Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
1

As tristezas de Jerusalém

11Como está abandonada Jerusalém,

a cidade que antes vivia cheia de gente!

Ela era respeitada no mundo inteiro,

mas agora parece uma viúva;

a rainha entre as nações

hoje não passa de uma escrava.

2Ela chora a noite inteira,

as lágrimas correm pelo seu rosto.

Dos seus antigos amigos não ficou nenhum para a consolar.

Todos eles a traíram

e agora são inimigos dela.

3O povo de Judá foi levado para longe da sua pátria

e sofre como escravo em trabalhos forçados.

Eles moram em outros países

e não têm descanso.

Estão cercados pelos seus perseguidores

e não podem escapar.

4As estradas que levam a Sião estão tristes,

pois não há ninguém que vá por elas para as festas religiosas.

As moças que cantavam no Templo estão aflitas,

e os sacerdotes vivem gemendo.

A cidade sofre amargamente,

e não há gente para se reunir nas suas praças.

5Os seus inimigos a dominam,

e para eles tudo vai bem.

É que o Senhor Deus fez Jerusalém sofrer

por causa dos muitos pecados dos seus moradores.

Os seus filhos foram presos pelos inimigos

e levados para longe da sua pátria.

6A beleza de Jerusalém é coisa do passado.

As suas autoridades são como corços

que estão fracos de fome

e fogem, sem forças, dos caçadores.

7Nestes dias de tristeza e aflição,

Jerusalém lembra de todas as riquezas

que teve no passado.

Ela se recorda de que ninguém veio ajudá-la

quando caiu em poder dos inimigos,

que zombaram dela na sua queda.

8Ela perdeu a honra;

está nua, e todos a desprezam.

Ela vive gemendo

e esconde o rosto, envergonhada.

Jerusalém se tornou impura,

por haver pecado gravemente.

9Era fácil ver a mancha do seu pecado.

Jerusalém não pensou no que poderia acontecer.

Ela caiu de modo terrível

e não tem quem a console.

Os seus inimigos venceram,

e ela pede que o Senhor tenha misericórdia.

10Os inimigos levaram embora todas as suas riquezas.

O povo viu os pagãos entrarem no Templo,

coisa que Deus os proibiu de fazer.

11O povo de Jerusalém anda gemendo,

procurando o que comer;

eles trocaram as suas riquezas por alimentos

para poder continuar a viver.

A cidade diz:

“Ó Senhor, olha para mim

e vê a minha desgraça!”

12Aos que vão passando, Jerusalém diz:

“Olhem para mim!

Será que existe uma dor igual à minha?

No dia em que ficou irado,

o Senhor me castigou com esta aflição.

13“Lá de cima, Deus enviou um fogo

que queima dentro de mim.

Ele me armou uma armadilha

e me jogou no chão.

Depois, me abandonou num sofrimento

que não tem mais fim.

14“Ele tomou nota dos meus pecados,

amarrou-os todos juntos,

pendurou-os no meu pescoço,

e o peso deles acabou com as minhas forças.

O Senhor me entregou aos meus inimigos,

e eu não fui capaz de resistir.

15“O Senhor fez pouco dos meus melhores soldados.

Ele mandou um exército para destruir os meus moços

e esmagou o meu povo santo

como se esmagam as uvas para fazer vinho.

16“Tudo isso me faz chorar

e deixa os meus olhos cheios de lágrimas.

Não há ninguém que me console,

ninguém que me anime.

Os inimigos me derrotaram,

e o meu povo ficou no meio de ruínas.

17“Eu estendo as mãos,

mas ninguém quer me ajudar.

De todos os lados, o Senhor mandou inimigos contra mim,

e eles me tratam como se eu fosse uma coisa nojenta.

18“Mas o Senhor é justo e me castigou,

pois eu me revoltei contra os seus mandamentos.

Todos os povos, escutem!

Vejam a minha dor!

As minhas moças e os meus moços foram levados para longe como prisioneiros.

19“Pedi ajuda aos meus aliados,

mas eles me traíram.

Os sacerdotes e as autoridades morreram nas minhas ruas,

enquanto procuravam comida

para poder continuar a viver.

20“Vê, ó Senhor, a minha aflição;

estou profundamente perturbada!

A dor aperta o meu coração

quando penso que me revoltei contra ti.

Há assassinatos nas ruas,

e até dentro das casas há mortes.

21“Ó Deus, ouve os meus gemidos,

pois não há ninguém que me console.

Todos os meus inimigos sabem da minha desgraça

e ficam contentes porque tu me fizeste sofrer.

Faze com que venha o dia que prometeste,

para que os meus inimigos sofram tanto quanto eu.

22“Condena-os por causa de todas as suas maldades,

castiga-os como me castigaste por causa dos meus pecados.

Eu não paro de gemer,

e o meu coração está doente.”

2

Deus castiga Jerusalém

21Quando ficou irado,

o Senhor cobriu Jerusalém de escuridão.

Ele transformou num monte de ruínas

a cidade de Jerusalém, que parecia um céu

e que era o orgulho do povo de Israel.

No dia da sua ira,

Deus abandonou até o seu próprio Templo.

2Sem dó nem piedade,

o Senhor destruiu todas as cidades de Judá

e na sua ira acabou completamente com as suas fortalezas.

Ele jogou por terra, humilhados, o reino de Judá e as suas autoridades.

3No calor da sua ira,

Deus acabou de uma vez com o poder de Israel.

Quando os inimigos chegaram,

ele não quis nos ajudar

e ainda se jogou contra nós

como um fogo que destrói tudo ao seu redor.

4Como se fosse um inimigo,

Deus apontou as suas flechas contra nós

e, com a sua força, matou as pessoas mais estimadas do nosso povo.

Ele derramou a sua ira, como se fosse fogo,

sobre os moradores de Jerusalém.

5O Senhor é como um inimigo.

Ele destruiu Israel,

derrubou as suas fortalezas

e arrasou os seus palácios,

trazendo com isso tristeza e choro sem fim para o povo de Judá.

6Deus arrasou o seu Templo,

como se fosse uma horta,

e destruiu o lugar onde o adorávamos.

Ele nos fez esquecer as festas religiosas e os sábados.

No calor da sua ira, ele rejeitou com desprezo os reis e os sacerdotes.

7O Senhor desprezou o seu altar,

abandonou o seu Templo

e deixou que os inimigos derrubassem as suas paredes.

Ali eles deram os seus gritos de vitória,

como nós fazíamos nos dias de festa.

8O Senhor decidiu arrasar as muralhas de Jerusalém.

Ele fez o plano de destruição

e, sem descanso, o levou até o fim.

Muralhas e paredes racharam

e vieram abaixo ao mesmo tempo.

9Os portões da cidade estão enterrados no entulho,

e as suas trancas foram despedaçadas.

O rei e as autoridades estão espalhados pelas nações pagãs.

Não se ensina mais a lei,

e os profetas não recebem mais visões de Deus, o Senhor.

10Os moradores mais velhos de Jerusalém

estão sentados no chão, em silêncio.

Em sinal de tristeza, puseram terra na cabeça

e vestiram roupa feita de pano grosseiro.

As moças estão ajoelhadas,

com a cabeça encostada no chão.

11Os meus olhos estão gastos de tanto chorar;

estou muito aflito.

A tristeza acabou comigo

por causa da destruição do meu povo,

e porque vejo crianças e bebês morrendo de fome nas ruas da cidade.

12Essas crianças dizem:

“Mamãe, estou com fome!

Mamãe, estou com sede!”

Elas caem pelas ruas, como se estivessem feridas,

e morrem aos poucos nos braços das mães.

13Jerusalém querida, o que posso lhe dizer?

Como posso consolar você?

Nunca ninguém sofreu assim;

a sua desgraça é tão grande como o mar.

Quem poderá lhe dar esperança?

14As visões dos seus profetas foram falsas e enganosas.

Se eles tivessem condenado abertamente os seus pecados,

tudo teria sido diferente e melhor para você.

O que esses profetas fizeram foi enganá-la com mentiras.

15Os que vão passando zombam de você.

Eles sacodem a cabeça, dão risadas e perguntam:

“É esta a cidade que era chamada de ‘Beleza Perfeita’?

É esta o orgulho do mundo inteiro?”

16Todos os seus inimigos falam contra você e zombam.

Com ódio, eles dizem:

“Nós destruímos Jerusalém!

Chegou o dia que estávamos esperando!

Nós vimos tudo o que aconteceu!”

17O Senhor fez o que havia planejado;

ele cumpriu as ameaças

que havia feito há muito tempo.

Ele nos destruiu sem dó nem piedade,

deixando que os inimigos nos vencessem

e se alegrassem com a nossa derrota.

18Que as suas muralhas, ó Jerusalém, peçam ajuda ao Senhor!

Que as suas lágrimas corram dia e noite como um rio!

Não descanse; chore sem parar!

19Levante-se várias vezes de noite

para clamar, pedindo ajuda ao Senhor.

Derrame o coração na presença dele

e peça pela vida dos seus filhos,

que morrem de fome nas esquinas das ruas.

20Olha, ó Senhor Deus, e pensa:

Alguma vez trataste alguém assim?

Será que as mães deviam devorar os filhinhos que elas tanto amam?

Será que profetas e sacerdotes deviam ser assassinados no próprio Templo?

21Há mortos, tanto jovens como velhos, largados nas ruas;

os meus moços e as minhas moças foram mortos à espada.

No dia em que ficaste irado,

tu, ó Deus, os mataste sem dó nem piedade.

22Fizeste chegar, de todos os lados, os meus terríveis inimigos,

que vieram como se fosse para uma festa religiosa.

Ó Senhor, no dia em que ficaste irado,

ninguém escapou, ninguém ficou vivo.

Os inimigos destruíram os meus filhos

que criei com tanto amor.

3

Castigo, arrependimento e esperança

31Eu sou aquele que sabe o que é sofrer os golpes da ira de Deus.

2Ele me levou para a escuridão

e me fez andar por caminhos sem luz.

3Com a sua mão, me bateu muitas vezes,

o dia inteiro.

4Deus fez envelhecer a minha carne e a minha pele

e quebrou os meus ossos.

5Em volta de mim, ele construiu um muro de sofrimento e amargura.

6Ele me fez morar na escuridão,

como se eu estivesse morto há muito tempo.

7Deus me amarrou com pesadas correntes;

estou na prisão e não posso escapar.

8Grito pedindo socorro,

mas ele não quer ouvir a minha oração.

9Não posso seguir em frente,

pois, com grandes blocos de pedra, ele fechou o meu caminho.

10Deus tem sido para mim como um leão de tocaia,

como um urso pronto para atacar.

11Ele me afastou do caminho,

me fez em pedaços e depois me abandonou.

12Ele armou o seu arco

e fez de mim o alvo das suas flechas.

13As flechas atiradas por Deus

entraram fundo na minha carne.

14O dia inteiro as pessoas riem de mim;

elas zombam de mim nas suas canções.

15Deus me encheu de comidas amargas

e me fez beber fel

até eu não poder mais.

16Ele esfregou o meu rosto no chão

e quebrou os meus dentes nas pedras.

17Já não sei mais o que é paz

e esqueci o que é felicidade.

18Não tenho muito tempo de vida,

e a minha esperança no Senhor acabou.

19Eu lembro da minha tristeza e solidão,

das amarguras e dos sofrimentos.

20Penso sempre nisso

e fico abatido.

21Mas a esperança volta

quando penso no seguinte:

22O amor do Senhor Deus não se acaba,

e a sua bondade não tem fim.

23Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs;

e como é grande a fidelidade do Senhor!

24Deus é tudo o que tenho;

por isso, confio nele.

25O Senhor é bom para todos os que confiam nele.

26O melhor é ter esperança

e aguardar em silêncio a ajuda do Senhor.

27E é bom que as pessoas aprendam a sofrer com paciência

desde a sua juventude.

28Quando Deus nos faz sofrer,

devemos ficar sozinhos, pacientes

e em silêncio.

29Devemos nos curvar, humildes,

pois ainda pode haver esperança.

30Quando somos ofendidos, não devemos reagir,

mas sim suportar todos os insultos.

31O Senhor não rejeita ninguém para sempre.

32Ele pode fazer a gente sofrer,

mas também tem compaixão

porque o seu amor é imenso.

33Não é com prazer que ele nos causa sofrimento ou dor.

34Deus sabe quando neste país

os prisioneiros são massacrados sem compaixão.

35O Deus Altíssimo sabe quando são desrespeitados os direitos humanos,

que ele mesmo nos deu.

36Sim, o Senhor sabe quando torcem a justiça num processo.

37Ninguém pode fazer acontecer nada

se Deus não quiser.

38Tanto as coisas boas como as más acontecem por ordem do Deus Altíssimo.

39Por que nos queixarmos da vida

quando somos castigados por causa dos nossos pecados?

40Examinemos seriamente o que temos feito

e voltemos para o Senhor.

41Abramos o nosso coração a Deus, que está no céu,

e oremos assim:

42“Ó Deus, nós pecamos, nos revoltamos,

e não nos perdoaste.

43“Tu ficaste irado conosco,

nos perseguiste,

nos mataste sem dó nem piedade.

44Tu te cercaste de nuvens

para que as nossas orações não chegassem a ti.

45Fizeste com que as nações olhassem para nós

como se fôssemos um monte de lixo e refugos.

46“Somos insultados por todos os nossos inimigos.

47Temos vivido no meio de medos, perigos, desgraças e destruição.”

48Dos meus olhos correm rios de lágrimas

por causa da destruição do meu povo.

49Sem parar, os meus olhos vão derramar lágrimas

50até que o Senhor olhe lá do céu

e nos veja.

51O meu coração sofre muito quando penso

no que vi acontecer com as mulheres da minha cidade.

52Os meus inimigos,

que não tinham razão para me odiar,

me caçaram como se eu fosse um passarinho.

53Eles me jogaram vivo num poço

e o taparam com uma pedra.

54A água subiu acima da minha cabeça,

e eu pensei: “Estou perdido!”

55Do fundo do poço, gritei

pedindo a tua ajuda, ó Senhor.

56Roguei que me escutasses,

e tu ouviste o meu grito.

57No dia em que te chamei,

chegaste perto de mim e disseste:

“Não tenha medo!”

58Ó Senhor, tu vieste me socorrer

e salvaste a minha vida.

59Julga a meu favor, ó Senhor,

pois conheces as injustiças que tenho sofrido.

60Tu sabes como os meus inimigos são vingativos

e conheces os planos que fazem contra mim.

61Ó Senhor Deus, tu ouviste os seus insultos

e conheces todos os seus planos.

62Tu sabes que o dia inteiro falam contra mim

e planejam me prejudicar.

63Tu vês que, em todos os momentos,

eles zombam de mim.

64Ó Senhor, dá-lhes o que merecem,

castiga-os pelo que têm feito.

65Amaldiçoa-os

e faze com que eles caiam no desespero.

66Persegue-os na tua ira, ó Senhor,

e acaba com eles aqui na terra!