Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
25

Paulo comparece perante Festo e apela para César

251ENTRANDO pois Festo na província, subiu dali a três dias de Cesareia a Jerusalém. 2E o sumo sacerdote e

25.2:
At 24.1
25.15
os principais dos judeus compareceram perante ele contra Paulo, e lhe rogaram, 3Pedindo como favor contra ele que o fizesse vir a Jerusalém,
25.3:
At 23.12,15
armando ciladas para o matarem no caminho. 4Mas Festo respondeu que Paulo estava guardado em Cesareia, e que ele brevemente partiria para lá. 5Os que pois, disse, dentre vós têm poder, desçam
25.5:
At 18.14
25.18
comigo e, se neste varão houver algum crime, acusem-no. 6E, não se demorando entre eles mais de dez dias, desceu a Cesareia; e no dia seguinte assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem Paulo. 7E, chegando ele, o rodearam os judeus que haviam descido de Jerusalém,
25.7:
Mc 15.3
Lc 23.2,10
At 24.5,13
trazendo contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar. 8Mas ele, em sua defesa, disse: Eu não pequei em coisa alguma
25.8:
At 6.13
24.12
28.17
contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. 9Todavia Festo,
25.9:
At 24.27
25.20
querendo comprazer aos judeus, respondendo a Paulo, disse: Queres tu subir a Jerusalém, e ser lá perante mim julgado acerca destas coisas? 10Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde convém que seja julgado; não fiz agravo algum aos judeus, como tu muito bem sabes. 11Se fiz
25.11:
At 18.14
23.29
25.25
26.31
algum agravo, ou cometi alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas, se nada há das coisas de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles;
25.11:
At 26.32
28.19
apelo para César. 12Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César? para César irás. 13E, passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesareia, a saudar Festo. 14E, como ali ficassem muitos dias, Festo contou ao rei os negócios de Paulo,
25.14:
At 24.27
dizendo: Um certo varão foi deixado por Félix aqui preso, 15Por cujo
25.15:
At 25.2-3
respeito os principais dos sacerdotes e os anciãos dos judeus estando eu em Jerusalém, compareceram perante mim, pedindo sentença contra ele. 16Aos quais respondi
25.16:
At 25.4-5
não ser costume dos romanos entregar algum homem à morte, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores, e possa defender-se da acusação. 17De sorte que, chegando eles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação
25.17:
At 25.6
alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem.

Paulo perante o rei Agripa

18Acerca do qual, estando presentes os acusadores, nenhuma coisa apontaram daquelas que eu suspeitava. 19Tinham, porém, contra ele algumas questões

25.19:
At 18.15
23.29
acerca de sua superstição, e de um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver. 20E, estando eu perplexo acerca da inquirição desta causa, disse se queria ir a Jerusalém, e lá ser julgado acerca destas coisas. 21E, apelando Paulo para que fosse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o envie a César. 22Então
25.22:
At 9.15
Agripa disse a Festo: Bem quisera eu ouvir também esse homem. E ele disse: Amanhã o ouvirás. 23E, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, entraram no auditório com os tribunos e varões principais da cidade, sendo trazido Paulo por mandado de Festo. 24E Festo disse: Rei Agripa, e todos os varões que estais presentes conosco: aqui vedes um homem de que toda
25.24:
At 25.2-3,7
22.22
a multidão dos judeus me tem falado, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convém que viva mais. 25Mas, achando eu que nenhuma coisa
25.25:
At 23.9,29
25.11-12
26.31
digna de morte fizera, e apelando ele mesmo também para Augusto, tenho determinado enviar-lho. 26Do qual não tenho coisa alguma certa que escreva ao meu senhor, e por isso perante vós o trouxe, principalmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de interrogado, tenha alguma coisa que escrever. 27Porque me parece contra a razão enviar um preso, e não notificar contra ele as acusações.

26

261DEPOIS Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: 2Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; 3Mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência. 4A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus a sabem. 5Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais

26.5:
At 22.3
23.6
24.15,21
Fp 3.5
severa seita da nossa religião, vivi fariseu. 6E agora pela esperança
26.6:
At 23.6
Gn 3.15
49.10
Dt 18.15
Is 4.2
7.14
40.10
Ez 34.23
Dn 9.24
Tt 2.13
da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. 7À qual as nossas doze tribos esperam
26.7:
Tg 1.1
Lc 2.37
1Tm 5.5
Fp 3.11
chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. 8Pois quê? julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? 9Bem
26.9:
Jo 16.2
1Tm 1.13
tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus nazareno devia eu praticar muitos atos; 10O que também fiz em Jerusalém.
26.10:
At 8.3
Gl 1.13
E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. 11E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas,
26.11:
At 22.19
os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. 12Sobre o que, indo então a Damasco,
26.12:
At 9.3
22.6
com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, 13Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. 14E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. 15E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; 16Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro
26.16:
At 22.15
e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; 17Livrando-te deste povo,
26.17:
At 22.21
e dos gentios, a quem agora te envio, 18Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz,
26.18:
Is 35.5
42.7
Ef 1.18
Lc 1.79
2Co 6.14
1Ts 5.5
1Pe 2.9,25
Cl 1.12
e do poder de Satanás a Deus: a fim de que recebam a remissão dos pecados, e sorte entre os santificados pela fé em mim. 19Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. 20Antes anunciei
26.20:
At 9.20,22,29
11.26
primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras
26.20:
Mt 3.8
dignas de arrependimento. 21Por causa disto os judeus lançaram
26.21:
At 21.30-31
mão de mim no templo, e procuraram matar-me. 22Mas, alcançando
26.22:
Lc 24.27,44
At 24.14
28.23
Rm 3.21
Jo 5.46
socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, 23Isto é, que o Cristo
26.23:
Lc 24.26,46
1Co 15.20
Cl 1.18
Ap 1.5
Lc 2.32
devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios. 24E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz:
26.24:
2Rs 9.11
Jo 10.20
1Co 1.23
2.13-14
4.10
Estás louco, Paulo: as muitas letras te fazem delirar. 25Mas ele disse: Não deliro ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo. 26Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. 27Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês. 28E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão! 29E disse Paulo:
26.29:
1Co 7.7
Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. 30E, dizendo ele isto, se levantou o rei, e o presidente, e Berenice, e os que com eles estavam assentados. 31E apartando-se dali, falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno
26.31:
At 23.9,29
25.25
de morte ou de prisões. 32E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se
26.32:
At 25.11
este homem, se não houvera apelado para César.

27

Paulo é mandado para Itália; o naufrágio do navio

271E, COMO se determinou

27.1:
At 25.12
que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião, por nome Júlio, da coorte augusta. 2E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco
27.2:
At 19.29
Aristarco, macedônio, de Tessalônica. 3E chegamos no dia seguinte a Sidom, e Júlio, tratando
27.3:
At 24.23
28.16
Paulo humanamente, lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele. 4E, partindo dali, fomos navegando abaixo de Chipre, porque os ventos eram contrários. 5E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra, na Lícia. 6E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Itália, nos fez embarcar nele. 7E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. 8E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia. 9E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois também o jejum já tinha passado,
27.9:
Lv 23.27,29
Paulo os admoestava, 10Dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas. 11Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo. 12E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fênix, que é um ponto de Creta que olha para a banda do vento 27.12: Gr. sudeste e nordesteda África e do Coro, e invernar ali. 13E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta. 14Mas não muito depois deu nela um pé de vento, chamado euro-aquilão. 15E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. 16E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas pudemos ganhar o batel. 17E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa. 18E, andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte aliviaram o navio. 19E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas próprias mãos,
27.19:
Jn 1.5
lançamos ao mar a armação do navio. 20E, não aparecendo, havia muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos. 21E, havendo já muito que se não comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perdição. 22Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. 23Porque esta mesma noite o anjo de Deus,
27.23:
At 23.11
Dn 6.16
Rm 1.9
2Tm 1.3
de quem eu sou, e a quem sirvo esteve comigo, 24Dizendo: Paulo, não temas: importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. 25Portanto, ó varões, tende bom ânimo:
27.25:
Lc 1.45
Rm 4.20-21
2Tm 1.12
porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. 26É contudo necessário
27.26:
At 28.1
irmos dar numa ilha. 27E, quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de uma e outra banda no mar Adriático, lá pela meia-noite suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. 28E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças. 29E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia. 30Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e tendo já deitado o batel ao mar, como que querendo lançar as âncoras pela proa, 31Disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos. 32Então os soldados cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair. 33E, entretanto que o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. 34Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde;
27.34:
1Rs 1.52
Mt 10.30
Lc 12.7
21.18
porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós. 35E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças
27.35:
1Sm 9.13
Mt 15.36
Mc 8.6
Jo 6.11
1Tm 4.3-4
a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer. 36E, tendo já todos bom ânimo, puseram-se também a comer. 37E éramos por todos no navio duzentas
27.37:
At 2.41
7.14
Rm 13.1
1Pe 3.20
e setenta e seis almas. 38E, refeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar. 39E, sendo já dia, não conheceram a terra; enxergaram porém uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio. 40E, levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia. 41Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio;
27.41:
2Co 11.25
e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas. 42Então a ideia dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado. 43Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra; 44E os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu
27.44:
At 27.22
que todos chegaram à terra, a salvo.

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