Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
2

A fidelidade de Israel

21-2O Senhor Deus me mandou entregar a todos os moradores de Jerusalém a seguinte mensagem:

“Meu povo, eu lembro de quando você era jovem.

Como você era fiel

e como me amava quando éramos recém-casados!

Lembro como me seguiu pelo deserto,

por uma terra onde não havia plantações.

3Povo de Israel, você era só meu;

era sagrado como o trigo

que é colhido primeiro

e oferecido a mim.

Eu castiguei todos os que fizeram você sofrer

e fiz cair o mal sobre eles.

Eu, o Senhor, estou falando.”

O pecado dos antepassados dos israelitas

4Descendentes de Jacó e famílias do povo de Israel, escutem a mensagem de Deus, o Senhor. 5Ele diz:

“Que defeito os seus antepassados acharam em mim

para me abandonar?

Adoraram ídolos inúteis

e eles mesmos se tornaram inúteis.

6Eles me desprezaram;

no entanto, fui eu quem os tirou do Egito.

Eu os levei pelo deserto,

terra de montanhas e de precipícios;

terra seca e perigosa,

por onde ninguém viaja

e onde ninguém mora.

7Eu os trouxe para uma terra boa

a fim de que se alimentassem das suas colheitas

e do que ela tem de melhor.

Mas eles vieram

e mancharam a minha terra;

fizeram com que a terra que lhes dei virasse um lugar nojento.

8Os sacerdotes não perguntaram:

‘Onde está2.8 Isto é, onde e como deve ser adorado. o Senhor?’

Os que lidam com a Lei não quiseram saber de mim.

Os governadores se revoltaram contra mim.

Os profetas falaram em nome do deus Baal

e adoraram ídolos

que não podem ajudar ninguém.”

A acusação de Deus contra o seu povo

9O Senhor Deus diz:

“Assim eu vou novamente fazer uma acusação contra o meu povo.

Vou apresentar a minha causa

contra vocês e os seus descendentes.

Sou eu, o Senhor, quem está falando.

10Vão até a ilha de Chipre, no Oeste, e vejam;

mandem alguém a Quedar, no Leste,

e prestem bastante atenção,

pois uma coisa como esta nunca aconteceu antes.

11Nenhuma outra nação trocou os seus deuses por outros

que nem eram deuses de verdade.

Mas o meu povo me trocou,

trocou a mim, o seu Deus glorioso,

por deuses que não podem ajudá-los.

12Por isso, eu, o Senhor,

vou mandar que o céu trema de horror

e que fique cheio de pavor e de espanto.

13O meu povo cometeu dois pecados:

Eles abandonaram a mim,

a fonte de água fresca,

e cavaram cisternas, cisternas rachadas

que deixam vazar a água da chuva.”

Os resultados da infidelidade do povo

14O Senhor Deus diz:

“O povo de Israel não é escravo,

nem nasceu escravo.

Então por que os seus inimigos o escravizam?

15Como se fossem leões,

eles têm dado urros contra Israel;

eles têm rugido com força.

Fizeram com que a terra de Israel virasse um deserto;

as suas cidades estão destruídas,

e ninguém mora nelas.

16Sim, os moradores de Mênfis e de Tafnes

raparam a cabeça2.16 Maneira humilhante de castigar prisioneiros de guerra (ver Is 7.20). de Israel.

17“Povo de Israel,

foi por sua própria culpa

que tudo isso aconteceu com você.

Você abandonou a mim, o Senhor, seu Deus,

quando eu o estava guiando pelo caminho.

18E, agora, o que é que você vai ganhar,

indo até o Egito

para beber água do rio Nilo?

O que você vai ganhar,

indo até a Assíria

para beber água do rio Eufrates?

19A sua própria maldade o castigará,

e você será condenado porque me abandonou.

Você vai aprender de uma vez como é ruim e amargo

abandonar a mim, o Senhor, seu Deus,

e deixar de me temer.

Eu, o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, estou falando.”

O povo não quer adorar ao Senhor

20O Senhor Deus diz:

“Povo de Israel,

faz muito tempo que você rejeitou a minha autoridade.

Você não quis me obedecer, nem me adorar.

E, em todos os montes altos

e debaixo de todas as árvores sagradas,

você praticava imoralidade na adoração aos deuses.

21Eu o plantei como uma parreira escolhida,

uma muda da melhor qualidade.

Mas veja o que você é agora!

É uma parreira estragada,

que não presta mais.

22Mesmo que você se lavasse com muito sabão,

com sabão bem forte,

eu ainda poderia ver a mancha da sua culpa.

Sou eu, o Senhor, quem está falando.

23Como é que você pode dizer que não se manchou

e que nunca adorou o deus Baal?

Veja como você pecou no vale,

veja só o que fez.

Você é como uma camela nova no cio,

correndo solta por aí.

24É como uma jumenta selvagem do deserto, quando está no cio:

quem a pode impedir de satisfazer o seu desejo?

O macho que a quer não precisa procurá-la:

ela sempre pode ser encontrada

na época do cruzamento.

25Povo de Israel,

cuidado para que os seus pés não se machuquem

de tanto você andar atrás de outros deuses;

cuidado para que a sua garganta não fique seca.

Mas você diz: ‘Não! Não adianta!

Eu me apaixonei por deuses estrangeiros

e vou atrás deles.’ ”

O castigo do povo de Israel

26O Senhor Deus diz:

— Como o ladrão fica envergonhado quando é pego, assim o povo de Israel passará vergonha: todos vocês, os seus reis e príncipes, os seus sacerdotes e profetas. 27Passarão vergonha todos aqueles que dizem a um pedaço de madeira: “Você é o meu pai”, e a uma pedra: “Você é a minha mãe”. Isso vai acontecer porque vocês me viraram as costas, em vez de virarem o rosto para o meu lado. No entanto, quando estão em dificuldades, vocês vêm me pedir que os salve. 28Onde estão os deuses que vocês fizeram para vocês mesmos? Quando vocês estão em dificuldades, que eles os salvem, se é que podem. Judá, os seus deuses são tantos quantas as suas cidades. 29Eu, o Senhor, pergunto:

— Qual é a queixa que vocês têm de mim? Vocês todos se revoltaram contra mim. 30Eu os castiguei, porém isso não adiantou nada; vocês não quiseram aprender a lição. Como um leão furioso, vocês mataram os seus próprios profetas. 31Todos vocês, prestem muita atenção no que estou dizendo. Povo de Israel, será que eu tenho sido para vocês como um deserto, como uma terra perigosa? Então por que é que vocês dizem que vão fazer o que quiserem e que não voltarão mais para mim? 32Por acaso, uma jovem esquece as suas joias? Ou uma noiva esquece o seu véu? Mas o meu povo esqueceu de mim por tantos dias, que nem dá para contar. 33Vocês sabem muito bem como andar atrás dos amantes, e até as prostitutas podem aprender isso com vocês. 34As roupas de vocês estão manchadas com o sangue de pobres e inocentes que nunca assaltaram as suas casas.

— Mas, apesar de tudo isso, o meu povo diz: 35“Eu estou inocente. Certamente, o Senhor Deus não está mais irado comigo.” Mas eu, o Senhor, o castigarei porque você diz que não pecou. 36Por que você muda assim para pior, sem mais nem menos? Como você ficou desiludido com a Assíria, também ficará desiludido com o Egito. 37Você vai voltar também do Egito de cabeça baixa, envergonhado. Eu, o Senhor, rejeitei aqueles em quem você confia; você não vai ganhar nada ficando com eles.

3

A infidelidade do povo

31O Senhor Deus diz:

— Se um homem se divorciar da sua mulher, e ela o deixar para casar com outro, o primeiro marido não poderá casar com ela outra vez. Isso mancharia completamente a terra de Israel. Mas você, meu povo, tem tido muitos amantes e agora quer voltar para mim! Sou eu, o Senhor, quem está falando. 2Olhe para o alto dos montes e veja: será que existe algum lugar onde você não agiu como prostituta? Você ficava na beira da estrada esperando os fregueses, como um árabe que espera no deserto para assaltar alguém. Você manchou a terra de Israel com a sua prostituição e os seus vícios. 3É por isso que não tem chovido, e as chuvas da primavera deixaram de cair. Mas você tem até jeito de prostituta e mostrou que não tem vergonha.

4— E agora você me diz: “Tu és o meu pai, tu me tens amado desde que eu era criança. 5Tu não ficarás com raiva de mim para sempre.” Povo de Israel, foi isso o que você disse, mas continuou fazendo todo mal que podia.

A necessidade do arrependimento

6No tempo do rei Josias, o Senhor Deus me disse:

— Você está vendo o que fez Israel3.6 O Reino do Norte., aquela mulher infiel que virou as costas para mim? Ela subiu em todos os montes altos e ficou debaixo de todas as árvores que dão sombra, agindo como prostituta.

3.6
2Rs 22.1—23.30
2Cr 34.1—35.27
7Eu, o Senhor, pensei assim: “Depois de fazer tudo isso, com toda a certeza ela voltará para mim.” Porém não voltou, e Judá, a sua irmã infiel, viu isso. 8Judá também sabe que eu me divorciei de Israel e que a mandei embora porque ela me abandonou e virou prostituta. Mas Judá, a sua irmã infiel, não ficou com medo. Ela também virou prostituta 9e não ficou envergonhada. Ela manchou a sua terra porque cometeu adultério, adorando pedras e árvores. 10E o pior de tudo é que Judá, a infiel irmã de Israel, só fingiu que voltava para mim: ela não foi sincera. Eu, o Senhor, estou falando.

11Aí Deus me disse que, embora o povo de Israel o tivesse abandonado, ainda era menos culpado do que a infiel Judá. 12Ele mandou que eu fosse até o Norte e dissesse ao povo:

— Ó Israel infiel, volte para mim. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Sou bondoso e por isso não ficarei com raiva de você, não ficarei irado para sempre. Sou eu, o Senhor, quem está falando. 13Basta você reconhecer que é culpada e que se revoltou contra o Senhor, seu Deus. Confesse que debaixo de todas as árvores que dão sombra você deu o seu amor a deuses estrangeiros e não me obedeceu. Eu, o Senhor, estou falando.

O convite ao arrependimento

14O Senhor Deus diz:

— Volte, povo infiel, pois vocês são meus. Eu vou pegar vocês, um de cada cidade e dois de cada grupo de famílias, e vou levá-los de volta ao monte Sião. 15Eu darei a vocês líderes que me obedeçam, e eles governarão com sabedoria e inteligência. 16Então, quando vocês se tornarem um povo numeroso naquela terra, ninguém mais falará a respeito da arca da aliança. Vocês não pensarão mais na arca, nem lembrarão dela; não precisarão dela, nem farão outra. 17E aí, quando chegar o tempo certo, Jerusalém será chamada de “Trono do Senhor Deus”, e todas as nações se reunirão ali em meu nome. Não farão mais aquilo que os seus corações teimosos e maus mandarem. 18O povo de Israel se unirá com o de Judá, e eles voltarão juntos da terra do Norte3.18 Isto é, a Assíria. para a terra que dei aos seus antepassados.

O abandono da idolatria

19O Senhor Deus diz:

“Povo de Israel,

eu queria aceitá-lo como meu filho

e lhe dar uma terra agradável,

a terra mais linda do mundo.

Pensei que você ia me chamar de pai

e que nunca mais me abandonaria.

20Mas, como a mulher que trai o marido,

assim você me traiu.

Sou eu, o Senhor, quem está falando.”

21No alto dos montes, se ouve um barulho;

são os israelitas chorando

e pedindo perdão

porque têm vivido uma vida de pecado

e têm esquecido o Senhor, seu Deus.

22Voltem, todos vocês que abandonaram o Senhor,

pois ele vai curar a sua infidelidade.

Vocês dizem:

— Sim! Estamos voltando para o Senhor, pois ele é o Senhor, nosso Deus. 23Não recebemos nenhuma ajuda dos deuses pagãos que temos adorado com gritos no alto das montanhas. Só o nosso Deus, o Senhor, pode ajudar o povo de Israel. 24Por termos adorado Baal, o deus da vergonha, perdemos tudo o que os nossos pais conseguiram desde que éramos crianças, isto é, as ovelhas, o gado, os filhos e as filhas. 25Vamos nos humilhar; vamos ficar cheios de vergonha. Desde o tempo em que o Senhor nos tirou do Egito, nós e os nossos antepassados temos pecado contra ele e não lhe temos obedecido.

4

A volta a Deus

41O Senhor Deus diz:

— Povo de Israel, se você vai voltar, volte para mim. Eu odeio os ídolos; acabe com eles e seja fiel a mim. 2Então, sim, você estará sendo verdadeiro, correto e honesto quando jurar pelo meu nome. Todas as nações pedirão que eu as abençoe e elas me louvarão.

3Deus diz aos homens da tribo de Judá e da cidade de Jerusalém:

— Passem o arado na terra que não foi preparada para plantar e não semeiem as sementes no meio de espinhos.

4.3
Os 10.12
4Povo de Judá e moradores de Jerusalém, sejam fiéis à aliança que fizeram comigo, o Senhor, e se dediquem a mim de todo o coração; se não, a minha ira queimará como fogo. E, por causa das maldades que vocês têm feito, o meu furor será como fogo, e ninguém poderá apagá-lo.

A ameaça de invasão

5Toquem a corneta em toda a terra!

Gritem bem alto e bem claro!

Digam ao povo de Judá e de Jerusalém

que corra para as cidades protegidas por muralhas.

6Mostrem o caminho que vai a Sião!

Corram para os abrigos!

Não demorem!

Do Norte, Deus vai trazer desgraça e grande destruição.

7Como um leão que sai do seu esconderijo,

um destruidor de nações vem vindo

para acabar com o povo de Judá.

As cidades de Judá serão destruídas,

e ninguém morará nelas.

8Portanto, vistam roupa feita de pano grosseiro como sinal de tristeza.

Lamentem e chorem,

pois o fogo da ira de Deus não se desviou de Judá.

9O Senhor Deus disse:

— Naquele dia, os reis e as autoridades perderão a coragem, os sacerdotes ficarão abalados e os profetas ficarão admirados.

10Então eu disse:

— Ó Senhor, meu Deus, tu enganaste completamente o povo de Jerusalém! Disseste que ia haver paz, mas o que há é uma espada encostada na garganta deles.

11Está chegando o tempo de dizer ao povo de Jerusalém que do deserto um vento muito quente vai soprar sobre o povo de Deus. Não será o vento fraco que separa a palha do trigo. 12O vento que vem mandado por Deus será muito forte. Agora, é Deus mesmo que está dando a sentença contra o seu povo.

O ataque contra Judá

13Olhem! Os inimigos vêm vindo como nuvens. Os seus carros de guerra são como uma forte ventania, e os seus cavalos são mais rápidos do que as águias. Estamos perdidos! Estamos acabados!

14Jerusalém, limpe a maldade do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai continuar com os seus maus pensamentos?

15Mensageiros da cidade de Dã e das montanhas de Efraim anunciam as más notícias da invasão. 16Eles mandam avisar as nações e dizer a Jerusalém que os inimigos vêm vindo de um país distante e que eles vão dar o seu grito de guerra contra as cidades de Judá. 17Eles vão cercar Jerusalém como homens que guardam uma plantação, pois a nossa nação se revoltou contra Deus, o Senhor.

18Judá, você trouxe esse mal para você mesmo por causa do seu modo de viver, por causa das coisas que tem feito. O seu pecado trouxe esse sofrimento e feriu o seu próprio coração. Eu, o Senhor, estou falando.

A tristeza de Jeremias por causa do seu povo

19Que dor!

Não posso suportar tanta dor!

Ah! meu coração!

O meu coração está batendo forte!

Não posso ficar calado,

pois ouvi a corneta e os gritos de guerra.

20Uma desgraça vem atrás da outra;

o país inteiro está arrasado.

De repente, as nossas barracas são destruídas,

e as suas cortinas são rasgadas em pedaços.

21Até quando terei de ver as bandeiras inimigas

e ouvir o som da corneta na batalha?

22Deus diz:

“O meu povo não tem juízo

e não me conhece.

Eles são como crianças tolas

que não compreendem as coisas.

Para fazer o mal, são espertos,

mas não sabem fazer o bem.”

A destruição futura

23Então olhei.

A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente,

e no céu não havia luz.

24Olhei para as montanhas,

e elas estavam tremendo;

e os montes balançavam para lá e para cá.

25Vi que não havia ninguém

e que até os passarinhos tinham fugido.

26Vi ainda que a terra boa tinha virado um deserto

e que as cidades tinham sido arrasadas por Deus,

por causa do seu grande furor.

27Deus disse que a terra toda vai virar um deserto,

mas ele não a destruirá completamente.

28A terra chorará,

e o céu ficará escuro,

pois Deus falou

e não mudará de ideia.

Ele já decidiu

e não voltará atrás.

29Quando ouvirem o barulho dos cavaleiros

e dos atiradores de flechas,

todos sairão correndo.

Alguns fugirão para a floresta,

e outros subirão pelas rochas.

Todas as cidades ficarão vazias,

e ninguém morará nelas.

30Jerusalém, você está condenada!

Por que se veste de vermelho?

Por que usa joias e pinta os olhos?

Não adianta nada você querer ficar bonita!

Os seus amantes a rejeitaram,

e o que eles querem é matá-la.

31Ouvi um grito igual ao de uma mulher com dores de parto,

um grito como o de uma mulher

dando à luz o seu primeiro filho.

Era o grito de Jerusalém

respirando com dificuldade,

estendendo as mãos em desespero e dizendo:

“Estou perdida!

Eles vêm vindo para me matar!”