Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
5

Naamã é curado da lepra

51E NAAMÃ,

5.1:
Êx 11.3
Lc 4.27
chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito; porque por ele o Senhor dera livramento aos siros: e era este varão homem valoroso porém leproso. 2E saíram tropas da Síria, e da terra de Israel, e levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã. 3E disse esta à sua senhora: Oxalá que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria: ele o restauraria da sua lepra. 4Então entrou Naamã e o notificou a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel. 5Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi
5.5:
1Sm 9.8
2Rs 8.8-9
e tomou na sua mão dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro e dez mudas de vestidos. 6E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o restaures da sua lepra. 7E sucedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou os seus vestidos, e disse:
5.7:
Gn 30.2
Dt 32.39
1Sm 2.6
Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim, para eu restaurar a um homem da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos e vede que busca ocasião contra mim. 8Sucedeu porém que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara os seus vestidos, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste os teus vestidos? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. 9Veio pois Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu. 10Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete
5.10:
2Rs 4.41
Jo 9.7
vezes no Jordão, e a tua carne te tornará, e ficarás purificado. 11Porém Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, e invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso. 12Não são porventura Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação. 13Então chegaram-se a ele os seus servos, e lhe falaram, e disseram: Meu pai, se o profeta te dissera alguma grande cousa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado. 14Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus: e a sua
5.14:
Jó 33.25
Lc 4.27
carne tornou, como a carne dum menino, e ficou purificado. 15Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e veio, e pôs-se diante dele, e disse: Eis que tenho conhecido que em toda a terra não
5.15:
Gn 33.11
Dn 2.27
3.29
6.26-27
Deus senão em Israel: agora pois te peço que tomes uma bênção do teu servo. 16Porém ele disse:
5.16:
Gn 14.23
2Rs 3.14
Mt 10.8
At 8.18,20
Vive o Senhor em cuja presença estou, que a não tomarei. E instou com ele para que a tomasse, mas ele recusou. 17E disse Naamã: Seja assim; contudo dê-se a este teu servo uma carga de terras dum jugo de mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor. 18Nisto perdoe o Senhor a teu servo: Quando meu senhor entra na casa de Rimom para ali adorar,
5.18:
2Rs 7.2,17
e ele se encosta na minha mão, e eu também me tenha de encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o Senhor a teu servo. 19E ele lhe disse: Vai em paz. E foi-se dele a uma pequena distância.

Geazi é atacado da lepra

20Então Geazi, moço de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor impediu a este siro Naamã que da sua mão se desse alguma cousa do que trazia; porém, vive o Senhor que hei de correr atrás dele, e tomar dele alguma cousa. 21E foi Geazi em alcance de Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, saltou do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? 22E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes pois um talento de prata e duas mudas de vestidos. 23E disse Naamã: Sê servido tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de vestidos; e pô-los sobre dois dos seus moços os quais os levaram diante dele. 24E, chegando ele à altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou na casa: e despediu aqueles homens, e foram-se. 25Então ele entrou, e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. 26Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isto ocasião para tomares prata, e para tomares vestidos, e olivais, e vinhas, e ovelhas, e bois e servos e servas? 27Portanto a lepra de Naamã se pegará a

5.27:
Êx 4.6
Nm 12.10
2Rs 15.5
1Tm 6.10
ti e à tua semente para sempre. Então saiu de diante dele leproso branco como a neve.

6

Eliseu faz flutuar um ferro dum machado

61E DISSERAM os filhos

6.1:
2Rs 4.38
dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. 2Vamos pois até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide. 3E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. 4E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. 5E sucedeu que, derribando um deles uma viga, o ferro caiu na água: e clamou, e disse: Ai, meu senhor! porque era emprestado. 6E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou
6.6:
2Rs 2.21
ali, e fez nadar o ferro. 7E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou.

Eliseu adivinha os conselhos do rei da Síria

8E o rei da Síria fazia guerra a Israel; e consultou com os seus servos dizendo: Em tal e em tal lugar estará o meu acampamento. 9Mas o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passares por tal lugar; porque os siros desceram ali. 10Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar de que o homem de Deus lhe falara, e de que o tinha avisado, e se guardou ali, não uma nem duas vezes. 11Então se turbou com este incidente o coração do rei da Síria, e chamou os seus servos e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel? 12E disse um dos seus servos: Não, ó rei meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas na tua câmara de dormir. 13E ele disse: Vai, e vê onde ele está, para que envie, e mande trazê-lo. E fizeram-lhe saber, dizendo:

6.13:
Gn 37.17
Eis que está em Dotã. 14Então enviou para lá cavalos, e carros e um grande exército, os quais vieram de noite, e cercaram a cidade. 15E o moço do homem de Deus se levantou mui cedo, e saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros; então o seu moço lhe disse: Ai, meu senhor! que faremos? 16E ele disse: Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão
6.16:
2Cr 32.7
Rm 8.31
com eles. 17E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e
6.17:
2Rs 2.11
Zc 1.8
6.1-7
carros de fogo, em redor de Eliseu. 18E, como desceram a ele, Eliseu orou ao Senhor, e disse:
6.18:
Gn 19.11
Fere, peço-te, esta gente de cegueira. E feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseu. 19Então Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem é esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E os guiou a Samaria. 20E sucedeu que, chegando eles a Samaria, disse Eliseu: Ó Senhor, abre a estes os olhos para que vejam. O Senhor lhes abriu os olhos, para que vissem, e eis que estavam no meio de Samaria. 21E, quando o rei de Israel os viu, disse a Eliseu: Feri-los-ei, feri-los-ei, meu pai? 22Mas ele disse: Não os ferirás; feririas tu os que tomasses prisioneiros com a tua espada e com o teu arco?
6.22:
Rm 12.20
Põe-lhes diante pão e água, para que comam e bebam, e se vão para seu senhor. 23E apresentou-lhes um grande banquete, e comeram e beberam: e os despediu e foram para seu senhor: e não entraram mais tropas
6.23:
2Rs 5.2
6.7,9
de siros na terra de Israel.

Samaria é cercada

24E sucedeu, depois disto, que Benadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército: e subiu, e cercou a Samaria. 25E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram, até que se vendeu uma cabeça dum jumento por oitenta 6.25: ou siclospeças de prata, e a quarta parte dum cabo de esterco de pombas por cinco peças de prata. 26E sucedeu que, passando o rei pelo muro uma mulher lhe bradou, dizendo: Acode-me, ó rei meu senhor. 27E ele lhe disse: Se o Senhor te não acode, donde te acudirei eu, da eira ou do lagar? 28Disse-lhe mais o rei: Que tens? E disse ela: Esta mulher me disse: Dá o teu filho, para que hoje o comamos e amanhã comeremos o meu filho. 29Cozemos pois

6.29:
Lv 26.29
Dt 28.53,57
o meu filho, e o comemos; mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá o teu filho para que o comamos; escondeu o seu filho. 30E sucedeu que, ouvindo o rei as palavras desta mulher, rasgou os seus
6.30:
1Rs 21.27
vestidos, e ia passando pelo muro; e o povo viu que trazia cilício por dentro, sobre a sua carne. 31E disse: Assim me faça
6.31:
Rt 1.17
1Rs 19.2
Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseu, filho de Safate, hoje ficar sobre ele. 32Estava então Eliseu assentado em sua casa, e também os
6.32:
Ez 8.1
20.1
anciãos estavam assentados com ele. E enviou o rei um homem de diante de si; mas, antes que o mensageiro viesse a ele, disse ele aos anciãos:
6.32:
1Rs 18.4
Lc 13.32
Vistes como o filho do homicida mandou tirar-me a cabeça? Olhai, quando vier o mensageiro, fechai-lhe a porta, e empurrai-o para fora com a porta; porventura não vem o ruído dos pés de seu senhor após ele? 33E, estando ele ainda falando com eles, eis que o mensageiro descia a ele; e disse: Eis que este mal vem do Senhor, que
6.33:
Jó 2.9
mais pois esperaria do Senhor?

7

Eliseu prediz a abundância de víveres

71ENTÃO disse Eliseu: Ouvi a palavra do Senhor: assim diz o Senhor: Amanhã,

7.1:
2Rs 7.18-19
quase a este tempo, uma medida de farinha haverá por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, à porta de Samaria. 2Porém um capitão,
7.2:
2Rs 7.17,19-20
Ml 3.10
em cuja mão o rei se encostava, respondeu ao homem de Deus e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poder-se-ia fazer isso? E ele disse: Eis que o verás com os teus olhos, porém daí não comerás. 3E quatro homens leprosos estavam à entrada
7.3:
Lv 13.46
da porta, os quais disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui até morrermos? 4Se dissermos: Entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos aí; e se ficarmos aqui, também morreremos: vamos nós pois agora, e demos conosco no arraial dos siros: se nos deixarem viver; viveremos, e se nos matarem, tão somente morreremos. 5E levantaram-se ao crepúsculo, para irem ao arraial dos siros; e, chegando à entrada do arraial dos siros, eis que não havia ali ninguém. 6Porque o Senhor fizera
7.6:
2Sm 5.24
2Rs 19.7
Jó 15.21
ouvir no arraial dos siros ruído de carros e ruído de cavalos, como o ruído dum grande exército; de maneira que disseram uns aos outros: Eis que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e
7.6:
1Rs 10.29
os reis dos egípcios, para virem contra nós. 7Pelo que se levantaram,
7.7:
Pv 28.1
e fugiram no crepúsculo, e deixaram as suas tendas, e os seus cavalos, e os seus jumentos, e o arraial como estava: e fugiram para salvarem a sua vida. 8Chegando pois estes leprosos à entrada do arraial, entraram numa tenda, e comeram e beberam e tomaram dali prata, e ouro, e vestidos, e foram, e os esconderam: então voltaram, e entraram em outra tenda, e dali também tomaram alguma cousa, e a esconderam. 9Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem: este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; pelo que agora vamos e o anunciemos à casa do rei. 10Vieram pois, e bradaram aos porteiros da cidade, e lhes anunciaram, dizendo: Fomos ao arraial dos siros e eis que lá não havia ninguém, nem voz de homem, porém, só cavalos atados, e jumentos atados, e as tendas como estavam dantes. 11E chamaram os porteiros, e estes o anunciaram dentro da casa do rei. 12E o rei se levantou de noite, e disse aos seus servos: Agora vos farei saber o que é que os siros nos fizeram: bem sabem eles que esfaimados estamos; pelo que saíram do arraial, a esconder-se pelo campo, dizendo: Quando saírem da cidade, então os tomaremos vivos, e entraremos na cidade. 13Então um dos seus servos respondeu e disse: Tomem-se pois cinco dos cavalos do resto que ficou aqui dentro (eis que são como toda a multidão dos israelitas que ficaram aqui de resto, e eis que são como toda a multidão dos israelitas que pereceram) e enviemo-los, e vejamos. 14Tomaram pois dois cavalos de carro; e o rei os enviou após o exército dos siros, dizendo: Ide, e vede. 15E foram após eles até ao Jordão, e eis que todo o caminho estava cheio de vestidos e de aviamentos, que os siros, apressando-se, lançaram fora: e voltaram os mensageiros, e o anunciaram ao rei. 16Então saiu o povo e saqueou o arraial dos siros: e havia uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, conforme
7.16:
2Rs 7.1
a palavra do Senhor. 17E pusera o rei à porta o capitão em cuja mão se encostava: e o povo o atropelou na porta, e ele morreu, como falara o
7.17:
2Rs 6.32
7.2
homem de Deus, o que falou quando o rei descera a ele. 18Porque assim sucedeu como o homem de Deus falara ao rei, dizendo: Amanhã, quase a este tempo,
7.18:
2Rs 7.1
haverá duas medidas de cevada por um siclo, e uma medida de farinha por um siclo, à porta de Samaria. 19E aquele capitão respondeu ao homem de Deus, e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poder-se-ia isso fazer conforme essa palavra? E ele disse: Eis que o verás com os teus olhos, porém daí não comerás. 20E assim lhe sucedeu, porque o povo o atropelou à porta, e ele morreu.