Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
14

O casamento de Sansão

141E DESCEU Sansão a

14.1:
Gn 34.2
38.13
Js 15.10
Timnata: e, vendo em Timnata a uma mulher das filhas dos filisteus, 2Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnata, das filhas dos filisteus; agora pois, tomai-ma
14.2:
Gn 21.21
34.4
por mulher. 3Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há porventura mulher entre as filhas de teus irmãos,
14.3:
Gn 24.3-4
34.14
Êx 34.16
Dt 7.3
nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. 4Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor;
14.4:
Js 11.20
1Rs 12.15
2Rs 6.33
2Cr 10.15
22.7
25.20
pois buscava ocasião contra os filisteus: porquanto naquele tempo os filisteus dominavam
14.4:
Jz 13.1
Dt 28.48
sobre Israel. 5Desceu pois Sansão com seu pai e com sua mãe a Timnata: e, chegando às vinhas de Timnata, eis que um filho de leão, bramando, lhe saiu ao encontro. 6Então o espírito do Senhor
14.6:
Jz 3.10
13.25
1Sm 11.6
se apossou dele tão possantemente que o fendeu de alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão: porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito. 7E desceu, e falou àquela mulher, e agradou aos olhos de Sansão. 8E depois de alguns dias voltou ele para a tomar: e, apartando-se do caminho a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão havia um enxame de abelhas com mel. 9E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo dele; e foi-se a seu pai e a sua mãe, e deu-lhes dele, e comeram, porém não lhes deu a saber que tomara o mel do corpo do leão. 10Descendo pois seu pai àquela mulher, fez Sansão ali um banquete: porque assim o costumavam fazer os mancebos. 11E sucedeu que, como o vissem, tomaram trinta companheiros para estarem com ele.

O enigma de Sansão

12Disse-lhes pois Sansão: Eu vos darei um enigma

14.12:
Gn 29.27
1Sm 10.1
Ez 17.2
Lc 14.7
a adivinhar e, se nos sete dias das bodas mo declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençóis e trinta mudas de vestidos. 13E, se mo não puderdes declarar, vós me dareis a mim os trinta lençóis e as trinta mudas de vestidos. E eles lhe disseram: Dá-nos o teu enigma a adivinhar, para que o ouçamos. 14Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte. E em três dias não puderam declarar o enigma. 15E sucedeu que, ao sétimo dia, disseram à mulher de Sansão: Persuade a teu marido
14.15:
Jz 15.6
16.5
que nos declare o enigma para que porventura não queimemos a fogo a ti e à casa de teu pai: chamastes-nos vós aqui para possuir o que é nosso, não é assim? 16E a mulher de Sansão chorou diante dele, e disse: Tão somente me aborreces, e não me amas;
14.16:
Jz 16.15
pois deste aos filhos do meu povo um enigma a adivinhar, e ainda mo não declaraste a mim. E ele lhe disse: Eis que nem a meu pai nem a minha mãe o declarei, e to declararia a ti? 17E chorou diante dele os sete dias em que celebravam as bodas: sucedeu pois que ao sétimo dia lho declarou, porquanto o importunava; então ela declarou o enigma aos filhos do seu povo. 18Disseram-lhe pois os homens daquela cidade, ao sétimo dia, antes de se pôr o sol: Que cousa há mais doce do que o mel? e que cousa há mais forte do que o leão? E ele lhes disse: Se vós não lavrásseis com a minha novilha, nunca teríeis descoberto o meu enigma. 19Então
14.19:
Jz 3.10
13.25
o espírito do Senhor tão possantemente se apossou dele, que desceu aos ascalonitas, e matou deles trinta homens, e tomou os seus vestidos, e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma: porém acendeu-se a sua ira, e subiu à casa de seu pai. 20E a mulher de Sansão foi dada ao
14.20:
Jz 15.2
Jo 3.29
seu companheiro, que o acompanhava.

15

Sansão põe fogo às searas dos filisteus

151E ACONTECEU, depois de alguns dias, que na sega do trigo Sansão visitou a sua mulher com um cabrito, e disse: Entrarei na câmara à minha mulher. Porém o pai dela não o deixou entrar. 2Porque disse seu pai: Por certo dizia eu que de todo a aborrecias:

15.2:
Jz 14.20
de sorte que a dei ao teu companheiro: porém não é sua irmã mais nova, mais formosa do que ela? toma-a pois em seu lugar. 3Então Sansão disse acerca deles: Inocente sou esta vez para com os filisteus, quando lhes fizer algum mal. 4E foi Sansão, e tomou trezentas raposas: e, tomando tições, as virou cauda a cauda, e lhes pôs um tição no meio de cada duas caudas. 5E chegou fogo aos tições, e largou-as na seara dos filisteus: e assim abrasou os molhos com a sega do trigo, e as vinhas com os olivais. 6Então disseram os filisteus: Quem fez isto? E disseram: Sansão, o genro de Timnata, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu companheiro. Então subiram os filisteus
15.6:
Jz 14.15
e queimaram a fogo a ela e a seu pai. 7Então lhes disse Sansão: Assim o havíeis de fazer? pois, havendo-me vingado eu de vós, então cessarei. 8E feriu-os com grande ferimento, perna juntamente com coxa: e desceu, e habitou no cume da rocha de Etã. 9Então os filisteus subiram, e acamparam-se contra Judá, e estenderam-se por
15.9:
Jz 15.19
Lequi.

Os homens de Judá amarram a Sansão

10E disseram os homens de Judá: Por que subistes contra nós? E eles disseram: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a ele como ele nos fez a nós. 11Então três mil homens de Judá desceram até à cova da rocha de Etã, e disseram a Sansão: Não sabias tu que

15.11:
Jz 14.4
os filisteus dominam sobre nós? por que pois nos fizeste isto? E ele lhes disse: Assim como eles me fizeram a mim, eu lhes fiz a eles. 12E disseram-lhe: Descemos para te amarrar, para te entregar nas mãos dos filisteus. Então Sansão lhes disse: Jurai-me que vós mesmos me não acometereis. 13E eles lhe falaram, dizendo: Não mas fortemente te amarraremos, e te entregaremos na sua mão; porém de maneira nenhuma te mataremos. E amarraram-no com duas cordas novas e fizeram-no subir da rocha.

Sansão fere mil homens com a queixada dum jumento

14E, vindo ele a Lequi, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando: porém

15.14:
Jz 3.10
14.6
o espírito do Senhor possantemente se apossou dele, e as cordas que ele tinha nos braços se tornaram como fios de linho que estão queimados do fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos. 15E achou uma queixada fresca dum jumento, e estendeu a sua mão, e, tomou-a, e feriu
15.15:
Lv 26.8
Js 23.10
Jz 3.31
com ela mil homens. 16Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento um montão, dois montões: com uma queixada de jumento feri a mil homens. 17E aconteceu que, acabando ele de falar, lançou a queixada da sua mão: e chamou àquele lugar 15.17: que significa o alto da queixadaRamate-Lequi. 18E como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse:
15.18:
Sl 3.7
Pela mão do teu servo tu deste esta grande salvação: morrerei eu pois agora de sede, e cairei na mão destes incircuncisos? 19Então o Senhor fendeu a caverna que estava em 15.19: que significa queixadaLequi; e saiu dela água, e bebeu; e o seu espírito tornou,
15.19:
Gn 45.27
Is 40.29
e reviveu: pelo que chamou o seu nome: A fonte do que clama, a qual está em Lequi até ao dia de hoje. 20E julgou a Israel,
15.20:
Jz 13.1
nos dias dos filisteus, vinte anos.

16

Sansão é traído por Dalila

161E FOI-SE Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ela. 2E foi dito aos gazitas: Sansão entrou

16.2:
At 9.24
aqui. Foram pois em roda, e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade: porém toda a noite estiveram sossegados, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos. 3Porém Sansão deitou-se até à meia-noite, e à meia-noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as ombreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebrom. 4E depois disto aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, cujo nome era Dalila. 5Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram: Persuade-o,
16.5:
Jz 14.15
Pv 2.16-19
5.3-11
6.24-26
7.21-23
e vê, em que consiste a sua grande força, e com que poderíamos assenhorear-nos dele e amarrá-lo, para assim o afligirmos: e te daremos cada um mil e cem 16.5: ou peçasmoedas de prata. 6Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir. 7Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete vergas de vimes frescos, que ainda não estivessem secos, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem. 8Então os príncipes dos filisteus lhe trouxeram sete vergas de vimes frescos, que ainda não estavam secos: e amarrou-o com elas. 9E os espias estavam assentados com ela numa câmara. Então ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. Então quebrou as vergas de vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se soube em que consistia a sua força. 10Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras; ora declara-me agora com que poderias ser amarrado. 11E ele lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem. 12Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com elas, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E os espias estavam assentados numa câmara. Então as quebrou de seus braços como um fio. 13E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me pois agora com que poderias ser amarrado? E ele lhe disse: Se teceres sete tranças dos cabelos da minha cabeça com os liços da teia. 14E ela as fixou com uma estaca, e disse-lhe: os Filisteus vêm sobre ti, Sansão. Então despertou do seu sono, e arrancou a estaca das tranças tecidas, juntamente com o liço da teia. 15Então ela lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor,
16.15:
Jz 14.16
não estando comigo o teu coração? já três vezes zombaste de mim, e ainda me não declaraste em que consiste a tua força. 16E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até à morte. 17E descobriu-lhe todo o seu coração,
16.17:
Nm 6.5
Mq 7.5
e disse-lhe: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como todos os mais homens. 18Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou, e chamou os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ela, e trouxeram o dinheiro na sua mão. 19Então ela o fez dormir
16.19:
Pv 7.26-27
sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça: e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força. 20E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me livrarei. Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado
16.20:
Nm 14.9,42-43
Js 7.12
1Sm 16.14
18.12
28.15-16
2Cr 15.2
dele. 21Então os filisteus pegaram nele, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e andava ele moendo no cárcere. 22E o cabelo da sua cabeça lhe começou a crescer, como quando foi rapado.

Sansão faz cair o templo de Dagom

23Então os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo. 24Semelhantemente, vendo-o o povo,

16.24:
Dn 5.4
louvavam ao seu deus: porque diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruía a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos. 25E sucedeu que, alegrando-se-lhes
16.25:
Jz 9.27
o coração, disseram: Chamai a Sansão, para que brinque diante de nós. E chamaram a Sansão do cárcere, e brincou diante deles, e fizeram-no estar em pé entre as colunas. 26Então disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Guia-me para que apalpe as colunas em que se sustém a casa, para que me encoste a elas. 27Ora estava a casa cheia de homens e mulheres: e também ali estavam todos os príncipes dos filisteus: e sobre o telhado havia alguns três mil homens e mulheres,
16.27:
Dt 22.8
que estavam vendo brincar Sansão. 28Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Senhor Jeová, peço-te que te lembres
16.28:
Jr 15.15
de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos. 29Abraçou-se pois Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, com a sua mão direita numa, e com a sua esquerda na outra. 30E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia: e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida. 31Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pai, e tomaram-no, e subiram com ele, e sepultaram-no
16.31:
Jz 13.25
entre Zorá e Estaol, no sepulcro de Manué, seu pai: e julgou ele a Israel vinte anos.