Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
16

Sansão é traído por Dalila

161E FOI-SE Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ela. 2E foi dito aos gazitas: Sansão entrou

16.2:
At 9.24
aqui. Foram pois em roda, e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade: porém toda a noite estiveram sossegados, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos. 3Porém Sansão deitou-se até à meia-noite, e à meia-noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as ombreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebrom. 4E depois disto aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, cujo nome era Dalila. 5Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram: Persuade-o,
16.5:
Jz 14.15
Pv 2.16-19
5.3-11
6.24-26
7.21-23
e vê, em que consiste a sua grande força, e com que poderíamos assenhorear-nos dele e amarrá-lo, para assim o afligirmos: e te daremos cada um mil e cem 16.5: ou peçasmoedas de prata. 6Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir. 7Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete vergas de vimes frescos, que ainda não estivessem secos, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem. 8Então os príncipes dos filisteus lhe trouxeram sete vergas de vimes frescos, que ainda não estavam secos: e amarrou-o com elas. 9E os espias estavam assentados com ela numa câmara. Então ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. Então quebrou as vergas de vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se soube em que consistia a sua força. 10Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras; ora declara-me agora com que poderias ser amarrado. 11E ele lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem. 12Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com elas, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E os espias estavam assentados numa câmara. Então as quebrou de seus braços como um fio. 13E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me pois agora com que poderias ser amarrado? E ele lhe disse: Se teceres sete tranças dos cabelos da minha cabeça com os liços da teia. 14E ela as fixou com uma estaca, e disse-lhe: os Filisteus vêm sobre ti, Sansão. Então despertou do seu sono, e arrancou a estaca das tranças tecidas, juntamente com o liço da teia. 15Então ela lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor,
16.15:
Jz 14.16
não estando comigo o teu coração? já três vezes zombaste de mim, e ainda me não declaraste em que consiste a tua força. 16E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até à morte. 17E descobriu-lhe todo o seu coração,
16.17:
Nm 6.5
Mq 7.5
e disse-lhe: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como todos os mais homens. 18Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou, e chamou os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ela, e trouxeram o dinheiro na sua mão. 19Então ela o fez dormir
16.19:
Pv 7.26-27
sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça: e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força. 20E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me livrarei. Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado
16.20:
Nm 14.9,42-43
Js 7.12
1Sm 16.14
18.12
28.15-16
2Cr 15.2
dele. 21Então os filisteus pegaram nele, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e andava ele moendo no cárcere. 22E o cabelo da sua cabeça lhe começou a crescer, como quando foi rapado.

Sansão faz cair o templo de Dagom

23Então os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo. 24Semelhantemente, vendo-o o povo,

16.24:
Dn 5.4
louvavam ao seu deus: porque diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruía a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos. 25E sucedeu que, alegrando-se-lhes
16.25:
Jz 9.27
o coração, disseram: Chamai a Sansão, para que brinque diante de nós. E chamaram a Sansão do cárcere, e brincou diante deles, e fizeram-no estar em pé entre as colunas. 26Então disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Guia-me para que apalpe as colunas em que se sustém a casa, para que me encoste a elas. 27Ora estava a casa cheia de homens e mulheres: e também ali estavam todos os príncipes dos filisteus: e sobre o telhado havia alguns três mil homens e mulheres,
16.27:
Dt 22.8
que estavam vendo brincar Sansão. 28Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Senhor Jeová, peço-te que te lembres
16.28:
Jr 15.15
de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos. 29Abraçou-se pois Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, com a sua mão direita numa, e com a sua esquerda na outra. 30E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia: e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida. 31Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pai, e tomaram-no, e subiram com ele, e sepultaram-no
16.31:
Jz 13.25
entre Zorá e Estaol, no sepulcro de Manué, seu pai: e julgou ele a Israel vinte anos.

17

Mica e o ídolo da sua casa

171E HAVIA um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica. 2O qual disse a sua mãe: As mil e cem 17.2: ou peçasmoedas de prata que te foram tiradas por cuja causa deitavas maldições, e também as disseste em meus ouvidos, eis que esse dinheiro eu o tenho, eu o tomei. Então disse sua mãe: Bendito

17.2:
Gn 14.19
Rt 3.10
seja meu filho do Senhor. 3Assim restituiu as mil e cem moedas de prata a sua mãe: porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor para meu filho, para fazer uma imagem
17.3:
Êx 20.4,23
Lv 19.4
de escultura e de fundição: de sorte que agora to tornarei a dar. 4Porém ele restituiu aquele dinheiro a sua mãe: e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de
17.4:
Is 46.6
escultura e de fundição, e esteve em casa de Mica. 5E tinha este homem, Mica, uma casa de deuses: e fez um éfode
17.5:
Gn 31.19,30
Jz 8.27
Os 3.4
e terafins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6Naqueles dias
17.6:
Dt 12.8
33.5
Jz 18.1
19.1
21.25
não havia rei em Israel: cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos.

O levita em casa de Mica

7E havia um mancebo de Belém de Judá, da tribo de Judá,

17.7:
Js 19.15
Jz 19.1
Rt 1.1-2
Mq 5.2
Mt 2.1,5-6
que era levita, e peregrinava ali. 8E este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse comodidade: chegando ele pois à montanha de Efraim, até à casa de Mica, seguindo o seu caminho. 9Disse-lhe Mica: Donde vens? E ele lhe disse: Sou levita de Belém de Judá, e vou peregrinar aonde quer que achar comodidade. 10Então lhe disse Mica: Fica comigo, e sê-me
17.10:
Gn 45.8
Jz 18.19
Jó 29.16
por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, e vestuário, e o teu sustento. E o levita entrou. 11E consentiu o levita em ficar com aquele homem: e este mancebo lhe foi como um de seus filhos. 12E consagrou Mica ao levita,
17.12:
Jz 17.5
18.30
e aquele mancebo lhe foi por sacerdote; e esteve em casa de Mica. 13Então disse Mica: Agora sei que o Senhor me fará bem: porquanto tenho um levita por sacerdote.

18

Os daneus buscam uma herança e tomam Laís

181NAQUELES dias

18.1:
Js 19.47
Jz 17.6
21.25
não havia rei em Israel: e nos mesmos dias a tribo dos daneus buscava para si herança para habitar; porquanto até àquele dia entre as tribos de Israel lhe não havia caído em herança bastante sorte. 2E enviaram os filhos de Dã
18.2:
Nm 13.17
Js 2.1
Jz 13.25
da sua tribo cinco homens dos seus confins, homens valorosos, de Zorá e de Estaol, a espiar e rastejar a terra; e lhes disseram: Ide, rastejai a terra. E vieram à montanha de Efraim, até à casa de Mica,
18.2:
Jz 17.1
e passaram ali a noite. 3E quando eles estavam junto da casa de Mica, conheceram a voz do mancebo, do levita; e chegaram-se para lá, e lhe disseram: Quem te trouxe aqui, que fazes aqui, e que é o que tens aqui? 4E ele lhes disse: Assim e assim me tem feito Mica; pois me tem assalariado, e eu
18.4:
Jz 17.10
lhe sirvo de sacerdote. 5Então lhe disseram:
18.5:
Jz 17.5
18.14
1Rs 22.5
Is 30.1
Os 4.12
Ora pergunta a Deus, para que possamos saber se prosperará o caminho que levamos. 6E disse-lhes o sacerdote: Ide em paz;
18.6:
1Rs 22.6
o caminho que levardes está perante o Senhor. 7Então foram-se aqueles cinco homens, e vieram a Laís;
18.7:
Js 19.47
Jz 18.27-28
e viram que o povo que havia no meio dela estava seguro, conforme ao costume dos sidônios, quieto e confiado; nem havia possessor algum do reino que por cousa alguma envergonhasse a alguém naquela terra: também estavam longe dos sidônios, e não tinham que fazer com ninguém. 8Então voltaram a seus irmãos, a Zorá
18.8:
Jz 18.2
e a Estaol: e seus irmãos lhes disseram: Que dizeis vós? 9E eles disseram: Levantai-vos,
18.9:
Nm 13.30
Js 2.23-24
e subamos a eles; porque examinamos a terra, e eis que é muitíssimo boa; pois estareis tranquilos?
18.9:
1Rs 22.23
não sejais preguiçosos em irdes para entrar a possuir esta terra. 10Quando lá chegardes, vereis a um povo confiado,
18.10:
Dt 8.9
Jz 18.7,27
e a terra é larga de extensão; porque Deus vo-la entregou na mão; lugar em que não falta de cousa alguma que na terra. 11Então partiram dali, da tribo dos daneus, de Zorá e de Estaol, seiscentos homens armados de armas de guerra. 12E subiram, e acamparam-se em Quiriate-Jearim,
18.12:
Js 15.60
em Judá; pelo que chamaram a este lugar Maamé-Dã, até ao dia de hoje; eis que está por detrás de Quiriate-Jearim. 13E dali passaram à montanha de Efraim; e vieram até
18.13:
Jz 18.2
à casa de Mica.

Os daneus levam da casa de Mica a imagem e o levita

14Então responderam os cinco homens, que foram espiar a terra de Laís, e disseram

18.14:
1Sm 14.28
a seus irmãos: Sabeis vós também que naquelas casas
18.14:
Jz 17.5
um éfode, e terafins, e uma imagem de escultura e uma de fundição? Vede pois agora o que haveis de fazer. 15Então foram para lá, e vieram à casa do mancebo, o levita, em casa de Mica, e o saudaram. 16E os seiscentos
18.16:
Jz 18.11
homens, que eram dos filhos de Dã, armados de suas armas de guerra, ficaram à entrada da porta. 17Porém subindo os cinco homens, que foram espiar a terra,
18.17:
Jz 17.4-5
18.2,14
entraram nela, e tomaram a imagem de escultura, o éfode, e os terafins, e a imagem de fundição, ficando o sacerdote em pé à entrada da porta, com os seiscentos homens que estavam armados com as armas de guerra. 18Entrando eles pois em casa de Mica, e tomando a imagem de escultura, e o éfode, e os terafins, e a imagem de fundição, disse-lhes o sacerdote: Que estais fazendo? 19E eles lhe disseram: Cala-te, põe
18.19:
Jz 17.10
Jó 21.5
29.9
40.4
Pv 30.32
Mq 7.16
a mão na boca, e vem conosco, e sê-nos por pai e sacerdote: é-te melhor que sejas sacerdote da casa dum só homem, do que ser sacerdote duma tribo e duma geração em Israel? 20Então alegrou-se o coração do sacerdote, e tomou o éfode, e os terafins, e a imagem de escultura: e entrou no meio do povo. 21Assim viraram, e partiram: e os meninos, e o gado, e a bagagem puseram diante de si. 22E, estando já longe da casa de Mica, os homens que estavam nas casas junto à casa de Mica, se reuniram e alcançaram os filhos de Dã. 23E clamaram após dos filhos de Dã, os quais viraram os seus rostos, e disseram a Mica: Que tens, que assim convocaste esse povo? 24Então ele disse: Os meus deuses, que eu fiz, me tomastes, juntamente com o sacerdote, e vos fostes; que mais me fica agora? Como pois me dizeis: Que é o que tens? 25Porém os filhos de Dã lhe disseram: Não nos faças ouvir a tua voz, para que porventura homens de ânimo amargoso não se lancem sobre vós, e tu percas a tua vida, e a vida dos da tua casa. 26Assim seguiram o seu caminho os filhos de Dã: e Mica, vendo que eram mais fortes do que ele, voltou, e tornou-se a sua casa. 27Eles pois tomaram o que Mica tinha feito, e o sacerdote que tivera, e vieram a Laís,
18.27:
Dt 33.22
Js 19.47
Jz 18.7,10
a um povo quieto e confiado, e os feriram ao fio da espada, e queimaram a cidade a fogo. 28E ninguém houve que os livrasse porquanto estavam longe de Sidom,
18.28:
Jz 18.7
e não tinham que fazer com ninguém, e a cidade estava no vale que está junto a Bete-Reobe:
18.28:
Nm 13.21
2Sm 10.6
depois reedificaram a cidade e habitaram nela. 29E chamaram o nome
18.29:
Gn 14.14
Js 19.47
Jz 20.1
1Rs 12.29-30
15.20
da cidade Dã, conforme ao nome de Dã, seu pai, que nascera a Israel: sendo porém dantes o nome desta cidade Laís. 30E os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem de escultura: e Jônatas, filho de Gérson, o filho de Manassés, ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo dos daneus, até
18.30:
Jz 13.1
1Sm 4.2-3,10-11
Sl 78.60-61
ao dia do cativeiro da terra. 31Assim pois a imagem de escultura, que fizera Mica, estabeleceram para si, todos os dias que a
18.31:
Js 18.1
Jz 19.18
21.12
casa de Deus esteve em Silo.