Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
2

Assuero casa com Ester

21PASSADAS estas cousas, e apaziguado já o furor do rei Assuero, lembrou-se de Vasti, e do que fizera, e do que se tinha decretado

2.1:
Et 1.19-20
a seu respeito. 2Então disseram os mancebos do rei que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens, formosas à vista. 3E ponha o rei comissários em todas as províncias do seu reino, que reúnam todas as moças virgens, formosas à vista, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, debaixo da mão de Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres, e deem-se-lhes os seus enfeites. 4E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e assim fez. 5Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita, 6Que
2.6:
2Rs 24.14-15
2Cr 36.10,20
Jr 24.1
fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de Babilônia. 7Este criara a
2.7:
Et 2.15
Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era moça bela de parecer, e formosa à vista; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha. 8Sucedeu pois que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, e ajuntando-se muitas moças na fortaleza de
2.8:
Et 2.3
Susã, debaixo da mão de Hegai, também levaram Ester à casa do rei, debaixo da mão de Hegai, guarda das mulheres. 9E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante ele; pelo que se apressou
2.9:
Et 2.3,12
a dar-lhe os seus enfeites, e os seus alimentos, como também em lhe dar sete moças de respeito da casa do rei; e a fez passar com as suas moças ao melhor lugar da casa das mulheres. 10Ester
2.10:
Et 2.20
porém não declarou o seu povo e a sua parentela; porque Mardoqueu lhe tinha ordenado que o não declarasse. 11E passeava Mardoqueu cada dia diante do pátio da casa das mulheres, para se informar de como Ester passava, e do que lhe sucederia. 12E, chegando já a vez de cada moça, para vir ao rei Assuero, depois que fora feito a cada uma segundo a lei das mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias das suas purificações, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias, e com as cousas para a purificação das mulheres). 13Desta maneira pois entrava a moça ao rei; tudo quanto ela desejava se lhe dava, para ir da casa das mulheres à casa do rei; 14À tarde entrava, e pela manhã tornava à segunda casa das mulheres, debaixo da mão de Saazgaz, eunuco do rei, guarda das concubinas; não tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e fosse chamada por nome. 15Chegando pois a vez de Ester, filha
2.15:
Et 2.7
de Abigail, tio de Mardoqueu (que a tomara por sua filha), para ir ao rei, cousa nenhuma pediu, senão o que disse Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres; e alcançava Ester graça aos olhos de todos quantos a viam. 16Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado. 17E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens: e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti. 18Então o rei fez um grande convite a
2.18:
Et 1.3
todos os seus príncipes e aos seus servos para a festa de Ester; e deu repouso às províncias, e fez presentes segundo o estado do rei. 19E reunindo-se segunda vez as virgens,
2.19:
Et 2.21
3.2
Mardoqueu estava assentado à porta do rei. 20Ester
2.20:
Et 2.10
porém não declarava a sua parentela e o seu povo, como Mardoqueu lhe ordenara; porque Ester cumpria o mandado de Mardoqueu, como quando a criara.

Mardoqueu descobre uma conspiração

21Naqueles dias, assentando-se Mardoqueu à porta do rei, dois eunucos do rei, dos guardas da porta, Bigtã e Teres, grandemente se indignaram, e procuraram pôr as mãos no rei Assuero. 22E veio isto ao conhecimento de Mardoqueu

2.22:
Et 6.2
e ele o fez saber à rainha Ester, e Ester o disse ao rei, em nome de Mardoqueu. 23E inquiriu-se o negócio, e se descobriu, e ambos foram enforcados numa forca; e foi escrito
2.23:
Et 6.1
nas crônicas perante o rei.

3

Hamã é exaltado, e cria ódio a Mardoqueu

31DEPOIS destas cousas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata,

3.1:
Nm 24.7
1Sm 15.8
agagita, e o exaltou; e pôs o seu lugar acima de todos os príncipes que estavam com ele. 2E todos os servos do rei, que estavam
3.2:
Et 2.19
à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei acerca dele; porém Mardoqueu
3.2:
Et 3.5
não se inclinava nem se prostrava. 3Então os servos do rei, que estavam à porta do rei, disseram a Mardoqueu: Por que traspassas o
3.3:
Et 3.2
mandado do rei? 4Sucedeu pois que, dizendo-lhe eles isto de dia em dia, e não lhes dando ele ouvidos, o fizeram saber a Hamã, para verem se as palavras de Mardoqueu se sustentariam, porque ele lhes tinha declarado que era judeu. 5Vendo pois
3.5:
Et 3.2
5.9
Dn 3.19
Hamã que Mardoqueu se não inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. 6Porém em seus olhos teve em pouco o pôr as mãos só em Mardoqueu (porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueu); Hamã pois procurou destruir a todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero, ao povo de Mardoqueu.

Hamã pretende matar todos os judeus

7No primeiro mês (que é o mês de nisã), no ano duodécimo do rei Assuero, se lançou Pur, isto

3.7:
Et 9.24
é, a sorte, perante Hamã, de dia em dia, e de mês em mês, até ao duodécimo mês, que é o mês de adar. 8E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo,
3.8:
Ed 4.13
At 16.20
cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumpre as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixá-lo ficar. 9Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei. 10Então tirou o rei
3.10:
Gn 41.42
Et 8.2,8
o anel da sua mão, e o deu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus. 11E disse o rei a Hamã: Essa prata te é dada, como também esse povo, para fazeres dele o que bem parecer aos teus olhos. 12Então
3.12:
Et 8.9
chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo, e conforme a tudo quanto Hamã mandou se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província e aos principais de cada povo; a cada província segundo a sua escritura, e a cada povo segundo
3.12:
Et 1.22
8.9
a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. 13E as cartas se enviaram pela mão
3.13:
1Rs 21.8
Et 8.8,10,12
dos correios a todas as províncias do rei, que destruíssem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeus desde o moço até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é mês de adar),
3.13:
Et 8.11
e que saqueassem o seu despojo. 14Uma cópia
3.14:
Et 8.13-14
do escrito para que se proclamasse a lei em cada província, foi enviada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquele dia. 15Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã
3.15:
Et 8.15
Pv 29.2
estava confusa.

4

A consternação e tristeza dos judeus

41QUANDO Mardoqueu soube tudo quanto se havia passado,

4.1:
Gn 27.34
Js 7.6
2Sm 1.11
Ez 27.30
rasgou Mardoqueu os seus vestidos, e vestiu-se de um saco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor; 2E chegou até diante da porta do rei; porque ninguém vestido de saco podia entrar pelas portas do rei. 3E em todas as províncias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos estavam deitados em saco e em cinza. 4Então vieram as moças de Ester, e os seus eunucos, e fizeram-lhe saber, do que a rainha muito se doeu; e mandou vestidos para vestir a Mardoqueu, e tirar-lhe o seu saco; porém ele os não aceitou. 5Então Ester chamou a Hataque (um dos eunucos do rei, que este, tinha posto na presença dela) e deu-lhe mandado para Mardoqueu, para saber, que era aquilo, e para quê. 6E, saindo Hataque a Mardoqueu, à praça da cidade que estava diante da porta do rei. 7Mardoqueu lhe fez saber tudo quanto lhe tinha sucedido; como também a oferta
4.7:
Et 3.9
da prata, que Hamã dissera que daria para os tesouros do rei, pelos judeus para os lançar a perder. 8Também lhe deu a cópia da lei escrita
4.8:
Et 3.14-15
que se publicara em Susã para os destruir, para a mostrar a Ester, e lha fazer saber; e para lhe ordenar que fosse ter com o rei, e lhe pedisse e suplicasse na sua presença pelo seu povo. 9Veio pois Hataque e fez saber a Ester as palavras de Mardoqueu. 10Então disse Ester a Hataque, e mandou-lhe dizer a Mardoqueu: 11Todos os servos do rei, e o povo das províncias do rei bem sabem que todo o homem ou mulher que entrar ao rei, no pátio interior,
4.11:
Et 5.1-2
8.4
Dn 2.9
sem ser chamado não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para que viva; e eu estes trinta dias não sou chamada para entrar ao rei. 12E fizeram saber a Mardoqueu as palavras de Ester. 13Então disse Mardoqueu que tornassem a dizer a Ester: Não imagines em teu ânimo que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeus. 14Porque se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? 15Então disse Ester que tornassem a dizer a Mardoqueu: 16Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por
4.16:
Et 3.5
três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço. 17Então Mardoqueu foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou.