Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
21

Paulo chega a Jerusalém, e é preso no templo

211E ACONTECEU que, separando-nos deles, navegamos e fomos correndo caminho direito, e chegamos a Coos, e no dia seguinte a Rodes, de onde passamos a Pátara. 2E, achando um navio, que ia para a Fenícia, embarcamos nele, e partimos. 3E, indo à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, navegamos para a Síria e chegamos a Tiro; porque o navio havia de ser descarregado ali. 4E, achando discípulos, ficamos ali sete dias: os quais pelo Espírito diziam a

21.4:
At 20.23
21.12
Paulo que não subisse a Jerusalém. 5E, havendo passado ali aqueles dias, saímos, e seguimos nosso caminho, acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos até fora da cidade; e, postos de joelhos
21.5:
At 20.36
na praia, oramos. 6E, saudando-nos uns aos outros, subimos ao navio;
21.6:
Jo 1.11
e eles voltaram para suas casas. 7E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida; e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia. 8E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia: e, entrando em casa de Filipe,
21.8:
Ef 4.11
2Tm 4.5
At 6.5
8.26,40
o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. 9E tinha este quatro filhas donzelas,
21.9:
Jl 2.28
At 2.17
que profetizavam. 10E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judeia um profeta, por nome
21.10:
At 11.28
Ágabo; 11E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os
21.11:
At 20.23
21.33
judeus em Jerusalém o varão de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios. 12E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. 13Mas Paulo respondeu:
21.13:
At 20.24
Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. 14E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos dizendo:
21.14:
Mt 6.10
26.42
Lc 11.2
22.42
Faça-se a vontade do Senhor. 15E depois daqueles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalém. 16E foram também conosco alguns discípulos de Cesareia, levando consigo um certo Mnasom, chíprio, discípulo antigo, com quem havíamos de hospedar-nos. 17E, logo que chegamos
21.17:
At 15.4
a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. 18E no dia seguinte Paulo entrou conosco em casa de Tiago,
21.18:
At 15.13
Gl 1.19
2.9
e todos os anciãos vieram ali. 19E, havendo-os saudado,
21.19:
At 15.4,12
1.17
20.24
Rm 15.18-19
contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. 20E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem,
21.20:
At 22.3
Rm 10.2
Gl 1.14
e todos são zeladores da lei. 21E acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei. 22Que faremos pois? em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo. 23Faze pois isto que te dizemos: Temos quatro varões que fizeram voto. 24Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça,
21.24:
Nm 6.2,13,18
At 18.18
e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei. 25Todavia, quanto aos que creem dos gentios, nós havemos
21.25:
At 15.20,29
escrito, e achado por bem, que nada disto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos ídolos, e do sangue, e do sufocado e da prostituição. 26Então Paulo, tomando consigo aqueles varões, entrou no dia seguinte
21.26:
At 24.18
Nm 6.13
no templo, já santificado com eles, anunciando serem cumpridos os dias da purificação; e ficou ali até se oferecer por cada um deles a oferta. 27E quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus
21.27:
At 24.18
26.21
da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, 28Clamando: Varões israelitas, acudi: este é o homem
21.28:
At 24.5-6
que por todas as partes ensina a todos, contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar. 29Porque tinham visto com ele na cidade a
21.29:
At 20.4
Trófimo d’Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo. 30E alvoroçou-se toda a cidade,
21.30:
At 26.21
e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. 31E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão. 32O qual, tomando logo consigo soldados
21.32:
At 23.27
24.7
e centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo. 33Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu e o mandou atar com duas cadeias,
21.33:
At 20.23
21.11
e lhe perguntou quem era e o que tinha feito. 34E na multidão uns clamavam duma maneira, outros doutra; mas, como nada podia saber ao certo, por causa do alvoroço, mandou conduzi-lo para a fortaleza. 35E sucedeu que, chegando às escadas, os soldados tiveram de lhe pegar por causa da violência da multidão; 36Porque a multidão do povo o seguia, clamando:
21.36:
Lc 23.18
Jo 19.15
At 22.22
Mata-o. 37E, quando iam a introduzir Paulo na fortaleza, disse Paulo ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? E ele disse: Sabes o grego? 38Não és tu porventura aquele egípcio
21.38:
At 5.36
que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores? 39Mas Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu,
21.39:
At 9.11
22.3
cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. 40E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão
21.40:
At 12.17
ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo:

22

Discurso de Paulo em sua defesa

221VARÕES irmãos e pais,

22.1:
At 7.2
ouvi agora a minha defesa perante vós. 2(E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E disse: 3Quanto a mim, sou varão
22.3:
At 21.39
Fp 3.5
Dt 33.3
2Rs 4.38
Gl 1.14
Rm 10.2
judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois. 4E persegui este caminho até à morte,
22.4:
At 8.3
26.9-11
Fp 3.6
1Tm 1.13
prendendo, e metendo em prisões, tanto varões como mulheres, 5Como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos
22.5:
Lc 22.66
At 4.5
9.2
anciãos: e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer maniatados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados. 6Ora aconteceu
22.6:
At 9.3
26.12-13
que, indo eu de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. 7E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 8E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus nazareno, a quem tu persegues. 9E os que estavam
22.9:
Dn 10.7
At 9.7
comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo. 10Então disse eu: Senhor que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te, e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer. 11E, como eu não via, por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo, e cheguei a Damasco. 12E um certo Ananias,
22.12:
At 9.17
10.22
1Tm 3.7
varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, 13Vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. 14E ele disse:
22.14:
At 3.13-14
5.30
7.52
9.15
26.16
1Co 9.1
11.23
15.8
Gl 1.12
O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca. 15Porque hás de ser
22.15:
At 4.20
23.11
26.16
sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. 16E agora
22.16:
At 2.38
9.14
Hb 10.22
Rm 10.13
por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor. 17E aconteceu que,
22.17:
At 9.26
2Co 12.2
tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. 18E vi aquele que me dizia:
22.18:
At 22.14
Mt 10.14
Dá-te pressa, e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim. 19E eu disse:
22.19:
At 22.4
8.3
Mt 10.17
Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. 20E quando
22.20:
At 7.58
8.1
Lc 11.48
Rm 1.32
o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava os vestidos dos que o matavam. 21E disse-me:
22.21:
At 9.15
13.2,46-47
18.6
26.17
Rm 1.5
11.13
15.16
Gl 1.15-16
2.7-8
Ef 3.7-8
1Tm 2.7
2Tm 1.11
Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe. 22E ouviram-no até esta palavra, e
22.22:
At 21.36
25.24
levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva. 23E, clamando eles, e arrojando de si os vestidos, e lançando pó para o ar, 24O tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra ele. 25E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava:
22.25:
At 16.37
É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado? 26E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. 27E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. 28E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou-o de nascimento. 29E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado.

Paulo perante o sinédrio

30E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou vir os principais dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles.

23

231E, PONDO Paulo os olhos no conselho, disse:

23.1:
At 24.16
1Co 4.4
2Co 1.12
4.2
2Tm 1.3
Hb 13.18
Varões irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. 2Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto
23.2:
1Rs 22.24
Jr 20.2
Jo 18.22
dele que o ferissem na boca. 3Então Paulo lhe disse:
23.3:
Lv 19.35
Dt 25.1-2
Jo 7.5
Deus te ferirá, parede branqueada: tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? 4E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? 5E Paulo disse:
23.5:
At 24.17
Êx 22.28
Ec 10.20
2Pe 2.10
Jd 8
Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo. 6E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho:
23.6:
At 24.15,21
26.5-6
28.20
Fp 3.5
Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu, no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado. 7E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. 8
23.8:
Mt 22.23
Mc 12.18
Lc 20.27
Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. 9E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam,
23.9:
At 22.7,17-18
25.25
26.31
dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e se algum espírito ou
23.9:
At 5.39
anjo lhe falou, não resistamos a Deus. 10E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza. 11E na noite
23.11:
At 18.9
27.23-24
seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo: porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma.

Conspiração dos judeus contra Paulo; este é mandado para Cesareia

12E, quando já era dia,

23.12:
At 23.21,30
25.3
alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. 13E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração. 14E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: 23.14: Gr. Anatematizamo-nos com anátemaConjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. 15Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar. 16E o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido acerca desta cilada, foi, e entrou na fortaleza, e o anunciou a Paulo. 17E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este mancebo ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar. 18Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno, e disse: O preso Paulo chamando-me a si, me rogou que te trouxesse este mancebo, que tem alguma coisa que dizer-te. 19E o tribuno, tomando-o pela mão, e pondo-se à parte, perguntou-lhe em particular: Que tens que me contar? 20E disse ele:
23.20:
At 23.12
Os judeus se concertaram rogar-te que amanhã leves Paulo ao conselho como que tendo de inquirir dele mais alguma coisa ao certo: 21Mas tu não os creias; porque mais de quarenta homens dentre eles lhe andam armando ciladas: os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comerem nem beberem até que o tenham morto: e já estão apercebidos, esperando de ti promessa. 22Então o tribuno despediu o mancebo, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquilo. 23E, chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalo, e duzentos archeiros para irem até Cesareia; 24E aparelhai cavalgaduras, para que pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao presidente Félix. 25E escreveu uma carta que continha isto: 26Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde. 27Esse homem
23.27:
At 21.33
24.7
foi preso pelos judeus; e, estando a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano. 28E querendo saber
23.28:
At 22.30
a causa porque o acusavam, o levei ao seu conselho. 29E achei que o acusavam de algumas questões
23.29:
At 18.15
25.19
26.31
da sua lei: mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão. 30E, sendo-me
23.30:
At 23.20
24.8
25.6
notificado que os judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem. 31Tomando pois os soldados a Paulo, como lhe fora mandado, o trouxeram de noite a Antipatris. 32E no dia seguinte, deixando aos de cavalo irem com ele, tornaram à fortaleza. 33Os quais, logo que chegaram a Cesareia, e entregaram a carta ao presidente, lhe apresentaram Paulo. 34E o presidente, lida a carta, perguntou de que província era: e, sabendo
23.34:
At 21.39
que da Cilícia, 35Ouvir-te-ei, disse,
23.35:
At 24.1,10
25.16
quando também aqui vierem os teus acusadores. E mandou que o guardassem
23.35:
Mt 27.27
no pretório de Herodes.