Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
16

Deus manda o maná

161E PARTIDOS de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois que saíram da terra do Egito. 2E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Aarão no deserto. 3E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas da carne, quando comíamos pão até fartar! porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão. 4Então disse o Senhor a Moisés. Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não. 5E acontecerá, ao sexto dia, que prepararão o que colherem: e será o dobro do que colhem cada dia. 6Então disse Moisés e Aarão a todos os filhos de Israel: À tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egito, 7E amanhã vereis a glória do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor; porque quem somos nós, para que murmureis contra nós? 8Disse mais Moisés: Isso será quando o Senhor à tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que murmurais contra ele: (porque quem somos nós?) As vossas murmurações não são contra nós, mas sim contra o Senhor. 9Depois disse Moisés a Aarão: Dize a toda a congregação dos filhos de Israel: Chegai-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações. 10E aconteceu que, quando falou Aarão a toda a congregação dos filhos de Israel, e eles se viraram para o deserto, eis que a glória do Senhor apareceu na nuvem.

Deus manda carne

11E o Senhor falou a Moisés, dizendo: 12Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel; fala-lhes, dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão: e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus. 13E aconteceu que à tarde subiram codornizes, e cobriram o arraial: e pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial. 14E, alçando-se o orvalho caído, eis que sobre a face do deserto estava uma cousa miúda, redonda; miúda como a geada sobre a terra. 15E, vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moisés: Este é o pão que o Senhor vos deu para comer. 16Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Colhei dele cada um conforme ao que pode comer, um gômer por cada cabeça, segundo o número das vossas almas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda. 17E os filhos de Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros menos. 18Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco: cada um colheu tanto quanto podia comer. 19E disse-lhes Moisés: Ninguém dele deixe para amanhã. 20Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, antes alguns deles deixaram dele para o dia seguinte; e aquele criou bichos, e cheirava mal; por isso indignou-se Moisés contra eles. 21Eles pois o colhiam cada manhã, cada um, conforme ao que podia comer; porque, aquecendo o sol, derretia-se. 22E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um: e todos os príncipes da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. 23E ele disse-lhes: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor: o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde em guarda para vós até amanhã. 24E guardaram-no até amanhã, como Moisés tinha ordenado: e não cheirou mal, nem nele houve algum bicho. 25Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor: hoje não o achareis no campo. 26Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. 27E aconteceu ao sétimo dia, que alguns do povo saíram para colher, mas não o acharam. 28Então disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? 29Vede, visto que o Senhor vos deu o sábado, por isso ele no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu lugar, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. 30Assim repousou o povo no sétimo dia. 31E chamou a casa de Israel o seu nome maná; e era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel. 32E disse Moisés: Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Encherás um gômer dele e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer neste deserto, quando eu vos tirei da terra do Egito. 33Disse também Moisés a Aarão: Toma um vaso, e mete nele um gômer cheio de maná, e põe-no diante do Senhor, em guarda para as vossas gerações. 34Como o Senhor tinha ordenado a Moisés, assim Aarão o pôs diante do Testemunho em guarda. 35E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entraram em terra habitada: comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã. 36E um gômer é a décima parte do efa.

17

A jornada pelo deserto de Sim e a falta de água

171DEPOIS toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo beber. 2Então contendeu o povo com Moisés, e disseram: Dá-nos água para beber. E Moisés lhes disse: Por que contendeis comigo? por que tentais ao Senhor? 3Tendo pois ali o povo sede de água, o povo murmurou contra Moisés, e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado? 4E clamou Moisés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? daqui a pouco me apedrejarão. 5Então disse o Senhor a Moisés: Passa diante do povo, e toma contigo alguns dos anciãos de Israel: e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio: vai. 6Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas, e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel. 7E chamou o nome daquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?

Amaleque peleja contra os israelitas

8Então veio Amaleque, e pelejou contra Israel em Refidim. 9Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra Amaleque: amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão. 10E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque: mas Moisés, Aarão, e Hur subiram ao cume do outeiro. 11E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia: mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. 12Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela: e Aarão e Hur sustentaram as suas mãos, um duma banda, e o outro da outra; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pôs. 13E assim Josué desfez a Amaleque, e a seu povo, ao fio da espada. 14Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. 15E Moisés edificou um altar, e chamou o seu nome, o Senhor é minha bandeira. 16E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração.

18

O sogro de Moisés traz-lhe sua mulher e seus filhos

181ORA Jetro, sacerdote de Midiã, sogro de Moisés, ouviu todas as cousas que Deus tinha feito a Moisés e a Israel seu povo: como o Senhor tinha tirado a Israel do Egito. 2E Jetro, sogro de Moisés, tomou a Zípora, a mulher de Moisés, depois que ele lha enviara, 3Com seus dois filhos, dos quais um se chamava Gérson; porque disse: Eu fui peregrino em terra estranha; 4E o outro se chamava Eliézer; porque disse: o Deus de meu pai foi minha ajuda, e me livrou da espada de Faraó. 5Vindo pois Jetro, o sogro de Moisés, com seus filhos e com sua mulher, a Moisés no deserto, ao monte de Deus, onde se tinha acampado, 6Disse a Moisés: Eu, teu sogro Jetro, venho a ti, com tua mulher, e seus dois filhos com ela. 7Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda. 8E Moisés contou a seu sogro todas as cousas que o Senhor tinha feito a Faraó e aos egípcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram no caminho, e como o Senhor os livrara. 9E alegrou-se Jetro de todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egípcios. 10E Jetro disse: Bendito seja o Senhor, que vos livrou das mãos dos egípcios e da mão de Faraó; que livrou a este povo de debaixo da mão dos egípcios. 11Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses; porque na cousa em que se ensoberbeceram, os sobrepujou. 12Então tomou Jetro, o sogro de Moisés, holocausto e sacrifícios para Deus; e veio Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés diante de Deus. 13E aconteceu que, ao outro dia, Moisés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde. 14Vendo pois o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto, que tu fazes ao povo? por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até à tarde? 15Então disse Moisés a seu sogro: É porque este povo vem a mim, para consultar a Deus: 16Quando tem algum negócio vem a mim, para que eu julgue entre um e outro, e lhes declare os estatutos de Deus, e as suas leis. 17O sogro de Moisés porém lhe disse: Não é bom o que fazes. 18Totalmente desfalecerás, assim tu, como este povo que está contigo: porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer. 19Ouve agora a minha voz; eu te aconselharei, e Deus será contigo: Sê tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as cousas a Deus; 20E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que devem fazer. 21E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez; 22Para que julguem este povo em todo o tempo, e seja que todo o negócio grave tragam a ti, mas todo o negócio pequeno eles o julguem; assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo. 23Se isto fizeres, e Deus to mandar, poderás então subsistir: assim também todo este povo em paz virá ao seu lugar. 24E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro e fez tudo quanto tinha dito; 25E escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez. 26E eles julgaram o povo em todo o tempo; o negócio árduo trouxeram a Moisés, e todo o negócio pequeno julgaram eles. 27Então despediu Moisés o seu sogro, o qual se foi à sua terra.