
a flor, e se seca; foge também como a sombra, e não permanece. 3E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo. 4Quem do imundo tirará
14.4:
Gn 5.3
Jo 3.6
Rm 5.12
Ef 2.3
o puro? Ninguém. 5Visto que os seus dias estão
14.5:
Jó 7.1
determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. 6Desvia-te
14.6:
Jó 7.1,16,19
10.20
dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia. 7Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda se renovará,
14.7:
Jó 14.14
e não cessarão os seus renovos. 8Se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó, 9Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como a planta. 10Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está? 11Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco. 12Assim o homem se deita, e não se levanta; até
14.12:
Is 51.6
65.17
66.22
At 3.21
Rm 8.20
2Pe 3.7,10-11
Ap 20.11
21.1
que não haja mais céus não acordará nem se erguerá de seu sono. 13Oxalá me escondesses 14.13: Hebr. no Sheolna sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se desviasse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! 14Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria,
14.14:
Jó 13.15
14.7
até que viesse a minha mudança. 15Chamar-me-ias,
14.15:
Jó 13.22
e eu te responderia: afeiçoa-te à obra de tuas mãos. 16Mas agora
14.16:
Jó 10.6,14
13.27
31.4
34.21
Pv 5.21
Jr 32.19
contas os meus passos; não estás tu vigilante sobre o meu pecado? 17A minha transgressão está selada
14.17:
Dt 32.34
Os 13.12
num saco, e amontoas as minhas iniquidades. 18E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar. 19As águas gastam as pedras; as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem. 20Tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; tu, mudando o seu rosto, o despedes. 21Os seus filhos, estão em honra, sem que ele o saiba; ou ficam minguados,
14.21:
Ec 9.5
Is 63.16
sem que ele o perceba; 22Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta.