Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)

Jesus e o homem da mão aleijada

Mateus 12.9-14; Lucas 6.6-11

31Jesus foi outra vez à sinagoga. Estava ali um homem que tinha uma das mãos aleijada. 2Estavam também na sinagoga algumas pessoas que queriam acusar Jesus de desobedecer à Lei; por isso ficaram espiando Jesus com atenção para ver se ele ia curar o homem no sábado. 3Ele disse para o homem:

— Venha cá!

4E perguntou aos outros:

— O que é que a nossa Lei diz sobre o sábado? O que é permitido fazer nesse dia: o bem ou o mal? Salvar alguém da morte ou deixar morrer?

Ninguém respondeu nada. 5Então Jesus olhou zangado e triste para eles porque não queriam entender. E disse para o homem:

— Estenda a mão!

O homem estendeu a mão, e ela sarou. 6Logo depois os fariseus saíram dali e, junto com as pessoas do partido de Herodes3.6 Partido formado de judeus que queriam que um dos descendentes do rei Herodes governasse, em vez do governador romano., começaram a fazer planos para matar Jesus.

Jesus cura outros doentes

7Jesus e os discípulos foram até o lago da Galileia. Junto com ele ia muita gente da Galileia, da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, do lado leste do rio Jordão e da região de Tiro e de Sidom. Todos iam ao encontro de Jesus porque ouviam falar a respeito das coisas que ele fazia. 9Jesus pediu aos discípulos que arranjassem um barco para ele a fim de não ser esmagado pela multidão. 10Pois ele estava curando tanta gente, que todos os doentes se juntavam em volta dele para tocá-lo.

3.9-10
Mc 4.1
Lc 5.1-3
11E as pessoas que tinham espíritos maus, ao verem Jesus, caíam aos pés dele e gritavam:

— O senhor é o Filho de Deus!

12Mas Jesus proibiu duramente os espíritos de dizerem quem ele era.

Jesus escolhe os doze apóstolos

Mateus 10.1-4; Lucas 6.12-16

13Jesus subiu um monte, chamou os que ele quis, e eles foram para perto dele. 14Então escolheu doze homens para ficarem com ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos. 15Eles receberam autoridade para expulsar demônios. 16Os doze foram estes: Simão, a quem Jesus deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu (a estes ele deu o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do Trovão”); 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o nacionalista; 19e Judas Iscariotes, que traiu Jesus.

O poder de Jesus para expulsar demônios

Mateus 12.22-32; Lucas 11.14-23; 12.10

20Quando Jesus foi para casa, uma grande multidão se ajuntou de novo, e era tanta gente, que ele e os discípulos não tinham tempo nem para comer. 21Os parentes de Jesus souberam disso e foram buscá-lo porque algumas pessoas estavam dizendo que ele estava louco. 22Alguns mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam:

— Ele está dominado por Belzebu, o chefe dos demônios. É Belzebu que dá poder a este homem para expulsar demônios.

3.22
Mt 9.34
10.25

23Então Jesus chamou todos e começou a ensiná-los por meio de parábolas. Ele dizia:

— Como é que Satanás pode expulsar a si mesmo? 24O país que se divide em grupos que lutam entre si certamente será destruído. 25Se uma família se divide, e as pessoas que fazem parte dela começam a lutar entre si, ela será destruída. 26Se o reino de Satanás se dividir em grupos, e esses grupos lutarem entre si, o reino não continuará a existir, mas será destruído.

27— Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar os seus bens, sem primeiro amarrá-lo. Somente assim essa pessoa poderá levar o que ele tem em casa.

28— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: os pecados que as pessoas cometem ou as blasfêmias contra Deus poderão ser perdoados. 29Mas as blasfêmias contra o Espírito Santo nunca serão perdoadas porque a culpa desse pecado dura para sempre.

30Jesus falou assim porque diziam que ele estava dominado por um espírito mau.

A mãe e os irmãos de Jesus

Mateus 12.46-50; Lucas 8.19-21

31Em seguida a mãe e os irmãos de Jesus chegaram; eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava sentada em volta dele, e algumas pessoas lhe disseram:

— Escute! A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora, procurando o senhor.

33Jesus perguntou:

— Quem é a minha mãe? E quem são os meus irmãos?

34Aí olhou para as pessoas que estavam sentadas em volta dele e disse:

— Vejam! Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos. 35Pois quem faz a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

4

O semeador

Mateus 13.1-9; Lucas 8.4-8

41Jesus começou a ensinar outra vez na beira do lago da Galileia. A multidão que se ajuntou em volta dele era tão grande, que ele entrou e sentou-se num barco perto da praia, onde o povo estava.

4.1
Lc 5.1-3
2Jesus usava parábolas para ensinar muitas coisas. Ele dizia:

3— Escutem! Certo homem saiu para semear. 4E, quando estava espalhando as sementes, algumas caíram na beira do caminho, e os passarinhos comeram tudo. 5Outra parte das sementes caiu num lugar onde havia muitas pedras e pouca terra. As sementes brotaram logo porque a terra não era funda. 6Mas, quando o sol apareceu, queimou as plantas, e elas secaram porque não tinham raízes. 7Outras sementes caíram no meio de espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas. Por isso nada produziram. 8Mas as sementes que caíram em terra boa brotaram, cresceram e produziram na base de trinta, sessenta e até cem grãos por um.

9E Jesus terminou, dizendo:

— Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.

Por que Jesus usava parábolas

Mateus 13.10-17; Lucas 8.9-10

10Quando a multidão foi embora, as pessoas que ficaram ali começaram, junto com os doze discípulos, a fazer perguntas a Jesus sobre parábolas.

11Jesus disse a eles:

— A vocês Deus mostra o segredo do seu Reino. Mas para os que estão fora do Reino tudo é ensinado por meio de parábolas, 12para que olhem e não enxerguem nada e para que escutem e não entendam; se não, eles voltariam para Deus, e ele os perdoaria.

4.12
Is 6.9-10

Jesus explica a parábola do semeador

Mateus 13.18-23; Lucas 8.11-15

13Então Jesus perguntou:

— Se vocês não entendem essa parábola, como vão entender as outras?

14E continuou:

— O semeador semeia a mensagem de Deus. 15Algumas pessoas que a ouvem são como as sementes que caíram na beira do caminho. Logo que ouvem, Satanás vem e tira a mensagem que foi semeada no coração delas. 16Outras pessoas são como as sementes que foram semeadas onde havia muitas pedras. Quando ouvem a mensagem, elas a aceitam logo com alegria; 17mas depois de pouco tempo essas pessoas abandonam a mensagem porque ela não criou raízes nelas. E, quando por causa da mensagem chegam os sofrimentos e as perseguições, elas logo abandonam a sua fé. 18Ainda outras são parecidas com as sementes que foram semeadas no meio dos espinhos. Elas ouvem a mensagem, 19mas, quando aparecem as preocupações deste mundo, a ilusão das riquezas e outras ambições, estas coisas sufocam a mensagem, e ela não produz frutos. 20E existem aquelas pessoas que são como as sementes que foram semeadas em terra boa. Elas ouvem, e aceitam a mensagem, e produzem uma grande colheita: umas, trinta; outras, sessenta; e ainda outras, cem vezes mais do que foi semeado.

A luz

Lucas 8.16-18

21Jesus continuou:

— Por acaso alguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto ou de uma cama? Claro que não! Para iluminar bem, ela deve ser colocada no lugar próprio.

4.21
Mt 5.15
Lc 11.33
22Pois tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que está em segredo será conhecido.
4.22
Mt 10.26
Lc 12.2
23Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.

24Disse também:

— Cuidado com o que vocês ouvem! Deus usará para julgar vocês a mesma regra que vocês usarem para julgar os outros. E com mais dureza ainda!

4.24
Mt 7.2
Lc 6.38
25Quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o pouco que tem será tirado dele.
4.25
Mt 13.12
25.29
Lc 19.26

A semente

26Jesus disse:

— O Reino de Deus é como um homem que joga a semente na terra. 27Quer ele esteja acordado, quer esteja dormindo, ela brota e cresce, sem ele saber como isso acontece. 28É a própria terra que dá o seu fruto: primeiro aparece a planta, depois a espiga, e, mais tarde, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas ficam maduras, o homem começa a cortá-las com a foice, pois chegou o tempo da colheita.

4.29
Jl 3.13
Ap 14.15

A semente de mostarda

Mateus 13.31-32; Lucas 13.18-19

30Jesus continuou:

— Com o que podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar para isso? 31Ele é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes. 32Mas, depois de semeada, cresce muito até ficar a maior de todas as plantas. E os seus ramos são tão grandes, que os passarinhos fazem ninhos entre as suas folhas.

O uso das parábolas

Mateus 13.34-35

33Assim, usando muitas parábolas como estas, Jesus falava ao povo de um modo que eles podiam entender. 34E só falava com eles usando parábolas, mas explicava tudo em particular aos discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

Mateus 8.23-27; Lucas 8.22-25

35Naquele dia, de tardinha, Jesus disse aos discípulos:

— Vamos para o outro lado4.35 Isto é, o lado leste. do lago.

36Então eles deixaram o povo ali, subiram no barco em que Jesus estava e foram com ele; e outros barcos o acompanharam. 37De repente, começou a soprar um vento muito forte, e as ondas arrebentavam com tanta força em cima do barco, que ele já estava ficando cheio de água. 38Jesus estava dormindo na parte detrás do barco, com a cabeça numa almofada. Então os discípulos o acordaram e disseram:

— Mestre! Nós vamos morrer! O senhor não se importa com isso?

39Então ele se levantou, falou duro com o vento e disse ao lago:

— Silêncio! Fique quieto!

O vento parou, e tudo ficou calmo. 40Aí ele perguntou:

— Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?

41E os discípulos, cheios de medo, diziam uns aos outros:

— Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?!

5

Jesus cura um homem dominado por espíritos maus

Mateus 8.28-34; Lucas 8.26-39

51Jesus e os discípulos chegaram à região de Gerasa, no lado leste do lago da Galileia. 2Assim que Jesus saiu do barco, foi encontrar-se com ele um homem que estava dominado por um espírito mau. 3O homem vinha do cemitério, onde estava morando. Ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo usando correntes. 4Muitas vezes já tinham amarrado as suas mãos e os seus pés com correntes de ferro, mas ele quebrava tudo, e ninguém conseguia dominá-lo. 5Passava os dias e as noites nos montes e entre os túmulos, gritando e se ferindo de propósito com pedras. 6Ele viu Jesus de longe, correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou:

— Jesus, Filho do Deus Altíssimo! O que o senhor quer de mim? Em nome de Deus eu peço: não me castigue!

8Ele disse isso porque Jesus havia mandado: “Espírito mau, saia desse homem!”

9Jesus perguntou:

— Como é que você se chama?

Ele respondeu:

— O meu nome é Multidão, porque somos muitos.

10E pedia com muita insistência a Jesus que não expulsasse os espíritos maus para fora daquela região. 11Acontece que num morro perto dali havia muitos porcos comendo. 12Os espíritos pediram a Jesus com insistência:

— Nos mande ficar naqueles porcos; nos deixe entrar neles!

13Ele deixou, e os espíritos saíram do homem e entraram nos porcos. E estes, que eram quase dois mil, se atiraram morro abaixo, para dentro do lago, e se afogaram.

14Os homens que estavam tomando conta dos porcos fugiram e espalharam a notícia na cidade e nos campos. Muita gente foi ver o que havia acontecido. 15Quando chegaram perto de Jesus, viram o homem que antes estava dominado por demônios; e ficaram espantados porque ele estava sentado, vestido e no seu perfeito juízo. 16Os que tinham visto tudo aquilo lhes contaram o que havia acontecido com o homem e com os porcos. 17Então começaram a pedir com insistência a Jesus que saísse da terra deles. 18Quando ele estava entrando no barco, o homem curado pediu com insistência:

— Me deixe ir com o senhor!

19Mas Jesus não deixou e disse:

— Volte para casa e conte aos seus parentes o que o Senhor lhe fez e como ele foi bom para você.

20Então ele foi embora e contava, na região das Dez Cidades, o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

O pedido de Jairo

Mateus 9.18-19; Lucas 8.40-42

21Jesus voltou para o lado oeste do lago, e muitas pessoas foram se encontrar com ele na praia. 22Um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga, foi e se jogou aos pés de Jesus, 23pedindo com muita insistência:

— A minha filha está morrendo! Venha comigo e ponha as mãos sobre ela para que sare e viva!

24E Jesus foi com ele. Uma grande multidão foi junto e o apertava de todos os lados.

Jesus e a mulher doente

Mateus 9.20-22; Lucas 8.43-48

25Chegou ali uma mulher que fazia doze anos que estava com uma hemorragia. 26Havia gastado tudo o que tinha, tratando-se com muitos médicos. Estes a fizeram sofrer muito; mas, em vez de melhorar, ela havia piorado cada vez mais. 27Ela havia escutado falar de Jesus; então entrou no meio da multidão e, chegando por trás dele, tocou na sua capa, 28pois pensava assim: “Se eu apenas tocar na capa dele, ficarei curada.” 29Logo o sangue parou de escorrer, e ela teve certeza de que estava curada. 30No mesmo instante Jesus sentiu que dele havia saído poder. Então virou-se no meio da multidão e perguntou:

— Quem foi que tocou na minha capa?

31Os discípulos responderam:

— O senhor está vendo como esta gente o está apertando de todos os lados e ainda pergunta isso?

32Mas Jesus ficou olhando em volta para ver quem tinha feito aquilo. 33Então a mulher, sabendo o que lhe havia acontecido, atirou-se aos pés dele, tremendo de medo, e contou tudo. 34E Jesus disse:

— Minha filha, você sarou porque teve fé. Vá em paz; você está livre do seu sofrimento.

Jesus e a filha de Jairo

Mateus 9.23-26; Lucas 8.49-56

35Jesus ainda estava falando, quando chegaram alguns empregados da casa de Jairo e disseram:

— Seu Jairo, a menina já morreu. Não aborreça mais o Mestre.

36Mas Jesus não se importou com a notícia e disse a Jairo:

— Não tenha medo; tenha fé!

37Jesus deixou que fossem com ele Pedro e os irmãos Tiago e João, e ninguém mais. 38Quando entraram na casa de Jairo, Jesus encontrou ali uma confusão geral, com todos chorando alto e gritando. 39Então ele disse:

— Por que tanto choro e tanta confusão? A menina não morreu; ela está dormindo.

40Então eles começaram a caçoar dele. Mas Jesus mandou que todos saíssem e, junto com os três discípulos e os pais da menina, entrou no quarto onde ela estava. 41Pegou-a pela mão e disse:

— “Talitá cumi!” (Isto quer dizer: “Menina, eu digo a você: Levante-se!”)

42No mesmo instante, a menina, que tinha doze anos, levantou-se e começou a andar. E todos ficaram muito admirados. 43Então Jesus ordenou que de jeito nenhum espalhassem a notícia dessa cura. E mandou que dessem comida à menina.