Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
9

Jó confessa a justiça de Deus e pede alívio para a sua miséria

91ENTÃO Jó respondeu, e disse: 2Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o

9.2:
Rm 3.20
homem para com Deus? 3Se quiser contender com ele, nem a uma de mil cousas lhe poderá responder. 4Ele é sábio
9.4:
Jó 36.5
de coração, poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e teve paz? 5Ele é o que transporta as montanhas, sem que o sintam, e o que as transtorna no seu furor. 6O que remove
9.6:
Ec 9.2-3
Ez 21.3
a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem. 7O que fala ao sol, e ele não sai, e sela as estrelas. 8O que só estende
9.8:
2Sm 15.30
19.4
Jr 14.4
os céus, e anda sobre os altos do mar. 9O que faz
9.9:
Jó 7.6-7
a Ursa, o Órion, e o Sete-estrelo, e as recâmaras do sul. 10O que
9.10:
Hc 1.8
faz cousas grandes, que se não podem esquadrinhar, e maravilhas tais que se não podem contar. 11Eis que passa
9.11:
Jr 2.22
por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto. 12Eis que
9.12:
Êx 20.7
arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que fazes? 13Deus não revogará a sua ira;
9.13:
Jr 2.22
debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos. 14Quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher diante dele as minhas palavras! 15A ele,
9.15:
Jó 10.15
ainda que eu fosse justo, lhe não responderia; antes ao meu juiz pediria misericórdia. 16Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz. 17Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas
9.17:
Jó 2.3
34.6
sem causa. 18Nem me permite respirar, antes me farta de amarguras. 19Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele? 20Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se reto me disser, então me declarará perverso. 21Ainda que perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida. 22A cousa é esta; por isso eu digo que ele
9.22:
Jó 26.11
Is 2.19,21
Hb 12.26
consome ao reto e ao ímpio. 23Matando o açoite de repente, então se ri da prova dos inocentes. 24A terra é entregue às mãos do ímpio; ele cobre
9.24:
Gn 1.6
o rosto dos juízes; se não é ele, quem é logo? 25E os meus
9.25:
Gn 1.16
Jó 38.31
Am 5.8
dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e nunca viram o bem. 26Passam como navios veleiros; como águia
9.26:
Jó 5.9
que se lança à comida. 27Se eu
9.27:
Jó 23.8-9
35.14
disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu rosto, e tomarei alento; 28Receio todas as minhas dores, porque bem
9.28:
Is 45.9
Rm 9.20
sei que me não terás por inocente. 29E, sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão? 30Ainda que me lave
9.30:
Jó 26.12
com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão, 31Mesmo assim me submergirás no fosso, e os meus próprios vestidos me abominarão. 32Porque ele não é homem, como eu, a quem eu
9.32:
Ec 6.10
Rm 9.20
responda, vindo juntamente a juízo. 33Não
9.33:
1Sm 2.25
Jó 9.19
há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos. 34Tire
9.34:
Jó 13.20-22
33.7
ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror. 35Então falarei, e não o temerei; porque assim não estou em mim.

10

101A MINHA alma

10.1:
1Rs 19.4
Jó 7.16
Jn 4.3
tem tédio de minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei
10.1:
Jó 7.11
na amargura da minha alma. 2Direi a Deus: não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo. 3Parece-te bem que me oprimas, que rejeites o trabalho das tuas mãos e resplandeças sobre o conselho dos ímpios? 4Tens tu porventura olhos de carne? Vês
10.4:
1Sm 16.7
tu como vê o homem? 5São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem. 6Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu pecado? 7Bem sabes tu que eu não sou ímpio; todavia ninguém que me livre da tua mão. 8As tuas mãos me fizeram e me entreteceram; e, todavia, me consomes. 9Peço-te que te lembres de que como barro me formaste,
10.9:
Gn 2.7
3.19
Is 64.8
e de que ao pó me farás tornar. 10Porventura não me vazaste como leite, e como queijo me não coalhaste? 11De pele e carne me vestiste e de ossos e nervos me entreteceste. 12Vida e beneficência me concedeste; e o teu cuidado guardou o meu espírito. 13Mas estas cousas as ocultaste no teu coração; bem sei eu que isto esteve contigo. 14Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás. 15Se for ímpio, ai
10.15:
Jó 9.12,15,20-21
Is 3.11
de mim! e se for justo, não levantarei a minha cabeça; cheio estou de ignomínia, e olho para a minha miséria. 16Porque se me exalto, tu me caças
10.16:
Is 38.13
Lm 3.10
como a um leão feroz, e de novo fazes maravilhas contra mim. 17Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo. 18Por
10.18:
Jó 3.11
que pois me tiraste da madre? Ah! se então dera o espírito, e olhos nenhuns me vissem! 19Então fora como se nunca houvera sido: e desde o ventre seria levado à sepultura! 20Porventura não são poucos os meus dias?
10.20:
Jó 7.16,19
Cessa pois, e deixa-me para que por um pouco eu tome alento; 21Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte; 22Terra escuríssima, como a mesma escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão.

11

Sofar repreende Jó, mostra a sabedoria de Deus e exorta ao arrependimento

111ENTÃO respondeu Sofar, o naamatita, e disse: 2Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? 3Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? 4Pois

11.4:
Jó 6.10
10.7
tu disseste: A minha doutrina é pura, limpo sou aos teus olhos. 5Mas, na verdade, oxalá que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti, 6E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos
11.6:
Ed 9.13
do que merece a tua iniquidade. 7Porventura
11.7:
Ec 3.11
Rm 11.33
alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso? 8Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o 11.8: Hebr. Sheolinferno, que poderás tu saber? 9Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. 10Se
11.10:
Jó 9.12
12.14
Ap 3.7
ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá? 11Porque ele conhece os homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração? 12Mas o homem vão é
11.12:
Ec 3.18
Rm 1.22
falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês. 13Se tu preparaste
11.13:
1Sm 10.3
Jó 5.8
22.1
o teu coração, estende as tuas mãos para ele; 14Se iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti, e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas, 15Porque então
11.15:
Gn 4.5-6
Jó 22.26
1Jo 3.21
o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás. 16Porque te esquecerás dos
11.16:
Is 65.16
trabalhos, e te lembrarás deles como das águas que já passaram. 17E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã. 18E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta, e repousarás seguro. 19E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos acariciarão o teu rosto. 20Mas os
11.20:
Lv 26.16
Dt 28.65
Jó 8.14
18.14
Pv 11.7
olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.