Almeida Revista e Corrigida (1969) (RC69)
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A rainha de Sabá vem visitar Salomão

101E OUVINDO a rainha de Sabá a fama de Salomão, acerca do nome do Senhor, veio prová-lo por enigmas. 2E veio a Jerusalém com um mui grande exército; com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro e pedras preciosas: e veio a Salomão, e disse-lhe tudo quanto tinha no seu coração. 3E Salomão lhe declarou todas as suas palavras: nenhuma cousa se escondeu ao rei, que não lhe declarasse. 4Vendo pois a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, 5E a comida da sua mesa, e o assentar de seus servos, e o estar de seus criados, e os vestidos deles, e os seus copeiros, e a sua subida, pela qual subia à casa do Senhor, não houve mais espírito nela. 6E disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra, das tuas cousas e da tua sabedoria. 7E eu não cria naquelas palavras, até que vim, e os meus olhos o viram; eis que me não disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi. 8Bem-aventurados os teus homens, bem-aventurados estes teus servos que estão sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria! 9Bendito seja o Senhor teu Deus, que teve agrado em ti, para te pôr no trono de Israel: porque o Senhor ama a Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei, para fazeres juízo e justiça. 10E deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, e muitíssimas especiarias e pedras preciosas: nunca veio especiaria em tanta abundância, como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão. 11Também as naus de Hirão, que de Ofir levavam ouro, traziam de Ofir muitíssima madeira de almugue, e pedras preciosas. 12E desta madeira de almugue fez o rei balaústres para a casa do Senhor, e para a casa do rei, como também harpas e alaúdes para os cantores: nunca veio tal madeira de almugue, nem se viu até o dia de hoje. 13E o rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo quanto lhe pediu o seu desejo, além do que lhe deu, segundo a largueza do rei Salomão: então voltou e partiu para a sua terra, ela e os seus servos.

As riquezas de Salomão

14E era o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro; 15Além do dos negociantes, e do contrato dos especieiros, e de todos os reis da Arábia, e dos governadores da mesma terra. 16Também o rei Salomão fez duzentos paveses de ouro batido; seiscentos siclos de ouro mandou pesar para cada pavês; 17Assim mesmo trezentos escudos de ouro batido; três arráteis de ouro mandou pesar para cada escudo: e o rei os pôs na casa do bosque do Líbano. 18Fez mais o rei um grande trono de marfim, e o cobriu de ouro puríssimo. 19Tinha este trono seis degraus, e era a cabeça do trono por detrás redonda, e de ambas as bandas tinha encostos até ao assento: e dois leões estavam junto aos encostos. 20Também doze leões estavam ali sobre os seis degraus de ambas as bandas: nunca se tinha feito obra semelhante em nenhum dos reinos. 21Também todos os vasos de beber do rei Salomão eram de ouro, e todos os vasos da casa do bosque do Líbano eram de ouro puro: não havia neles prata, porque nos dias de Salomão não tinha estimação alguma. 22Porque o rei tinha no mar as naus de Tarsis, com as naus de Hirão: uma vez em três anos tornavam as naus de Tarsis, e traziam ouro e prata, marfim, e bugios, e pavões. 23Assim o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra, tanto em riquezas como em sabedoria. 24E toda a terra buscava a face de Salomão, para ouvir a sua sabedoria, que Deus tinha posto no seu coração. 25E traziam cada um por seu presente vasos de prata e vasos de ouro, e vestidos, e armaduras, e especiarias, cavalos e mulas: cada cousa de ano em ano. 26Também ajuntou Salomão carros e cavaleiros, de sorte que tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros: e os levou às cidades dos carros, e outros ficaram junto ao rei em Jerusalém. 27E fez o rei que em Jerusalém houvesse prata como pedras: e cedros em abundância como figueiras bravas que estão nas planícies. 28E tiravam cavalos do Egito para Salomão: e às manadas os recebiam os mercadores do rei, cada manada por um certo preço. 29E subia e saía o carro do Egito por seiscentos siclos de prata, e o cavalo por cento e cinquenta: e assim, por meio deles, os tiravam para todos os reis dos heteus e para os reis da Síria.

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A idolatria de Salomão e a ira de Deus contra ele

111E O rei Salomão amou muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Faraó, moabitas, amonitas, idumeias, sidônias e heteias. 2Das nações de que o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor. 3E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas: e suas mulheres lhe perverteram o seu coração. 4Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o seu coração para seguir outros deuses: e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, 5Porque Salomão, andou em seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a abominação dos amonitas. 6Assim fez Salomão o que parecia mal aos olhos do Senhor; e não perseverou em seguir ao Senhor, como Davi seu pai. 7Então edificou Salomão um alto a Camós, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. 8E assim fez para com todas as suas mulheres estranhas; as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses. 9Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão: porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera. 10E acerca desta matéria lhe tinha dado ordem que não andasse em seguimento de outros deuses: porém não guardou o que o Senhor lhe ordenara. 11Pelo que disse o Senhor a Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo. 12Todavia nos teus dias não o farei, por amor de Davi teu pai: da mão de teu filho o rasgarei: 13Porém todo o reino não rasgarei: uma tribo darei a teu filho, por amor de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, que tenho elegido.

Deus excita adversários contra Salomão

14Levantou pois o Senhor a Salomão um adversário, a Hadade, o idumeu: ele era da semente do rei em Edom. 15Porque sucedeu que, estando Davi em Edom, e subindo Joabe, o chefe do exército, a enterrar os mortos, feriu a todo o varão em Edom. 16(Porque Joabe ficou ali seis meses com todo o Israel, até que destruiu a todo o varão em Edom.) 17Hadade, porém, fugiu, ele e alguns homens idumeus, dos servos de seu pai, com ele, para ir ao Egito: era porém Hadade um rapaz pequeno. 18E levantaram-se de Midiã e vieram a Parã, e tomaram consigo homens de Parã, e vieram ao Egito a Faraó, rei do Egito, o qual lhe deu uma casa, e lhe prometeu sustento, e lhe deu uma terra. 19E achou Hadade grande graça aos olhos de Faraó: de maneira que lhe deu por mulher, a irmã de sua mulher a irmã de Tacpenes, a rainha. 20E a irmã de Tacpenes lhe deu seu filho Genubate, o qual Tacpenes criou na casa de Faraó: e Genubate estava na casa de Faraó, entre os filhos de Faraó. 21Ouvindo pois Hadade no Egito que Davi adormecera com seus pais, e que Joabe, chefe do exército, era morto, disse Hadade a Faraó: Despede-me, para que vá à minha terra. 22Porém Faraó lhe disse: Pois que te falta comigo, que eis que procuras partir para a tua terra? E disse ele: Nada, mas todavia despede-me. 23Também Deus lhe levantou outro adversário, a Rezom, filho de Eliada, que tinha fugido de seu senhor Hadadezer, rei de Zobá, 24Contra quem também ajuntou homens, e foi capitão dum esquadrão, quando Davi os matou: e indo-se para Damasco, habitaram ali, e reinaram em Damasco. 25E foi adversário de Israel por todos os dias de Salomão, e isto além do mal que Hadade fazia: porque detestava a Israel, e reinava sobre a Síria. 26Até Jeroboão, filho de Nebate, efrateu de Zereda, servo de Salomão (cuja mãe era mulher viúva, por nome Zerua), também levantou a mão contra o rei. 27E esta foi a causa, por que levantou a mão contra o rei: Salomão tinha edificado a Milo, e cerrou as aberturas da cidade de Davi, seu pai. 28E o homem Jeroboão era varão valente; e, vendo Salomão a este mancebo, que era laborioso, ele o pôs sobre todo o cargo da casa de José. 29Sucedeu pois naquele tempo que, saindo Jeroboão de Jerusalém, o encontrou o profeta Aías, o silonita, no caminho, e ele se tinha vestido dum vestido novo, e sós estavam os dois no campo. 30E Aías pegou no vestido novo que sobre si tinha, e o rasgou em doze pedaços. 31E disse a Jeroboão: Toma para ti os dez pedaços, porque assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei as dez tribos. 32Porém ele terá uma tribo, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que elegi de todas as tribos de Israel. 33Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Camós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que parece reto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como Davi, seu pai. 34Porém não tomarei nada deste reino da sua mão: mas por príncipe o ponho por todos os dias da sua vida, por amor de Davi, meu servo, a quem elegi, o qual guardou os meus mandamentos e os meus estatutos. 35Mas da mão de seu filho tomarei o reino, e to darei a ti, as dez tribos dele. 36E a seu filho darei uma tribo; para que Davi, meu servo, sempre tenha uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que elegi para pôr ali o meu nome. 37E te tomarei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel. 38E há de ser que, se ouvires tudo o que eu te mandar, e andares pelos meus caminhos, e fizeres o que é reto aos meus olhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez Davi, meu servo, eu serei contigo, e te edificarei uma casa firme, como edifiquei a Davi e te darei Israel. 39E por isso afligirei a semente de Davi; todavia não para sempre. 40Pelo que Salomão procurou matar Jeroboão; porém Jeroboão se levantou, e fugiu para o Egito, para Sisaque, rei do Egito: e esteve no Egito até que Salomão morreu.

A morte de Salomão

41Quanto ao mais dos sucessos de Salomão, e a tudo quanto fez, e à sua sabedoria porventura não está escrito no livro dos sucessos de Salomão? 42E o tempo que reinou Salomão em Jerusalém sobre todo o Israel foram quarenta anos. 43E adormeceu Salomão com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi, seu pai: E Roboão, seu filho, reinou em seu lugar.

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Roboão causa separação entre as tribos

121E FOI Roboão para Siquém; porque todo o Israel veio a Siquém, para o fazerem rei. 2E sucedeu pois que, ouvindo-o Jeroboão, filho de Nebate, estando ainda no Egito (porque fugira de diante do rei Salomão, e habitava Jeroboão no Egito), 3Enviaram, e o mandaram chamar; e Jeroboão e toda a congregação de Israel vieram, e falaram a Roboão, dizendo: 4Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos. 5E ele lhes disse: Ide-vos até ao terceiro dia, e voltai a mim. E o povo se foi. 6E teve o rei Roboão conselho com os anciãos que estavam na presença de Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, dizendo: Como aconselhais vós que se responda a este povo? 7E eles lhe falaram, dizendo: Se hoje fores servo deste povo, e o servires, e, respondendo-lhe, lhe falares boas palavras, todos os dias serão teus servos. 8Porém ele deixou o conselho que os anciãos lhe tinham aconselhado, e teve conselho com os mancebos que haviam crescido com ele, que estavam diante dele. 9E disse-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo, que me falou, dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs? 10E os mancebos que haviam crescido com ele lhe falaram, dizendo: Assim falarás a este povo que te falou, dizendo: Teu pai fez pesadíssimo o nosso jugo, mas tu o alivia de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. 11Assim que, se meu pai vos carregou dum jugo pesado, ainda eu aumentarei o vosso jugo: meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões. 12Veio pois Jeroboão e todo o povo, ao terceiro dia a Roboão, como o rei havia falado, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia. 13E o rei respondeu ao povo duramente; porque deixara o conselho que os anciãos lhe haviam aconselhado. 14E lhe falou conforme ao conselho dos mancebos, dizendo: Meu pai agravou o vosso jugo, porém eu ainda aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões. 15O rei pois não deu ouvidos ao povo; porque esta revolta vinha do Senhor, para confirmar a sua palavra que o Senhor tinha dito pelo ministério de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.

Dez tribos seguem Jeroboão

16Vendo pois todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, tornou-lhe o povo a responder, dizendo: Que parte temos nós com Davi? E não há para nós herança no filho de Jessé. As tuas tendas, ó Israel! Provê agora à tua casa, ó Davi. Então Israel se foi às suas tendas. 17No tocante porém aos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá, sobre eles reinou Roboão. 18Então o rei Roboão enviou a Adorão, que estava sobre os tributos; e todo o Israel o apedrejou com pedras e morreu: mas o rei Roboão se animou a subir ao seu carro para fugir para Jerusalém. 19Assim se desligaram os israelitas da casa de Davi até ao dia de hoje. 20E sucedeu que, ouvindo todo o Israel que Jeroboão tinha voltado, enviaram, e o chamaram para a congregação, e o fizeram rei sobre todo o Israel: e ninguém seguiu a casa de Davi senão somente a tribo de Judá. 21Vindo pois Roboão a Jerusalém, ajuntou toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa de Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão. 22Porém veio a palavra de Deus a Semaías, homem de Deus, dizendo: 23Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda a casa de Judá, e a Benjamim, e ao resto do povo, dizendo: 24Assim diz o Senhor: Não subireis nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos de Israel; volte cada um para a sua casa, porque eu é que fiz esta obra. E ouviram a palavra do Senhor, e voltaram segundo a palavra do Senhor. 25E Jeroboão edificou a Siquém, no monte de Efraim, e habitou ali; e saiu dali, e edificou a Penuel.

A idolatria de Jeroboão

26E disse Jeroboão no seu coração: Agora tornará o reino à casa de Davi. 27Se este povo subir para fazer sacrifícios na casa do Senhor, em Jerusalém, o coração deste povo se tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judá: e me matarão, e tornarão a Roboão, rei de Judá. 28Pelo que o rei tomou conselho, e fez dois bezerros de ouro; e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. 29E pôs um em Betel, e colocou o outro em Dã. 30E este feito se tornou em pecado: pois que o povo ia até Dã cada um a adorar. 31Também fez casa dos altos: e fez sacerdotes dos mais baixos do povo, que não eram dos filhos de Levi. 32E fez Jeroboão uma festa no oitavo mês, no dia décimo quinto do mês, como a festa que se fazia em Judá, e sacrificou no altar; semelhantemente fez em Betel, sacrificando aos bezerros que fizera: também em Betel estabeleceu sacerdotes dos altos que fizera. 33E sacrificou no altar que fizera em Betel, no dia décimo quinto do oitavo mês, do mês que ele tinha imaginado no seu coração: assim fez a festa aos filhos de Israel, e sacrificou no altar, queimando incenso.