Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
11

Sofar repreende Jó, mostra a sabedoria de Deus e exorta ao arrependimento

111ENTÃO respondeu Sofar, o naamatita, e disse: 2Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? 3Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? 4Pois

11.4:
Jó 6.10
10.7
tu disseste: A minha doutrina é pura, limpo sou aos teus olhos. 5Mas, na verdade, oxalá que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti, 6E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos
11.6:
Ed 9.13
do que merece a tua iniquidade. 7Porventura
11.7:
Ec 3.11
Rm 11.33
alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso? 8Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o 11.8: Hebr. Sheolinferno, que poderás tu saber? 9Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. 10Se
11.10:
Jó 9.12
12.14
Ap 3.7
ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá? 11Porque ele conhece os homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração? 12Mas o homem vão é
11.12:
Ec 3.18
Rm 1.22
falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês. 13Se tu preparaste
11.13:
1Sm 10.3
Jó 5.8
22.1
o teu coração, estende as tuas mãos para ele; 14Se iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti, e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas, 15Porque então
11.15:
Gn 4.5-6
Jó 22.26
1Jo 3.21
o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás. 16Porque te esquecerás dos
11.16:
Is 65.16
trabalhos, e te lembrarás deles como das águas que já passaram. 17E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã. 18E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta, e repousarás seguro. 19E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos acariciarão o teu rosto. 20Mas os
11.20:
Lv 26.16
Dt 28.65
Jó 8.14
18.14
Pv 11.7
olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

12

Jó defende-se contra as acusações de seus amigos

121ENTÃO Jó respondeu, e disse: 2Na verdade, que só vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. 3Também eu tenho

12.3:
Jó 13.2
um coração como vós, e não vos sou inferior; e quem não sabe tais cousas como estas? 4Eu sou irrisão para os
12.4:
Jó 16.10
21.3
30.1
meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e o reto servem de irrisão. 5Tocha desprezível é,
12.5:
Pv 14.2
na opinião do que está descansado, aquele que está pronto a tropeçar com os pés. 6As tendas
12.6:
Jó 21.7
Jr 12.1
Ml 3.15
dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo. 7Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber; 8Ou fala com a terra, e ela to ensinará até os peixes do mar to contarão. 9Quem não entende por todas estas cousas que a mão do Senhor fez isto, 10Que está na sua mão
12.10:
Nm 16.22
Dn 5.23
At 17.29
a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana? 11Porventura o
12.11:
Jó 6.30
34.3
ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas? 12Com os idosos está a
12.12:
Jó 32.7
sabedoria, e na abundância de dias o entendimento. 13Com ele está a sabedoria
12.13:
Jó 9.4
11.10
36.5
Is 22.22
Ap 3.7
e a força; conselho e entendimento tem. 14Eis que ele derriba, e não se reedificará; e a quem ele encerra não se abrirá. 15Eis que ele retém
12.15:
1Rs 8.35
17.1
as águas, e se secam; e as larga, e transtornam a terra. 16Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar. 17Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz
12.17:
2Rs 15.31
Is 19.12
29.14
1Co 1.19
desvairar. 18Solta a atadura dos reis, e ata o cinto aos seus lombos. 19Aos príncipes leva despojados, aos poderosos transtorna. 20Aos confiados tira a
12.20:
Jó 32.9
Is 3.1-3
Dn 2.21
fala, e toma o entendimento aos velhos. 21Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes. 22As profundezas das
12.22:
Dn 2.22
Mt 10.26
1Co 4.5
trevas manifesta, e a sombra da morte traz à luz. 23Multiplica
12.23:
Is 9.3
26.15
as gentes e as faz perecer; dispersa as gentes, e de novo as reconduz. 24Tira o coração aos chefes das gentes da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho. 25Nas trevas andam às apalpadelas,
12.25:
Dt 28.29
Jó 5.14
sem terem luz, e os faz desatinar como ébrios.

13

131EIS que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. 2Como

13.2:
Jó 12.3
vós o sabeis, o sei eu também: não vos sou inferior. 3Mas
13.3:
Jó 23.3
31.35
eu falarei ao Todo-poderoso; e quero defender-me perante Deus. 4Vós porém sois
13.4:
Jó 6.21
16.2
inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada. 5Oxalá vos calásseis de todo, que isso seria
13.5:
Pv 17.28
a vossa sabedoria! 6Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios. 7Porventura
13.7:
Dt 28.29
Jó 5.14
por Deus falareis perversidade e por ele enunciareis mentiras? 8Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis por Deus? 9Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de qualquer homem? 10Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes distinção de pessoas. 11Porventura não vos espantará a sua alteza? E não cairá sobre vós o seu temor? 12As vossas memórias são como a cinza: as vossas alturas como alturas de lodo. 13Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier.

Jó confia em Deus e deseja conhecer os seus pecados

14Por que razão tomaria

13.14:
1Sm 28.21
Jó 18.4
eu a minha carne com os meus dentes, e poria a minha 13.14: ou almavida na minha mão? 15
13.15:
Pv 14.32
Jó 27.5
Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele. 16Também isto será a minha salvação, porque o ímpio não virá perante ele. 17Ouvi com atenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha demonstração. 18Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo. 19Quem
13.19:
Is 50.8
é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse, renderia o espírito. 20Duas cousas somente
13.20:
Jó 9.34
não faças para comigo; então me não esconderei do teu rosto: 21Desvia a tua mão para longe de mim, e não me espante o teu terror. 22Chama, pois, e eu responderei; ou eu falarei, e tu responde-me. 23Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. 24Por que escondes
13.24:
Dt 32.20
Is 8.17
o teu rosto, e me
13.24:
Dt 32.42
Lm 2.5
tens por teu inimigo? 25Porventura quebrantarás a
13.25:
Is 42.3
folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco? 26Por que escreves contra mim cousas amargas
13.26:
Jó 20.11
e me fazes herdar as culpas da minha mocidade? 27Também pões
13.27:
Jó 33.11
os meus pés em cepos, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés, 28Apesar de eu ser como uma cousa podre que se consome, e como o vestido, ao qual rói a traça.

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