Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
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A primeira visão dos querubins

11E ACONTECEU no trigésimo ano, no quarto mês, no dia quinto do mês, que estando eu no meio dos cativos junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu vi visões de Deus. 2No quinto dia do mês (no quinto ano do cativeiro do rei Joaquim), 3Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor. 4Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, e uma grande nuvem, com um fogo a revolver-se; e um resplendor ao redor dela, e no meio uma cousa como de cor de âmbar, que saía dentre o fogo. 5E do meio dela saía a semelhança de quatro animais; e esta era a sua aparência: tinham a semelhança de um homem. 6E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. 7E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés como a planta do pé duma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido. 8E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas. 9Uniam-se as suas asas uma à outra; não se viravam quando andavam; cada qual andava diante do seu rosto. 10E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e à mão direita todos os quatro tinham rosto de leão, e à mão esquerda todos os quatro tinham rosto de boi; e também rosto de águia todos os quatro. 11E os seus rostos e as suas asas eram separados em cima; cada qual tinha duas asas juntas uma à outra, e duas cobriam os corpos deles. 12E cada qual andava diante do seu rosto; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam. 13E, quanto à semelhança dos animais, o seu parecer era como brasas de fogo ardentes, como uma aparência de tochas; o fogo corria por entre os animais, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos. 14E os animais corriam, e tornavam, à semelhança dos relâmpagos. 15E vi os animais: e eis que havia uma roda na terra junto aos animais, para cada um dos seus quatro rostos. 16O aspecto das rodas, e a obra delas, era como cor de turquesa; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda. 17Andando elas, andavam pelos quatro lados deles; não se viravam quando andavam. 18Estas rodas eram tão altas, que metiam medo; e as quatro tinham as suas cambas cheias de olhos ao redor. 19E, andando os animais, andavam as rodas ao pé deles: e, elevando-se os animais da terra, elevavam-se também as rodas. 20Para onde o espírito queria ir, iam; para onde o espírito tinha de ir; e as rodas se elevavam defronte deles, porque o espírito da criatura vivente estava nas rodas. 21Andando eles, andavam elas, e, parando eles, paravam elas e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas defronte deles porque o espírito dos animais estava nas rodas. 22E sobre as cabeças dos animais havia uma semelhança de firmamento, como um aspecto de cristal terrível, estendido por cima, sobre as suas cabeças. 23E debaixo do firmamento estavam as suas asas direitas, uma em direção à outra; cada um tinha duas que lhe cobriam o corpo de uma banda; e cada um tinha outras duas, que os cobriam da outra banda. 24E, andando eles, ouvi o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do Onipotente, a voz dum estrondo, como o estrépito de um exército; parando eles, abaixavam as suas asas. 25E ouviu-se uma voz por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças: parando eles, abaixavam as suas asas. 26E por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia uma semelhança de trono como duma safira; e sobre a semelhança do trono havia como que a semelhança dum homem, no alto, sobre ele. 27E vi como a cor de âmbar, como o aspecto do fogo pelo interior dele, desde a semelhança dos seus lombos, e daí para cima; e, desde a semelhança dos seus lombos, e daí para baixo, vi como a semelhança de fogo, e um resplendor ao redor dele. 28Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava.

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A vocação de Ezequiel. Visão do rolo de livro

21E DISSE-ME: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. 2Então entrou em mim o espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava. 3E disse-me: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até este mesmo dia. 4E os filhos são de semblante duro, e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Jeová. 5E eles, quer ouçam quer deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber que esteve no meio deles um profeta. 6E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que sejam sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com os seus rostos, porque são casa rebelde. 7Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes. 8Mas tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não sejas rebelde como a casa rebelde; abre a tua boca, e come o que eu te dou. 9Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim, e eis que nela estava um rolo de livro. 10E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele se achavam escritas lamentações, e suspiros e ais.