Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
9

As mesmas cousas sucedem aos justos e injustos. Gozemos os bens que Deus nos dá

91DEVERAS revolvi todas estas cousas no meu coração, para claramente entender tudo isto:

9.1:
Ec 8.14
que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também que o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante a sua face. 2Tudo
9.2:
Jó 21.7
Ml 3.15
sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio: ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica: assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. 3Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo; que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; que há desvarios no seu coração, na sua vida, e que depois se vão aos mortos. 4Ora, para o que acompanha com todos os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). 5Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem cousa nenhuma, nem tão pouco eles têm jamais recompensa,
9.5:
Jó 7.8-10
Is 26.14
mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. 6Até o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em cousa alguma do que se faz debaixo do sol. 7Vai, pois, come com alegria o teu pão
9.7:
Ec 8.15
e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. 8Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. 9Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta é a tua porção nesta vida, e do teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol. 10Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.

A sabedoria é muitas vezes mais útil aos outros do que àquele que a possui

11Voltei-me,

9.11:
Jr 9.23
Am 2.14-15
e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sábios o pão, nem ainda dos prudentes a riqueza, nem dos entendidos o favor, mas que o tempo e a sorte pertencem a todos. 12Que também
9.12:
Ec 8.7
o homem não conhece o seu tempo; como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço,
9.12:
Pv 29.6
Lc 12.20,39
17.26
1Ts 5.3
assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles. 13Também vi sabedoria debaixo do sol, que foi para mim grande: 14Houve
9.14:
2Sm 20.16-22
uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes tranqueiras: 15E vivia nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava daquele pobre homem. 16Então disse eu:
9.16:
Pv 21.22
24.5
Ec 7.19
9.18
Mc 6.2-3
Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. 17As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. 18Melhor
9.18:
Js 7.1,11-12
Ec 9.16
é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um pecador destrói muitos bens.

10

A loucura é a causa de muitas desgraças

101ASSIM como a mosca morta faz 10.1: Hebr. feder e corromperexalar mau cheiro e inutilizar o unguento do perfumador, assim é para o famoso em sabedoria e em honra uma pouca de estultícia. 2O coração do sábio está à sua mão direita mas o coração do tolo está à sua esquerda. 3E, até quando o tolo vai pelo caminho, lhe falta entendimento

10.3:
Pv 13.16
18.2
e diz a todos que é tolo. 4Levantando-se contra ti o espírito do governador,
10.4:
Ec 8.3
não deixes o teu lugar, porque o acordo é um remédio que aquieta grandes pecados. 5Ainda há um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede do governador. 6Ao tolo
10.6:
Et 3.1
assentam-no em grandes alturas, mas os ricos estão assentados em lugar baixo. 7Vi os servos
10.7:
Pv 19.10
30.22
a cavalo, e os príncipes que andavam a pé como servos sobre a terra. 8Quem
10.8:
Pv 26.27
fizer uma cova cairá nela, e, quem romper um muro, uma cobra o morderá. 9Quem acarretar pedras, será maltratado por elas, e o que rachar lenha expõe-se ao perigo. 10Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se devem pôr mais forças; mas a sabedoria é excelente para dirigir. 11Se a cobra
10.11:
Pv 10.32
12.13
Jr 8.17
morder antes de estar encantada, então remédio nenhum haverá no mais hábil encantador. 12Nas palavras
10.12:
Pv 10.14
18.7
da boca do sábio favor, mas os lábios do tolo o devoram. 13O princípio das palavras da sua boca é a estultícia, e o fim da sua boca um desvario péssimo. 14Bem que
10.14:
Pv 15.2
Ec 3.22
8.7
o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que será; e quem lhe fará saber o que será depois dele? 15O trabalho dos tolos a cada um deles fatiga, pois não sabem como ir à cidade. 16Ai de ti,
10.16:
Is 3.4-5,12
5.11
ó terra, cujo rei é criança, e cujos príncipes comem de manhã. 17Bem-aventurada tu, ó terra, cujo rei é filho dos nobres,
10.17:
Pv 31.4
e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças, e não para bebedice. 18Pela muita preguiça se 10.18: ou enfraquecem as vigasenfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa. 19Para rir se fazem convites, e o vinho alegra a vida, e por tudo o dinheiro responde. 20Nem
10.20:
Êx 22.28
At 23.5
ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tão pouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico: porque as aves dos céus levariam a voz, e o que tem asas daria notícia da palavra.

11

Façamos o que é bom no tempo oportuno

111LANÇA o

11.1:
Pv 19.17
Is 32.20
Mt 10.42
2Co 9.8
Gl 6.9-10
teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. 2Reparte
11.2:
Mq 5.5
Lc 6.30
Ef 5.16
1Tm 6.18-19
com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra. 3Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará. 4Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. 5Assim como tu não sabes
11.5:
Jo 3.8
qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as cousas. 6Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará: se esta, se aquela, ou se ambas igualmente serão boas. 7Verdadeiramente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol. 8Mas se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade. 9Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e
11.9:
Ec 12.14
Rm 2.6-11
anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos: sabe, porém, que por todas estas cousas te trará Deus a juízo. 10Afasta pois a ira do teu coração,
11.10:
2Co 7.1
2Tm 2.22
e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade.

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