Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000) (NTLH)
40

José explica dois sonhos

401Passado algum tempo, o rei do Egito foi ofendido por dois dos seus servidores, isto é, o chefe dos copeiros, que era encarregado de servir vinho, e o chefe dos padeiros. 2O rei ficou furioso com os dois 3e mandou que fossem postos na cadeia que ficava na casa do capitão da guarda, no mesmo lugar onde José estava preso. 4Eles ficaram muito tempo ali, e o capitão deu a José a tarefa de cuidar deles.

5Certa noite, ali na cadeia, o copeiro e o padeiro tiveram um sonho cada um. E cada sonho queria dizer alguma coisa. 6Quando José veio vê-los de manhã, notou que estavam preocupados. 7Então perguntou:

— Por que vocês estão com essa cara tão triste hoje?

8Eles responderam:

— Cada um de nós teve um sonho, e não há ninguém que saiba explicar o que esses sonhos querem dizer.

— É Deus quem dá à gente a capacidade de explicar os sonhos — disse José. — Vamos, contem o que sonharam.

9Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho. Ele disse:

— Sonhei que na minha frente havia uma parreira 10que tinha três galhos. Assim que as folhas saíam, apareciam as flores, e estas viravam uvas maduras. 11Eu estava segurando o copo do rei; espremia as uvas no copo e o entregava ao rei.

12José disse:

— A explicação é a seguinte: os três galhos são três dias. 13Daqui a três dias o rei vai mandar soltá-lo. Você vai voltar ao seu trabalho e servirá vinho ao rei, como fazia antes. 14Porém, quando você estiver muito bem lá, lembre de mim e por favor tenha a bondade de falar a meu respeito com o rei, ajudando-me assim a sair desta cadeia. 15A verdade é que foi à força que me tiraram da terra dos hebreus e me trouxeram para o Egito; e mesmo aqui no Egito não fiz nada para vir parar na cadeia.

16Quando o chefe dos padeiros viu que a explicação era boa, disse:

— Eu também tive um sonho. Sonhei que estava carregando na cabeça três cestos de pão. 17No cesto de cima havia todo tipo de comidas assadas que os padeiros fazem para o rei. E as aves vinham e comiam dessas comidas.

18José explicou assim:

— O seu sonho quer dizer isto: os três cestos são três dias. 19Daqui a três dias o rei vai soltá-lo e vai mandar cortar a sua cabeça. Depois o seu corpo será pendurado num poste de madeira, e as aves comerão a sua carne.

20Três dias depois o rei comemorou o seu aniversário, oferecendo um banquete a todos os seus funcionários. Ele mandou soltar o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros e deu ordem para que viessem ao banquete. 21-22E aconteceu exatamente o que José tinha dito: o rei fez com que o copeiro voltasse ao seu antigo trabalho de servir vinho ao rei e mandou que o padeiro fosse executado. 23Porém o chefe dos copeiros não lembrou de José; esqueceu dele completamente.

41

José explica os sonhos do rei

411Dois anos se passaram. Um dia o rei do Egito sonhou que estava de pé na beira do rio Nilo. 2De repente, saíram do rio sete vacas bonitas e gordas, que começaram a comer o capim da beira do rio. 3Logo em seguida saíram do rio outras sete vacas, feias e magras, que foram ficar perto das primeiras vacas, na beira do rio. 4E as vacas feias e magras engoliram as bonitas e gordas.

Aí o rei acordou. 5Mas tornou a dormir e teve outro sonho. Desta vez ele viu sete espigas de trigo que saíam de um mesmo pé; elas eram boas e cheias de grãos. 6Depois saíram sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto 7e elas engoliram as sete espigas cheias e boas.

O rei acordou: tinha sido um sonho. 8De manhã ele estava muito preocupado e por isso mandou chamar todos os adivinhos e todos os sábios do Egito. O rei contou os seus sonhos, mas nenhum dos sábios foi capaz de dar a explicação.

41.8
Dn 2.2
9Então o chefe dos copeiros disse ao rei:

— Chegou a hora de confessar um erro que cometi. 10Um dia o senhor ficou com raiva de mim e do chefe dos padeiros e nos mandou para a cadeia, na casa do capitão da guarda. 11Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho queria dizer uma coisa. 12Lá na cadeia estava com a gente um moço hebreu, que era escravo do capitão da guarda. Contamos a esse moço os nossos sonhos, e ele explicou o que queriam dizer. 13E tudo deu certo, exatamente como ele havia falado. Eu voltei para o meu serviço, e o padeiro foi enforcado.

14Então o rei mandou chamar José, e foram depressa tirá-lo da cadeia. Ele fez a barba, trocou de roupa e se apresentou ao rei. 15Então o rei disse:

— Eu tive um sonho que ninguém conseguiu explicar. Ouvi dizer que você é capaz de explicar sonhos.

16— Isso não depende de mim — respondeu José. — É Deus quem vai dar uma resposta para o bem do senhor, ó rei.

17Aí o rei disse:

— Sonhei que estava de pé na beira do rio Nilo. 18De repente, saíram do rio sete vacas bonitas e gordas, que começaram a comer o capim da beira do rio. 19Depois saíram do rio outras sete vacas, mas estas eram feias e magras. Em toda a minha vida eu nunca vi no Egito vacas tão feias como aquelas. 20E as vacas feias e magras engoliram as bonitas e gordas, 21mas nem dava para notar isso, pois elas continuavam tão feias como antes. Então eu acordei. 22Depois tive outro sonho. Eu vi sete espigas de trigo boas e cheias de grãos, as quais saíam de um mesmo pé. 23Depois saíram sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto 24e elas engoliram as sete espigas cheias e boas. Eu contei os sonhos aos adivinhos, mas nenhum deles foi capaz de explicá-los.

25Então José disse ao rei:

— Os dois sonhos querem dizer a mesma coisa. Por meio deles Deus está dizendo ao senhor o que ele vai fazer. 26As sete vacas bonitas são sete anos, e as sete espigas boas também são. Os dois sonhos querem dizer uma coisa só. 27As sete vacas magras e feias que saíram do rio depois das bonitas e também as sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto são sete anos em que vai faltar comida. 28É exatamente como eu disse: Deus mostrou ao senhor, ó rei, o que ele vai fazer. 29Virão sete anos em que vai haver muito alimento em todo o Egito. 30Depois virão sete anos de fome. 31E a fome será tão terrível, que ninguém lembrará do tempo em que houve muito alimento no Egito. 32A repetição do sonho quer dizer que Deus resolveu fazer isso e vai fazer logo.

33E José continuou:

— Portanto, será bom que o senhor, ó rei, escolha um homem inteligente e sábio e o ponha para dirigir o país. 34O rei também deve escolher homens que ficarão encarregados de viajar por todo o país para recolher a quinta parte de todas as colheitas, durante os sete anos em que elas forem boas. 35Durante os anos bons que estão chegando, esses homens ajuntarão todo o trigo que puderem e o guardarão em armazéns nas cidades, sendo tudo controlado pelo senhor. 36Assim, o mantimento servirá para abastecer o país durante os sete anos de fome no Egito, e o povo não morrerá de fome.

José como governador do Egito

37O conselho de José agradou ao rei e aos seus funcionários. 38E o rei lhes disse:

— Não poderíamos achar ninguém melhor para dirigir o país do que José, um homem em quem está o Espírito de Deus.

39Depois virou-se para José e disse:

— Deus lhe mostrou tudo isso, e assim está claro que não há ninguém que tenha mais capacidade e sabedoria do que você. 40Você vai ficar encarregado do meu palácio, e todo o meu povo obedecerá às suas ordens. Só eu terei mais autoridade do que você, pois sou o rei.

41.40
At 7.10
41Neste momento eu o ponho como governador de todo o Egito.

42Então o rei tirou do dedo o seu anel-sinete e o colocou no dedo de José. Em seguida mandou que o vestissem com roupas de linho fino e pôs uma corrente de ouro no pescoço dele.

41.42
Dn 5.29
43Depois fez com que José subisse no carro reservado para a maior autoridade do Egito depois do rei e mandou que os seus homens fossem na frente dele, gritando: “Abram caminho!” Assim, José foi posto como governador de todo o Egito. 44O rei disse a José:

— Eu sou o rei, mas sem a sua licença ninguém poderá fazer nada em toda a terra do Egito.

45-46O rei pôs em José o nome de Zafenate Paneia e lhe deu como esposa Asenate, filha de Potífera, que era sacerdote da cidade de Heliópolis.

José tinha trinta anos quando entrou para o serviço do rei do Egito. Ele saiu da presença do rei e viajou por todo o Egito. 47Durante os sete anos de fartura a terra produziu cereais em grande quantidade. 48E José ajuntou todos os cereais e os guardou em armazéns nas cidades, ficando em cada cidade os cereais colhidos nos campos vizinhos. 49José ajuntou tanto mantimento, que desistiu de pesar, pois não dava mais: parecia a areia da praia do mar.

50Antes de começarem os anos de fome, José teve dois filhos com a sua mulher Asenate. 51Pôs no primeiro o nome de Manassés41.51 Manassés em hebraico soa parecido com a palavra que quer dizer “fazer esquecer”. e explicou assim: “Deus me fez esquecer todos os meus sofrimentos e toda a família do meu pai.” 52No segundo filho pôs o nome de Efraim41.52 Efraim em hebraico soa parecido com as palavras que querem dizer “ter filhos” ou “dar fruto”. e disse: “Deus me deu filhos no país onde tenho sofrido.”

53Então acabaram-se os sete anos de fartura no Egito, 54e, como José tinha dito, começaram os sete anos de fome. Nos outros países o povo passava fome, mas em todo o Egito havia o que comer.

41.54
At 7.11
55Quando os egípcios começaram a passar fome, foram pedir alimentos ao rei. Ele disse:

— Vão falar com José e façam o que ele disser.

41.55
Jo 2.5

56Quando a fome aumentou no país inteiro, José abriu todos os armazéns e começou a vender cereais aos egípcios. 57E de todos os países vinha gente ao Egito para comprar cereais de José, pois no mundo inteiro havia uma grande falta de alimentos.

42

Os irmãos de José vão até o Egito

421Quando Jacó soube que havia mantimentos no Egito, disse aos filhos:

— Por que vocês estão aí de braços cruzados? 2Ouvi dizer que no Egito há mantimentos. Vão até lá e comprem cereais para não morrermos de fome.

42.2
At 7.12

3Então os dez irmãos de José por parte de pai foram até o Egito para comprar mantimentos. 4Mas Jacó não deixou que Benjamim, o irmão de José por parte de pai e de mãe, fosse com eles; ele tinha medo de que lhe acontecesse alguma desgraça. 5Os filhos de Jacó foram comprar mantimentos junto com outras pessoas, pois em todo o país de Canaã havia fome.

6Como governador do Egito, era José quem vendia cereais às pessoas que vinham de outras terras. Quando os irmãos de José chegaram, eles se ajoelharam na frente dele e encostaram o rosto no chão. 7Logo que José viu os seus irmãos, ele os reconheceu, mas fez de conta que não os conhecia. E lhes perguntou com voz dura:

— Vocês, de onde vêm?

— Da terra de Canaã — responderam. — Queremos comprar mantimentos.

8José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram. 9Então José lembrou dos sonhos que tinha tido a respeito deles e disse:

— Vocês são espiões que vieram para ver os pontos fracos do nosso país.

42.9
Gn 37.5-10

10Eles responderam:

— De modo nenhum, senhor. Nós, os seus criados, viemos para comprar mantimentos. 11Somos filhos de um mesmo pai. Nós não somos espiões, senhor! Somos gente honesta.

12— Não acredito — disse José. — Vocês vieram para ver os pontos fracos do nosso país.

13Eles disseram:

— Nós moramos em Canaã. Somos ao todo doze irmãos, filhos do mesmo pai. Mas um irmão desapareceu, e o mais novo está neste momento com o nosso pai.

14José respondeu:

— É como eu disse: vocês são espiões. 15E o jeito de provar que vocês estão dizendo a verdade é este: enquanto o irmão mais moço de vocês não vier para cá, vocês não sairão daqui. Isso eu juro pela vida do rei! 16Um de vocês irá buscá-lo, mas os outros ficarão presos até que fique provado se estão ou não dizendo a verdade. Se não estão, é que vocês são espiões. Juro pela vida do rei!

17E os pôs na cadeia por três dias. 18No terceiro dia José disse a eles:

— Eu sou uma pessoa que teme a Deus. Vou deixar que vocês fiquem vivos, mas com uma condição. 19Se, de fato, são pessoas honestas, que um de vocês fique aqui na cadeia, e que os outros voltem para casa, levando mantimentos para matar a fome das suas famílias. 20Depois tragam aqui o seu irmão mais moço. Isso provará se vocês estão ou não dizendo a verdade; e, se estiverem, não serão mortos.

Eles concordaram 21e disseram uns aos outros:

— De fato, nós agora estamos sofrendo por causa daquilo que fizemos com o nosso irmão. Nós vimos a sua aflição quando pedia que tivéssemos pena dele, porém não nos importamos. Por isso agora é a nossa vez de ficarmos aflitos.

22E Rúben disse assim:

— Eu bem que disse que não maltratassem o rapaz, mas vocês não quiseram me ouvir. Por isso agora estamos pagando pela morte dele.

42.22
Gn 37.21-22

23Eles não sabiam que José estava entendendo o que diziam, pois ele tinha estado falando com eles por meio de um intérprete. 24José saiu de perto deles e começou a chorar. Quando pôde falar outra vez, voltou, separou Simeão e mandou que fosse amarrado na presença deles.

Os irmãos de José voltam para Canaã

25José mandou que os empregados enchessem de mantimentos os sacos que os irmãos haviam trazido e que devolvessem o dinheiro de cada um, colocando-o nos sacos de mantimentos. E também que lhes dessem comida para a viagem. E assim foi feito. 26Os irmãos de José carregaram os jumentos com os mantimentos que haviam comprado e foram embora. 27Quando chegaram ao lugar onde iam passar a noite, um deles abriu um saco para dar comida ao seu animal e viu que o seu dinheiro estava ali na boca do saco de mantimentos. 28Ele disse aos irmãos:

— Vejam só! O meu dinheiro está aqui no meu saco de mantimentos! Eles devolveram!

Todos ficaram muito assustados e, tremendo de medo, perguntavam uns aos outros:

— O que será isso que Deus fez com a gente?

29Quando chegaram a Canaã, contaram a Jacó, o seu pai, tudo o que havia acontecido com eles. E disseram:

30— Aquele homem, o governador do Egito, tratou a gente com brutalidade e nos acusou de termos ido ao seu país como espiões. 31Nós respondemos: “Somos homens honestos; não somos espiões. 32Somos ao todo doze irmãos, filhos do mesmo pai. Mas um dos nossos irmãos desapareceu, e o mais novo está neste momento com o nosso pai em Canaã.” 33O governador respondeu: “Eu tenho um jeito de descobrir se vocês são homens honestos. Um de vocês ficará aqui comigo, e os outros vão voltar, levando um pouco de mantimento para as suas famílias, que estão passando fome. 34Mas tragam aqui para mim o seu irmão mais novo. Assim, eu ficarei sabendo que vocês não são espiões, mas homens honestos. Aí entregarei o irmão de vocês, e vocês poderão ficar aqui negociando.”

35Aconteceu que, quando despejaram os mantimentos, cada um achou na boca do saco um saquinho com o seu dinheiro. Quando eles e o seu pai viram o dinheiro, ficaram com medo. 36Então Jacó disse:

— Vocês querem que eu perca todos os meus filhos? José não está com a gente, e Simeão também não está. Agora vocês querem levar Benjamim, e quem sofre com tudo isso sou eu!

37Aí Rúben disse ao pai:

— Deixe que eu tome conta de Benjamim; eu o trarei de volta para o senhor. Se não trouxer, o senhor pode matar os meus dois filhos.

38Jacó respondeu:

— O meu filho não vai com vocês. José, o irmão dele, está morto, e só ficou Benjamim. Alguma coisa poderia acontecer com ele na viagem que vão fazer, e assim vocês matariam de tristeza este velho.

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