Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
27

Paulo é mandado para Itália; o naufrágio do navio

271E, COMO se determinou

27.1:
At 25.12
que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião, por nome Júlio, da coorte augusta. 2E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco
27.2:
At 19.29
Aristarco, macedônio, de Tessalônica. 3E chegamos no dia seguinte a Sidom, e Júlio, tratando
27.3:
At 24.23
28.16
Paulo humanamente, lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele. 4E, partindo dali, fomos navegando abaixo de Chipre, porque os ventos eram contrários. 5E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra, na Lícia. 6E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Itália, nos fez embarcar nele. 7E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. 8E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia. 9E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois também o jejum já tinha passado,
27.9:
Lv 23.27,29
Paulo os admoestava, 10Dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas. 11Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo. 12E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fênix, que é um ponto de Creta que olha para a banda do vento 27.12: Gr. sudeste e nordesteda África e do Coro, e invernar ali. 13E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta. 14Mas não muito depois deu nela um pé de vento, chamado euro-aquilão. 15E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. 16E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas pudemos ganhar o batel. 17E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa. 18E, andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte aliviaram o navio. 19E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas próprias mãos,
27.19:
Jn 1.5
lançamos ao mar a armação do navio. 20E, não aparecendo, havia muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos. 21E, havendo já muito que se não comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perdição. 22Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. 23Porque esta mesma noite o anjo de Deus,
27.23:
At 23.11
Dn 6.16
Rm 1.9
2Tm 1.3
de quem eu sou, e a quem sirvo esteve comigo, 24Dizendo: Paulo, não temas: importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. 25Portanto, ó varões, tende bom ânimo:
27.25:
Lc 1.45
Rm 4.20-21
2Tm 1.12
porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. 26É contudo necessário
27.26:
At 28.1
irmos dar numa ilha. 27E, quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de uma e outra banda no mar Adriático, lá pela meia-noite suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. 28E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças. 29E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia. 30Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e tendo já deitado o batel ao mar, como que querendo lançar as âncoras pela proa, 31Disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos. 32Então os soldados cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair. 33E, entretanto que o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. 34Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde;
27.34:
1Rs 1.52
Mt 10.30
Lc 12.7
21.18
porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós. 35E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças
27.35:
1Sm 9.13
Mt 15.36
Mc 8.6
Jo 6.11
1Tm 4.3-4
a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer. 36E, tendo já todos bom ânimo, puseram-se também a comer. 37E éramos por todos no navio duzentas
27.37:
At 2.41
7.14
Rm 13.1
1Pe 3.20
e setenta e seis almas. 38E, refeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar. 39E, sendo já dia, não conheceram a terra; enxergaram porém uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio. 40E, levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia. 41Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio;
27.41:
2Co 11.25
e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas. 42Então a ideia dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado. 43Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra; 44E os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu
27.44:
At 27.22
que todos chegaram à terra, a salvo.