Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
8

A derrota final dos midianitas

81Os homens da tribo de Efraim disseram a Gideão:

— Por que você não nos chamou quando foi lutar contra os midianitas? Por que fez isso com a gente?

E tiveram uma discussão muito forte com Gideão. 2Mas ele lhes disse:

— O que eu fiz com os midianitas não é nada comparado com o que vocês fizeram. Até aquilo que o menor dos homens de Efraim fez tem mais valor do que aquilo que todos os homens do grupo de famílias de Abiezer fizeram. 3Deus entregou Orebe e Zeebe, os chefes midianitas, a vocês. Que foi que eu fiz, que possa ser comparado com isso?

Quando Gideão disse isso, os homens de Efraim ficaram menos zangados.

4Gideão e os seus trezentos homens foram até o rio Jordão e o atravessaram. Eles estavam muito cansados, mas continuaram a perseguir o inimigo. 5Então Gideão fez aos homens da cidade de Sucote o seguinte pedido:

— Estou perseguindo os chefes midianitas Zeba e Salmuna, e os meus homens estão muito cansados. Por favor, deem comida para eles.

8.3-5
Sl 83.11

6Mas os chefes de Sucote responderam:

— Por que devemos dar comida para o seu exército? Você ainda não prendeu Zeba e Salmuna!

7Aí Gideão disse:

— Está bem. Mas, quando o Senhor me entregar Zeba e Salmuna, eu rasgarei a carne de vocês com os espinhos das plantas do deserto.

8Gideão foi a Penuel e fez o mesmo pedido aos homens dali. Mas os homens de Penuel lhe deram a mesma resposta que os homens de Sucote tinham dado. 9Aí Gideão disse:

— Quando eu voltar são e salvo, derrubarei esta torre!

10Zeba e Salmuna estavam em Carcor com seu exército. De todo o exército dos povos do deserto, restavam apenas quinze mil homens. Cento e vinte mil tinham sido mortos. 11Gideão foi pelo caminho que rodeava o deserto, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou de surpresa o exército inimigo. 12Zeba e Salmuna, os dois chefes midianitas, fugiram. Mas ele os perseguiu e os prendeu. E o exército inteiro foi derrotado.

13Gideão, filho de Joás, voltou da batalha pela subida de Heres. 14Prendeu um moço de Sucote e lhe fez perguntas. Então o rapaz escreveu para Gideão os nomes dos setenta e sete chefes e líderes de Sucote. 15Aí Gideão foi falar com os homens de Sucote e disse:

— Vocês lembram de quando me desprezaram? Vocês disseram que não iam dar comida para o meu exército cansado porque eu ainda não tinha prendido Zeba e Salmuna. Muito bem, aqui estão eles!

16Então pegou espinhos das plantas do deserto e com eles castigou os chefes de Sucote. 17Também derrubou a torre de Penuel e matou os homens daquela cidade.

18Aí perguntou a Zeba e Salmuna:

— Com quem se pareciam os homens que vocês mataram em Tabor?

E eles responderam:

— Pareciam com você. Todos tinham jeito de príncipe.

19Gideão disse:

— Eles eram meus irmãos, filhos da minha mãe. Juro pelo Senhor Deus que, se vocês não os tivessem matado, eu também não mataria vocês.

20E disse a Jéter, o seu filho mais velho:

— Levante-se e mate-os.

Mas o rapaz não tirou a sua espada. Ele estava com medo, pois ainda era muito novo. 21Então Zeba e Salmuna disseram a Gideão:

— Venha você mesmo nos matar porque para isso é preciso ter coragem de homem.

Aí Gideão matou Zeba e Salmuna e pegou os enfeites em forma de meia-lua que estavam no pescoço dos seus camelos.

22Os homens de Israel disseram a Gideão:

— Você nos salvou dos midianitas. Portanto, seja nosso governador. E, depois de você, o seu filho e o seu neto.

23Gideão respondeu:

— Eu não serei governador de vocês, e o meu filho também não. O Senhor Deus é quem será o governador de vocês.

24E continuou:

— Mas vou fazer um pedido: cada um me dê um dos brincos que tirou dos vencidos.

Os midianitas usavam argolas de ouro nas orelhas porque eram gente do deserto.

25Os homens de Gideão responderam:

— Nós os daremos com prazer a você.

Então estenderam uma capa, e cada um pôs nela os brincos que tinha tomado dos midianitas. 26Os brincos de ouro que Gideão pediu pesaram quase trinta quilos. Isso fora os enfeites, os colares e as roupas de púrpura que os chefes de Midiã usavam. E sem contar também os enfeites que estavam no pescoço dos seus camelos. 27Com o ouro Gideão fez um ídolo e o colocou em Ofra, a sua cidade. Então todos os israelitas abandonaram a Deus e iam lá para adorar o ídolo. E isso foi uma armadilha para Gideão e a sua gente.

28Os midianitas foram derrotados pelos israelitas e por muito tempo deixaram de ser uma ameaça para eles. E a terra ficou em paz durante quarenta anos enquanto Gideão viveu.

A morte de Gideão

29Gideão voltou e ficou morando na sua própria casa. 30Ele foi pai de setenta filhos, pois tinha muitas mulheres. 31Ele também teve uma concubina em Siquém, e ela lhe deu um filho. Gideão pôs nele o nome de Abimeleque.

32Gideão, filho de Joás, morreu bem velho e foi sepultado no túmulo de Joás, o seu pai, em Ofra, a cidade do grupo de famílias de Abiezer.

33Depois que Gideão morreu, o povo de Israel abandonou a Deus novamente e adorou os deuses dos cananeus. Eles adotaram Baal-Berite como o seu deus. 34Não serviram por muito tempo ao Senhor Deus, que os havia livrado de todos os inimigos que viviam ao redor deles. 35E também não foram agradecidos à família de Gideão por tudo de bom que ele havia feito para o povo de Israel.

9

Abimeleque

91Abimeleque, filho de Gideão, foi à cidade de Siquém, onde viviam todos os parentes da sua mãe. Ele pediu 2que eles perguntassem aos homens de Siquém:

— O que é que vocês preferem: ser governados pelos setenta filhos de Gideão ou por um só homem? Lembrem que Abimeleque é do mesmo sangue de vocês.

3Então os parentes da sua mãe falaram sobre isso com os homens de Siquém, e eles resolveram seguir Abimeleque porque era parente deles. 4Deram a ele oitocentos gramas de prata tirados do templo de Baal-Berite. Com essa prata Abimeleque contratou alguns homens ordinários para o seguirem. 5Abimeleque foi para a casa do seu pai em Ofra e ali, em cima de uma só pedra, ele matou os seus setenta irmãos, os filhos de Gideão. Mas Jotão, o filho mais moço, se escondeu e por isso não foi assassinado. 6Então todos os homens de Siquém e de Bete-Milo se reuniram na árvore sagrada de Siquém e ali fizeram de Abimeleque o seu rei.

7Quando Jotão soube disso, subiu até o alto do monte Gerizim e gritou para eles:

— Homens de Siquém, me escutem, e Deus escutará vocês!

8Aí Jotão disse:

— Uma vez as árvores resolveram procurar um rei para elas. Então disseram à oliveira: “Seja o nosso rei.” 9E a oliveira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu azeite, usado para honrar os deuses e os seres humanos.”

10— Aí as árvores pediram à figueira: “Venha ser o nosso rei.” 11Mas a figueira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar os meus figos tão doces.”

12— Então as árvores disseram à parreira: “Venha ser o nosso rei.” 13Mas a parreira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu vinho, que alegra os deuses e os seres humanos.”

14— Aí todas as árvores pediram ao espinheiro: “Venha ser o nosso rei.” 15E o espinheiro respondeu: “Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano.”

16E Jotão continuou:

— Será que vocês foram sinceros e honestos quando fizeram de Abimeleque um rei? E será que vocês trataram Gideão e a sua família com decência e de acordo com o que ele merecia? 17Lembrem que o meu pai lutou por vocês. Ele arriscou a vida para salvá-los dos midianitas. 18Mas hoje vocês estão contra a família do meu pai. Vocês mataram os seus setenta filhos em cima de uma só pedra! E depois fizeram do seu filho Abimeleque, que é filho de uma escrava, o rei de Siquém. Fizeram isso somente porque ele é parente de vocês. 19Agora, se o que vocês fizeram hoje com Gideão e a sua família foi sincero e honesto, então sejam felizes com Abimeleque, e que ele seja feliz com vocês! 20Mas, se não, que de Abimeleque saia fogo e queime os homens de Siquém e de Bete-Milo! E que saia fogo dos homens de Siquém e de Bete-Milo e queime Abimeleque!

21Aí Jotão fugiu e foi viver em Beer porque estava com medo do seu irmão Abimeleque.

A revolta de Gaal

22Abimeleque governou o povo de Israel durante três anos. 23Então Deus fez com que Abimeleque e os homens de Siquém se odiassem. E eles se revoltaram contra Abimeleque. 24Isso aconteceu para que Abimeleque e os homens de Siquém, que o haviam ajudado a matar os setenta filhos de Gideão, pagassem pelo seu crime. 25Os moradores de Siquém puseram homens escondidos no alto das montanhas para matar Abimeleque. Eles assaltavam todos os que passavam por aquele caminho. E Abimeleque soube disso.

26Gaal, filho de Ebede, foi com os seus irmãos para Siquém, e os homens dali confiaram nele. 27Eles foram até as suas plantações, apanharam uvas e prepararam vinho. Então fizeram uma festa. Depois entraram no templo do seu deus, comeram, beberam e amaldiçoaram Abimeleque.

28Aí Gaal disse:

— Por que estamos sendo dominados por Abimeleque? Que tipo de homens somos nós, os homens de Siquém? E quem é ele? É o filho de Gideão. No entanto, Zebul recebe ordens dele. Por que devemos ser dominados por ele? Sejam fiéis ao seu antepassado Hamor, pai de Siquém. 29Ah! Se eu fosse o líder deste povo! Expulsaria Abimeleque e diria: “Já que o seu exército é tão grande, então saia e lute!”

30Zebul, o governador da cidade, ficou com muita raiva quando soube o que Gaal tinha dito. 31E mandou mensageiros a Abimeleque, que estava em Arumá, para dizerem a ele:

— Gaal, filho de Ebede, e os seus irmãos vieram a Siquém e estão atiçando o povo da cidade contra você. 32Por isso faça o seguinte: durante a noite você e os seus homens saiam e se escondam nos campos. 33Amanhã levantem-se ao nascer do sol e ataquem de surpresa a cidade. E, quando Gaal e os seus homens saírem para lutar, ataquem com tudo o que vocês tiverem!

34Então Abimeleque e todos os seus homens saíram durante a noite e se esconderam fora de Siquém, divididos em quatro grupos. 35Gaal se levantou e foi para o portão da cidade. Aí Abimeleque e os seus homens saíram de onde estavam escondidos. 36Quando Gaal os viu, disse a Zebul:

— Veja! Vem gente descendo do alto das montanhas!

Mas Zebul respondeu:

— Não são homens. São as sombras das montanhas.

37Porém Gaal disse:

— Veja! Vem gente descendo bem na nossa frente, e um grupo vem vindo da árvore sagrada.

38Então Zebul disse:

— Onde foi parar toda a sua conversa? Não foi você quem perguntou por que devíamos servir Abimeleque? Pois são estes os homens de quem você estava caçoando. Saia agora e lute contra eles.

39Aí Gaal saiu na frente dos homens de Siquém e lutou contra Abimeleque. 40Abimeleque o atacou, e Gaal fugiu. Muitos homens caíram feridos, até perto do portão da cidade. 41Então Abimeleque voltou para Arumá, e Zebul foi até Siquém e expulsou de lá Gaal e os seus irmãos.

42No dia seguinte o povo de Siquém saiu para os campos. E Abimeleque ficou sabendo disso. 43Então ele dividiu os seus homens em três grupos e os deixou escondidos no campo, esperando. Quando Abimeleque viu o povo saindo da cidade, saiu de onde estava escondido e os matou. 44Abimeleque e o seu grupo atacaram de surpresa e tomaram conta do portão da cidade. Os outros dois grupos atacaram o povo que estava nos campos e mataram todos. 45Abimeleque combateu os homens da cidade o dia todo. Tomou a cidade e matou os seus moradores. Então destruiu a cidade e espalhou sal no chão.

46Quando os chefes de Torre de Siquém souberam disso, foram todos para a fortaleza do templo de Baal-Berite para ficar em segurança. 47Mas Abimeleque soube que eles estavam reunidos lá. 48Aí subiu o monte Salmom com os seus homens. Pegou um machado, cortou um galho de árvore e o pôs no ombro. Disse aos homens para fazerem depressa a mesma coisa. 49E cada um deles cortou um galho de árvore. Depois eles seguiram Abimeleque e fizeram uma pilha de galhos encostados na fortaleza. Em seguida puseram fogo nos galhos e queimaram a fortaleza com toda a gente dentro. Assim morreram todos os moradores de Torre de Siquém, mais ou menos mil homens e mulheres.

50Depois Abimeleque foi a Tebes, cercou a cidade e a conquistou. 51Em Tebes havia uma forte torre. Todos os homens e mulheres e os líderes da cidade correram e entraram nela. Fecharam as portas e foram para o terraço. 52Abimeleque avançou, atacou a torre e chegou até a porta, para pôr fogo nela. 53Mas uma mulher jogou uma pedra de moinho na cabeça dele e quebrou o seu crânio.

9.53
2Sm 11.21
54Aí ele chamou depressa o moço que carregava as suas armas e disse:

— Tire a sua espada e me mate. Não quero que digam que fui morto por uma mulher.

Então o rapaz tirou a espada e o matou. 55Quando os israelitas viram que Abimeleque estava morto, voltaram todos para casa.

56E assim Deus castigou Abimeleque pelo crime que havia cometido contra o seu pai — o crime de matar os seus setenta irmãos. 57E, como castigo pela maldade dos homens de Siquém, Deus fez com que eles sofressem. E assim aconteceu o que Jotão, filho de Gideão, tinha dito que ia acontecer quando os amaldiçoou.

10

Tolá e Jair

101Depois de Abimeleque, Tolá, filho de Puá e neto de Dodo, veio libertar o povo de Israel. Ele era da tribo de Issacar e morava na cidade de Samir, na região montanhosa de Efraim. 2Tolá foi líder de Israel durante vinte e três anos. Depois morreu e foi sepultado em Samir.

3Em seguida apareceu Jair, da terra de Gileade. Jair foi líder de Israel durante vinte e dois anos. 4Ele tinha trinta filhos, que montavam trinta jumentos. Os seus filhos tinham trinta cidades na região de Gileade. Elas são chamadas até hoje de “cidades de Jair”. 5Jair morreu e foi sepultado em Camom.

Os amonitas escravizam o povo de Israel

6E mais uma vez os israelitas pecaram contra Deus, o Senhor. Adoraram o deus Baal de várias cidades, a deusa Astarote e também os deuses da Síria, de Sidom, de Moabe, de Amom e dos filisteus. Eles abandonaram o Senhor e deixaram de adorá-lo. 7Então ele ficou muito irado com os israelitas e deixou que sofressem nas mãos dos filisteus e dos amonitas. 8Naquele mesmo ano eles derrotaram os israelitas e os escravizaram. Durante dezoito anos eles escravizaram todos os israelitas que viviam em Gileade, a leste do rio Jordão, na terra dos amorreus. 9Os amonitas também atravessaram o rio Jordão para lutar contra as tribos de Judá, de Benjamim e de Efraim. E assim Israel passava por uma grande aflição.

10Então os israelitas pediram socorro a Deus, o Senhor, orando assim:

— Nosso Deus, nós pecamos contra ti porque te deixamos e adoramos os deuses dos cananeus.

11E o Senhor respondeu:

— No passado os egípcios, os amorreus, os amonitas, os filisteus, 12os sidônios, os amalequitas e os maonitas escravizaram vocês, e vocês me pediram socorro. E eu os salvei deles. 13Mas assim mesmo vocês me abandonaram e adoraram outros deuses. Por isso eu não vou mais ajudá-los. 14Agora peçam socorro aos deuses que vocês escolheram. Que eles os ajudem quando vocês estiverem em dificuldades!

15Mas o povo de Israel respondeu:

— De fato, nós pecamos. Faze de nós o que quiseres. Mas salva-nos hoje, por favor.

16Então eles jogaram fora os seus deuses estrangeiros e adoraram a Deus, o Senhor. E ele teve pena deles por causa da situação difícil em que estavam.

17Então o exército amonita veio e acampou em Mispa. 18E os chefes e o povo de Gileade combinaram que o homem que comandasse os israelitas na luta contra os amonitas seria o chefe dos moradores de Gileade.

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