Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
17

Jesus ora em favor dos seus seguidores

171Depois de dizer essas coisas, Jesus olhou para o céu e disse:

— Pai, chegou a hora. Revela a natureza divina do teu Filho a fim de que ele revele a tua natureza gloriosa. 2Pois tens dado ao Filho autoridade sobre todos os seres humanos para que ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste. 3E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo. 4Eu revelei no mundo a tua natureza gloriosa, terminando assim o trabalho que me deste para fazer. 5E agora, Pai, dá-me na tua presença a mesma grandeza divina que eu tinha contigo antes de o mundo existir.

6— Eu mostrei quem tu és para aqueles que tiraste do mundo e me deste. Eles eram teus, e tu os deste para mim. Eles têm obedecido à tua mensagem 7e agora sabem que tudo o que me tens dado vem de ti. 8Pois eu lhes entreguei a mensagem que tu me deste, e eles a receberam, e ficaram sabendo que é verdade que eu vim de ti, e creram que tu me enviaste.

9— Eu peço em favor deles. Não peço em favor do mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. 10Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e a minha natureza divina se revela por meio daqueles que me deste. 11Agora estou indo para perto de ti. Eles continuam no mundo, mas eu não estou mais no mundo. Pai santo, pelo poder do teu nome, o nome que me deste, guarda-os para que sejam um, assim como tu e eu somos um. 12Quando estava com eles no mundo, eu os guardava pelo poder do teu nome, o mesmo nome que me deste. Tomei conta deles; e nenhum se perdeu, a não ser aquele que já ia se perder para que se cumprisse o que as Escrituras Sagradas dizem.

17.12
Sl 41.9
Jo 13.18
13E agora estou indo para perto de ti. Mas digo isso enquanto estou no mundo para que o coração deles fique cheio da minha alegria. 14Eu lhes dei a tua mensagem, mas o mundo ficou com ódio deles porque eles não são do mundo, como eu também não sou. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno17.15 O Diabo, chefe das forças do mal.. 16Assim como eu não sou do mundo, eles também não são. 17Que eles sejam teus por meio da verdade; a tua mensagem é a verdade. 18Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei. 19Em favor deles eu me entrego completamente a ti. Faço isso para que, de fato, eles também sejam completamente teus.

20— Não peço somente por eles, mas também em favor das pessoas que vão crer em mim por meio da mensagem deles. 21E peço que todos sejam um. E assim como tu, meu Pai, estás unido comigo, e eu estou unido contigo, que todos os que crerem também estejam unidos a nós para que o mundo creia que tu me enviaste. 22A natureza divina que tu me deste eu reparti com eles a fim de que possam ser um, assim como tu e eu somos um. 23Eu estou unido com eles, e tu estás unido comigo, para que eles sejam completamente unidos, a fim de que o mundo saiba que me enviaste e que amas os meus seguidores como também me amas.

24— Pai, quero que, onde eu estiver, aqueles que me deste estejam comigo a fim de que vejam a minha natureza divina, que tu me deste; pois me amaste antes da criação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheço; e aqueles que me deste sabem que tu me enviaste. 26Eu fiz com que eles te conheçam e continuarei a fazer isso para que o amor que tens por mim esteja neles e para que eu também esteja unido com eles.

18

Jesus é preso

Mateus 26.47-56; Marcos 14.43-50; Lucas 22.47-54a

181Depois de fazer essa oração, Jesus saiu com os discípulos e foi para o outro lado do riacho de Cedrom. Havia ali um jardim, onde Jesus entrou com eles. 2Judas, o traidor, conhecia aquele lugar porque Jesus tinha se reunido muitas vezes ali com os discípulos. 3Então Judas foi ao jardim com um grupo de soldados e alguns guardas do Templo mandados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus. Eles estavam armados e levavam lanternas e tochas. 4Jesus sabia de tudo o que lhe ia acontecer. Por isso caminhou na direção deles e perguntou:

— Quem é que vocês estão procurando?

5— Jesus de Nazaré! — responderam.

— Sou eu! — disse Jesus.

Judas, o traidor, estava com eles. 6Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram no chão. 7Jesus perguntou outra vez:

— Quem é que vocês estão procurando?

— Jesus de Nazaré! — tornaram a responder.

8Jesus disse:

— Já afirmei que sou eu. Se é a mim que vocês procuram, então deixem que estes outros vão embora!

9Jesus disse isso para que se cumprisse o que ele tinha dito antes: “Pai, de todos aqueles que me deste, nenhum se perdeu.”

10Aí Simão Pedro tirou a espada, atacou um empregado do Grande Sacerdote e cortou a orelha direita dele. O nome do empregado era Malco. 11Mas Jesus disse a Pedro:

— Guarde a sua espada! Por acaso você pensa que eu não vou beber o cálice de sofrimento que o Pai me deu?

18.11
Mt 26.39
Mc 14.36
Lc 22.42

Jesus diante de Anás

12Em seguida os soldados, o comandante e os guardas do Templo prenderam Jesus e o amarraram. 13Então o levaram primeiro até a casa de Anás. Anás era o sogro de Caifás, que naquele ano era o Grande Sacerdote. 14Caifás era quem tinha dito aos líderes judeus que era melhor para eles que morresse apenas um homem pelo povo.

18.14
Jo 11.49-50

Pedro nega Jesus

Mateus 26.69-70; Marcos 14.66-68; Lucas 22.54b-57

15Simão Pedro foi seguindo Jesus, junto com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do Grande Sacerdote18.15 Trata-se aqui de Anás, o sogro de Caifás. Anás tinha sido o Grande Sacerdote antes de Caifás, e era costume continuar chamando de “Grande Sacerdote” aquele que já havia ocupado esse cargo (ver Lc 3.2). e por isso conseguiu entrar no pátio da casa dele junto com Jesus. 16Mas Pedro ficou do lado de fora, perto da porta. O outro discípulo, que era conhecido do Grande Sacerdote, saiu e falou com a empregada que tomava conta da porta. Então ela deixou Pedro entrar 17e lhe perguntou:

— Você não é um dos seguidores daquele homem?

— Eu, não! — respondeu ele.

18Por causa do frio, os empregados e os guardas tinham feito uma fogueira e estavam se aquecendo de pé, em volta dela. Pedro estava de pé, no meio deles, aquecendo-se também.

Jesus diante do Grande Sacerdote

Mateus 26.57-68; Marcos 14.53-65; Lucas 22.54,66-71

19O Grande Sacerdote18.19 Isto é, Anás (ver Jo 18.15, nota). fez algumas perguntas a Jesus a respeito dos seus seguidores e dos seus ensinamentos. 20E Jesus respondeu:

— Eu sempre falei a todos publicamente. Ensinava nas sinagogas e no pátio do Templo, onde o povo se reúne, e nunca disse nada em segredo. 21Então, por que o senhor está me fazendo essas perguntas? Pergunte aos que me ouviram, pois eles sabem muito bem o que eu disse a eles.

22Quando Jesus disse isso, um dos guardas do Templo que estavam ali deu-lhe uma bofetada e disse:

— Isso é maneira de falar com o Grande Sacerdote?

23— Se eu disse alguma mentira, prove que menti! — respondeu Jesus. — Mas, se eu falei a verdade, por que é que você está me batendo?

24Depois Anás mandou Jesus, ainda amarrado, para Caifás, o Grande Sacerdote.

Pedro nega Jesus outra vez

Mateus 26.71-75; Marcos 14.69-72; Lucas 22.58-62

25Pedro ainda estava lá, de pé, aquecendo-se perto do fogo. Então lhe perguntaram:

— Você não é um dos seguidores daquele homem?

— Não, eu não sou! — respondeu ele.

26Um dos empregados do Grande Sacerdote, parente do homem de quem Pedro tinha cortado a orelha, perguntou:

— Será que eu não vi você com ele no jardim?

27E outra vez Pedro disse que não.

E no mesmo instante o galo cantou.

Jesus diante de Pilatos

Mateus 27.1-2,11-14; Marcos 15.1-5; Lucas 23.1-5

28Depois levaram Jesus da casa de Caifás para o palácio do Governador romano. Já era de manhã cedo. Os líderes judeus não entraram no palácio porque queriam continuar puros, conforme a religião deles; pois só assim poderiam comer o jantar da Páscoa. 29Então o governador Pilatos saiu, foi encontrar-se com eles e perguntou:

— Que acusação vocês têm contra este homem?

30Eles responderam:

— O senhor acha que nós lhe entregaríamos este homem se ele não tivesse cometido algum crime?

31Pilatos disse:

— Levem este homem e o julguem vocês mesmos, de acordo com a lei de vocês.

Então eles responderam:

— Nós não temos o direito de matar ninguém.

32Isso aconteceu assim para que se cumprisse o que Jesus tinha dito quando falou a respeito de como ia morrer18.32 Os romanos crucificavam os que eram condenados à morte; os judeus os matavam a pedradas..

18.32
Jo 3.14
12.32

33Pilatos tornou a entrar no palácio, chamou Jesus e perguntou:

— Você é o rei dos judeus?

34Jesus respondeu:

— Esta pergunta é do senhor mesmo ou foram outras pessoas que lhe disseram isso a meu respeito?

35— Por acaso eu sou judeu? — disse Pilatos. — A sua própria gente e os chefes dos sacerdotes é que o entregaram a mim. O que foi que você fez?

36Jesus respondeu:

— O meu Reino não é deste mundo! Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para não deixar que eu fosse entregue aos líderes judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é deste mundo!

37— Então você é rei? — perguntou Pilatos.

— É o senhor que está dizendo que eu sou rei! — respondeu Jesus. — Foi para falar da verdade que eu nasci e vim ao mundo. Quem está do lado da verdade ouve a minha voz.

38— O que é a verdade? — perguntou Pilatos.

Jesus é condenado à morte

Mateus 27.15-31; Marcos 15.6-20; Lucas 23.13-25

Depois de dizer isso, Pilatos saiu outra vez para falar com a multidão e disse:

— Não vejo nenhum motivo para condenar este homem. 39Mas, de acordo com o costume de vocês, eu sempre solto um prisioneiro na ocasião da Páscoa. Vocês querem que eu solte para vocês o rei dos judeus?

40Todos começaram a gritar:

— Não, ele não! Nós queremos que solte Barrabás!

Acontece que esse Barrabás era um criminoso.

19

191Aí Pilatos mandou chicotear Jesus. 2Depois os soldados fizeram uma coroa de ramos cheios de espinhos, e a puseram na cabeça dele, e o vestiram com uma capa vermelha. 3Chegavam perto dele e diziam:

— Viva o rei dos judeus!

E davam bofetadas nele. 4Aí Pilatos saiu outra vez e disse para a multidão:

— Escutem! Vou trazer o homem aqui para que vocês saibam que não encontro nenhum motivo para condená-lo!

5Então Jesus saiu com a coroa de espinhos na cabeça e vestido com a capa vermelha.

— Vejam! Aqui está o homem! — disse Pilatos.

6Quando os chefes dos sacerdotes e os guardas do Templo viram Jesus, começaram a gritar:

— Crucifica! Crucifica!

— Vocês que o levem e o crucifiquem! Eu não encontro nenhum motivo para condenar este homem! — repetiu Pilatos.

7A multidão respondeu:

— Nós temos uma Lei, e ela diz que este homem deve morrer porque afirma que é o Filho de Deus.

8Quando Pilatos ouviu isso, ficou com mais medo ainda. 9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus:

— De onde você é?

Mas Jesus não respondeu nada. 10Então Pilatos disse:

— Você não quer falar comigo? Lembre que eu tenho autoridade tanto para soltá-lo como para mandar crucificá-lo.

11Jesus respondeu:

— O senhor só tem autoridade sobre mim porque ela lhe foi dada por Deus. Por isso aquele que me entregou ao senhor é culpado de um pecado maior.

12Depois disso Pilatos quis soltar Jesus. Mas a multidão gritou:

— Se o senhor soltar esse homem, não é amigo do Imperador! Pois quem diz que é rei é inimigo do Imperador!

13Quando Pilatos ouviu isso, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado “Calçada de Pedra”. (Em hebraico o nome desse lugar é “Gabatá”.) 14Era quase meio-dia da véspera da Páscoa. Pilatos disse para a multidão:

— Aqui está o rei de vocês!

15Mas eles gritaram:

— Mata! Mata! Crucifica!

Então Pilatos perguntou:

— Querem que eu crucifique o rei de vocês?

Mas os chefes dos sacerdotes responderam:

— O nosso único rei é o Imperador!

16Então Pilatos entregou Jesus aos soldados para ser crucificado, e eles o levaram.

A crucificação de Jesus

Mateus 27.32-44; Marcos 15.21-32; Lucas 23.26-43

17Jesus saiu carregando ele mesmo a cruz para o lugar chamado Calvário. (Em hebraico o nome desse lugar é “Gólgota”.)

18Ali os soldados pregaram Jesus na cruz. E crucificaram também outros dois homens, um de cada lado dele. 19-20Pilatos mandou escrever um letreiro e colocá-lo na parte de cima da cruz. Nesse letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Muitas pessoas leram o letreiro porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. 21Então os chefes dos sacerdotes disseram a Pilatos:

— Não escreva: “Rei dos Judeus”; escreva: “Este homem disse: Eu sou o Rei dos Judeus”.

22— O que escrevi escrevi! — respondeu Pilatos.

23Depois que os soldados crucificaram Jesus, pegaram as roupas dele e dividiram em quatro partes, uma para cada um. Mas a túnica era sem costura, toda tecida numa só peça de alto a baixo. 24Por isso os soldados disseram uns aos outros:

— Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar a sorte para ver quem fica com ela.

Isso aconteceu para que se cumprisse o que as Escrituras Sagradas dizem:

“Repartiram entre si as minhas roupas

e fizeram sorteio da minha túnica.”

E foi isso o que os soldados fizeram.
19.24
Sl 22.18

25Perto da cruz de Jesus estavam a sua mãe, e a irmã dela, e Maria, a esposa de Clopas, e também Maria Madalena. 26Quando Jesus viu a sua mãe e perto dela o discípulo que ele amava, disse a ela:

— Este é o seu filho.

27Em seguida disse a ele:

— Esta é a sua mãe.

E esse discípulo levou a mãe de Jesus para morar dali em diante na casa dele.

A morte de Jesus

Mateus 27.45-56; Marcos 15.33-41; Lucas 23.44-49

28Agora Jesus sabia que tudo estava completado. Então, para que se cumprisse o que dizem as Escrituras Sagradas, disse:

— Estou com sede!

19.28
Sl 22.15
69.21

29Havia ali uma vasilha cheia de vinho comum. Molharam no vinho uma esponja, puseram a esponja num bastão de hissopo e a encostaram na boca de Jesus. 30Quando ele tomou o vinho, disse:

— Tudo está completado!

Então baixou a cabeça e morreu.

Um soldado fura o lado de Jesus

31Então os líderes judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas19.31 Para apressar a morte. dos que tinham sido crucificados e mandasse tirá-los das cruzes. Pediram isso porque era sexta-feira e não queriam que, no sábado, os corpos ainda estivessem nas cruzes. E aquele sábado era especialmente santo. 32Os soldados foram e quebraram as pernas do primeiro homem que tinha sido crucificado com Jesus e depois quebraram as pernas do outro. 33Mas, quando chegaram perto de Jesus, viram que ele já estava morto e não quebraram as suas pernas. 34Porém um dos soldados furou o lado de Jesus com uma lança. No mesmo instante saiu sangue e água.

35Quem viu isso contou o que aconteceu para que vocês também creiam. O que ele disse é verdade, e ele sabe que fala a verdade. 36Isso aconteceu para que se cumprisse o que as Escrituras Sagradas dizem: “Nenhum dos seus ossos será quebrado.”

19.36
Êx 12.46
Nm 9.12
Sl 34.20
37E em outro lugar as Escrituras Sagradas dizem: “Eles olharão para aquele a quem atravessaram com a lança.”
19.37
Zc 12.10
Ap 1.7

O sepultamento de Jesus

Mateus 27.57-61; Marcos 15.42-47; Lucas 23.50-56

38Depois disso, José, da cidade de Arimateia, pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus. (José era seguidor de Jesus, mas em segredo porque tinha medo dos líderes judeus.) Pilatos deu licença, e José foi e retirou o corpo de Jesus. 39Nicodemos, aquele que tinha ido falar com Jesus à noite, foi com José, levando uns trinta e cinco quilos de uma mistura de aloés e mirra.

19.39
Jo 3.1-2
40Os dois homens pegaram o corpo de Jesus e o enrolaram em lençóis nos quais haviam espalhado essa mistura. Era assim que os judeus preparavam os corpos dos mortos para serem sepultados.

41No lugar onde Jesus tinha sido crucificado havia um jardim com um túmulo novo onde ninguém ainda tinha sido colocado. 42Puseram ali o corpo de Jesus porque o túmulo ficava perto e também porque o sábado dos judeus ia começar logo19.42 Isto é, ao pôr do sol da sexta-feira..