Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
4

Jerusalém arrasada

41Como o ouro ficou escuro!

Como o ouro puro perdeu o seu brilho!

As pedras do Templo estão espalhadas pelas esquinas das ruas!

2Os moços de Jerusalém eram tão preciosos para nós como o ouro puro,

mas agora são tratados como simples potes de barro.

3Até as lobas dão de mamar às suas crias,

mas o meu povo é como os avestruzes,

cruéis para os seus filhotes.

4Os bebês de Jerusalém morrem de sede;

as crianças pedem comida,

mas ninguém lhes dá nada.

5Os que antes comiam comidas finas

agora morrem de fome pelas ruas;

os que vestiam roupas caras

agora vivem nos montes de lixo.

6O meu povo tem sido mais castigado

do que os moradores de Sodoma,

que foi destruída num momento pela mão de Deus.

4.6
Gn 19.24

7Os nossos príncipes eram puros como o leite

e sem manchas como a neve;

eram fortes, cheios de vigor,

e os seus olhos brilhavam de saúde.

8Agora, o seu rosto está preto como carvão,

e, quando eles andam pelas ruas, ninguém os conhece.

A pele deles secou como a madeira

e grudou nos seus ossos.

9Aqueles que morreram na guerra

foram mais felizes do que os que morreram depois,

porque estes foram se acabando devagarinho

por não terem nada para comer.

10Quando Jerusalém foi destruída,

mulheres que antes eram amorosas

cozinharam os seus próprios filhos

e os comeram.

4.10
Dt 28.57
Ez 5.10

11O Senhor Deus descarregou o seu furor,

derramou o ardor da sua ira.

Ele pôs fogo em Jerusalém

e a arrasou até o chão.

12Ninguém neste mundo, nem mesmo os reis,

acreditava que algum inimigo

conseguisse entrar pelos portões de Jerusalém.

13Tudo isso aconteceu por causa dos pecados

e das maldades dos seus profetas e dos seus sacerdotes,

culpados de causar a morte de pessoas inocentes.

14Sacerdotes e profetas andavam pelas ruas como cegos,

tão sujos de sangue, que ninguém tocava na roupa deles.

15E o povo gritava:

“Fora daqui! Vocês são impuros!

Não encostem a mão em nós!”

Quando eles fugiram, andando de país em país,

os próprios pagãos disseram:

“Esses homens não podem morar aqui.”

16O Senhor não deu mais atenção a eles,

o próprio Deus os espalhou.

Ele não teve respeito pelos nossos sacerdotes,

nem pena dos nossos líderes.

17Ficamos olhando até cansar,

esperando o socorro que nunca chegou.

Confiamos no auxílio de uma nação

que não podia ajudar.

18Os inimigos nos estavam vigiando,

de modo que não podíamos andar pelas ruas.

Os nossos dias estavam contados,

o fim estava perto.

19Os nossos perseguidores foram mais rápidos do que as águias do céu;

eles nos perseguiram nas montanhas

e nos atacaram de surpresa no deserto.

20Eles prenderam aquele que é a fonte da nossa vida,

prenderam o rei que o Senhor havia escolhido,

aquele que pensávamos que ia nos defender dos invasores.

21Vocês, povo de Edom e de Uz, podem rir;

alegrem-se enquanto há tempo,

pois a sua desgraça também está chegando.

Vocês vão ficar bêbados e nus.

22Jerusalém já recebeu o castigo pelos seus pecados.

O Senhor não deixará que os seus moradores

fiquem espalhados em terras estrangeiras.

Mas vocês, povo de Edom, serão castigados por Deus;

ele fará com que todos fiquem conhecendo os pecados de vocês.

5

Oração pedindo misericórdia

51Ó Senhor Deus, lembra do que nos aconteceu;

olha para nós e vê a nossa desgraça.

2A nossa terra está nas mãos de estrangeiros,

e em nossas casas mora gente estranha.

3Somos órfãos de pai;

as nossas mães ficaram viúvas.

4Temos de comprar a nossa própria água de beber;

temos de pagar pela nossa própria lenha.

5Os nossos inimigos nos tratam com dureza;

estamos esgotados, porém não nos deixam descansar.

6Para termos o que comer, precisamos pedir,

estendendo as mãos aos egípcios e aos assírios.

7Os nossos antepassados pecaram e não existem mais,

e nós sofremos por causa dos seus pecados.

8Somos governados por escravos,

e não há ninguém que nos livre das suas mãos.

9Corremos perigo para conseguir alimento,

pois os bandidos do deserto nos atacam sem dó.

10A fome nos faz queimar de febre,

de modo que a nossa pele fica quente como um forno.

11Em Jerusalém e nas cidades de Judá,

mulheres e moças foram violentadas.

12Os inimigos enforcaram os nossos líderes

e desrespeitaram os nossos velhos.

13Os nossos moços são forçados a trabalhar pesado nos moinhos;

os meninos tropeçam, carregando feixes de lenha.

14Os velhos não fazem mais as suas rodinhas nas praças,

e os moços já não cantam mais.

15A alegria fugiu do nosso coração;

em lugar das nossas danças, ficou a tristeza.

16Nada sobrou daquilo que era o nosso orgulho.

Nós pecamos e estamos condenados.

17O nosso coração está doente,

e as lágrimas escurecem a nossa visão,

18porque o monte Sião está abandonado,

e as raposas andam pelas ruínas.

19Mas tu, ó Senhor, reinas para sempre,

tu dominas as gentes de todos os tempos.

20Por que nos abandonaste por tanto tempo?

Será que lembrarás de nós outra vez?

21Faze com que voltemos a ti, ó Senhor,

sim, faze-nos voltar!

Faze com que a nossa vida seja outra vez como era antes.

22Ou será que nos rejeitaste para sempre?

Será que a tua ira contra nós nunca vai acabar?